Mundo Sob pressão, Bolsonaro promete zerar desmatamento ilegal

19:20  22 abril  2021
19:20  22 abril  2021 Fonte:   msn.com

A uma semana de cúpula, negociações entre EUA e Brasil sobre Amazônia chegam a um impasse

  A uma semana de cúpula, negociações entre EUA e Brasil sobre Amazônia chegam a um impasse A uma semana de cúpula, negociações entre EUA e Brasil sobre Amazônia chegam a um impasseBRASÍLIA (Reuters) - As negociações entre Brasil e Estados Unidos para um acordo de redução do desmatamento da Amazônia, que deveria ser anunciado antes da Cúpula do Dia da Terra, na próxima semana, chegaram a um impasse, disseram à Reuters duas fontes que acompanham o tema, com o Brasil pedindo recursos para reduzir o desmatamento, enquanto os EUA pedem resultados antes de liberar dinheiro.

Nos últimos dois anos, sob Bolsonaro , o Brasil passou a estampar uma imagem de vilão ambiental no exterior após o governo desmontar órgãos de fiscalização, criticar publicamente órgãos de monitoramento, reagir com agressividade a críticas sobre queimadas e paralisar o Fundo Amazônia. Presidente Jair Bolsonaro fala em acabar com desmatamento ilegal até 2030 e pede "justa remuneração" por serviços prestados pelo Brasil. Com governo pressionado por suas políticas ambientais, ele ainda prometeu que o país terá uma economia neutra até 2050.

SÃO PAULO, 15 ABR (ANSA) - Em busca de dinheiro dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta a seu homólogo Joe Biden se comprometendo pela primeira vez a zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030. A meta é semelhante àquela que havia sido prometida pelo governo "Queremos reafirmar, nesse ato, em inequívoco apoio aos esforços empreendidos por V. Excelência, o nosso compromisso de eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030", escreveu Bolsonaro , segundo trecho da carta divulgado pela Folha de S. Paulo. O governo federal tenta obter

Em discurso defensivo em cúpula climática, presidente fala em acabar com desmatamento ilegal até 2030 e pede uma "justa remuneração" por serviços ambientais prestados pelo Brasil.

Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles durante a cúpula climática organizada pela Casa Branca © Marcos Corrêa/PR Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles durante a cúpula climática organizada pela Casa Branca

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (22/04) na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, organizada pelos EUA, que o Brasil está na "vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global" e anunciou a meta de tornar a economia brasileira neutra até 2050 – uma antecipação em 10 anos em relação à meta brasileira anterior – e prometeu zerar o desmatamento ilegal até 2030 - uma promessa que já havia sido feita por Dilma Rousseff em 2015.

'Diminuir desmatamento requer vontade política, não financiamento', diz Noruega sobre pedido de US$ 1 bi de Salles para Amazônia

  'Diminuir desmatamento requer vontade política, não financiamento', diz Noruega sobre pedido de US$ 1 bi de Salles para Amazônia Em nota enviada à BBC News Brasil, ministro do Meio Ambiente norueguês, Sveinung Rotevatn, condiciona retomada de repasses ao Fundo Amazônia a "resultados"."A Noruega e outros países enfatizaram em conversas recentes com o Brasil que a comunidade internacional está preparada para aumentar o financiamento ao Brasil assim que o Brasil apresentar resultados na redução do desmatamento. Diminuir o desmatamento no curto prazo é uma questão de vontade política, não de falta de financiamento adiantado", diz o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Sveinung Rotevatn, do Partido Liberal, em nota enviada à BBC News Brasil.

A cúpula ambiental de Biden será realizada entre os dias 22 e 23 de abril. Plano Amazônia - Também na última quarta, saiu no Diário Oficial da União o Plano Amazônia 2021/2022, que pela primeira vez no governo Bolsonaro oficializa uma meta de combate ao desmatamento na floresta. Elaborado pelo vice-presidente da República e presidente do Conselho da Amazônia Legal , Hamilton Mourão, o documento estabelece como objetivo reduzir, até o fim de 2022, o desmatamento ilegal e as queimadas para os níveis da média histórica entre 2016 e 2020.

