Mundo Muçulmanos na França são como judeus antes da Segunda Guerra, diz Erdogan

18:21  26 outubro  2020
18:21  26 outubro  2020 Fonte:   brasil.rfi.fr

'Milagre' de Varsóvia: como judeus confinados em gueto contiveram epidemia com medidas de saúde pública

  'Milagre' de Varsóvia: como judeus confinados em gueto contiveram epidemia com medidas de saúde pública Pesquisadores analisaram como foi possível acabar com grave epidemia de tifo no gueto de Varsóvia, onde, na 2ª Guerra, centenas de milhares de judeus foram confinados sob condições desumanas.O Gueto de Varsóvia, o maior da Europa, abrigava boa parte da enorme população judia da Polônia e também judeus deportados da Alemanha, de onde muitos foram despachados para o campo de concentração de Treblinka.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta segunda-feira (26) à população do seu país que boicote os produtos franceses. Ele também comparou a situação dos muçulmanos na França à dos judeus antes da Segunda Guerra Mundial e acusou alguns dirigentes europeus de nazismo e fascismo.

  Muçulmanos na França são como judeus antes da Segunda Guerra, diz Erdogan © AP - Emrah Gurel

As declarações acontecem dois dias depois de Erdogan dizer que o presidente francês, Emmanuel Macron, era "doente mental" por promover um "separatismo islâmico", após declarações do chefe de Estado a respeito da publicação de caricaturas de Maomé, na sequência do brutal assassinato do professor Samuel Paty, decapitado perto de Paris por um terrorista. De acordo com Erdogan, "uma campanha de linchamento parecida com a que foi feita contra os judeus antes da Segunda Guerra Mundial está sendo organizada contra os muçulmanos".

'Inaceitável': Eliseu reage a insulto de presidente turco que chamou Macron de 'doente metal'

  'Inaceitável': Eliseu reage a insulto de presidente turco que chamou Macron de 'doente metal' A presidência francesa denunciou neste sábado (24) as declarações consideradas "inaceitáveis" do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que questionou "a saúde mental" de seu homólogo francês, Emmanuel Macron, por causa de sua "atitude para com os muçulmanos". "As palavras do presidente Erdogan são inaceitáveis. Ultraje e grosseria não são um método. Exigimos que Erdogan mude o curso de sua política porque é perigoso de todos os pontos de vista. Não entramos. em polêmica desnecessária e não aceitam insultos ", declarou o Palácio do Eliseu à agência AFP, anunciando uma convocação para consultas do embaixador francês em Ancara.

Ele também pediu à população o boicote dos produtos franceses. "Assim como na França alguns dizem 'não comprem as máscaras turcas', peço que não comprem produtos de marcas francesas", disse Erdogan em um discurso em Ancara. O chefe de Estado turco ainda exortou a Europa a interromper a campanha de "ódio de Macron contra os muçulmanos".

No fim de semana, Erdogan também acusou o líder francês de ser "obcecado por ele dia e noite". Segundo o presidente turco, o Macron "precisava se submeter a exames mentais".

Nesta segunda-feira (26), a chanceler alemã, Angela Merkel, comentou a troca de farpas entre os dois e condenou as "declarações difamatórias" de Erdogan.

A origem da polêmica está nas declarações feitas pelo presidente francês na semanda passada, durante a homenagem nacional ao professor assassinado Samuel Paty. Na ocasião, em uma cerimônia na Sorbonne, ele prometeu que a França não renunciaria às caricaturas e à liberdade de expressão.

Erdogan diz que Macron precisa de tratamento mental por postura em relação a muçulmanos

  Erdogan diz que Macron precisa de tratamento mental por postura em relação a muçulmanos Erdogan diz que Macron precisa de tratamento mental por postura em relação a muçulmanosNo começo deste mês, Macron prometeu lutar contra o "separatismo islâmico", que, segundo ele, ameaçava tomar o controle de algumas comunidades muçulmanas ao redor da França, motivando uma forte resposta de Erdogan.

Macron apresentou um plano no sábado (24) de luta contra o "islamismo radical", que prevê a criação de um projeto de lei visando "aqueles que negam as leis da República em nome da religião". O plano foi interpretado por muitos países como um ataque contra os muçulmanos e gerou uma campanha de boicote de produtos franceses, retirados dos supermercados em Doha, Catar e Jordânia.

A França pediu aos governos dos países muçulmanos que "parassem" com os apelos ao boicote e solicitou também que eles "garantissem a segurança dos franceses que vivem em seus territórios".  O presidente francês publicou um tuíte neste domingo (25) garantindo que a França valoriza a  "liberdade, igualdade, e fraternidade" e que "nada fará o país recuar". A mensagem foi postada também em árabe e em inglês.

Tensão cresceu no fim de semana

A tensão entre Paris e Ancara cresceu no fim de semana. Horas depois das declarações de Erdogan sobre a saúde mental de Macron, a presidência francesa criticou "a ausência de mensagens de condolências e de apoio do presidente turco" após o assassinato do professor Samuel Paty, decapitado na saída de sua escola, em Yvelines, na região parisiense.

UE denuncia declarações de Erdogan sobre Macron como "inaceitáveis"

  UE denuncia declarações de Erdogan sobre Macron como Chefe da diplomacia europeia pede que presidente turco pare com "espiral perigosa de confrontos. No sábado, Erdogan questionou "saúde mental" do presidente francês.O chefe da diplomacia a União Europeia Josep Borrell denunciou neste domingo (25/10) como "inaceitáveis" as declarações do presidente turco Recep Tayyip Erdogan sobre o presidente francês Emmanuel Macron.

O Ministério turco das Relações Exteriores assegurou, neste domingo (25), que o embaixador da Turquia na França enviou suas condolências. O órgão divulgou um comunicado afirmando que a Turquia "luta há anos contra todo tipo de terror e violência, e estava triste com a morte de Samuel Paty".

Em um tuíte publicado em 17 de outubro, o embaixador da Turquia na França, Ismail Hakki Musa, se disse "horrorizado" com o assassinato de Paty.

Paquistão convoca embaixador francês

Paralelamente, as autoridades paquistanesas convocaram nesta segunda-feira (26) o embaixador da França no país, Marc Barety, um dia depois do primeiro-ministro do país acusar o governo francês de "organizar um ataque contra o Islã".

A convocação foi confirmada em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores paquistanês. O texto condena "a campanha islamofóbica sistemática, conduzida sob o pretexto da defesa da liberdade de expressão".

Com informações da AFP

'Macron, o demônio de Paris': por que há tanta revolta contra presidente francês no mundo islâmico .
'Não vamos desistir de nossos cartuns', disse Macron durante homenagem a professor que foi decapitado por exibir desenhos do profeta Maomé; e agora, imagem do presidente francês é queimada em protestos em países do mundo islâmico.E agora, imagens do presidente francês estão sendo queimada em protestos furiosos em todo o mundo islâmico, onde foi retratado como um "demônio" e acusado de adorar a Satanás.

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