Mundo A variante Delta está deixando os jovens adultos 'mais doentes, e mais rapidamente'?

10:52  09 setembro  2021
10:52  09 setembro  2021 Fonte:   estadao.com.br

Variante delta tem duas vezes mais chance de levar à hospitalização do que alfa

  Variante delta tem duas vezes mais chance de levar à hospitalização do que alfa Maioria dos participantes da pesquisa não estavam vacinadosO resultado da análise foi publicado na revista científica The Lancet nessa 6ª feira (27.ago.2021). Eis a íntegra da pesquisa (288 KB).

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Recentemente, um paciente de 28 anos morreu de covid-19 no Centro Médico CoxHealth, em Springfield, Missouri. Na semana passada, um universitário de 21 anos foi internado na UTI.

Além de não terem se vacinado, muitos dos pacientes que chegam ao hospital com covid-19 têm muito menos do que 50 anos, um contraste absoluto em relação aos frágeis pacientes idosos afetados no início da pandemia, no ano passado.

Em Baton Rouge, Louisiana, jovens adultos que não apresentam nenhum dos fatores de risco para desenvolver formas graves da doença — como obesidade ou diabetes — também estão chegando aos pronto-socorros gravemente doentes. Não está claro por que os casos são tão graves.

Uberlândia confirma variante Delta em pacientes do Hospital das Clínicas

  Uberlândia confirma variante Delta em pacientes do Hospital das Clínicas Não foram divulgados quantos pacientes estão com a variante, nem se essas pessoas estão internadas ou seguem em isolamento .     Segundo a assessoria de comunicação da UFU, haverá uma coletiva de imprensa a partir das 15h, e os detalhes sobre esses casos da Delta serão repassados.   “A confirmação da variante Delta em pacientes internados no HC está sendo feita pela UFU, e não pela unidade de saúde. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida por profissionais da UFU, liderados pela professora Ana Carolina Jardim, do Instituto de Ciências Biomédicas (Icbim/UFU)”, informa a instituição.

Médicos que trabalham nos epicentros de covid no país afirmam que os atuais pacientes de seus hospitais não são como os do ano passado. Os novos pacientes — quase nenhum vacinado — tendem a ser mais jovens, muitos deles com idades na casa dos 20 ou 30 anos. Eles apresentam sintomas mais graves do que os pacientes jovens do ano passado e seu estado de saúde se deteriora mais rapidamente.

Os médicos cunharam uma nova expressão para descrevê-los: "mais jovens, mais doentes, mais rapidamente". Muitos dos médicos que os tratam suspeitam que a variante Delta do coronavírus, responsável por mais de 80% das novas infecções no país, influencia o fenômeno.

Estudos realizados em alguns outros países sugerem que essa variante pode causar doença mais grave, mas não há dados definitivos mostrando que a nova cepa seja de alguma maneira mais prejudicial para jovens adultos.

Eficácia das vacinas: confira quais imunizantes agem contra variante delta

  Eficácia das vacinas: confira quais imunizantes agem contra variante delta Eficácia das vacinas: confira quais imunizantes agem contra variante deltaA secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro publicou nesta semana uma estimativa de que a delta já representa 26,09% do total de casos – na capital fluminense, já corresponde a 45%. Segundo o secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz, em entrevista à GloboNews, a delta deve tornar-se predominante no estado em 30 dias.

Alguns especialistas acreditam que a mudança no perfil dos pacientes resulta estritamente das taxas de vacinação mais baixas nesse grupo demográfico.

Até o domingo, mais de 80% de todos os americanos com idades entre 65 e 74 anos tinham sido completamente vacinados, contra menos da metade dos cidadãos com idades entre 18 e 39 anos, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

As vacinas são poderosamente efetivas contra casos graves de covid-19 e mortes decorrentes de contágio por qualquer variante do vírus, incluindo a Delta. A vasta maioria dos pacientes hospitalizados no país — cerca de 97% — não se vacinou.

"Não acho que existam evidências consistentes ainda de que ela cause doença mais grave", afirmou a respeito da variante Delta Adam Ratner, professor associado de pediatria e microbiologia da Faculdade de Medicina Grossman, da Universidade de Nova York.

Com 40 novos casos em 5 dias, Brasil chega a 287 diagnósticos positivos da variante Delta

  Com 40 novos casos em 5 dias, Brasil chega a 287 diagnósticos positivos da variante Delta Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de infectados pela Delta, com 101 ocorrências notificadas; já o Paraná é o que tem mais óbitos pela variante: 12Quer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e repostagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

"Pode ser um fenômeno comportamental — uma combinação entre o fato de que estamos reabrindo as coisas e que em alguns lugares tudo está completamente aberto e ninguém usa máscara, o que é diferente do que ocorria há um ano ou 15, 16 meses atrás", acrescentou ele.

