Mundo Para Andrew Solomon, nunca mais teremos a sensação de invencibilidade de antes do vírus

13:32  19 dezembro  2020
13:32  19 dezembro  2020 Fonte:   estadao.com.br

Guia de viagem de fim de ano: é melhor ir de carro, ônibus ou avião para evitar infecção pela covid?

  Guia de viagem de fim de ano: é melhor ir de carro, ônibus ou avião para evitar infecção pela covid? Especialistas recomendam evitar passeios e aglomerações, mas apontam os cuidados para quem precisa se deslocarFérias, verão e festas de Natal e ano-novo estão chegando e, mesmo com o número crescente de casos e óbitos pela covid-19, a previsão é que os brasileiros continuem viajando no fim do ano. As principais capitais do País já apresentam um aumento na busca por aluguel de carro, ao mesmo tempo em que as maiores companhias aéreas já anunciaram voos extras para o circuito doméstico na alta temporada.

Ninguém sairá ileso desta pandemia. Nem mesmo aqueles que conseguiram tirar algo de bom deste período de isolamento, que reviram suas prioridades, não pegaram o vírus, não perderam ninguém – nem o emprego. O dano está aí, esse trauma deverá ser elaborado individualmente e coletivamente, e talvez leve uma geração para voltarmos a nos sentir seguros. Essa é a opinião do escritor e palestrante americano Andrew Solomon, 57 anos, autor de O Demônio do Meio-Dia (Companhia das Letras), um importante livro sobre depressão que ele escreveu com base em sua experiência e em muita pesquisa.

Em entrevista ao Estadão, concecida pelo Zoom dias antes de a vacina contra o coronavírus ser aprovada nos Estados Unidos, ele explica que, quando tudo voltar a ser o mais próximo do que era quando o coronavírus nos isolou uns dos outros, será mais fácil para a maior parte dos adultos retomar suas vidas e suas relações de amizade. A preocupação é com as crianças.

Mutação do coronavírus não é razão para pânico

  Mutação do coronavírus não é razão para pânico Nova variante do Sars-Cov-2 descoberta no Reino Unido parece ser capaz de se espalhar mais rapidamente, mas isso não a torna necessariamente mais perigosa. © picture-alliance/Niaid Os vírus estão em constante mutação, e essas mutações costumam ter efeitos mínimos A mutação do novo coronavírus recentemente confirmada no sul do Reino Unido está se espalhando mais rapidamente do que a variante anterior, afirmou o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock. Já há mil casos de pessoas infectadas pelo vírus com a mutação.

“Está sendo muito difícil para elas. As crianças precisam do alimento da interação com outras crianças. A falta disso é venenosa”, comenta. Um de seus filhos, George, de 11 anos, começou a sentir os efeitos do isolamento. Para minimizar o impacto, Solomon e o marido decidiram flexibilizar um pouco e receberam amigos do garoto e seus pais para o fim de semana por entender, àquela altura, que o risco psicológico que George corria era mais sério do que o risco de a família contrair o vírus. Foi uma decisão complicada e difícil, ele diz, mas necessária.

Solomon reconhece que se tornou mais próximo do filho e mais envolvido com tudo em casa. “O tempo que passamos juntos é inestimável e importante. Mas também sei que isso teve um custo para o George e, por consequência, teve um custo para todos nós.”

Não serei líder do governo nem terei truculência política de Maia, diz Lira

  Não serei líder do governo nem terei truculência política de Maia, diz Lira Arthur Lira falou ao Poder360. ‘Nomes de Maia são governistas’. Maia votou com rancor contra Dilma. Renda Brasil, só dentro do teto. Voto impresso: falta projeto piloto. Taxa digital não pode elevar impostoA eleição para a principal cadeira da Câmara é em 1º de fevereiro de 2021. Por decisão do STF, Maia não pode se candidatar novamente. Mas o demista tenta montar um grupo que rivalize com Lira na disputa e fala em 3 possíveis nomes: Baleia Rossi (MDB-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ou Marcos Pereira (Republicanos-SP).

