Mundo Após receber carta de Bolsonaro, EUA pedem que Brasil adote “medidas imediatas” contra desmatamento

00:21  17 abril  2021
00:21  17 abril  2021 Fonte:   brasil.rfi.fr

'Estratégia ambiental do governo é equivocada, míope e de curto prazo', diz ex-presidente da SRB

  'Estratégia ambiental do governo é equivocada, míope e de curto prazo', diz ex-presidente da SRB Para Pedro de Camargo Neto, Brasil ficou em posição subalterna frente aos EUA, China e Europa, os grandes responsáveis pelo aquecimento global . A avaliação é de Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e ex-secretário de Produção e Comércio do Ministério da Agricultura nos anos 2001 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Apesar do avanço do desmatamento, Camargo Neto diz que o Brasil está numa posição até vantajosa em relação a esses países quanto à questão climática pelo fato de ter uma matriz energética limpa, com hidrelétricas, carro a álcool, biodiesel.

O governo dos Estados Unidos respondeu nesta sexta-feira (16) à carta enviada na véspera pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. O principal representante da Casa Branca sobre questões ambientais saudou as promessas de luta contra o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030, mas pediu que iniciativas com resultados concretos sejam implementadas imediatamente.

  Após receber carta de Bolsonaro, EUA pedem que Brasil adote “medidas imediatas” contra desmatamento © MANDEL NGAN AFP

"O fato de o presidente Bolsonaro ter confirmado o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal é importante", disse o enviado especial de Joe Biden para a diplomacia climática, John Kerry. “Esperamos medidas imediatas e um diálogo com as populações indígenas e a sociedade civil para fazer com que esse anúncio se traduza em resultados concretos”, insistiu o representante de Washington em uma postagem nas redes sociais.

Negociações EUA-Brasil sobre Amazônia enfrentam impasse a uma semana de reunião

  Negociações EUA-Brasil sobre Amazônia enfrentam impasse a uma semana de reunião Negociações EUA-Brasil sobre Amazônia enfrentam impasse a uma semana de reuniãoBRASÍLIA (Reuters) - As negociações entre Brasil e Estados Unidos para um acordo de redução do desmatamento da Amazônia, que deveria ser anunciado antes da Cúpula do Dia da Terra na próxima semana, chegaram a um impasse, disseram à Reuters duas fontes que acompanham o tema, enquanto o Brasil pede recursos, os EUA querem resultados antes de liberar dinheiro.

Na quinta-feira (15), a Presidência brasileira divulgou uma carta de sete páginas, antes da cúpula dos Chefes de Estado sobre a mudança climática que acontecerá em 22 de abril, na qual Bolsonaro diz estar disposto a trabalhar para cumprir as metas ambientais do país no Acordo de Paris e, para isso, pede recursos da comunidade internacional. "Queremos reafirmar nesse ato (...) o nosso inequívoco compromisso em eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030", dizia a texto.

“Mentira”, diz cacique Raoni

O cacique Raoni, internacionalmente conhecido pela sua luta em defesa da preservação da Amazônia, chegou a reagir publicamente à carta de Brasília pediu ao presidente dos Estados Unidos para ignorar a promessa de Bolsonaro.

"Ele tem dito muitas mentiras", disse o líder indígena no vídeo divulgado pelo Instituto Raoni nesta sexta-feira (16). "Se este presidente ruim falar alguma coisa para o senhor, ignore-o (...). Ele [Bolsonaro] está querendo liberar o desmatamento nas nossas florestas, incentivando invasões nas nossas terras", acrescentou.

John Kerry diz que carta de Bolsonaro é ”importante” e espera ”ações imediatas”

  John Kerry diz que carta de Bolsonaro é ”importante” e espera ”ações imediatas” Declaração foi feita no Twitter. Bolsonaro enviou carta a BidenA declaração foi feita em sua página no Twitter. “O compromisso do presidente Jair Bolsonaro de eliminar o desmatamento ilegal é importante. Esperamos ações imediatas e engajamento com as populações indígenas e a sociedade civil para que este anúncio possa gerar resultados tangíveis”, disse.

Biden cogitou sanções econômicas antes de ser eleito

A política ambiental do governo Bolsonaro é frequentemente criticada pelos ecologistas, mas também por vários líderes internacionais. O Brasil já foi alvo de medidas de retaliação no exterior, na tentativa de chamar a atenção para a situação na Amazônia.

Do lado dos líderes mundiais, o presidente francês Emmanuel Macron já criticou abertamente a posição de Brasília sobre a preservação do meio ambiente desde que Bolsonaro chegou ao poder. Em setembro passado, antes de ser eleito, Biden também cogitou a imposição de sanções econômicas contra o Brasil se não houvesse uma desaceleração do desmatamento.

Muito mais próximo dos ex-presidente norte-americano Donald Trump que do atual governo democrata dos Estados Unidos, Bolsonaro informou que pretende participar da cúpula virtual sobre o clima organizada por Biden na semana que vem. Cerca de 40 liderem mundiais devem marcar presença no evento.

(Com informações da AFP)

Sob pressão, Bolsonaro promete zerar desmatamento ilegal .
A popularidade dos Verdes aumenta a menos de seis meses das eleições na Alemanha. Armin Laschet, o candidato escolhido pelo partido de Merkel como candidato à chancelaria, aparece na cauda das sondagens. E já se conjetura a possibilidade de o país ter pela primeira vez uma chanceler dos Verdes.

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