A meta é semelhante àquela que havia sido prometida pelo governo de Dilma Rousseff na assinatura do Acordo de Paris sobre o clima, em 2015, mas que vinha sendo ignorada pela gestão Bolsonaro . O governo federal tenta obter financiamento dos Estados Unidos para a preservação da Amazônia, mas a Casa Branca exige metas concretas de combate ao desmatamento ilegal para liberar o dinheiro. Ainda durante a campanha eleitoral de 2020, Biden já havia indicado que estava disposto a dar recursos ao Brasil para acabar com a devastação da floresta.

Isolado no cenário internacional por causa da deterioração da imagem ambiental do Brasil e com a saída de cena de aliados como Donald Trump, Bolsonaro adotou um tom defensivo, mas um pouco mais conciliador do que em seus discursos anteriores para plateias no exterior.

"Historicamente o Brasil é voz ativa na construção da agenda ambiental global. Renovo hoje essa credencial, respaldada tanto por nossas conquistas até aqui, quanto pelos compromissos que estamos prontos a assumir perante as gerações futuras", disse o presidente.

O presidente afirmou de modo vago que é "preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação". A fala seguiu a linha de planos do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que cobra recursos internacionais em troca de preservar a Amazônia. Bolsonaro, no entanto, evitou mencionar valores.

Salles quer US$ 1 bilhão de ajuda internacional para reduzir desmatamento da floresta amazônica

  Salles quer US$ 1 bilhão de ajuda internacional para reduzir desmatamento da floresta amazônica O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse na sexta-feira (16) que se o Brasil receber US$ 1 bilhão de ajuda da comunidade internacional, o país poderá reduzir o desmatamento ilegal da floresta amazônica em até 40%. "Se tivéssemos esse recurso de US$ 1 bilhão () a partir de maio e por um período de 12 meses, seria possível se engajar em uma redução de 30% à 40% do desmatamento", afirmou o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse na sexta-feira (16) que se o Brasil receber US$ 1 bilhão de ajuda da comunidade internacional, o país poderá reduzir o desmatamento ilegal da floresta amazônica em até 40%.

Durante discurso na cúpula do clima, o presidente Jair Bolsonaro se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, e pediu que os países

Entre outros pontos, Bolsonaro disse no discurso que o Brasil se compromete a: zerar até 2030 o desmatamento ilegal ;reduzir as emissões de gases;buscar

Em contraste com outros líderes que abriram seus discursos com planos para reduzir emissões ou falando sobre a importância de combater as mudanças cimáticas, Bolsonaro iniciou sua fala defendendo o que, na sua visão, são pontos fortes do Brasil na área ambiental, afirmando, por exemplo, que 84% da Amazônia estão preservados. Ele também se referiu ao Brasil como "potência agroambiental".

Ele ainda ressaltou que o Brasil é responsável por menos de 3% das emissões globais, "mesmo sendo uma das maiores economias do mundo", embora o país tem cerca de 2,7% da população mundial. O presidente ainda disse que o Brasil tem "uma das matrizes energéticas mais limpas" e "uma das agriculturas mais sustentáveis do planeta", em que "a partir de ciência e inovação, produzimos mais com menos recursos".

Também de modo vago, Bolsonaro afirmou que, "apesar das limitações", seu governo está "duplicando recursos destinados a ações de fiscalização ambiental", deixando de mencionar que seu governo enfraqueceu órgãos como o Ibama nos últimos dois anos e que seu ministro do Meio Ambiente foi recentemente acusado por um delegado da Polícia Federal fazer lobby para madeireiros ilegais.

Por que política ambiental de Bolsonaro afasta ajuda financeira internacional?

  Por que política ambiental de Bolsonaro afasta ajuda financeira internacional? Brasil pedirá dinheiro para preservação em Cúpula do Clima, mas países ricos querem queda do desmatamento antes de abrir a carteira.Para o governo brasileiro, as nações desenvolvidas, sendo as maiores responsáveis pela emissão de carbono e o aquecimento global, têm obrigação de contribuir com a proteção da floresta e a viabilização de iniciativas de desenvolvimento que gerem renda para a população da Amazônia.