Muitas crianças estão sofrendo e lutando nesta pandemia e deverá haver uma grande adaptação para elas também. “É tentador para os pais dizer ‘ok, vai ter uma vacina e talvez em seis meses a gente volte para a vida normal’. Não. As crianças deverão ser ressocializadas. Elas terão de ser reintroduzidas em seus círculos sociais e vão ter que recuperar hábitos de interação perdidos”, diz. “Essas crianças vão ter que tentar retomar a infância interrompida. E isso vai ser um fardo enorme e pesado para elas e para a sociedade em volta delas”, completa.

Leia trechos da entrevista concedida por Andrew Solomon

Estamos entrando no 9º mês de uma pandemia que transformou nossas vidas. Passamos, individualmente e coletivamente, por várias fases. Sentimos medo, ansiedade. Alguns vivenciaram situações de pânico e depressão. Muitos negaram a situação. Houve uma certa flexibilização, para então tudo piorar. Onde estamos neste momento, no que diz respeito ao nosso ânimo diante do coronavírus? E como isso pode influenciar nas nossas próximas ações e no futuro da humanidade?

Pensando em viajar? Confira as regras nas praias preferidas pelos mineiros

  Pensando em viajar? Confira as regras nas praias preferidas pelos mineiros Pandemia de COVID-19 impõe restrições e medidas de segurança para tentar frear contágio; turistas precisam ficar atentos antes de cair na estradaÉ com esse objetivo que o Estado de Minas procurou as prefeituras de Cabo Frio (RJ), Rio de Janeiro, Porto Seguro (BA) e Guarapari (ES) para verificar as regras, pelo menos por enquanto, dessas cidades para administrar a alta temporada do turismo e a crise sanitária ao mesmo tempo, conforme os decretos municipais em vigor até o fechamento desta edição.

Com a vacina, podemos pensar, realisticamente, que isso não vai continuar para sempre. Mas, ao mesmo tempo, enfrentamos uma grande fadiga, a fadiga da quarentena. Ao fim de nove meses, já não é mais uma experiência em que encontramos sentido ou descobrimos coisas novas. Algumas foram transformadas por isso. Outras reavaliaram suas prioridades e às vezes saíram com prioridades melhores. Mas há muita solidão e uma grande sensação de isolamento. Nas relações adultas, se não vemos outras pessoas por alguns meses, esse relacionamento não muda exatamente. Já nos relacionamentos infantis, que têm um impacto não só nas crianças, é diferente. Meu filho tinha 10 anos quando isso começou. Ele tem agora 11 anos e meio e é, em muitos aspectos, uma pessoa diferente do que era. Seus amigos também são pessoas diferentes e é difícil sustentar essas amizades por esse período. Há uma tendência de as pessoas começarem a dizer que não podem viver assim para sempre e relaxar a guarda. E com as pessoas relaxando a guarda, e há uma necessidade psicológica em se fazer isso, comete-se um erro terrível com relação à saúde. Todo mundo está tendo que negociar esse equilíbrio entre saúde física e mental – particularmente quem vive sozinho, mas também quem está numa família em que se enlouquecem mutuamente. É preciso expertise interna para balancear sua saúde física e mental e para decidir quais riscos valem a pena. E quem mais tem condição de fazer isso são as pessoas com mais privilégio e maior grau de instrução. Essa é mais uma prova de como a pandemia afeta mais os menos favorecidos que a gente.

'É como estar numa prisão', diz brasileira em Londres após 40 países fecharem portas para Reino Unido

  'É como estar numa prisão', diz brasileira em Londres após 40 países fecharem portas para Reino Unido 'Estou na minha casa. Há 10 meses, eu não sei o que é Londres', diz publicitária que vive há 7 anos na cidade."As pessoas falam: 'Ah, mas você está em Londres'", conta a brasileira, citando conversas sobre as dificuldades da pandemia com amigos e parentes que vivem no Brasil.

Ao redor do mundo, há pessoas fazendo escolhas questionáveis. Existe uma questão sobre o público e o privado, sobre o direito de um e o do outro, que é pouco discutida. Pessoas vão à praia e andam na rua sem máscara. Festas e reuniões sociais voltaram. Empregadas domésticas e babás também voltaram ao trabalho. Diria que a pandemia evidenciou ainda mais nossa falta de compreensão a respeito do que significa viver em comunidade?


