Mundo Armênia e Azerbaijão intensificam confronto mais violento desde os anos 1990

19:31  28 setembro  2020
19:31  28 setembro  2020 Fonte:   reuters.com

Confrontos violentos entre o Azerbaijão e separatistas armênios em Nagorno-Karabakh

  Confrontos violentos entre o Azerbaijão e separatistas armênios em Nagorno-Karabakh Confrontos violentos, com mortos e feridos entre civis e militares, eclodiram neste domingo (27) entre forças do Azerbaijão e separatistas da região de Nagorno-Karabakh, apoiados pela Armênia, que declarou a mobilização geral e a lei marcial. "Há mortos e feridos entre civis e militares", declarou a presidência do Azerbaijão, enquanto o mediador público de Karabakh informou sobre "vítimas civis" na população da região.Em um clima bélico muito tenso, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, disse que seu exército lançou "golpes devastadores" ao inimigo e prometeu "vencer" nesses combates.

Membros das Forças Armadas do Azerbaijão realizam disparos durante confronto com a Armênia © Reuters/DEFENCE MINISTRY OF AZERBAIJAN Membros das Forças Armadas do Azerbaijão realizam disparos durante confronto com a Armênia

Por Nvard Hovhannisyan e Nailia Bagirova

YEREVAN/BAKU (Reuters) - O confronto entre a Armênia e o Azerbaijão escalou intensamente nesta segunda-feira dentro e ao redor do território montanhoso de Nagorno-Karabakh, e ao menos 30 pessoas morreram em um segundo dia de embates violentos.

Forças dos dois vizinhos ex-soviéticos se atacaram com foguetes e artilharia na maior conflagração do conflito de décadas em mais de um quarto de século.

Conflitos entre Armênia e Azerbaidjão ameaçam estabilidade na região sul do Cáucaso

  Conflitos entre Armênia e Azerbaidjão ameaçam estabilidade na região sul do Cáucaso Conflitos entre Armênia e Azerbaidjão ameaçam estabilidade na região sul do Cáucaso , corredor de dutos que transportam petróleo e gás para os mercados mundiais. Houve relatos de mortes em ambos os lados, que travaram uma guerra na década de 1990. A Armênia e Nagorno-Karabakh, uma região separatista que fica dentro do Azerbaijão, mas é governada por armênios étnicos, declararam lei marcial e mobilizaram suas populações masculinas. A Armênia disse que o Azerbaidjão realizou um ataque aéreo e de artilharia Nagorno-Karabakh.

Se ele degenerasse em uma guerra, atrairia as grandes potências regionais Rússia e Turquia. Moscou tem uma aliança de defesa com a Armênia, enquanto Ancara apoia os turcomanos étnicos do Azerbaijão aos quais os turcos são aparentados.

"Não vimos nada assim desde o cessar-fogo da guerra nos anos 1990. O combate está acontecendo em todas as seções da linha de frente", disse Olesya Vartanyan, analista sênior do Crisis Group para a região do sul do Cáucaso.

Ela disse que o uso crescente de foguetes e artilharia cria um risco maior de baixas civis, o que pode tornar a escalada mais difícil de deter por meios diplomáticos.

"Se houver baixas em massa, será extremamente difícil conter este combate, e certamente veremos uma guerra propriamente dita que terá uma intervenção em potencial da Turquia ou da Rússia, ou ambas", opinou Vartanyan.

Conflito entre Azerbaijão e separatistas armênios de Nagorno Karabakh entra no terceiro dia

  Conflito entre Azerbaijão e separatistas armênios de Nagorno Karabakh entra no terceiro dia O governo do Azerbaijão e os separatistas armênios de Nagorno Karabakh anunciaram nesta terça-feira que provocara grandes perdas ao outro lado, no terceiro dia de combates no território, apesar dos esforços internacionais para deter o conflito. Desde domingo, as forças do território separatista de Nagorno Karabakh, apoiado política, militar e economicamente pela Armênia, e as tropas do Azerbaijão protagonizam os confrontos mais violentos na região desde 2016.O balanço oficial de mortos nos combates até terça-feira era de 98, incluindo 14 civis (10 do Azerbaijão e quatro do lado armênio). Mas os dois lados alegam que mataram centenas de soldados inimigos.

A Armênia de maioria cristã e o Azerbaijão majoritariamente muçulmano se chocaram pela primeira vez nos anos 1980 por causa de Nagorno-Karabakh, região separatista localizada no Azerbaijão, mas povoada e administrada principalmente por armênios étnicos.

A luta ressuscitou temores a respeito da segurança do sul do Cáucaso, um corredor de dutos de petróleo e de gás para mercados de todo o mundo.

Angela Frangyan, cineasta que mora em Stepanakert, capital de Nagorno-Karabakh, disse que os moradores se recolheram a abrigos antibomba e que se ouve um bombardeio constante. Todas as lojas foram fechadas e não há quase ninguém nas ruas, contou ela.

O presidente turco, Tayyip Erdogan, exigiu que a Armênia se retire imediatamente de terras azeris que acusou o país de estar ocupando e disse que é hora de encerrar a crise em Nagorno-Karabakh.

O Parlamento armênio repudiou o que classificou como um "ataque militar de escala total" do Azerbaijão em Nagorno-Karabakh, dizendo que a investida está recebendo ajuda da Turquia e que o envolvimento de Ancara cria o perigo de desestabilizar a região. O Azerbaijão negou que a Turquia esteja participando do combate.

No fronte diplomático, a China exortou os dois lados a mostrarem comedimento, a Rússia pediu um cessar-fogo imediato e a Turquia disse que amparará o Azerbaijão.

(Reportagem adicional de Mark Trevelyan e Tom Balmforth)

Presidente azerbaijano condiciona cessar-fogo à retirada armênia de Karabakh .
O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, condicionou neste domingo (4) o cessar-fogo na disputada região de Nagorno Karabakh a uma retirada das forças armênias no oitavo dia de combates, particularmente em Stepanakert, a capital separatista, e em Ganja, a segunda maior cidade azerbaijana. - Oitavo dia de combates - As forças separatistas armênias de Nagorno Karabakh e o exército do Azerbaijão travaram neste domingo combates pelo oitavo dia consecutivo.As duas partes intensificaram suas declarações belicosas, ignorando os apelos internacionais a uma trégua e atribuindo-se mutuamente a responsabilidade pelo conflito.

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