Mundo COVID-19: 'Melhor vacina é a que estiver disponível', diz infectologista

16:21  08 junho  2021
16:21  08 junho  2021 Fonte:   em.com.br

CoronaVac: é hora de pensar em revacinar os idosos?

  CoronaVac: é hora de pensar em revacinar os idosos? Estudo apontou efetividade de 42% em pessoas com mais de 70 anos e de só 28% em maiores de 80. Alguns cientistas dizem que isso exige ajustes na imunização, mas o Butantan diz que a vacina funciona para todos e que terceira dose não é necessária agora.No caso da CoronaVac, a vacina mais usada no Brasil contra a covid-19, a discussão começou após um estudo apontar que a sua efetividade é de 42% para idosos com mais de 70 anos. Isso indica o quanto ela está ajudando a prevenir casos dessa doença.

Uma escolha em hora inadequada: enquanto o Brasil perde milhares de vidas a cada dia para a COVID-19, algumas pessoas que já podem se vacinar preferem esperar por temer os efeitos colaterais da fórmula da AstraZeneca, a segunda mais aplicada no país até o momento. O irresponsável comportamento, percebido sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, forçou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fabrica a injeção no país, a convocar seus especialistas para conscientizar a população. “Não é nada grave e são efeitos que nós chamamos de indesejáveis ou adversos, mas que podem ocorrer e que, rapidamente, em 24 horas, a tendência é desaparecer”, explicou a pneumologista Margareth Dalcolmo nos canais da Fiocruz.

''Alívio'': pessoas de 59 anos sem comorbidades são vacinadas em BH

  ''Alívio'': pessoas de 59 anos sem comorbidades são vacinadas em BH Imunizados com a dose de AstraZeneca garantem não ver problema nos possíveis efeitos colaterais da vacina

A secretária Meire Lage não teve dúvida na hora de receber a injeção da AstraZeneca: © Fornecido por EM.com.br A secretária Meire Lage não teve dúvida na hora de receber a injeção da AstraZeneca:

A jornalista de dados Bárbara Libório, da revista “AzMina”, relatou no Twitter o que presenciou em um centro de saúde em São Paulo. "O que me deixou mais chocada na fila do posto foi a quantidade de pessoas perguntando que vacina estavam dando. Gente dizendo que iria embora se fosse AstraZeneca. Gente comemorando quando ouviu que era Pfizer. O movimento sommelier de vacina é real – é perigoso”, afirmou.

Depoimentos como o de Bárbara são comuns na rede social. “Levei mamãe pra se vacinar hoje e uma mulher na fila dizia querer só Pfizer. A moça que controlava a entrada, oficial dos bombeiros, disse que era só AstraZeneca, e indicou alguns postos para a mulher encontrar Pfizer, como se vacina fosse Coca ou Pepsi, empada com ou sem azeitona”, escreveu o também jornalista Thales Machado, editor no jornal O Globo e morador do Rio de Janeiro.

Entre as reações mais comuns estão dores musculares, febre, mal-estar e calafrios. Especialistas afirmam que os efeitos duram poucos dias após a vacinação e que casos mais graves são raros. Minas Gerais recebeu 10 milhões de doses das três fabricantes, de acordo com dados do vacinômetro.

Viagem futura e desconfiança fazem paulistanos perseguirem vacina da Pfizer

  Viagem futura e desconfiança fazem paulistanos perseguirem vacina da Pfizer Alguns alegam confiar mais no imunizante americano, outros querem viajar quando a crise passar; infectologista observa que todos os produtos disponíveis no País são eficazes e seguros; Prefeitura alerta para não atrasar imunizaçãoA desconfiança que leva à preferência pelo imunizante da farmacêutica norte-americana em relação à Coronavac e à Oxford/AstraZeneca vem, muitas vezes, do acesso a informações desencontradas sobre reações indesejadas e níveis de proteção contra esta ou aquela variante do vírus. Em outras, o motivo é mais prático: algumas pessoas querem estar prontas para viajar quando a pandemia passar e temem a criação de um "passaporte da vacina".

Professor-emérito da Faculdade de Ciências Médicas e assessor do Hermes Pardini, o epidemiologista José Geraldo Ribeiro é um dos que afirmam que não cabe escolha de vacina. “A melhor vacina é a que estiver disponível”, aconselha. O especialista lembra que, do ponto de vista científico, ainda é cedo para comparar a eficácia entre os imunizantes.

“Neste momento, não há como saber qual vacina é mais eficaz”, diz. Ele lembra que os estudos de fase 3 (a última fase do ensaio clínico) de cada um dos imunizantes não são comparáveis. E explica que, devido à urgência de combater o novo coronavírus, os estudos foram feitos em curto espaço de tempo. “Durante o uso, nos próximos anos, conheceremos melhor a efetividade de cada vacina e os possíveis eventos adversos mais raros”, pondera.

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Risco

O infectologista Carlos Starling, que integra o Comitê de Enfrentamento à COVID-19 da Prefeitura de Belo Horizonte, alerta para o risco de escolher o fabricante da vacina. “Adiar a vacinação por preferência é um risco muito grande. O vírus pode te encontrar antes. Aí, é contar com a sorte”, afirma.