Galeria: Mariana Rios diz que pensamento positivo pode mudar vidas; veja como (StarsInsider)

Você sabia que fazer afirmações positivas obre si mesmo pode mudar sua vida para melhor? Sim, internalizar esses pensamentos nos faz crescer como indivíduos, fortalecer mentalmente e melhora até a nossa saúde. Mariana Rios sabe bem disso e revelou em papo com a Quem que o poder do pensamento positivo é transformador e pode mesmo mudar as vidas das pessoas.'No livro eu divido experiências minhas em relação a sentir e realizar. Nós somos energia. Tudo é energia. Quando você condiciona seu cérebro a pensar no que realmente deseja, e aprende a direcionar seu pensamento para aquilo que é positivo, sua vida muda. Esse método simplesmente nasceu comigo. Ninguém me ensinou. Aos 22 anos que fui entender a força que tinha dentro de mim', disse a atriz e cantora, que lançou recentemente a obra 'Basta Sentir'. Mas como essa prática deve ser feita? Na verdade, é muito mais do que apenas dizer como você é incrível, embora seja parte disso. O primeiro passo é entender como e porque as afirmações positivas são eficazes e a neurociência por trás desse hábito.Com informações do Positive Psychology, veja como afirmações positivas podem realmente funcionar com você! Veja na galeria.

Sim. E o exemplo mais óbvio desse problema é a questão da máscara. Há quem proteste, dizendo que elas são incômodas e desnecessárias, que não acreditam na pandemia ou que sua liberdade pessoal está sendo comprometida. Mas a maioria das pessoas usa cinto de segurança no carro. Pessoas se comprometem com muitas outras atividades e comportamentos, há muitos contratos sociais com os quais concordamos. A histeria que cerca a resistência de usar máscara é lunática. E a máscara tem duas funções: proteger quem está usando e as outras pessoas. Qualquer um com adequada noção de vida em comunidade tem que reconhecer que mesmo que opte por correr riscos é injusto e cruel colocar em risco a saúde de outros. Há essa insistência na questão da liberdade individual. Eu não tenho liberdade individual de dirigir bêbado. Abro mão disso para proteger outras pessoas, e a mim também. O egoísmo de quem se recusa a usar máscara é uma manifestação nojenta do lado mais feio das sociedades modernas. E isso está correlacionado com os processos que levaram à terrível liderança incompetente que, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, permitiu a escalada dessa crise para proporções absurdas e horríveis que não precisava ter alcançado.

Betfair.net anuncia Alex para ações na reta final da Libertadores 2020

  Betfair.net anuncia Alex para ações na reta final da Libertadores 2020 Lenda do futebol sul-americano ajudará a aproximar marca dos fãs. Campeão da Libertadores pelo Palmeiras dará vida à campanha ‘Todo Resultado É Possível’ e aproximará os fãs do futebol do campo à segurança de suas próprias casas. © Fornecido por LANCE! Alex é o novo parceiro da Betfair.net (Foto: Divulgação/@betfair.net) A lenda do futebol sul-americano e vencedor da Libertadores pelo Palmeiras em 1999 também compartilhará sua opinião de especialista sobre as semifinais e final do campeonato, que conta com duas equipes brasileiras em lados opostos da chave.

Praia da Barra da Tijuca lotada em setembro, durante a pandemia do coronavírus © Wilton Junior/Estadão Praia da Barra da Tijuca lotada em setembro, durante a pandemia do coronavírus

Em muitos países, o coronavírus começou a se espalhar entre a população mais rica para então atingir os mais pobres – e, sem a possibilidade de receberem os mesmos cuidados, os efeitos foram ainda mais devastadores para essa população. A desigualdade social também se reflete nos cuidados com a saúde mental?