Recentemente, porém, a variante Delta deu aos cientistas sucessivas surpresas desagradáveis — e dúvidas a respeito da virulência da cepa e sua capacidade de causar doenças mais graves trazem urgência renovada.

Um documento interno do CDC obtido na semana passada pelo The New York Times descreveu a variante Delta como tão contagiosa quando a catapora e afirmou que ela "pode causar doenças mais graves do que as cepas alpha ou ancestral".

Equipe médica trata paciente grave da covid-19 internado em UTI © Werther Santana/Estadão Equipe médica trata paciente grave da covid-19 internado em UTI

Video: Variante Delta: o que já sabemos sobre a nova cepa do coronavírus? (Estadão)

Pessoas com mais de 65 anos representavam a metade de todos os pacientes hospitalizados por covid-19 no fim de janeiro, enquanto adultos com menos de 50 anos representavam 22%, de acordo com o CDC. Agora, pessoas mais velhas correspondem a pouco mais de um quarto dos pacientes hospitalizados, enquanto cidadãos com idades entre 18 e 49 anos correspondem a 41%.

Infectados com variante Delta são adolescentes de 12 e 14 anos, diz PBH

  Infectados com variante Delta são adolescentes de 12 e 14 anos, diz PBH Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte notificou o caso em 11 de julho e confirmação ocorreu nesta semana; os meninos estiveram no Reino UnidoOs dois estavam em Londres com a mãe e, quando chegaram, estavam com febre. A prefeitura colheu material para exame e o teste foi positivo para os garotos. A mãe testou negativo.

"Há algo de diferente em relação a essa variante do vírus nessa faixa etária", afirmou Catherine O’Neal, diretora médica do Centro Médico Regional Our Lady of the Lake, em Baton Rouge. "Às vezes víamos alguém que nos fazia pensar, 'Por que diabos essa pessoa ficou assim?' Mas era raro. Agora estamos vendo isso com mais frequência."

"Acho que é uma nova covid", acrescentou ela.

Cam Patterson, reitor da Universidade de Ciências Médicas do Arkansas, afirmou que a faixa etária média dos pacientes internados por covid-19 no hospital da instituição durante o inverno era de 60 anos; agora, é de 40.

"Nossa impressão é que pessoas mais jovens e mais saudáveis são agora mais suscetíveis à variante Delta do que às cepas que circularam anteriormente", afirmou Patterson.

A primeira ocorrência de variante Delta foi detectada no hospital da universidade em 1º de maio e, em 17 de junho, quase todos os casos de covid atendidos no local eram provocados pela nova cepa. "A transição que testemunhamos em relação aos pacientes mais jovens e as pessoas ficarem mais graves mais rapidamente coincidiu quase que precisamente com o aparecimento da variante Delta aqui no Arkansas", afirmou Patterson. "Para nós, a impressão é de que se trata de uma doença completamente diferente."

Vacinas podem levar ao surgimento de variantes do coronavírus?

  Vacinas podem levar ao surgimento de variantes do coronavírus? A variante delta se espalha mesmo em países com alta taxa de vacinação, o que dá margem a especulações: estariam imunizantes ligados à contagiosa cepa? Entenda em que cenários é mais provável que surjam variantes. © Robin Utrecht/picture alliance Fabricantes de vacinas como a Biontech-Pfizer já estão desenvolvendo novas versões mais eficazes contra a variante delta O número de casos de covid-19 tem aumentado rapidamente no Reino Unido nas últimas semanas. Cerca de 95% dos casos sequenciados são de infecções pela variante delta do coronavírus. E dois terços da população do país já foram vacinados.

Donald McAvoy, de 33 anos, um fisiculturista conhecido como Frue, gerente de uma academia de ginástica em Jacksonville, Flórida, não se incomodou em ir se vacinar contra a covid porque achava que o vírus afetava somente pessoas mais velhas e com problemas de saúde.

Mas lá pelo fim de junho, o nariz dele começou a escorrer, o que ele pensou ser um resfriado ou alergia. A namorada insistiu que ele fizesse um teste para coronavírus. Deu positivo, e ele foi mandado para casa com um pequeno dispositivo chamado oxímetro de pulso, para monitorar o nível de oxigênio em seu sangue.

Dias depois, o estado de saúde dele se deteriorou, e ele desmaiou no chão do quarto. Seu nível de oxigênio estava baixíssimo: 56. O normal é 95 ou mais.

