Mundo Cientistas apoiam Anvisa em decisão de barrar vacina russa Sputnik V

02:26  29 abril  2021
02:26  29 abril  2021 Fonte:   afp.com

Brasil pode deixar de receber lote de abril da Sputnik V, diz Wellington Dias

  Brasil pode deixar de receber lote de abril da Sputnik V, diz Wellington Dias Criticou demora da Anvisa. Têm reunião nesta 2ª feira.“O que que o Brasil mais precisa? De vacinas. Infelizmente, a gente foi atrás, encontrou vacina, estamos com essa dificuldade para fazer a vacina chegar e ser usada no Brasil”, afirmou.

Cientistas apoiaram a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de interromper a importação da vacina russa Sputnik V contra a covid-19, após o órgão informar que os lotes testados carregavam uma versão ativa do vírus causador de resfriados.

Profissional de saúde prepara uma dose da vacina russa Sputnik V contra a covid-19, na Faculdade de Medicina da Universidade de San Andres (UMSA), em La Paz © Jorge BERNAL Profissional de saúde prepara uma dose da vacina russa Sputnik V contra a covid-19, na Faculdade de Medicina da Universidade de San Andres (UMSA), em La Paz

A virologista Angela Rasmussen disse à AFP que a descoberta "levanta questões sobre a integridade dos processos de fabricação" e pode ser um problema de segurança para pessoas com sistema imunológico mais fraco, se o problema for generalizado.

Anvisa aponta dúvidas sobre segurança e eficácia da Sputnik V; entenda as razões

  Anvisa aponta dúvidas sobre segurança e eficácia da Sputnik V; entenda as razões Técnicos da agência recomendaram que pedidos de importação da vacina russa sejam negados, porque não há como garantir que imunizante não gera danos à saúde ou protege de fato contra a covid-19. Também foram identificados problemas no controle de qualidade na fabricação.Os responsáveis pelas três áreas técnicas da Anvisa recomendaram de forma unânime que a importação não fosse autorizada por conta de problemas identificados pela agência, mas até as 22h30, o grupo ainda não tinha chegado a uma decisão final.

O Instituto Gamaleya, da Rússia, que desenvolveu a vacina, negou as alegações.

A questão gira em torno de um "vetor de adenovírus" - um vírus que normalmente causa uma doença respiratória leve, mas nas vacinas é geneticamente modificado para que não possa se replicar e editado para transportar as instruções de DNA para que células humanas desenvolvam a proteína espícula do coronavírus.

Dessa forma, o organismo humano é treinado para estar preparado caso encontre o coronavírus real.

A vacina Sputnik V usa dois adenovírus diferentes como vetores para realizar essa tarefa: o adenovírus tipo 26 (Ad26) para a primeira dose e o adenovírus tipo 5 (Ad5) para a segunda.

Segundo uma apresentação de slides publicada na internet, cientistas da Anvisa testaram amostras da injeção de reforço e descobriram que ela era "competente para replicação", o que significa que uma vez dentro do corpo, o adenovírus pode continuar a se multiplicar.

Anvisa rejeita importação da vacina russa Sputnik V

  Anvisa rejeita importação da vacina russa Sputnik V Agência aponta falta de dados técnicos e incertezas quanto à segurança e à eficácia do imunizante contra covid-19 desenvolvido na Rússia. Vários estados solicitaram aval para aquisição da vacina. © Dado Ruvic/REUTERS Por enquanto, a Comissão Europeia não tem contrato de fornecimento de doses da Sputnik V A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitou na noite desta segunda-feira (26/04), por unanimidade, pedidos de autorização da importação da vacina russa Sputnik V no Brasil, por considerar que faltam dados técnicos para verificar a segurança e a eficácia do imunizante contra a covid

Eles acrescentaram que isso provavelmente ocorreu por causa de um problema de fabricação chamado "recombinação", em que o adenovírus modificado ganhou de volta os genes de que precisava para se replicar enquanto estava sendo replicado dentro de células humanas alteradas em laboratório.