A desigualdade social se reflete ainda mais no cuidado com a saúde mental do que no cuidado com a saúde física. Em certo sentido, nesta pandemia, é chocante a ideia da morte como grande equalizador – de que vamos morrer independentemente de nossa situação. Hoje, mais pessoas desfavorecidas estão morrendo. A taxa de contaminação é mais alta entre essa população, e a de morte também. A primeira questão com relação à saúde mental é o acesso ao tratamento. Mesmo em países como uma boa rede de assistência social em saúde, esse acesso permanece desigual, e permanece assim porque ele requer, em primeiro lugar, que se tenha um diagnóstico. Se você é uma pessoa próspera com uma vida boa e se sente mal, você liga para o médico e ele te atende. Se você está mais embaixo no estrato social, sentir isso não parece tão bizarro e irracional e você não reconhece como uma doença, apenas como parte do curso natural das coisas. E se você não reconhece o problema, é mais difícil ter acesso a tratamento. E, finalmente, no tratamento da saúde mental, os menos favorecidos não têm condição de medir seu funcionamento porque eles não têm todas as prerrogativas que nós temos, e é mais provável que continuem com tratamentos insatisfatórios do que tenham acesso a tratamentos de primeira classe. E, com terapia ou medicação, o tratamento de doenças mentais requer tempo e foco do psiquiatra ou psicólogo – e geralmente eles têm mais tempo e foco para tratar quem pode pagar mais. A disponibilidade de cuidados de saúde mental é muito segregada.

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  COVID-19: Médico mineiro está entre os primeiros vacinados na Inglaterra Edson Nogueira, de Divinópolis, atua na linha de frente contra a pandemia no Reino Unido; Preocupado com a família em Minas, aposta na capacidade da ciência“A sensação de alívio realmente existe. Não só por mim, mas pela fila enorme de colegas que vi receberem a vacina. Fico feliz em imaginar que essas pessoas estão protegidas, diminuindo enormemente o risco de se infectarem pelo vírus e potencialmente eliminando a transmissão para seus pacientes, suas famílias, e pessoas que fazem parte da sua convivência. Receberei a segunda dose da vacina da Pfizer no dia 13 de janeiro, 21 dias depois de ter tomado a primeira. Já tenho esse compromisso marcado no calendário”, disse o médico.

Não é fácil para quem está sozinho, não é fácil para quem está acompanhado. Famílias viveram intensamente o isolamento. Houve fortalecimento e esgarçamento de laços. Houve aumento da violência doméstica, de abuso sexual. Conhece algum plano para o enfrentamento da pandemia que inclua um olhar para a saúde mental?

Quando a pandemia começou em Wuhan, houve um movimento para ajudar os profissionais do sistema de saúde da China a ajudar as pessoas. O modelo estava lá desde o começo, mas não foi seguido por sociedades ocidentais. Há pessoas morrendo também por causa da dimensão mental disso tudo. Uma das coisas que a depressão faz é abater o seu sistema imunológico. Se você não está se sentindo deprimido, então você tem mais chance ter um sistema imunológico capaz de combater melhor esse vírus. As pessoas estão em risco por causa de sua saúde mental precária. E pessoas com a saúde mental precária acabam se sentindo mais fatalistas até o ponto de não poderem fazer mais nada com relação ao vírus. Elas correm riscos bobos e cometem erros. Este é um momento muito perigoso ao qual chegamos. O aspecto mental é realmente importante – e também porque tentamos ter uma sociedade que funcione. Se numa sociedade todo mundo está perdido na teia da depressão, ninguém consegue fazer o seu trabalho ou levar as coisas adiante. E as consequências são verdadeiramente trágicas.

No caso das crianças, pediatras diziam que esse momento com os pais, se os pais conseguirem controlar sua ansiedade, seu medo e sua angústia, até poderia ser bom para fortalecer as relações e construir memórias afetivas. E, no entanto, as crianças também estão tristes. Há relatos de efeitos mais severos, com consequências preocupantes. Você comentou sobre o seu filho. O meu, que é menor, criou o tempo ‘no dia de sair mundo’ e usa essa expressão para falar sobre o que sente falta no isolamento. O que diria aos pais neste momento? E o que observar?

