Mundo López Obrador passa de crítico a favorável ao livre comércio em busca de reanimar a economia

21:17  30 junho  2020
21:17  30 junho  2020 Fonte:   msn.com

López Obrador nega que sua visita aos EUA seja usada na campanha de Trump

  López Obrador nega que sua visita aos EUA seja usada na campanha de Trump O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador negou nesta quinta-feira (25) que sua visita aos Estados Unidos, a primeira viagem que fará ao exterior, seja usada para reforçar a campanha para a reeleição do presidente americano Donald Trump. "Não vou para questões políticas eleitorais, é uma visita de Estado, é uma visita que tem a ver com o início do tratado", disse o presidente, referindo-se à entrada em vigor do novo acordo comercial entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC).O T-MEC, que substitui o NAFTA,  negociado por exigência de Trump, entra em vigor em 1o de julho.

O presidente do México, López Obrador, em coletiva nacional na Cidade do México, em 29 de junho de 2020 © Handout O presidente do México, López Obrador, em coletiva nacional na Cidade do México, em 29 de junho de 2020

O primeiro presidente de esquerda do México, cuja cruzada contra o "neoliberalismo" é defendida como uma batalha econômica e moral, deposita agora suas esperanças no T-MEC, o renovado acordo de livre comércio com os Estados Unidos e o Canadá, como forma de restaurar uma economia fragilizada.

Esse paradoxo reflete a exitosa integração da América do Norte a partir do livre mercado, um antigo anátema para líderes nacionalistas como Andrés Manuel López Obrador, que hoje vê o acordo como uma tábua de salvação para os efeitos da pandemia à segunda maior economia latino-americana.

Trump elogia AMLO e diz que o receberá 'muito em breve' na Casa Branca

  Trump elogia AMLO e diz que o receberá 'muito em breve' na Casa Branca O presidente americano, Donald Trump, elogiou nesta terça-feira (23) seu colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e disse que espera recebê-lo "muito em breve" na Casa Branca. "Implementamos acordos inovadores com o México. Quero agradecer o presidente do México. Realmente é um grande sujeito, acho que virá a Washington muito em breve, à Casa Branca", disse Trump durante uma mesa redonda sobre segurança fronteiriça em Yuma, Arizona. Trump e"Implementamos acordos inovadores com o México. Quero agradecer o presidente do México. Realmente é um grande sujeito, acho que virá a Washington muito em breve, à Casa Branca", disse Trump durante uma mesa redonda sobre segurança fronteiriça em Yuma, Arizona.

"Para o México isso significará investimento. (...) É por isso que é muito importante que o acordo entre em vigor" na próxima quarta-feira, afirmou López Obrador, que em breve fará sua primeira viagem ao exterior em 18 meses como presidente para se reunir com Donald Trump em Washington e oficializar o novo acordo.

"Estamos prestes a sair da pandemia e precisamos reativar a economia, sair da recessão econômica, após a queda ocasionada pelo coronavírus", acrescentou ele durante sua entrevista coletiva na manhã da última segunda.

A urgência do presidente é mais do que justificada. O banco central mexicano acredita que a economia possa sofrer queda de 8,8% neste ano, enquanto o FMI vê um declínio de 10,5%.

Além disso, mais de 12 milhões de mexicanos, a grande maioria dependentes da economia informal, pararam de procurar emprego em abril por causa do confinamento e da consequente suspensão da produção no país.

Congressistas hispânicos pedem a Trump para cancelar reunião com presidente mexicano

  Congressistas hispânicos pedem a Trump para cancelar reunião com presidente mexicano Legisladores da Liga dos Congressistas Hispânicos denunciaram em Washington a "politização" das relações entre os Estados Unidos e o México e pediram ao presidente Donald Trump para cancelar sua reunião com o chefe de Estado mexicano, Andrés Manuel López Obrador. O presidente do México viajará a Washington nos dias 8 e 9 de julho para se encontrar com Trump para celebrar a adoção do novo acordo comercial norte-americano, o T-MEC. OsO presidente do México viajará a Washington nos dias 8 e 9 de julho para se encontrar com Trump para celebrar a adoção do novo acordo comercial norte-americano, o T-MEC.