No Centro Médico Batista Beaches, ele foi entubado e encaminhado para a UTI, onde passou 11 dias, uma provação que ele descreveu como "a coisa mais assustadora que passei na vida, não apenas fisicamente, mas mentalmente". O médico de McAvoy lhe disse que ele havia sido infectado com a variante Delta.

Ele deixou o hospital em 8 de julho, com um tanque de oxigênio a reboque. Tinha perdido 11 quilos e foi avisado que teria de passar de quatro a seis semanas em repouso e fazendo terapia respiratória antes de poder retornar ao trabalho. Ele teme que isso pode levar mais tempo.

"O vírus está muito mais igualitário agora", afirmou Angie Honsberg, diretora da UTI do Centro Médico University, em Las Vegas.

No início da pandemia, pacientes chegavam ao hospital após passar uma ou duas semanas em casa com sintomas. Eram com frequência tratados em alas comuns por algum tempo antes de precisar de intubação ou atendimento na UTI.

Variante Delta: o que o Brasil deve fazer para conter essa nova ameaça?

  Variante Delta: o que o Brasil deve fazer para conter essa nova ameaça? Especialistas destacam necessidade de reforçar medidas preventivas e acelerar a vacinação contra a covid-19; nova cepa do coronavírus já circula em São PauloRegistrada pela primeira vez na cidade de São Paulo na segunda-feira, 5, a variante Delta (B.1.617), detectada originalmente na Índia, tem renovado as preocupações sobre o futuro da pandemia no País. Isso ocorre diante do avanço da cepa observado em países da Europa, ainda que no Brasil sua disseminação seja incipiente - pelo menos conforme os dados oficiais.

Como McAvoy, os pacientes mais jovens de Honsberg estão desenvolvendo quadros graves muito mais rapidamente, afirmou ela. "Minha suspeita é que a variante Delta provavelmente se comporta de maneira um pouco diferente", disse.

Em Springfield, Missouri, Terrence Coulter, diretor da UTI do CoxHealth, um hospital de 500 leitos, afirmou que pacientes de covid-19 atendidos no local são mais jovens e apresentam sintomas mais graves do que na onda anterior.

"Pensaram no começo que pacientes jovens e crianças se infectariam sem ficar sabendo ou desenvolveriam uma doença branda", afirmou Coulter. "Com a variante Delta não é assim. Ela é muito mais perigosa, sem dúvida, do que a variante original."

Muitos pacientes hospitalizados apresentam problemas de saúde preexistentes, como diabetes, obesidade ou pressão alta, que são fatores de risco para casos mais graves, afirmou ele. Mas alguns pacientes mais jovens não apresentam nenhum desses fatores de risco.

"É isso o que me assusta", afirmou ele. "Ela está afetando pessoas mais jovens e saudáveis, que não imaginaríamos que fossem responder tão mal à doença". Esses pacientes com frequência enfrentam recuperações prolongadas, acrescentou Coulter, e alguns ficarão com sequelas duradouras nos pulmões.

Nos Estados Unidos, a variante Delta é relativamente recém-chegada, e evidências a respeito das diferenças no seu comportamento em relação a outras cepas do coronavírus ainda estão sendo observadas. A variante Delta é mais contagiosa, concordam os especialistas. Pessoas infectadas com essa cepa podem carregar grandes quantidades de vírus nas vias aéreas, constataram alguns estudos.

Mas o que parece ser uma virulência maior pode ser simplesmente resultado do grau de transmissibilidade mais elevado da variante Delta, afirmam alguns especialistas. Com mais pessoas infectadas, o número absoluto de doentes graves cresce, mesmo que a variante em si não provoque mais casos graves de doença do que as versões anteriores do vírus.

"Não encontrei evidência de que a Delta está seletivamente mirando crianças, adolescentes e jovens adultos", afirmou Peter Hotez, diretor da Escola Nacional de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina Baylor. "Minha impressão tem sido de que esse vírus é tão altamente transmissível que qualquer um que não tenha se vacinado está se contaminando, e isso inclui os jovens". / Tradução de Augusto Calil

Entenda o que é a variante delta do coronavírus, que foi registrada na cidade de São Paulo .
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A variante delta do coronavírus Sars-CoV-2 (anteriormente chamada de B.1.617.2) foi primeiramente identificada na Índia em outubro de 2020 e é apontada como a principal responsável pelo surto de Covid-19 que atingiu o país asiático no início deste ano, sobrecarregando os sistemas de saúde e levando caos ao sistema funerário. Na segunda-feira (5), a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo divulgou que registrou a variante na cidade pela primeira vez. De acordo com a secretaria, o infectado é um homem de 45 anos que está sendo acompanhado por equipes de saúde. Seus contatos mais próximos também estão sendo monitorados.

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