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É interessante que seu filho esteja dizendo isso. O meu, não tanto agora, mas mais no começo da pandemia, dizia: quando a pandemia acabar, podemos fazer uma viagem para o Japão, para o Marrocos? Ele olhava para o mapa mundi e dizia: que tal aqui, que tal lá? Mas é muito difícil para as crianças porque elas precisam do alimento da interação com outras crianças. A falta disso é venenosa. Em casa, decidimos aceitar o risco e receber amigos de George e seus pais para o fim de semana. Nós reconhecíamos que a pandemia estava piorando muito nos Estados Unidos e que a taxa de infecção estava muito alta e que estávamos assumindo um risco. Assumimos o risco com pessoas que conhecemos bem e que são muito cuidadosas. Entendemos que o custo psicológico para o George não ter contato com nenhum amigo estava se tornando mais alto do que o risco que assumimos. Então tomamos essa decisão complicada e difícil. Quando olharmos para trás em 2020, se tivermos contraído covid, poderemos dizer que isso foi um erro. E se sairmos bem dessa, poderemos dizer que não foi. Sinto que me tornei mais próximo do meu filho e do meu marido e mais envolvido com as coisas da nossa vida do que eu era. O tempo que passamos juntos é inestimável e importante. Mas também sei que isso teve um custo para o George e, por consequência, teve um custo para todos nós. Muitas crianças estão sofrendo e lutando nesta pandemia. Deverá haver uma grande adaptação para elas também. Você disse que seu filho fala sobre o dia de sair muito. É tentador para os pais dizer 'ok, vai ter uma vacina e talvez em seis meses a gente volte para a vida normal'. Não. As crianças deverão ser ressocializadas. Elas vão ter de ser reintroduzidas em seus círculos sociais. Elas vão ter que recuperar hábitos de interação perdidos. Os adultos, com a vacina, vão se recuperar facilmente - se eles não tiverem ficado doentes ou perdido o emprego. Mas as crianças vão ter que tentar retomar a infância interrompida. E isso vai ser um fardo enorme e pesado para elas e para a sociedade em volta delas. Sei que quando George for um velho homem ele vai dizer para os seus netos: tivemos aquele ano da quarentena, era assim, ele mudou minha perspectiva em todos os sentidos - do mesmo jeito que as pessoas que sobreviveram à ocupação nazista dizem que isso as transformou para sempre, especialmente as crianças.

Esse trauma será tratado individualmente e coletivamente?

A única forma de resolver o trauma social é que cada indivíduo lide com seus traumas individuais. Enquanto sociedade, nunca teremos a sensação de invencibilidade que tínhamos um ano atrás. A necessidade de enfrentarmos a percepção de instabilidade que se instalou como um fenômeno social é enorme. Se quisermos que as pessoas sintam-se seguras novamente, teremos que descobrir como lhes garantir a segurança. Acho que será necessária uma geração para se chegar a essa sensação de segurança. Vamos viver com um medo social que vai afetar toda a nossa visão de mundo. E vai demandar um grande esforço de políticos e cientistas sociais para formular maneiras para tentar livrar a população desse terror.

Alguém vai sair ileso?

Alguns sairão mais fortes e outros mais machucados – mas ninguém sairá ileso. Para alguns, o lado positivo vai superar o negativo. Mas o dano ainda estará lá. O dano está afetando absolutamente todos.

O sofrimento atinge a todos. Isso nos torna, ou deveria nos tornar, mais empáticos? Estamos caminhando no sentido de ter uma sociedade melhor ou o contrário?

Eu adoraria dizer que estamos caminhando em direção a uma sociedade mais amável. Estou animado com a eleição americana, o que acho que foi um clamor pela decência e contra o autoritarismo, mas acho que, no geral, isso provavelmente teve mais a ver com interesses individuais e com o sentimento de desassistência do que com o desejo de uma sociedade mais gentil e mais justa. As pessoas são mais empáticas quando se seguras. E acho que essa pandemia as fez sentir menos seguras. Eu gostaria de dizer que estamos caminhando em direção a uma sociedade mais empática, o que seria uma resposta agradável à sua questão, mas na verdade acho que algumas pessoas se tornarão mais empáticas enquanto muitas se tornarão mais egoístas.

E o que você aprendeu, particularmente, com a pandemia?

Primeiro que passar tempo em rotinas em casa é muito mais rico do que eu imaginava. Não vou voltar para a vida agitada que eu tinha. E penso o tempo todo nas últimas palavras da minha mãe. Ela estava no quarto com meu pai, meu irmão e eu e disse: ‘Procurei por tantas coisas nessa vida e o tempo todo o paraíso estava aqui, com vocês três’. Quero viver uma vida baseada, em certo sentido, nessa ideia.

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