Mundo Conheça Kyal Sin, jovem de 19 anos morta em protesto que virou símbolo da resistência em Mianmar

22:35  05 março  2021
22:35  05 março  2021 Fonte:   brasil.rfi.fr

Funcionários públicos lideram movimento de desobediência civil em Mianmar

  Funcionários públicos lideram movimento de desobediência civil em Mianmar Em Mianmar, os hospitais estão desertos, as administrações operam lentamente, e os trens permanecem estacionados nas plataformas. - Um terço dos hospitais sem funcionar - De acordo com uma investigação, 24 ministérios foram afetados, e o relator nomeado pela ONU para Mianmar estima que cerca de 75% dos servidores públicos pararam de trabalhar. Sua ausência começa a impactar o regime.Pelo menos um terço dos hospitais do país não está funcionando, declarou essa semana Min Aung Hlaing, autor do golpe de Estado e chefe da Junta militar.

Desconhecida até o início desta semana, Kyal Sin se tornou uma heroína em seu país, Mianmar, a antiga Birmânia. A imagem da garota, que pouco antes de sua morte, vítima das balas da polícia, usava uma camiseta com os dizeres "Vai ficar tudo bem", viralizou. Desde então, os birmaneses, mas também a comunidade internacional, se interessam pela história da jovem.

  Conheça Kyal Sin, jovem de 19 anos morta em protesto que virou símbolo da resistência em Mianmar © Reuters

Kyal Sin tinha 19 anos e era apaixonada por dança e artes marciais. Conhecida como “Anja”, a jovem sempre morou em Mandalay, segunda cidade de Mianmar, a antiga Birmânia, onde seus pais têm um salão de beleza.

Ela não era particularmente interessada pela política. Como muitos birmaneses de sua geração, Anja votou pela primeira vez em 8 de novembro nas eleições legislativas, que foram vencidas de forma esmagadora pela Liga Nacional para a Democracia (NLD), partido de Aung San Suu Kyi. E como muitos jovens, no dia do voto, ela postou orgulhosa uma foto em sua página do Facebook beijando o dedo com tinta para mostrar que tinha ido às urnas. "Cumpri meu dever de cidadã (...) votei com o coração", escreveu ela.

Novas detenções e balas de borracha contra manifestantes em Mianmar

  Novas detenções e balas de borracha contra manifestantes em Mianmar A polícia de Mianmar usou balas de borracha e anunciou mais detenções de manifestantes neste sábado em Yangon para dispersar novos protestos que exigem o retorno da democracia, um dia depois da ruptura do representante do país na ONU com a junta militar que tomou o poder. Neste sábado, a polícia usou balas de borracha para dispersar uma manifestação no cruzamento Myaynigone, em Yangon, que foi cenário de um grande confronto na véspera. "O que a polícia está fazendo? Está protegendo um ditador louco!", gritaram os manifestantes.

Mas menos de três meses depois, a Junta Militar depôs a líder Aung San Suu Kyi, alegando irregularidades nas eleições, e a população decidiu não aceitar o golpe. Kyal Sin rapidamente se juntou ao movimento de desobediência civil, aparecendo nas redes sociais com bandeiras nas cores da NLD e exibindo a saudação de três dedos, sinal que se tornou o emblema da resistência pacífica.

Mas ela era consciente dos riscos que corria, em um país acostumado a uma repressão sangrenta, como em 1988 e 2007. Poucos dias antes de sua morte, Kyal Sin postou nas redes sociais um texto informando seu tipo sanguíneo e dando seu consentimento para uma doação de órgãos caso algo acontecesse.

"Vai ficar tudo bem"

Repressão violenta e bancos fechados: brasileiros em Mianmar relatam tensão um mês após golpe

  Repressão violenta e bancos fechados: brasileiros em Mianmar relatam tensão um mês após golpe No dia 1° de fevereiro, Mianmar acordou com a notícia de um golpe de Estado: os militares tomaram o poder e prenderam os líderes do governo civil, entre eles, a líder Aung San Suu Kyi, que ganhou o Nobel da Paz em 1991. Desde então, o país vive dias dramáticos, com protestos diários por democracia e a escalada da repressão militar. As Forças Armadas usaram armas de fogo para reprimir as manifestações neste domingo (28) e pelo menos 18A pequena comunidade brasileira no país está tensa. As primeiras consequências do golpe militar foram sentidas com os cortes de internet e a dificuldade de comunicação com a família. A incerteza política levou à corrida aos bancos e aos mercados em plena pandemia de Covid-19.

Em algumas reportagens rodadas durante os protestos, a jovem aparece sentada nas ruas, protegida por barricadas improvisadas. Desarmada, ela contava apenas com sua presença nas manifestações para demonstrar seu descontentamento.

