Mundo Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia

22:46  04 maio  2021
22:46  04 maio  2021 Fonte:   afp.com

Protestos na Colômbia: o que cenário sem precedente indica sobre futuro do país

  Protestos na Colômbia: o que cenário sem precedente indica sobre futuro do país Apesar da violência, a Colômbia é um país reconhecido pela estabilidade econômica e política. Mas isso parece estar mudando.A Colômbia viveu muitos momentos delicados ao longo de sua traumática história, mas agora parece estar trilhando um caminho desconhecido em pelo menos três áreas diferentes: o protesto social, a economia e a representação política.

A ONU, a União Europeia e organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram nesta terça-feira (4) o uso desproporcional da força policial colombiana para controlar quase uma semana de protestos violentos contra o governo, que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos.

Um policial de choque dispara gás lacrimogêneo contra manifestantes durante um protesto contra a reforma tributária em 3 de maio de 2021 na cidade colombiana de Cali © Luis Robayo Um policial de choque dispara gás lacrimogêneo contra manifestantes durante um protesto contra a reforma tributária em 3 de maio de 2021 na cidade colombiana de Cali Depois da decisão do presidente colombiano de reforçar a repressão aos protestos, a população vê com apreensão o desenvolvimento dos fatos. © Luis ROBAYO Depois da decisão do presidente colombiano de reforçar a repressão aos protestos, a população vê com apreensão o desenvolvimento dos fatos.

“Estamos profundamente alarmados com os acontecimentos ocorridos na cidade de Cali (sudoeste) na Colômbia na noite passada, quando a polícia abriu fogo contra os manifestantes que protestavam contra a reforma tributária, matando e ferindo várias pessoas, segundo informações recebidas”, disse Marta Hurtado, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).

Protestos na Colômbia: como a violência tomou conta das ruas do país

  Protestos na Colômbia: como a violência tomou conta das ruas do país O que começou como um protesto contra um projeto de lei se transformou em um cenário de violência que paralisou o país. Cáli, a terceira cidade mais populosa da Colômbia, se tornou o epicentro. A onda de protestos começou com uma proposta de reforma tributária mas deve se manter mesmo após a votação do projeto ter sido suspensa. O projeto tinha pontos polêmicos, como aumento de impostos sobre a renda e sobre produtos básicos, de forma a aumentar a arrecadação tributária e evitar que a dívida colombiana gere a perda de mais pontos nas avaliações de risco de agências internacionais.

O que começou na quarta-feira como uma nova manifestação contra uma reforma tributária já retirada se transformou em graves protestos contra o governo e confrontos com a força pública.

Na manhã desta terça-feira, pessoas tomaram as ruas e bloqueios foram levantados em rodovias da capital e de Cali, a terceira cidade do país e a mais afetada pelos distúrbios.

Hurtado fez “um apelo à calma (...) Dada a situação extremamente tensa, com militares e polícias destacados para acompanhar os protestos”.

Defensores dos direitos humanos e ONGs denunciam ameaças e casos de violência policial, que incluem civis mortos pelas mãos de homens uniformizados.

A União Europeia aderiu às advertências e pediu que se "evite o uso desproporcional da força".

Ministro colombiano renuncia após protestos contra reforma tributária

  Ministro colombiano renuncia após protestos contra reforma tributária Queda do titular das Finanças ocorre após 19 mortes em atos contra aumento de impostos. Presidente Iván Duque desiste de proposta que afetaria classes baixa e média e propõe mais tributos sobre empresas e famílias ricas. © Fernando Vergara/AP Photo/picture alliance Protestos começaram na quarta-feira e deixaram mais de 800 feridos O ministro das Finanças da Colômbia, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (03/05), após cinco dias de protestos contra uma proposta de reforma tributária apresentada por sua pasta que deixaram 19 mortos e mais de 800 feridos.

Na segunda-feira, a Defensoria Pública do país registrou 19 mortos e 89 desaparecidos durante os dias de protesto no país.

O Ministério da Defesa contabilizou 846 feridos, sendo 306 civis.

- Cali, foco de protestos -

Os protestos e confrontos inflamaram a capital do departamento de Valle del Cauca, Cali, na noite de segunda-feira.

A cidade de 2,2 milhões de habitantes está militarizada desde sexta-feira por ordem do governo.

A Secretaria de Segurança local registrou cinco mortos nesta terça-feira e 33 feridos durante as manifestações e excessos no dia anterior.

O defensor público (ouvidor), Carlos Camargo, denunciou que uma pessoa da entidade, juntamente com outra da Procuradoria-Geral da República - encarregada de apurar irregularidades de funcionários - e três defensores dos direitos humanos, foram agredidos pela força pública enquanto prestavam assistência a detidos em Cali.

Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia

  Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia Comunidade internacional condena abusos policiais no sétimo dia de protestos na Colômbia“Estamos profundamente alarmados com os acontecimentos ocorridos na cidade de Cali (sudoeste) na Colômbia na noite passada, quando a polícia abriu fogo contra os manifestantes que protestavam contra a reforma tributária, matando e ferindo várias pessoas, segundo informações recebidas”, disse Marta Hurtado, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).

Os cinco "foram ameaçados por agentes da polícia nacional que dispararam repetidamente para o ar e para o solo, atiraram granadas de atordoamento, abusaram verbalmente deles e exigiram que abandonassem o local", afirmou.

A ONU participou dessa comissão, mas não foi "alvejada diretamente", de acordo com seu escritório local de direitos humanos no Twitter.

O ministro da Defesa, Diego Molano, evitou referir-se ao ataque e garantiu que policiais e militares são vítimas de ataques orquestrados por grupos armados.

“O destacamento da força pública foi muito grande, sem precedentes, uma coisa apavorante (...) eles não entram negociando com a comunidade mas atirando nos cidadãos”, disse Yonny Rojas, da Fundação Créalo, que zela pelos Direitos Humanos em Siloé, um bairro de Cali.

Molano anunciou na sexta-feira a chegada a Cali de mais de 700 soldados, 500 homens da força de choque (Esmad), 1.800 policiais e dois helicópteros para apoiar a força pública local.

“Lembramos às autoridades do Estado sua responsabilidade de proteger os direitos humanos, inclusive o direito à vida e à segurança pessoal, e de facilitar o exercício do direito à liberdade de reunião pacífica”, advertiu a porta-voz do ACNUDH.

O presidente conservador Iván Duque enfrenta protestos sem precedentes nas ruas desde que chegou ao poder em 2018.

Sindicatos, indígenas, organizações civis, estudantes, entre outros setores insatisfeitos, exigem uma mudança de rumo de seu governo. As mobilizações atuais refletem também o desespero causado pela pandemia que atinge com força o país de 50 milhões de habitantes.

Em seu pior desempenho em meio século, o Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia despencou 6,8% em 2020 e o desemprego subiu para 16,8% em março.

Quase metade da população vive na informalidade e na pobreza, de acordo com dados oficiais.

lv/dl/rsr/jc

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