Mundo Presidência avaliou decreto para incluir covid na bula de cloroquina, diz Mandetta

21:31  04 maio  2021
21:31  04 maio  2021 Fonte:   estadao.com.br

Entenda os principais pontos do depoimento de Mandetta na CPI

  Entenda os principais pontos do depoimento de Mandetta na CPI Ex-ministro descreveu um cenário em que o Bolsonaro contrariou recomendações científicas e tentou mudar a prescrição da cloroquina para tratar covid-19Aos senadores, o ex-ministro descreveu um cenário em que o presidente contrariou recomendações científicas, tentou mudar a prescrição da cloroquina para incluir covid-19 mesmo sem estudos que comprovem sua eficácia e ignorou alertas sobre a gravidade da doença que já matou mais de 400 mil pessoas no País.

BRASÍLIA – Primeiro a ser interrogado pela CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse nesta terça-feira, 4, ter sido chamado no Palácio do Planalto para tratar sobre incluir na bula da cloroquina a recomendação para tratar covid-19. O medicamento, propagandeado pelo presidente Jair Bolsonaro como solução para a doença, é usado para contra malária, artrite reumatoide e lúpus, mas não há comprovação científica de que tenha efeito contra o novo coronavírus.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta durante depoimento na CPI da Covid  © JEFFERSON RUDY / AGÊNCIA SENADO O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta durante depoimento na CPI da Covid

O ex-ministro, demitido em 16 de abril de 2020, narrou ter sido chamado às pressas para uma reunião no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial, na qual outros integrantes da equipe e médicos convidados discutiam mudar a bula por meio de decreto. Na versão de Mandetta, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, teria barrado a ideia.

Mandetta abre CPI da Covid-19 nesta terça expondo negacionismo de Bolsonaro e obsessão pela reeleição

  Mandetta abre CPI da Covid-19 nesta terça expondo negacionismo de Bolsonaro e obsessão pela reeleição Ex-ministro da Saúde e presidenciável, demitido pelo Planalto, diz que ultradireitista estava convencido de que governadores queriam minar sua candidatura em 2022 com medidas contra a pandemia. Alinhados ao Planalto devem explorar telhado de vidro do político do DEMO depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta estreará nesta terça-feira, 4 de maio, uma das maiores provas de fogo que o presidente Jair Bolsonaro enfrentará na CPI da Covid-19 no Senado. Político experiente, Mandetta tenta se cacifar para concorrer às próximas eleições presidenciais e espera-se dele um dos tons mais críticos com potencial de gerar constrangimento ao presidente.

“Era para eu subir para o terceiro andar porque tinha lá uma reunião de vários ministros e médicos que iam propor esse negócio de cloroquina que eu nunca havia conhecido. Ele (Bolsonaro) tinha um assessoramento paralelo. Nesse dia, havia sobre a mesa, por exemplo, um papel não timbrado de decreto presidencial para que fosse sugerido naquela reunião que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação da para coronavírus”, afirmou. “O presidente da Anvisa disse que não. Jorge Ramos (na verdade Jorge Oliveira, então ministro da Secretaria-Geral da Presidência) disse que era uma sugestão. Uma sugestão de alguém que se deu trabalho de colocar aquilo em formato de decreto.”

Em outro momento, Mandetta afirmou não ter dado qualquer orientação sobre aumentar a produção de cloroquina nos laboratórios do Exército. A medida foi tomada pelo governo no ano passado, quando alguns médicos passaram a recomendar o medicamento para tratar a doença com base em alguns casos, mas sem embasamento em estudos científicos.