A primeira dose não chegou a ser avaliada pela agência reguladora.

Porém, na segunda-feira, a Anvisa negou o pedido de vários estados do Nordeste para adquirir mais de 30 milhões de doses da Sputnik V. O governo federal também encomendou 10 milhões de doses.

- Problema de controle de qualidade -

Rasmussen, uma pesquisadora da Organização de Doenças Infecciosas e Vacinas do Canadá, descreveu o problema como uma questão de controle de qualidade, em vez de um problema inerente à tecnologia da vacina.

Se os lotes usados no mundo real estiverem contaminados, "para a maioria das pessoas isso provavelmente não será um grande problema, porque os adenovírus geralmente não são considerados patógenos humanos muito importantes", explicou ela.

Fabricante da Sputnik V diz que decisão da Anvisa foi por “pressão política”

  Fabricante da Sputnik V diz que decisão da Anvisa foi por “pressão política” Acusa falta de profissionalismo. Agência teve "comportamento estranho"“Acreditamos que a única motivação verdadeira para a decisão da Anvisa é a pressão política“, afirmou. Dmitriev se referiu à admissão do governo dos Estados Unidos de ter pressionado o Brasil contra a compra da Sputnik V. “Gostaria de dar parabéns ao governo norte-americano, porque o objetivo deles provavelmente se concretizou agora“, disse.

"Mas em pessoas com imunidade comprometida, pode haver uma taxa maior de efeitos adversos por causa disso, incluindo alguns potencialmente graves", acrescentou.

O maior problema, disse ela, foi o infeliz impacto sobre a confiança em relação a uma vacina que um estudo na revista científica The Lancet mostrou ser segura e mais de 90% eficaz.

Se as pessoas não têm certeza de que a vacina que estão recebendo é a mesma que foi estudada nos testes, "posso imaginar que algumas possam ter suas reservas sobre receber essa vacina", disse Rasmussen.

Outra incógnita é se o problema de produção que levou ao vetor de adenovírus ser capaz de se replicar também destruiu o código de DNA para a proteína espícula, tornando a vacina ineficaz contra o coronavírus.

Denis Logunov, vice-diretor do Instituto Gamaleya, respondeu dizendo "as declarações que li na imprensa nada têm a ver com a realidade" e que o vetor de adenovírus não foi capaz de se replicar.

Não é a primeira vez que esse problema ocorre. No início do mês, a Eslováquia também expressou preocupações sobre a composição das vacinas russas que importou, dizendo que elas não correspondiam às amostras usadas em estudos clínicos.

Em uma postagem no blog da Science Magazine, o químico americano Derek Lowe escreveu: "Esse tipo de coisa coloca em dúvida todo o processo de fabricação e controle de qualidade, e posso ver por que os reguladores brasileiros estão preocupados".

Ele afirmou, ainda, que a resposta dos produtores da Sputnik V não foi adequada. "Assumam e ajam como desenvolvedores de medicamentos responsáveis: lidem com os problemas diretamente, com transparência, e trabalhem para encontrar uma solução", disse Lowe.

ia/caw/ic/mvv

O embate entre Anvisa e Rússia em torno da Sputnik V .
Agência brasileira vetou a importação da vacina russa contra a covid-19 apontando, entre outros fatores, a presença de adenovírus replicante. Instituto russo nega, e governadores tentam garantir a compra do imunizante. © ANDREJ ISAKOVIC/AFP Provided by Deutsche Welle O desespero de parte da classe política brasileira com o avanço do coronavírus no país, enquanto a campanha de imunização patina pela falta de vacinas, leva representantes de governos estaduais e prefeituras a tentar reverter o veto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à importação emergencial da Sputnik V, imunizante desenvolvido pelo g

usr: 1
Isto é interessante!