Mundo Kremlin considera 'positivo' que Biden e Putin queiram 'desescalada'

18:20  16 abril  2021
18:20  16 abril  2021 Fonte:   afp.com

Presidente ucraniano visita trincheiras; Merkel pede retirada russa

  Presidente ucraniano visita trincheiras; Merkel pede retirada russa O presidente ucraniano esteve, nesta quinta-feira (8), no front do conflito com os separatistas pró-russos e recebeu o apoio de Berlim, que pediu ao Kremlin para reduzir sua presença militar na fronteira com a Ucrânia. Kiev e o Ocidente criticaram nos últimos dias Moscou por ter concentrado tropas na fronteira ucraniana e na Crimeia - anexada pela Rússia -, enquanto os incidentes armados mortais com separatistas pró-russos são quase diários. Your browser does not support this video Nesta quinta-feira, mais um soldado ucraniano sucumbiu aos ferimentos, elevando para 25 o número de militares mortos desde o início do ano, segundo o Ministério da Defesa.

O Kremlin considerou "positivo" nesta sexta-feira (16) o apelo de Joe Biden para a desescalada entre Estados Unidos e Rússia, estimando que Vladimir Putin está de acordo, o que poderia concretizar uma cúpula entre os dois presidentes.

Os presidentes Vladimir Putin (esquerda) e Joe Biden © Mandel Ngan Os presidentes Vladimir Putin (esquerda) e Joe Biden

Como é comum depois de cada aplicação de sanções, a Presidência russa classificou como "inaceitáveis" as novas medidas punitivas contra Moscou anunciadas no dia anterior por Washington.

No entanto, o Kremlin se mostrou nesta sexta mais satisfeito com as palavras do presidente americano.

"O presidente Putin falou [em primeiro lugar] da necessidade de normalizar as relações e de uma desescalada [...], então é positivo que os pontos de vista dos dois chefes de Estado coincidam", declarou o porta-voz da Presidência russa, Dimitri Peskov, que também destacou que os dois países discordam em vários aspectos.

Putin quer se eternizar

  Putin quer se eternizar Para reforçar seu poder doméstico, russo reforça tropas perto da Ucrânia, reprime opositores e aprova lei que lhe permite ficar no poder até 2036Na Ucrânia, a Rússia apoia os separatistas na região do rio Donets, no chamado “Donbass”. Dado o histórico de invasão e anexação da península da Crimeia, em 2014, o Departamento de Estado americano se apressou a pedir a Moscou que explicasse as provocações. A guerra deixou 13 mil mortos, segundo a ONU. O cessar-fogo até hoje é precário e a Ucrânia mantém 90 mil soldados na região, frente a 36 mil separatistas e pelo menos 10 mil militares russos.

Desde sua chegada ao poder, Biden prometeu ser muito mais firme com Moscou do que seu antecessor Donald Trump, acusado de complacência com Putin.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos também propôs ao seu homólogo russo uma cúpula "em um terceiro país" e "nos próximos meses".

"Chegou a hora da desescalada", disse Biden na quinta-feira.

A ideia de uma reunião foi bem recebida em Moscou, embora Peskov tenha reivindicado que Putin foi o primeiro a propor um diálogo profundo, referindo-se a um convite em março para um diálogo online público e ao vivo depois que Biden chamou o presidente russo de "assassino". A oferta foi ignorada pela Casa Branca.

A Finlândia se ofereceu para sediar uma eventual cúpula entre Biden e Putin, segundo anunciou nesta sexta-feira a Presidência finlandesa. O país nórdico já organizou uma cúpula entre Trump e Putin em 2018.

Conflito na Ucrânia revive seus dias mais tensos

  Conflito na Ucrânia revive seus dias mais tensos Conflito na Ucrânia revive seus dias mais tensosAo alemão Heiko Maas e ao francês Jean-Yves Le Drian, Blinken chamou a movimentação de tropas russas na fronteira de uma provocação inaceitável. No dia anterior, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, havia ligado para Vladimir Putin e apelado por uma desescalada da situação.

- Sanções e delírios -

As relações entre Rússia e Estados Unidos se degradaram consideravelmente desde 2014, quando a Moscou anexou a península ucraniana da Crimeia. Mesmo no governo de Trump, que não escondia sua admiração por Putin, Washington multiplicou as sanções.

As medidas anunciadas na quinta-feira, e às quais Moscou prometeu uma réplica em breve, designam a expulsão de dez diplomatas russos e proíbem algumas compras de dívida russa.

Também afetam sociedades acusadas de apoiarem as atividades de ataques cibernéticos dos serviços de inteligência de Moscou.

É uma represália ao gigantesco ciberataque de 2020, formalmente atribuído à Rússia, que usou como vetor a SolarWinds, um editor americano de programas informáticos que foi hackeado para introduzir uma falha em seus usuários, entre os quais havia várias agências federais americanas.

Acusado diretamente por Washington, o serviço de inteligência externa russo afirmou que essas acusações são "delírios".

Biden pede a Putin para aliviar tensões na Ucrânia

  Biden pede a Putin para aliviar tensões na Ucrânia O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu nesta terça-feira (13) ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, que alivie as crescentes tensões com a vizinha Ucrânia, aumentando a rejeição das tropas russas na fronteira ucraniana, o que gera alarme entre os aliados da Otan. Biden expressou "preocupação (dos Estados Unidos) com o repentino comício militar russo na Crimeia ocupada e nas fronteiras da Ucrânia, e pediu à Rússia que reduza as tensões", disse a Casa Branca em um comunicado, acrescentando que Biden propôs a Putin realizar uma cúpula em um terceiro país "nos próximos meses.

Essas desavenças entre Rússia e Estados Unidos também ocorrem em meio às crescentes tensões russo-ucranianas.

A Ucrânia acusa a Rússia de buscar um motivo para invadir o país, e Rússia acusa a Ucrânia de preparar uma ofensiva contra os separatistas pró-russos do Donbass (leste ucraniano).

Os países ocidentais pediram a Moscou para reduzir suas forças na região e expressaram seu apoio à Ucrânia.

O presidente ucraniano Volodimir Zelenski se reunirá nesta sexta-feira com o presidente francês Emmanuel Macron em Paris, e a chanceler alemã Angela Merkel participará do encontro por videoconferência.

O Kremlin afirmou nesta sexta que espera que Macron e Merkel usem sua "influência" sobre o presidente ucraniano para conter "as provocações" de Kiev no leste do país.

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Por que Putin pretende mais assustar o Ocidente com suas tropas do que invadir a Ucrânia .
A Rússia movimentou suas tropas para perto da fronteira com a Ucrânia e os EUA responderam movimentando um grupos de navios de guerra para o Mar Negro - mas a proposta do presidente Joe Biden de conversar com Putin deve diminuir a tensãoComo a retórica hostil e os movimentos militares na Ucrânia se intensificaram, os políticos ocidentais começaram a temer uma invasão aberta da Rússia, instando o presidente russo, Vladimir Putin, a "reduzir a escalada".

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