Em busca de dinheiro dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta a seu homólogo Joe Biden se comprometendo pela primeira vez a zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030. A meta é semelhante àquela que havia sido prometida pelo governo de Dilma Rousseff na Também na última quarta, saiu no Diário Oficial da União o Plano Amazônia 2021/2022, que pela primeira vez no governo Bolsonaro oficializa uma meta de combate ao desmatamento na floresta. Elaborado pelo vice-presidente da República e presidente do Conselho da Amazônia Legal , Hamilton

Segundo Ricardo Salles, o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030 é, sim, factível Imagem: Nelson Almeida/Getty Images. A magnitude do problema do desmatamento ilegal "obriga-nos a querer contar com todo o apoio possível, tanto da comunidade internacional, quanto de governos, do setor privado, da sociedade civil e de todos os que comungam desse nobre objetivo", esclareceu Bolsonaro . O envio da carta já havia sido confirmado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em entrevista à CNN Brasil, que disse que o custo para zerar o desmatamento será

"Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais duplicando os recursos destinados as ações de fiscalização, mas é preciso fazer mais", disse Bolsonaro.

Em outro trecho do seu discurso, Bolsonaro disse que "nos últimos 15 anos" o Brasil evitou "a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera", evitando mencionar que essa marca ocorreu em grande parte graças à queda do desmatamento registrado entre 2004 e 2012, durante governos petistas, e que a destruição de florestas voltou a aumentar durante a atual administração.

A conferência virtual Cúpula dos Líderes sobre o Clima, organizada pela Casa Branca nesta quinta e sexta, conta com a participação de 40 lideranças internacionais. O presidente Joe Biden, organizador da cúpula, não acompanhou o discurso de Bolsonaro, tendo deixado pouco antes a sala onde eram transmitidos os discursos.

Corte de emissões dos EUA

Pouco antes da abertura do encontro, o governo dos EUA anunciou que se comprometeu a cortar entre 50% e 52% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, com o objetivo de chegar à neutralidade das emissões de carbono até 2050.

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  Plano do Brasil inclui expandir presença da Força Nacional na Amazônia Governo quer ajuda de US$ 1 bi. A Força Nacional já atua há mais de 1 ano na proteção das unidades de conservação federais da Amazônia contra o desmatamento e a extração ilegal de minério e madeira na região. Apesar disso, os alertas de desmatamento na Amazônia Legal bateram recorde em março de 2021.

Em seu discurso durante a cúpula, o presidente americano, Joe Biden afirmou que os EUA "não está esperando" para liderar o mundo em uma questão que é "imperativo moral e econômico".

"Encontrar este momento é mais do que preservar nosso planeta", disse Biden. "Trata-se de fornecer um futuro melhor para todos nós", acrescentou, chamando a situação atual de "um momento de perigo, mas um momento de oportunidade".

“Os sinais são inconfundíveis. a ciência é inegável. o custo de inação continua crescendo", alertou.

A meta de redução de emissões dos EUA é quase o dobro da anterior, fixada por Barack Obama, em 2015, quando o país se comprometeu a cortar as emissões entre 26% e 28%. O anúncio é feito em momento em que Washington procura recuperar a liderança global na luta contra aquecimento climático depois que o ex-presidente Donald Trump retirou o país dos esforços internacionais para reduzir as emissões de poluentes.

Joe Biden durante discurso na Cúpula dos Líderes sobre o Clima © Evan Vucci/AP/picture alliance Joe Biden durante discurso na Cúpula dos Líderes sobre o Clima

Às vésperas da cúpula, a União Europeia (UE) chegou a um acordo para reduzir em pelo menos 55% as emissões até 2030, em comparação com valores de 1990.

Brasil como vilão ambiental

Nos últimos dois anos, sob Bolsonaro, o Brasil passou a estampar uma imagem de vilão ambiental no exterior após o governo desmontar órgãos de fiscalização, criticar publicamente órgãos de monitoramento, reagir com agressividade a críticas sobre queimadas e paralisar o Fundo Amazônia.

Sob pressão, Bolsonaro promete zerar desmatamento ilegal

  Sob pressão, Bolsonaro promete zerar desmatamento ilegal Em discurso defensivo em cúpula climática, presidente fala em acabar com desmatamento ilegal até 2030 e pede uma "justa remuneração" por serviços ambientais prestados pelo Brasil. © Marcos Corrêa/PR Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles durante a cúpula climática organizada pela Casa Branca O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (22/04) na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, organizada pelos EUA, que o Brasil está na "vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global" e anunciou a meta de tornar a economia brasileira neutra até 2050 – uma antecipação em 10 anos em relação à meta brasilei

Antes do discurso de Bolsonaro, o Brasil colecionou manchetes negativas sobre os problemas ambientais. No início da semana, 400 funcionários do Ibama declararam, em carta aberta, que as atividades de fiscalização estão paralisadas por causa de uma instrução normativa do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A chefia do Ibama, segundo eles, não tem interesse em proteger o meio ambiente.