Forças de segurança birmanesas abrem fogo contra manifestantes contrários ao golpe

  Forças de segurança birmanesas abrem fogo contra manifestantes contrários ao golpe Forças de segurança usaram, nesta terça-feira (2), munição letal e gás lacrimogêneo contra manifestantes que protestavam contra o golpe de Estado em Mianmar, e várias pessoas ficaram feridas, três delas gravemente, enquanto cresce a pressão internacional contra a junta militar por sua repressão sangrenta. "Usar de força letal contra civis e manifestantes desarmados é inaceitável", disse o primeiro-ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, em uma entrevista à BBC nesta terça.O retorno de um regime militar à Mianmar é um passo "trágico", acrescentou. "Por esta estrada, não há futuro".

Em uma dessa imagens, gravada na quarta-feira (3), a câmera mostra o momento exato em que a polícia ataca os manifestantes com tiros e bombas de gás lacrimogêneo. O vídeo também mostra o instante em que Anja sai correndo em busca de um abrigo. Fotógrafos imortalizaram a cena, na qual é possível ver o pânico em seus olhos, em contradição com o slogan "Vai ficar tudo bem" em sua camiseta. Essa foi a última imagem da jovem, morta minutos depois pelas balas da polícia.

Protestos e repressão crescem em Mianmar; EUA bloqueiam US$1 bi

  Protestos e repressão crescem em Mianmar; EUA bloqueiam US$1 bi Protestos e repressão crescem em Mianmar; EUA bloqueiam US$1 biWASHINGTON (Reuters) - Os governantes militares de Mianmar tentaram movimentar cerca de 1 bilhão de dólares mantidos no Federal Reserve de Nova York, dias depois de tomarem o poder no dia 1º de fevereiro, levando autoridades norte-americanas a bloquearem os recursos, de acordo com três fontes familiarizadas com o assunto, incluindo uma autoridade do governo dos Estados Unidos.

A notícia do assassinato de Kyal Sin comoveu o país. “Ela tomou a decisão de ir para a linha de frente. Era muito corajosa”, relatou Shwe Hlaing, um estudante de 24 anos. “Ela arriscou sua vida pela democracia", disse em entrevista à RFI.

Mais um manifestante morre em repressão em Mianmar; Conselho de Segurança se reúne

  Mais um manifestante morre em repressão em Mianmar; Conselho de Segurança se reúne Um manifestante foi morto nesta sexta-feira (5) em Mianmar, a última vítima até o momento da repressão da junta militar ao movimento pró-democracia, enquanto o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir a portas fechadas em Nova York para tentar encontrar uma solução à crise que se agrava a cada dia. Apesar do medo de represálias, protestos ocorreram em várias cidades do país nesta sexta. Um grupo de várias centenas de engenheiros manifestou-se nas ruas de Mandalay, a segunda maior cidade de Mianmar, gritando "libertem nossa líder!" e "não trabalhem para o exército!".

O lema de sua camisa se tornou viral nas redes sociais após o anúncio da sua morte: "Você é nossa heroína", "Você já está brilhando nas estrelas" e "Continuaremos a luta até o fim", postam os internautas ao lado de imagens da jovem.

Milhares voltam a protestar em Mianmar, apesar da repressão

  Milhares voltam a protestar em Mianmar, apesar da repressão Milhares de manifestantes voltaram às ruas neste domingo (7) contra a Junta militar em Mianmar, apesar da repressão sangrenta e das incursões noturnas, que custaram a vida de um membro do partido de Aung San Suu Kyi. , referindo-se ao chefe da Junta, Min Aung Hlaing. Durante a noite, a polícia e o exército realizaram operações na capital econômica birmanesa contra a Liga Nacional para a Democracia (NLD), partido de Suu Kyi, derrubada em 1º de fevereiro e detida em local secreto."Não sabemos quantas pessoas foram presas", disse Soe Win, um dos responsáveis do partido.Um chefe local da NLD, Khin Maung Latt, de 58 anos, morreu.

Na quinta-feira (4), milhares de pessoas compareceram em seu funeral. "Não haverá perdão para vocês até o fim do mundo", cantou a multidão em frente ao caixão cercado por flores.

Até esta sexta-feira (5), mais de 50 vítimas fatais já haviam sido contabilizadas durante os protestos em Mianmar.

Caçadores dos fósseis contrabandeados

  Caçadores dos fósseis contrabandeados Paleontólogos se articulam com o Ministério Público e a Polícia Federal para frear o tráfico de patrimônio fossilífero no BrasilA descrição desse exemplar raro de dinossauro do Cretáceo Inferior, período geológico que durou de 146 milhões a 100 milhões de anos atrás, consta de um estudo publicado na revista “Cretaceous Research” por uma equipe internacional de pesquisadores. A descoberta se deu a partir de análises de fósseis da bacia do Araripe, na divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco, uma das regiões com o maior número de casos relatados de tráfico desses materiais no país.

(Com informações da AFP)

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