Veja os principais momentos da CPI da Covid até agora

  Veja os principais momentos da CPI da Covid até agora Muita coisa aconteceu desde que Comissão Parlamentar de Inquérito começou em 27 de abril. Para quem não conseguiu acompanhar tudo, a BBC News Brasil fez uma seleção dos principais momentos até agora.Também teve diversas revelações sobre ações e omissões do governo federal durante a pandemia, testemunhas caindo em contradição, bate-boca entre parlamentares, senadores governistas fazendo perguntas com base em notícias falsas, oposição acusando depoentes de mentir e até um requerimento de convocação do Presidente da República.

O especialista reforça que a eficácia das diferentes fórmulas não é comparável, pelo fato de terem sido desenvolvidas e aprovadas com estudos clínicos diferentes. “Após 21 dias, as vacinas da Pfizer e AstraZeneca têm eficácia praticamente idênticas”, diz. E ele ainda reforça que estudos mostram que as injeções são intercambiáveis. “No futuro, quem tomou uma, poderá tomar outra”, disse.

A recusa da AstraZeneca em alguns locais vem ocorrendo em função dos efeitos colaterais. No entanto, a médica epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute e ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA, afirma que as pessoas não devem hesitar em se vacinar quando forem chamadas. “Dois dias de cama com febre e calafrio, se acontecer, é um preço muito pequeno para se proteger contra a COVID. Uma espera pode te custar muito mais.”

A especialista reforça o alerta para que as pessoas não escolham vacinas. Em um post no Twitter, ela respondeu a um questionamento em relação à AstraZeneca. “A efetividade, proteção no mundo real, da AstraZeneca é alta, incluindo nos maiores de 70 anos, mais de 70%. A AstraZeneca funciona (em duas doses) contra novas variantes já testadas”, escreveu.

PBH se posiciona

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Em Belo Horizonte, a dose da AstraZeneca só não é mais aplicada que a da CoronaVac. Até o momento, a prefeitura local recebeu 700.676 vacinas fabricadas pela Fiocruz em parceria com a Universidade Oxford. Apesar disso, não há relatos de pessoas que evitam essa fórmula e preferem esperar por outra, como ocorre no Rio de Janeiro e São Paulo.

Questionada pelo EM, a Secretaria Municipal de Saúde de BH não respondeu se tem sido percebida alguma rejeição à AstraZeneca na capital mineira. Porém, informou que tem intensificado a sensibilização da população sobre a importância da imunização. “Todas as vacinas contra a COVID-19 em uso no país podem apresentar efeitos adversos, sendo a maioria absoluta classificada como leve. Os efeitos leves e transitórios podem durar de 24 a 48 horas e as equipes de vacinação são orientadas e preparadas para repassar todas as informações à população no momento da aplicação do imunizante”, informou a pasta, em nota.

Na fila

Moradores ouvidos pelo EM ontem em filas para a vacinação de pessoas com 59 anos – que inaugurou a imunização dos que têm menos de 60 independentemente de comorbidade ou pertencimento a grupos profissionais – demonstraram estar abertos à vacinação com a opção oferecida. A secretária Meire Lage, de 59, foi uma delas. Segundo ela, a eficácia da vacina é o que importa.

Vale lembrar que a vacina britânica teve sua eficácia e segurança comprovadas cientificamente. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro para o imunizante ser aplicado no Brasil. “Se tem a vacina, todo mundo tem que tomar. Independentemente de ser a AstraZeneca, CoronaVac, ou qualquer outra, nós temos que tomar.  Se você não tomar essa neste momento, qual vai tomar?”.

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  Ex-BBB João Luiz descarta possibilidade de entrar na fila prioritária para tomar vacina contra Covid-19 O ex-BBB João Luiz Pedrosa afirmou a seus seguidores que não tomará a vacina contra o Covid-19 antes do seu grupo etário, mesmo sendo professor e tendo direito à antecipação da dose. O ex-brother explica que não acha justo receber a vacina já que não está ativo na profissão no momento. ++ FAKE: João Luiz, do […]++ FAKE: João Luiz, do BBB21, não criticou Neymar

Tomar a AstraZeneca também não é um problema para o aposentado Sérgio Ricardo, de 59. Pelo contrário: para ele, a fórmula da Fiocruz/Oxford é a que mais despertou sua confiança. “Tomaria qualquer uma, tendo reação ou não”, disse o aposentado. *Estagiária sob supervisão da subeditora Rachel Botelho

Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

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  BH está atrás de Rio, Vitória e Recife na vacinação por faixa etária; veja Diferença na velocidade da campanha contra a COVID-19 em diversas cidades do Brasil provoca distorções na imunização por idadeJá passada a lista de prioridades, que inclui os idosos (acima de 60 anos) e pessoas com comorbidades, é a vez dos adultos considerados “público-geral”. Belo Horizonte, que vacinou nesta quinta-feira (10/6) pessoas com 56 anos, está atrás por um ponto do Rio de Janeiro (RJ), que imunizou os de 55 anos.

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

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