Mundo Ao menos 19 mortos e 800 feridos em cinco dias de distúrbios na Colômbia

01:46  04 maio  2021
01:46  04 maio  2021 Fonte:   afp.com

COVID-19: Minas Gerais recebe o 15° lote de vacinas com 589.800 doses

  COVID-19: Minas Gerais recebe o 15° lote de vacinas com 589.800 doses São 578 mil doses da vacina AstraZeneca/Oxford e 11.800 da CoronaVac De acordo com o boletim epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) nesta quinta-feira (29/4), o estado totaliza 33.401 mortes desde o início da pandemia. Com a confirmação de 8.847 casos em 24 horas, o estado acumula mais de 1,35 milhão de casos.Minas registrou 416 mortes por COVID-19 em 24 horas, ultrapassando 9 mil mortes apenas em abril, o mês mais letal da pandemia no estado. Em comparação com o mês anterior, o aumento foi de 58,8%.

A violência que se seguiu a cinco dias de protestos maciços contra uma polêmica reforma tributária na Colômbia deixou pelo menos 19 mortos e 800 feridos, enquanto as mobilizações continuavam nesta segunda-feira(3), apesar de o presidente Iván Duque ter retirado seu projeto fiscal.

Um manifestante empunha um escudo improvisado contra uma barricada para protestar contra a reforma tributária lançada pelo presidente Iván Duque, em Cali, Colômbia, em 3 de maio de 2021 © Luis ROBAYO Um manifestante empunha um escudo improvisado contra uma barricada para protestar contra a reforma tributária lançada pelo presidente Iván Duque, em Cali, Colômbia, em 3 de maio de 2021 O presidente colombiano, Iván Duque, pediu ao Congresso a retirada da proposta de reforma tributária. O projeto foi alvo de uma onda de protestos na Colômbia. © Juan RESTREPO O presidente colombiano, Iván Duque, pediu ao Congresso a retirada da proposta de reforma tributária. O projeto foi alvo de uma onda de protestos na Colômbia.

Segundo balanço da Defensoria do Povo (ombudsman), 18 civis e um policial morreram nas manifestações que começaram no dia 28 de abril em todo o país. Mais cedo, o balanço era de 17 mortos.

Colômbia: ministro da Fazenda renuncia após seis dias de protestos que deixaram 19 mortos

  Colômbia: ministro da Fazenda renuncia após seis dias de protestos que deixaram 19 mortos O ministro colombiano da Fazenda, Alberto Carrasquilla, renunciou na segunda-feira (3), após apresentar um projeto frustrado de reforma tributária que provocou seis dias de protestos em massa. Confrontos dos manifestantes com a polícia deixaram 19 mortos e mais de 800 feridos. "Minha continuidade no governo dificultaria a construção rápida e eficiente dos consensos necessários", informou Carrasquilla em um comunicado. Ele será substituído pelo economista José Manuel Restrepo, atual ministro do Comércio, anunciou o presidente Iván Duque no Twitter.

Já o ministério da Defesa contabilizou 846 feridos, dos quais 306 civis.

O ministro da Defesa, Diego Molano, garantiu que os atos de violência foram "premeditados, organizados e financiados por grupos dissidentes das FARC" que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016, e pelo ELN, a última guerrilha reconhecida na Colômbia.

As autoridades prenderam 431 pessoas durante as dispersões e o governo ordenou o envio de militares para as cidades mais afetadas. ONGs e a oposição acusam a polícia de atirar em civis.

Pressionado pelas manifestações nas ruas, o presidente Duque ordenou no domingo a retirada da proposta que era debatida com ceticismo no Congresso, onde um amplo setor a rejeitava por punir a classe média e ser inadequada em meio à crise desencadeada pela pandemia de coronavírus.

Protestos contra reforma tributária na Colômbia deixam 19 mortos

  Protestos contra reforma tributária na Colômbia deixam 19 mortos Ministro da Fazenda renuncia. Atos duram 6 dias. Mais de 800 feridosReceba a newsletter do Poder360

O presidente propôs a elaboração de um novo projeto que descarta os principais pontos de discórdia: o aumento do ICMS sobre serviços e mercadorias e a ampliação da base de contribuintes com imposto de renda.

Nesta segunda, o ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo.

"Minha continuidade no governo dificultaria a construção rápida e eficiente dos consensos necessários" para executar uma nova proposta de reforma, informou em um comunicado.

- As manifestações continuam -

Embora em menor quantidade, nesta segunda-feira os manifestantes protestaram nas ruas de Bogotá, Medellín (noroeste), Cali (sudoeste) e Barranquilla (norte).