Sob a ameaça de um país empobrecido, a promessa de livre comércio parece um milagre para o presidente.

- Sinais contraditórios -

"Signfica realmente algo extraordinário, porque o T-MEX, o Nafta, sempre foi considerado como o pilar do neoliberalismo", explica Luis de la Calle, economista que negociou o primeiro acordo que iniciou a integração com os Estados Unidos, em 1994.

O especialista elogia a atitude presidencial, ao lembrar que o Méxicou saiu das suas duas maiores crises econômicas recentes, em 1995 e 2009, graças ao aumento das exportações.

Porém, a fé de López Obrador no T-MEC não coincide com suas ações de política econômica e sua relação com o investimento privado.

Desde que cancelou a construção de um aeroporto na Cidade do México, avaliado em US$ 13 bilhões, no início de seu mandato, houve um aumento dos sinais contraditórios.

Neste ano, as decisões do governo levaram à suspensão da construção de uma cervejaria e de uma usina termelétrica, cada uma avaliada em mais de US$ 1 bilhão, ampliando a existência de um fator que funciona como uma bomba para os investidores: a incerteza.

T-MEC, sucessor do Nafta, entra em vigor durante incerteza da pandemia

  T-MEC, sucessor do Nafta, entra em vigor durante incerteza da pandemia O novo acordo de livre-comércio da América do Norte (T-MEC em espanhol, UMSCA em inglês), uma promessa eleitoral do presidente americano, Donald Trump, entrará em vigor na quarta-feira (1o), em meio à crise do coronavírus, que levou o mundo à pior crise econômica desde a Grande Depressão. Apesar das incertezas provocada pela COVID-19, que abalou o comércio e as redes de abastecimento, autoridades e especialistas veem com esperança o Tratado México, Estados Unidos, Canadá (T-MEC), que substitui o TLCAN (Tratado de Livre-Comércio da América do Norte, Nafta em inglês), em vigor desde 1994.

Sua determinação em fortalecer o setor energético nacional, em nomes como a petroleira Pemex e a elétrica CFE, também o levou a rever contratos e regulamentos que afetaram os interesses privados em um setor estratégico para a integração industrial com os EUA, outro ponto virtuoso do pacto comercial.

De la Calle aponta cinco atitudes necessárias para valorizar os benefícios do T-MEC: coordenar a reabertura econômica com os Estados Unidos, melhorar a logística binacional, incentivar um mercado de energia abundante e eficiente, apostar em tecnologia e respeitar as regras do jogo.

"O México está na direção oposta em várias delas, se não todas, nos últimos meses", alerta.

O fluxo comercial entre os três países atingiu US$ 1,2 trilhão em 2019.

- A melhor opção -

Após 15 meses de árdua negociação e debates legislativos, o México teve que ceder no que se refere ao capítulo trabalhista do T-MEC, assim como nas regras de origem da indústria automotiva, o principal ponto do acordo.

O aumento da produção na região e a exigência para que certos componentes sejam feitos em fábricas que pagam altos salários atingem diretamente os interesses das montadoras mexicanas, competitivas por menores custos do que seus parceiros no acordo.

"Todas as empresas estão revisando como cumprirão essas regras", disse Fausto Cuevas, diretor geral da Associação Mexicana da Indústria Automotiva, antes do início do T-MEC.

Apesar das concessões, De la Calle conclui que o resultado do acordo foi melhor do que a opção de vê-lo destruído por Trump ou questionado por López Obrador.

"Nesse sentido, é um grande sucesso", conclui.

A troca do México com seus parceiros americanos totalizou US$ 600.683 milhões, em 2019. Desse valor, 96% corresponde ao comércio com os Estados Unidos.

jla/axm/mr/bn/cc

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Recuperação do Covid-19 para a Alemanha será lenta e dolorosa, mostram dadosBERLIM (Reuters) - As encomendas de produtos industriais alemães se recuperaram moderamente em maio, e um quinto das empresas da maior economia da Europa afirmou em pesquisa publicada nesta segunda-feira que teme falência, reforçando expectativas de uma recuperação lenta e dolorosa da pandemia de coronavírus.

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