Mundo Em briga com Macron, Turquia pede boicote de produtos franceses

18:16  26 outubro  2020
18:16  26 outubro  2020 Fonte:   ansabrasil.com.br

Leia detalhes do discurso de Macron que emocionou a França

  Leia detalhes do discurso de Macron que emocionou a França O discurso do presidente Emmanuel Macron encerrou nesta quarta-feira (21) a homenagem nacional ao professor francês que se tornou um símbolo da liberdade de expressão, após ser decapitado por um extremista islâmico, aos 47 anos, depois de exibir caricaturas do profeta Maomé numa aula. Ao som de "One", do grupo irlandês U2, o corpo de Samuel Paty entrou no pátio da Universidade Sorbonne, em Paris, na noite desta quarta-feira (21), carregado pela Guarda Republicana  “Nós somos um” diz a letra da música, escolhida pela família para aquele momento.

Erdogan voltou a atacar Macron, dessa vez, por conta da liberdade de expressão © Ansa Brasil Erdogan voltou a atacar Macron, dessa vez, por conta da liberdade de expressão

(ANSA) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltou a atacar o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (26) e pediu que as nações islâmicas "não comprem mais produtos franceses" .

"Os responsáveis políticos europeus devem parar a campanha de ódio feita por Macron. Na Europa, os muçulmanos estão sofrendo uma campanha de linchamento similar àquela dos judeus antes da Segunda Guerra Mundial", disse Erdogan reclamando que a "islamofobia" é como uma "peste nos países europeus".

"Faço apelo à chanceler [Angela] Merkel. Se vocês têm liberdade de religião, como que foram quase 100 ataques contra mesquitas? Vocês são os verdadeiros fascistas, são os herdeiros dos nazistas", acusou ainda.

'Inaceitável': Eliseu reage a insulto de presidente turco que chamou Macron de 'doente metal'

  'Inaceitável': Eliseu reage a insulto de presidente turco que chamou Macron de 'doente metal' A presidência francesa denunciou neste sábado (24) as declarações consideradas "inaceitáveis" do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que questionou "a saúde mental" de seu homólogo francês, Emmanuel Macron, por causa de sua "atitude para com os muçulmanos". "As palavras do presidente Erdogan são inaceitáveis. Ultraje e grosseria não são um método. Exigimos que Erdogan mude o curso de sua política porque é perigoso de todos os pontos de vista. Não entramos. em polêmica desnecessária e não aceitam insultos ", declarou o Palácio do Eliseu à agência AFP, anunciando uma convocação para consultas do embaixador francês em Ancara.

A revolta da Turquia, assim como de outros países que possuem governos islâmicos, veio após um discurso de Macron em que o presidente defendeu a liberdade de expressão - em uma referência que esses políticos entenderam como uma liberação de quadrinhos que "ataquem" os islâmicos, como no caso do jornal satírico "Charlie Hebdo".

A fala do presidente francês ocorreu por conta de uma homenagem ao professor de história Samuel Paty, decapitado por um islamista no dia 16 de outubro, após ter debatido em sala de aula temas referentes à liberdade de expressão e mostrado charges que ridicularizavam Maomé.

No entanto, líderes europeus reagiram às acusações de Erdogan e apoiaram o chefe do Palácio do Eliseu.

"As palavras são difamatórias e absolutamente inaceitáveis", disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em sua coletiva diária com os jornalistas.

Decapitação põe secularismo novamente em debate na França

  Decapitação põe secularismo novamente em debate na França Assassinato de professor de história levou muitos franceses, inclusive Macron, a erguerem a voz pelos valores seculares do país. Mas críticos dizem que a defesa a todo custo do laicismo pode estar fomentando divisões. © Charles Platiau/Reuters Protesto em Paris após a decapitação do professor Em janeiro de 2015, milhões de pessoas tomaram as ruas de Paris e de outras cidades francesas para denunciar os ataques terroristas na redação do Charlie Hebdo. Uma nação indignada erguia lápis coloridos e faixas , em defesa da livre expressão e do secularismo na França.

"A União Europeia fixou um quadro de trabalho e um término, em dezembro, para a reflexão e a avaliação das ações da Turquia, antes de anunciar uma conclusão. Nessa rodada de trabalho, está também prevista a estrada positiva do diálogo e, no momento, essa permanece a rota mesmo com os comentários do presidente Recep Tayyip Erdogan sobre Emmanuel Macron, ligados às vinhetas de Maomé", disse o porta-voz do Serviço Europeu para Ação Externa, Peter Sano.

Já o porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer, "uma coisa é a reação imediata de apoio" a Macron, e outra coisa é a "reflexão a longo prazo".

- Moeda despenca:

Além da briga com Macron, que vem se estendendo já há alguns meses, Erdogan tem causado outros focos de conflitos com membros da União Europeia, como no caso da disputa pela extração de combustíveis fósseis no Mediterrâneo Oriental com a Grécia e o Chipre, e também com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Por conta das constantes tensões, a lira turca - a moeda oficial do país - bateu um recorde negativo nesta segunda-feira. A moeda superou as 8 liras turcas por US$ 1 e também chegou a 9,5 liras turcas por euro. Ainda, segundo especialistas, a queda leva também em conta a decisão do Banco Central de manter as taxas de juros invariáveis. (ANSA).

Macron tenta aliviar tensão com mundo muçulmano, mas denuncia 'manipulações' .
O presidente francês, Emmanuel Macron, tentou acalmar a ira do mundo muçulmano contra a França com uma entrevista neste sábado (31) para a Al Jazeera, na qual disse entender que os muçulmanos possam se sentir "chocados" com as caricaturas de Maomé, mas denunciou "manipulações". "Meu papel consiste em tentar acalmar as coisas", mas também em "proteger" a liberdade de expressão na França, explicou o presidente durante uma entrevista de quase uma hora, difundida pela emissora catariana, que tem grande audiência e influência no Oriente Próximo e no Magreb.

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