Mundo Bolsonaro avalia proibir Huawei na rede 5G do Brasil: Fonte

20:42  15 outubro  2020
20:42  15 outubro  2020 Fonte:   bloomberg.com

Huawei se adianta a Trump e estoca chips para rede 5G da China

  Huawei se adianta a Trump e estoca chips para rede 5G da China A Huawei Technologies passou meses silenciosamente armazenando chips de rádio essenciais antes das sanções do governo Trump. Com isso, a empresa garante o fornecimento às operadoras chinesas na implementação da tecnologia 5G, orçada em US$ 170 bilhões, até pelo menos 2021. No final de 2019, a parceira Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) começou a aumentar a produção dos chips de comunicação Tiangang de 7 nanômetros da Huawei, o principal componente em estações-base 5G, disseram pessoas a par do assunto.

(Bloomberg) -- O presidente Jair Bolsonaro está considerando proibir a Huawei de fornecer componentes para a futura rede 5G no Brasil porque vê a China como ameaça global à privacidade dos dados e à soberania dos países, segundo um alto integrante do governo. O presidente tem pé atrás com o gigante asiático, disse a fonte, que não está autorizada a falar no assunto publicamente.

O martelo não foi batido e qualquer decisão sobre o tema levará em conta pontos de vista de outras instâncias no governo. Mas o comentário expõe a contínua desconfiança de Bolsonaro em relação ao maior parceiro comercial do país. Até agora as autoridades brasileiras têm evitado dizer se irão ceder à pressão dos EUA para manter a Huawei fora da rede móvel ultrarrápida a ser construída no Brasil.

Acusações dos EUA não têm fundamentos, diz executivo da Huawei no Brasil

  Acusações dos EUA não têm fundamentos, diz executivo da Huawei no Brasil Marcelo Motta negou que a empresa seja utilizada pelo governo chinês para acessar dados privados, mas disse que decisão sobre participação da Huawei no 5G do País depende de BolsonaroO diretor local de cibersegurança da Huawei, Marcelo Motta, afirmou ao Estadão/Broadcast que os ataques dos Estados Unidos carecem de "quaisquer fundamentos" e negou que a companhia tenha acesso a dados privados ou que tenha obrigação de repassar esse conteúdo ao governo chinês.

O governo brasileiro minimiza chances de retaliação chinesa já que o país asiático depende das importações agrícolas brasileiras para alimentar sua população, disse a pessoa. A percepção no Brasil é que outros países que vetaram a Huawei de suas respectivas redes de 5G não sofreram grandes consequências, disse a autoridade.

Em entrevista recente à Bloomberg, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, disse que a decisão brasileira sobre o bloqueio da Huawei definirá todo o relacionamento mais amplo do país com a China. “O que está em jogo é se um país consegue criar para todas as empresas regras de mercado e ambiente de negócios nos parâmetros de abertura, imparcialidade e não discriminação”, disse ele.

Procurado, o Palácio do Planalto encaminhou o pedido de comentário ao Ministério das Comunicações. Em nota, o ministério disse que o leilão 5G trata de questões estratégicas de segurança nacional e de dados e que a licitação está em debate no governo e entre presidentes de países envolvidos. “Esse é um tema de Estado, de segurança de dados. A decisão sobre os fornecedores de equipamentos de telecomunicações perpassa diversos órgãos de governo para além do Ministério das Comunicações, como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Ministério da Defesa, o Ministério da Economia e o Ministério das Relações Exteriores. Por se tratar de segurança nacional, envolve também todos os presidentes dos países envolvidos com esse tema”, diz um trecho da nota.

Embaixada da China do Brasil sai em defesa da Huawei em meio à pressão dos EUA pelo 5G

  Embaixada da China do Brasil sai em defesa da Huawei em meio à pressão dos EUA pelo 5G Em publicação nas redes sociais, porta-voz chinês acusa os EUA de realizarem "escutas cibernéticas e vigilância"; em visita ao Brasil, delegação norte-americana afirma que uso de tecnologia da Huawei traria riscos para a segurança de dados do PaísEm meio às discussões sobre o leilão do 5G no Brasil, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, saiu em defesa da Huawei nesta terça-feira, 20, por meio do perfil nas redes sociais da embaixada do país no Brasil.

O leilão 5G , programado para o próximo ano, e a parceria com a China como um todo têm sido objeto de visões conflitantes dentro do governo. Enquanto o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, defendem uma competição aberta e justa pela nova rede de celular, Bolsonaro tem demonstrado muito mais entusiasmo na relação com os EUA de Donald Trump do que com a China. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, responsabilizou implicitamente o país asiático pela pandemia de Covid-19, ao sugerir em reunião ministerial em abril e escrever em seu blog pessoal que o coronavírus reviveu “o pesadelo comunista”. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, também acusou a “ditadura chinesa” de ser responsável pela pandemia, dizendo que “a culpa é da China”.

O Brasil planeja escolher uma empresa de telefonia - que por sua vez poderá usar tecnologia chinesa ou europeia - para construir sua rede 5G por volta de maio de 2021, disse o ministro das Comunicações, Fábio Faria, em entrevista recente, depois que a pandemia atrasou o processo de licitação inicialmente programado para este ano. Faria disse que o atraso acabou sendo positivo, pois está permitindo ao governo observar as negociações e vetos em outros países antes de tomar uma decisão.

A China foi destino de 40% das exportações brasileiras no primeiro semestre, segundo dados do Ministério da Agricultura. As vendas para o país asiático, principalmente de soja, geraram mais receita do que para os EUA, América Latina, Europa, África e Oriente Médio juntos.

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