Os organizadores convocaram uma nova marcha para quarta-feira, apesar de já estarem em vigor nas principais capitais medidas que limitam a mobilidade para conter a terceira onda da pandemia.

O governo apresentou a reforma tributária ao Congresso em 15 de abril como uma medida para financiar os gastos públicos na quarta maior economia da América Latina.

Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia

  Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia“Estamos profundamente alarmados com os acontecimentos ocorridos na cidade de Cali (sudoeste) na Colômbia na noite passada, quando a polícia abriu fogo contra os manifestantes que protestavam contra a reforma tributária, matando e ferindo várias pessoas, segundo informações recebidas”, disse Marta Hurtado, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).

As críticas vieram tanto da oposição política quanto de seus aliados, e o descontentamento logo se espalhou pelas ruas.

Embora os dias de protesto tenham passado pacificamente, eles foram seguidos por vários distúrbios e confrontos com as forças públicas.

Houve atos de vandalismo em 69 estações de transporte, 36 caixas eletrônicos, 94 bancos, 14 pedágios e 313 estabelecimentos comerciais.

- Violência policial -

O diretor para as Américas da ONG Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, confirmou a morte de uma pessoa nas mãos de um policial em Cali, uma das cidades mais afetadas pelos distúrbios.

De acordo com a ONG Temblores, 940 casos de abusos policiais ocorreram nos últimos dias e são investigadas "as mortes de oito manifestantes supostamente agredidos por policiais".

Em setembro de 2020, treze jovens morreram em manifestações contra a violência policial na Colômbia.

Outros 75 sofreram ferimentos por balas, supostamente disparadas por soldados.

Naquela época, a multidão protestava contra o assassinato de Javier Ordóñez (43 anos) pelas mãos de um uniformizado que o sujeitou a um castigo brutal.

Protestos na Colômbia: como a violência tomou conta das ruas do país

  Protestos na Colômbia: como a violência tomou conta das ruas do país O que começou como um protesto contra um projeto de lei se transformou em um cenário de violência que paralisou o país. Cáli, a terceira cidade mais populosa da Colômbia, se tornou o epicentro. A onda de protestos começou com uma proposta de reforma tributária mas deve se manter mesmo após a votação do projeto ter sido suspensa. O projeto tinha pontos polêmicos, como aumento de impostos sobre a renda e sobre produtos básicos, de forma a aumentar a arrecadação tributária e evitar que a dívida colombiana gere a perda de mais pontos nas avaliações de risco de agências internacionais.

O governo atribui os atuais distúrbios a "organizações criminosas (que) tentaram se camuflar nos protestos".

Embora o acordo de paz tenha reduzido significativamente a violência, um conflito de seis décadas persiste na Colômbia que envolve dissidentes das Farc, rebeldes do ELN e gangues de tráfico de drogas de origem paramilitar.

- Contra Duque -

O projeto de reforma tributária de Duque visava arrecadar cerca de 6,3 bilhões de dólares entre 2022 e 2031, para resgatar a economia.

Em seu pior desempenho em meio século, o Produto Interno Bruto (PIB) do país despencou 6,8% em 2020 e o desemprego subiu para 16,8% em março.

Quase metade dos 50 milhões de habitantes está no setor informal e a pobreza atinge 42,5% da população.

A iniciativa gerou inquietação contra o governo. Desde 2019 o chamado Comitê Nacional de Desemprego tem convocado inúmeras mobilizações para pedir a Duque uma mudança de rumo.

“As pessoas nas ruas estão exigindo muito mais do que a retirada da reforma tributária”, disseram os líderes da manifestação em um comunicado.

Com índices de aprovação em vermelho (33%), Duque reclama do "vandalismo" que irrompeu nas ruas e dos protestos em meio a um pico mortal da pandemia.

A Colômbia é o terceiro país da América Latina com o maior número de infecções por covid-19 (2,8 milhões), atrás do Brasil e da Argentina.

Em termos de mortes (74.700), só é superado na região pelo gigante sul-americano e pelo México.

Em proporção à sua população, é o quarto com mais mortes e o sexto com o maior número de infectados no continente.

lv/mls/jc/mvv

Cali, a cidade que retrata a revolta popular de uma Colômbia em crise .
A pobreza, o racismo, o narcotráfico, a desconfiança com o governo e a polícia, a volta da violência após a assinatura do acordo de paz com as Farc. - A paz adiada - Quando a Colômbia assinou o acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016, as autoridades locais batizaram Cali de "a capital do pós-conflito".Com 2,5 milhões de habitantes, a capital do Vale do Cauca é a terceira cidade do país. Sua população é majoritariamente negra (52%) e marcada pela pobreza (36,3%) e o desemprego (18,7%), segundo cifras oficiais.

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