'410 mil vidas me separam do presidente': as críticas de Mandetta a Bolsonaro na CPI da Covid

  '410 mil vidas me separam do presidente': as críticas de Mandetta a Bolsonaro na CPI da Covid Ex-ministro da Saúde disse que governo foi alertado sobre gravidade da pandemia, mas ignorou ciência. 'Nunca fomos iludidos de achar que isso aqui seria uma solução igual da Nova Zelândia. Mas posso lhe dizer: o Brasil podia ter feito muito melhor', respondeu Mandetta a um dos senadores.Segundo Mandetta, Bolsonaro ignorou a ciência e as informações de sua pasta sobre a gravidade da crise sanitária. Mesmo alertado, diz o ex-ministro, o presidente optou por não fazer uma campanha de conscientização da população, preferindo estimular o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

“A única orientação sobre cloroquina que partiu do Ministério foi sobre o uso compassivo, ou seja, quando não há outro recurso, para pacientes graves em ambiente hospitalar. A cloroquina tem margem de segurança estreita. Ela tem uma série de reações adversas e cuidados que devem ser feitos. Poderia ser perigoso para as pessoas”, afirmou.

No depoimento, o ex-ministro afirmou que filhos políticos de Bolsonaro acompanhavam reuniões ministeriais que tratavam do enfrentamento ao vírus e atrapalharam a relação com a China, principal fornecedora de insumos. Segundo o ex-ministro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) participava de reuniões ministeriais tomando notas. E os demais, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), chegaram a barrar uma reunião presencial com o embaixador da China no Planalto.

 O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente © NILTON FUKUDA/ESTADAO O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente

“O outro filho do presidente, Eduardo (Bolsonaro), tinha rotas de colisão com a China. Um dia estavam os três filhos do presidente (no Palácio do Planalto). E disse a eles que precisava conversar com o embaixador da China. E ele disse que ‘aqui não’. Acabei fazendo por telefone. Havia dificuldade de superar essas questões”, relatou.

Mandetta diz que Bolsonaro tinha aconselhamento paralelo e avaliou mudar bula de cloroquina

  Mandetta diz que Bolsonaro tinha aconselhamento paralelo e avaliou mudar bula de cloroquina Mandetta diz que Bolsonaro tinha aconselhamento paralelo e avaliou mudar bula de cloroquinaSÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira que o presidente Jair Bolsonaro se aconselhava com um grupo paralelo sobre o enfrentamento ao coronavírus, e contou ter participado de reunião no Palácio do Planalto onde foi avaliada possível mudança na bula da cloroquina para utilização contra a Covid-19.

Aos senadores, Mandetta afirmou que a postura de Bolsonaro na pandemia contribuiu para o agravamento da crise e para o aumento do número de mortes.“Se a postura teve um impacto? Sim. Em tempos de pandemia, tem que ter unidade, fala única. O raciocínio não é individual, o vírus ataca a sociedade como um todo. Ataca a economia, o esporte, o lazer”, disse, em resposta ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Ainda no começo de seu depoimento, Mandetta descreveu o comportamento errático de Bolsonaro: durante algumas reuniões, o presidente dizia concordar com as orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas, em seguida, fazia declarações públicas defendendo tratamentos e estratégias que não foram corroboradas pela evidência científica, como o uso da cloroquina e o chamado “isolamento vertical”. Este último é a ideia de manter em isolamento apenas pessoas idosas ou com comorbidades, liberando as demais para transitar normalmente.

“Eu imagino que ele (Bolsonaro) construiu, fora do Ministério da Saúde, alguns aconselhamentos que o levaram para estas tomadas de decisões que ele as teve. Mas não saberia lhe nominar cada uma delas”, completou Mandetta.

Por engano, Faria envia a Mandetta pergunta que deveria ser lida por governistas da CPI da Covid .
Ministro das Comunicação apagou mensagem encaminhada ao ex-ministro da Saúde por WhatsAppApós ouvir pergunta lida pelo senador governista Ciro Nogueira (Progressistas-PI), Mandetta afirmou que já conhecia a íntegra da questão desde a véspera, quando Faria a enviou por aplicativo de mensagem. "Inadvertidamente, mandou para mim. Quando eu fui responder, ele apagou", disse.

usr: 1
Isto é interessante!