Poucos dias antes, a troca na Polícia Federal do Amazonas havia gerado manchetes, quando o superintendente Alexandre Saraiva enviou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal, denunciando Salles por sabotagem da fiscalização ambiental. Além disso, o Imazon divulgou que o desmatamento na região amazônica chegou ao maior nível em dez anos para um mês de março.

Ainda nesta semana, o jornal O Globo noticiou um novo projeto do ministro do Meio Ambiente. Com dinheiro das nações industrializadas, ele pretende criar uma Força de Segurança Ambiental para substituir as atuais autoridades ambientais. ONGs ambientalistas reagiram negativamente, chegando a classificar a iniciativa de Salles como um projeto de "milícia ambiental".

A abordagem ambiental de Bolsonaro e Salles também criou dificuldades para o Brasil no exterior, como o aumento à rejeição crescente do acordo entre o Mercosul e a União Europeia em diversos países europeus. Num discurso que precedeu a fala de Bolsonaro, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou "devemos defender o meio ambiente em nossas relações comerciais". Em 2019, Macron foi um dos principais críticos da abordagem ambiental de Bolsonaro, usando as queimadas e o aumento do desmatamento no Brasil como justificativa para retirar seu apoio ao acordo UE-Mercosul.

'A boiada passou e corre o risco de passar de novo': as preocupações de ambientalistas um ano após reunião ministerial de Bolsonaro

  'A boiada passou e corre o risco de passar de novo': as preocupações de ambientalistas um ano após reunião ministerial de Bolsonaro Um ano depois de reunião em que falou sobre 'ir passando a boiada', Salles está novamente sob holofotes durante Cúpula do Clima — e Brasil chama atenção internacional por problemas ambientais enfrentados desde desde entãoDivulgada em meio a acusações do ex-ministro Sergio Moro de que o presidente interferia da Polícia Federal em benefício próprio, o vídeo da reunião revelou bastidores e principais projetos e preocupações do governo Bolsonaro naquele momento.

Protestos

Nos últimos dias, indícios de que o governo americano estaria negociando um acordo com Bolsonaro às vésperas da conferência de Biden provocaram reações em diversos meios. Uma carta assinada por artistas, incluindo Alec Baldwin, Leonardo Di Caprio, Mark Ruffalo, Kety Perry, Caetano Veloso entre outros, pediu ao presidente dos EUA que não se comprometa com o colega de cargo brasileiro.

Eles seguiram o apelo de um grupo de 199 organizações brasileiras da sociedade civil que havia se manifestado dias antes. "Não é sensato esperar que qualquer solução para a Amazônia resulte de reuniões a portas fechadas com seu pior inimigo”, diz o texto encaminhado a Biden.

Acordos do tipo devem ser construídos a partir do diálogo, defende o grupo. "Com a sociedade civil, governos subnacionais, academia e, principalmente, com as comunidades locais que sabem proteger a floresta e os bens e serviços que ela abriga”, diz sobre as demais partes que deveriam ser consideradas.

Nesta terça-feira, 24 dos 27 governadores brasileiros entregaram uma carta aberta ao embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, na qual defendem parcerias entre os EUA e seus estados para proteger o meio ambiente e o clima.

Antes de ser eleito, Biden havia mencionado que poderia destinar até 20 bilhões de dólares para salvar a Amazônia, mas ao mesmo tempo sinalizou que poderia impor sanções contra o Brasil caso a destruição da floresta persistisse.

md (Reuters, AFP, ots)

Corte de verba reforça desmonte da fiscalização ambiental no Brasil .
Redução do orçamento do Ministério do Meio Ambiente, que quebrou promessa feita por Bolsonaro na cúpula do clima, inviabiliza operações de fiscalização pelo país. © AFP/M. Pimentel Desmatamento ilegal na Amazônia Com menos dinheiro que o necessário para cobrir as mais de mil operações planejadas por ano, o setor de fiscalização ambiental está perto de se tornar inviável.

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