Mundo Mandetta abre CPI da Covid-19 nesta terça expondo negacionismo de Bolsonaro e obsessão pela reeleição

05:50  04 maio  2021
05:50  04 maio  2021 Fonte:   brasil.elpais.com

CPI da pandemia: Quem é quem na comissão que investigará ações e omissões do governo Bolsonaro

  CPI da pandemia: Quem é quem na comissão que investigará ações e omissões do governo Bolsonaro Presidente Jair Bolsonaro conta com 4 aliados entre 11 senadores, que se reúnem pela primeira vez nesta terça-feira (27/04).A abertura da investigação foi determinada no início de abril pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após senadores apresentarem mandado de segurança à Corte em que argumentavam que a presidência da Casa vinha ignorando o requerimento para instalação da CPI, mesmo com os requisitos formais sendo atendidos.

Encarnando o anti- Bolsonaro , Mandetta será o primeiro a prestar depoimento na CPI da Covid amanhã e o governo trabalha agora para tentar evitar que o ex-ministro use a comissão parlamentar de inquérito no Senado como palanque eleitoral para 2022. Mandetta , se provar capacidade na CPI da Covid , pode ser adotado para essa empreitada eleitoral. O establishment financeiro e midiático brasileiro faz um experimento com Mandetta porque está a procura de uma personagem anti- Bolsonaro , haja vista a avaliação de que o PT, seja com o ex-presidente Lula ou o ex-prefeito

De máscara, Bolsonaro fez o anúncio sobre o resultado positivo nesta terça -feira (7) após realizar um novo exame para detectar o vírus, o quarto desde o início da pandemia, no dia anterior. O diário lembrou falas polêmicas de Bolsonaro como quando ele afirmou que seu "histórico de atleta" lhe permitiria recuperar-se rapidamente caso contraísse a doença. "Em março, quando a covid - 19 fez suas primeiras vítimas no Brasil, o populista de extrema direita usou um pronunciamento para o país para se gabar de que, se infectado, rapidamente se livraria da doença graças ao seu "histórico de

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O presidente Jair Bolsonaro conversa com o ex-ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, em 2019. © Adriano Machado (Reuters) O presidente Jair Bolsonaro conversa com o ex-ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, em 2019.

O depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta estreará nesta terça-feira, 4 de maio, uma das maiores provas de fogo que o presidente Jair Bolsonaro enfrentará na CPI da Covid-19 no Senado. Político experiente, Mandetta tenta se cacifar para concorrer às próximas eleições presidenciais e espera-se dele um dos tons mais críticos com potencial de gerar constrangimento ao presidente. As outras três pessoas que comandaram a pasta durante a crise sanitária ―Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga― também serão ouvidas ao longo da semana. Apesar de Mandetta, demitido pelo presidente após um processo de fritura pública em abril do ano passado, já ter explorado suas divergências no Planalto, não se descarta que ele ainda esconda algumas cartas na manga. Alguns dos momentos mais controversos já foram levados a público no livro que publicou no ano passado sobre os 90 dias em que comandou a gestão da pandemia no ministério.

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  CPI da Covid: erros de governadores foram muito mais graves que os de Bolsonaro, diz Ciro Nogueira Presidente do PP, senador que integra comissão acredita que população vacinada e recuperação econômica em 2022 vão selar reeleição do presidente.Líder de um dos maiores partidos do país, o Progressistas, Nogueira explicou à BBC News Brasil seus cálculos políticos. Para o senador, a CPI não ganhará credibilidade junto à população porque será vista como instrumento de guerra política, focada em explorar o que seriam erros menores de Bolsonaro, em vez de priorizar a investigação de supostos desvios de recursos federais repassados a Estados e municípios.

Nesta semana a CPI da Covid no Senado vai contar com depoimentos de todos os ministros da Saúde que passaram pela gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Estão previstos para depor Luiz Henrique Mandetta , Nelson Teich e Eduardo Pazuello. O atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, e o diretor-presidente Pazuello será questionado sobre o atraso na contratação de vacinas; o estímulo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a covid - 19 ; falta de insumos; ações de Bolsonaro contra o isolamento e uso de máscaras; conflito do governo federal e governadores.

