Mundo Oposição convoca greve geral em Belarus para forçar renuncia de Lukashenko

17:11  26 outubro  2020
17:11  26 outubro  2020 Fonte:   brasil.rfi.fr

Bolivianos vão às urnas sob a sombra da instabilidade

  Bolivianos vão às urnas sob a sombra da instabilidade Bolívia realiza sua primeira eleição presidencial sem a participação de Evo Morales em mais de duas décadas. Muitos esperam que pleito ajude o país a superar de uma vez o caos político – mas isso é muito pouco provável. © Juan Karita/AP Images/picture-alliance Candidato de Morales, Luis Arce lidera as intenções de voto na Bolívia Quando os bolivianos forem às urnas neste domingo (18/10) para eleger um novo governante e um novo Parlamento, o ex-presidente Evo Morales não aparecerá nas cédulas de votação. Será a primeira eleição sem sua participação desde 1997, ou seja, em mais de duas décadas.

O início da paralisação acontece um dia após mais uma mega manifestação em Minsk contra a reeleição contestada do chefe de Esatdo bielorrusso. Mais de 100.000 pessoas protestaram nesse domingo (25) na capital Minsk, no último dia do ultimato estabelecido pelos opositores para a renúncia do presidente Alexander Lukashenko, antes da greve geral.

  Oposição convoca greve geral em Belarus para forçar renuncia de Lukashenko © AFP

O movimento é liderado por Svetlana Tikhanovskaia que, do exílio na Lituânia, aposta todas suas fichas ao convocar seus partidários a paralisar o país a partir desta segunda-feira (26), escreve o jornal francês Libération.

"Os funcionários de empresas e fábricas estatais, os trabalhadores do setor dos transportes, os mineiros, professores e estudantes começaram a cruzar os braços hoje", afirmou a opositora em uma mensagem no Telegram. Dezenas de estudantes se reuniram nesta manhã diante das universidades.

A história omitida

  A história omitida Ninguém sabe, ou melhor, todos sabem o que aconteceu em Chernobyl, mas não pode e não deve ser dito por um motivo muito simples: todos somos culpados ao mesmo tempo, por ação ou por inação . Desde o funcionário de última categoria que falsificava suas informações para se dar valor e justificar seu trabalho até o diretor da central, que fazia o mesmo, e pelas mesmas razões que o último de seus empregadinhos, para fazer saber a seus chefes que ali, sim, as coisas eram bem conduzidas, porque havia alguém que sabia fazer seu trabalho etcétera.

O protesto no setor estatal visa pressionar economicamente o regime, e no setor privado mostrar solidariedade ao movimento de contestação contra Lukashenko, explicou Tikhanovskaia. O presidente, está no poder desde 1994 e seu governo controla boa parte da economia do país.

Décima primeira manifestação

Esse foi o 11° domingo de protestos desde a reeleição contestada de Lukashenko em 9 de agosto. E o dia foi especial, diz a enviada do jornal progressista francês a Belarus. A multidão, que contava até com manifestantes militares, foi a mais densa desde o início das manifestações. Como nas outras vezes, o protesto foi disperso no início da noite por granadas e balas de borracha lançadas pela polícia.

Os participantes, como o jovem de 20 anos, Vladislav, citado por Libé, já sabiam que o ultimato não funcionaria. Esta era uma evidência inclusive para a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaia.

Guiné-Conacri: Oposição denuncia mortes e fraudes nas eleições

  Guiné-Conacri: Oposição denuncia mortes e fraudes nas eleições Líder da oposição intensifica tensão na Guiné-Conacri após declarar unilateralmente a sua vitória nas eleições. Autoridades eleitorais desqualificam alegações de fraude e comunidade internacional pede calma a políticos. © John Wessels/AFP/AFP/Getty Images Provided by Deutsche Welle A União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), principal partido da oposição na Guiné, denunciou fraudes em "grande escala" nas eleições presidenciais de domingo (18.10). Por outro lado, as principais organizações regionais africanas consideraram as eleições regulares.

Entrevistada pelo jornal, a opositora analisa que Luckashenko vai tentar se manter no poder a qualquer custo e não partirá espontaneamente. "Eu lancei o ultimato porque queria mostrar que não somos um pequeno grupo de manifestantes como eles mostram na televisão. Nós somos a maioria, queremos mobilizar ainda mais pessoas contra esse regime e vamos continuar protestando", indicou a líder da oposição bielorrussa.

Ampliar a base do movimento

Libération explica que este é o grande desafio da revolução pacífica em curso em Belarus: ampliar sua base e contar com uma participação crescente de novo manifestantes. Como Yuliana, 33 anos, que participou do protesto pela primeira vez nesse domingo. Ela disse que não integrou o movimento antes porque tinha medo de ser detida, mas resolveu vencer o medo por causa do ultimato, na esperança de que ele mude alguma coisa.

Lukashenko chegou a organizar uma contramanifestação, mas alertado por seus conselheiros, cancelou o evento que poderia dar ainda mais importância à oposição. A repressão do regime contra qualquer dissidência continua. Os integrantes do Conselho de Coordenação, criado por Tikhanovskaia para organizar a transição democrática, ou estão no exílio ou presos. Na verdade, o diálogo entre a oposição e o regime nunca foi iniciado. Por isso, a líder da oposição faz a aposta arriscada de convocar uma greve geral, na opinião de Libération.

Uma primeira paralisação convocada em agosto fracassou. Tikhnovskaia tem consciência que essa nova greve não será nada fácil, principalmente porque ela tem que vencer a propaganda de Estado. Nas regiões rurais de Belarus, muita gente se informa unicamente pela televisão estatal e ainda apoia o presidente.

É difícil estimar claramente a popularidade de Lukashenko, uma vez que as eleições são fraudadas e as pesquisas de opinião um privilégio do Estado, aponta o jornal francês.  Mas, após anos de indiferença, as discussões políticas entre gerações se animaram, se polarizaram, avós brigaram com netos e amigos não se falam mais. Para Libération, isso é um sinal de que a democracia não está longe em Belarus.

Trabalhadores e estudantes pressionam líder de Belarus com greve nacional .
Trabalhadores e estudantes pressionam líder de Belarus com greve nacionalLukashenko ignorou um ultimato para entregar o poder até a meia-noite, desafiando seus oponentes a levarem adiante a ameaça de paralisar o país com greves, quase três meses depois que uma vitória eleitoral contestada desencadeou protestos em massa.

usr: 0
Isto é interessante!