A expressão Negacionismo da COVID - 19 ou negacionismo do novo coronavírus (ou negacionismo viral) refere-se ao pensamento daqueles que negam a realidade da pandemia de COVID - 19 ou, ao menos

Do negacionismo às teorias da conspiração de que o vírus seria uma criação da China abraçados por Bolsonaro, Mandetta narrou os bastidores que levaram a cloroquina, um medicamento sem eficácia contra a covid-19, a virar a bala de prata do Governo. Também externou as tentativas de interferência em altos cargos da pasta (com tentativa de influência, segundo ele, do senador Flávio Bolsonaro: “Quem articulou as exonerações e impôs os novos nomes mirava o controle de mais de 80% do orçamento do Ministério da Saúde” ) e alertou sobre a fragilidade do sistema de saúde em algumas regiões do país, como Manaus, que no início deste ano viu pessoas morrerem asfixiadas pela falta de oxigênio para tratar a covid-19. Chegou a conversar com o presidente e pessoas próximas a ele sobre o perigo de desassistência, caso não fossem tomadas medidas enérgicas. “Já estávamos ali [no início da crise] preocupados com Manaus, por exemplo, que tem um sistema de saúde limitado”, relata no livro. Por conta da crise de oxigênio na capital amazonense durante a gestão de Pazuello, o general tem sido orientado pelo Planalto sobre seu depoimento no Senado para tentar comprometer o mínimo possível o presidente Bolsonaro.

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Bolsonaro citou um estudo da operadora Prevent Senior e do Hospital Albert Einstein que envolve o uso do medicamento em pacientes. O ministro da Saúde, por sua vez, disse que a pesquisa citada ainda não havia sido publicada e defendeu que ainda não há protocolos seguros sobre o seu uso. À noite, depois da reunião ministerial, porém, Mandetta afirmou que vai permanecer no cargo. "Vamos continuar enfrentando o nosso inimigo, que tem nome e sobrenome, Covid - 19 . Temos uma sociedade para lutar e proteger, médico não abandona paciente e não vou abandonar", disse, em entrevista.

"Eu assinei a CPI da Covid . Não acho que uma decisão monocrática do membro de um Poder possa determinar o que um presidente de outro Poder faça", diz o senador Omar Aziz (PSD-AM). O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), criticou a decisão. Para ele, a gravidade da pandemia exige que as atenções estejam voltadas para o enfrentamento da Covid - 19 . Um dos autores da ação, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que a decisão do Supremo apenas cumpre a Constituição e lamentou que o Senado não tenha instalado a CPI por vontade própria.

Agora, senadores governistas se preparam para evitar que Mandetta, do DEM, faça do seu depoimento na CPI um palanque político destilando críticas a Bolsonaro com vistas a 2022. Eles devem tentar fazer o ex-ministro ater-se ao período que esteve à frente do ministério e questioná-lo também se ele não poderia ter se preparado melhor para frear o vírus. Há questionamentos públicos, por exemplo, sobre a escassez de testes na gestão do político e sobre a orientação para que as pessoas só procurassem o sistema de saúde ao perceberem sintomas respiratórios como falta de ar. Esta última premissa é até hoje criticada pelo presidente. “Na época eu perguntei ao Mandetta: o cara com falta de ar vai para o hospital para fazer o quê?”, questionou em uma live, dando a entender que seria para ser intubado.

No livro, Mandetta atira para todos os lados e faz críticas explícitas ao Governo que integrou. Não faz uma autocrítica contundente, o que senadores governistas esperam estimular durante seu depoimento na CPI. Na obra, suas ações são frequentemente justificadas por erros externos ou cálculo político. A ver o tom que o experiente político ―que disse que só falaria à imprensa após seu depoimento “em respeito aos senadores”― irá adotar nesta terça pela manhã. À tarde, é a vez do ex-ministro Nelson Teich. E, na quarta, haverá o depoimento mais aguardado, do ex-ministro Eduardo Pazuello. O último a depor será o atual titular da Saúde, Marcelo Queiroga. Todos foram convocados como testemunhas e não como investigados. A expectativa é que as declarações deles sejam cruzadas com documentos para extrair as contradições em busca da digital do Governo Bolsonaro na maior crise de saúde dos últimos 100 anos.

'Era constrangedor explicar' descompasso entre ministério e Bolsonaro, diz Mandetta à CPI da Covid

  'Era constrangedor explicar' descompasso entre ministério e Bolsonaro, diz Mandetta à CPI da Covid Comissão parlamentar de inquérito investiga ações e omissões do governo federal no combate à pandemia e uso e de recursos nos Estados.Questionado pelos senadores se houve alguma proposta técnica do presidente Jair Bolsonaro ao ministério quando estava na pasta, Mandetta afirmou que não e que "o que havia ali era um mal estar.

Deputada preside Comissão de Meio Ambiente e tentou na Justiça impedir Renan de relatar CPI da Covid no Senado.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid - 19 , afirmou que telefonou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para dizer a ele que não acha prudente que eles se encontrem neste momento. Lula tem agenda nesta semana em Brasília, quando deve se encontrar com políticos e autoridades de partidos de esquerda, além de caciques do MDB. "Liguei para o Lula e disse que não acho recomendável nos encontrarmos, assim como não acho recomendável um encontro meu com Bolsonaro .

A pressão para o uso da cloroquina

Em Um paciente chamado Brasil, Mandetta compara a reação de Bolsonaro diante da pandemia aos estágios do luto. Diz que primeiro o presidente negou a gravidade do vírus (chamou a covid-19 de “gripezinha”), depois destilou sua raiva contra o próprio ex-ministro (chegando a demiti-lo) e, por fim, abraçou a busca por um milagre, com a cloroquina. Mandetta diz que Bolsonaro passou a tratar as medidas de isolamento social como uma grande conspiração para impedir a sua reeleição. Afirma que tentou muitas vezes mostrar ao presidente a gravidade da crise, mas Bolsonaro nunca interessou-se pelos dados. Estava mais preocupado com a economia e sua reeleição.nA crise entre os dois ficava cada dia mais insustentável. De um lado, o presidente minimizava o coronavírus e clamava pela volta à normalidade para salvar a economia. De outro, seu ministro da Saúde pedia que a população ficasse em casa para evitar o contágio e preservar vidas. Ambos faziam os cálculos políticos de suas ações.

Crescia a falsa dicotomia entre economia e saúde no Brasil, mas, segundo Mandetta, nos bastidores da administração federal, nem mesmo o ministro Paulo Guedes demonstrava qualquer interesse em entender a pandemia e mitigar os impactos econômicos. “Na equipe econômica do Governo, só Roberto Campos [presidente do Banco Central] conversava comigo sobre os impactos do novo coronavírus na economia. Paulo Guedes demonstrava profundo desinteresse sobre o assunto.” Segundo Mandetta, tampouco o próprio presidente teria demonstrado disposição para ouvir a projeção de mortes calculada pelo seu Ministério da Saúde ―no pior cenário, a pasta previa que o país chegaria a 180.000 mortes. O país já superou 400.000 óbitos por covid-19. “Era sempre ‘agora não dá’, ‘outra hora você passa’”, conta o ex-ministro, que diz ter entregado os dados impressos a Bolsonaro. “Nunca aceitou sentar comigo para ver a realidade que o seu Governo estava para enfrentar.”

'410 mil vidas me separam do presidente': as críticas de Mandetta a Bolsonaro na CPI da Covid

  '410 mil vidas me separam do presidente': as críticas de Mandetta a Bolsonaro na CPI da Covid Ex-ministro da Saúde disse que governo foi alertado sobre gravidade da pandemia, mas ignorou ciência. 'Nunca fomos iludidos de achar que isso aqui seria uma solução igual da Nova Zelândia. Mas posso lhe dizer: o Brasil podia ter feito muito melhor', respondeu Mandetta a um dos senadores.Segundo Mandetta, Bolsonaro ignorou a ciência e as informações de sua pasta sobre a gravidade da crise sanitária. Mesmo alertado, diz o ex-ministro, o presidente optou por não fazer uma campanha de conscientização da população, preferindo estimular o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

Mandetta ainda reclama no livro que quase não havia espaço para expor, nas reuniões ministeriais, a real dimensão da crise de saúde pública. Segundo ele, Bolsonaro usava essas ocasiões para criticar os “inimigos da semana” ―fosse a China, o Congresso, o Supremo Tribunal Federal, adversários políticos ou a imprensa. “Para ele, a paralisação das atividades econômicas era um golpe dos governadores para inviabilizar seu Governo e causar uma convulsão social”, afirma o ex-ministro. Ele acrescenta que o presidente aventava a necessidade de ações repressivas e dizia que teria que “colocar o Exército para cima do povo” porque achava que o isolamento social aumentaria a fome e a população poderia saquear comércios e supermercados. Naquela época, o Congresso articulava o auxílio emergencial para a população.

China e os comunistas da Fiocruz

“O presidente não deixou que publicássemos recomendações sobre sepultamentos no caso de transmissão sustentada do novo coronavírus numa cidade. Segundo ele, o tema era mórbido demais”, narra Mandetta. Bolsonaro também teria ligado pessoalmente para o ex-ministro para derrubar a suspensão de cruzeiros marítimos (espaço com alto risco de contaminação) após um forte lobby de setores do turismo. A decisão ―que Mandetta justifica como estratégia política, tendo decidido esperar um momento mais favorável para implementá-la― desagradou seu então secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, que chegou a anunciar que deixaria o cargo. Mandetta não aceitou a demissão, e ele acabou decidindo permanecer no posto.

Fórum dos Leitores

  Fórum dos Leitores Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. PauloLesa-humanidade

O ex-deputado pelo DEM havia conseguido a atenção do ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, que havia se espantado com a apresentação das projeções de mortes e outros dados da pandemia. Os militares tentaram convencer o presidente da gravidade da crise e por algum tempo sustentaram Mandetta no cargo. Mas a situação ficou insustentável após uma entrevista do ex-ministro à Rede Globo na qual criticou o comportamento errático de Bolsonaro sobre as aglomerações. Nos bastidores, o presidente já articulava ações sem consultar o seu então ministro da Saúde, especialmente para criar um protocolo da cloroquina. Passou a receber médicos alinhados ao bolsonarismo e, para uma dessas reuniões, só convocou seu ministro da Saúde de última hora. Segundo o ex-ministro, a posição de Bolsonaro era: “Vamos dar esse remédio porque com essa caixinha de cloroquina na mão os trabalhadores voltarão à ativa”. O presidente ainda teria incumbido o Exército de produzir cloroquina por achar que na Fiocruz (que historicamente produz o medicamento no país) só havia comunista.

Mandetta ainda relata que Bolsonaro movia-se conforme a pressão das redes sociais, citando como exemplo que o presidente só decidiu repatriar os brasileiros que estava em Wuhan no início da crise por conta da repercussão negativa na internet. Naquele momento, ainda no início da pandemia, cresciam os ataques xenofóbicos contra a China. Bolsonaro e seus filhos seguiram o discurso de Trump e acusaram o país asiático de ter criado o vírus. A ausência de um documento do Brasil endereçado à China, segundo o ex-ministro, foi a semente da crise diplomática que depois trouxe problemas para as importações de insumos médicos ao país. A China é um dos maiores produtores tanto de equipamentos quanto de matéria-prima para vacinas e medicamentos. O estopim, para Mandetta, teria sido um tuíte do deputado Eduardo Bolsonaro. “Foi o primeiro mal-estar com a China, e as consequências desse ataque afetariam todas as nossas relações futuras”, escreve.

A performance de Mandetta, que apareceu como o político mais bem avaliado em uma pesquisa Atlas Político em março, será um dado avaliado pelo mundo político para ver se o ex-ministro tem chances de construir uma candidatura fora dos polos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

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7 momentos do tenso depoimento de Fabio Wajngarten à CPI da Covid .
Houve muito bate-boca entre os senadores em torno das declarações do ex-secretário de Comunicação do governo federal, que foi acusado de fugir das perguntas, de proteger o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de mentir, o que fez com que vários senadores, inclusive o relator Renan Calheiros, pedissem sua prisão, que foi negada pelo presidente da comissão.Houve muito bate-boca entre os senadores governistas e de oposição em torno das declarações do ex-secretário de Comunicação do governo federal, que foi acusado de fugir das perguntas, de proteger o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de mentir, o que fez com que vários senadores, inclusive o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), pedissem sua prisão, q

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