Mundo Crise da Evergrande traz temor sobre 'novo Lehman Brothers', mas analistas veem exagero

18:42  17 setembro  2021
18:42  17 setembro  2021 Fonte:   estadao.com.br

Cresce temor de instabilidade financeira com eventual falência de grupo imobiliário chinês

  Cresce temor de instabilidade financeira com eventual falência de grupo imobiliário chinês O valor das ações e de títulos do conglomerado imobiliário chinês Evergrande, fortemente endividado, continuaram a despencar nesta quinta-feira (9) nos mercados asiáticos, depois que circularam informações de que a empresa deixará de pagar em breve seus empréstimos bancários e poderá suspender o pagamento de juros sobre determinados produtos financeiros de sua área de gestão de patrimônio. O caso é monitorado de perto pelas autoridades financeiras em todo o mundo, devido à dívida colossal de 1,970 bilhão de yuans, cerca de 260 bilhões de euros, acumulada pela Evergrande.

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O potencial colapso da gigante de construção chinesa Evergrande, uma das companhias mais endividadas do mundo, trouxe de volta ao mercado financeiro mundial o temor de que a companhia possa ser o próximo Lehman Brothers, o banco americano que quebrou em 15 de setembro de 2008 e desencadeou uma das maiores crises financeiras da História.

A Evergrande até contratou esta semana os assessores por trás da reestruturação da dívida do Lehman, o que só ajudou a aumentar as preocupações e os temores de um default (calote) próximo, mas analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast não veem maiores semelhanças com o episódio de 2008.

Sonhos da imobiliária Evergrande viram pesadelo para os compradores chineses

  Sonhos da imobiliária Evergrande viram pesadelo para os compradores chineses As noites sem dormir viraram uma rotina para Ji Wenchen, meio ano depois de pagar um depósito de 100.000 dólares à gigante chinesa do setor imobiliário Evergrande, que enfrenta uma grave crise, por um apartamento que ainda não foi concluído. Em março ele entregou o dinheiro ao grupo, mas ainda não recebeu os documentos que a certificam como proprietária. "Mal consigo comer ou dormir", afirma a mulher de 30 anos. "Meu nome ainda não estáEm março ele entregou o dinheiro ao grupo, mas ainda não recebeu os documentos que a certificam como proprietária.

Uma eventual quebra da construtora pode gerar turbulência no mercado internacional, afetando principalmente os emergentes mais vulneráveis, aqueles com problemas fiscais e/ou das contas externas. Os analistas citam Brasil, África do Sul e Turquia com potencial de serem os mais afetados por um episódio de estresse, justamente por estarem no topo no ranking de maior vulnerabilidade, como o do Bank of America.

Mas, diferente da crise de 2008, caso a Evergrande venha a quebrar, não se espera um congelamento do mercado financeiro mundial, como aconteceu após o debacle do Lehman, que paralisou o mercado de empréstimos mundial por semanas.


Video: Central 98 16/09/21 (Dailymotion)

Ao contrário do banco americano, a Evergrande não é uma empresa financeira, ou seja, seu efeito sistêmico, embora exista, não pode ser comparado a de um grande banco. Por isso, o economista da consultoria inglesa Capital Economics, Simon MacAdam, acha exagerada as comparações. No pior cenário, que seria a quebra da companhia chinesa, com passivos de aproximadamente US$ 300 bilhões, o reflexo seria "alguma turbulência" no mercado financeiro internacional, afetando principalmente os emergentes. O Lehman, em 2008, tinha o dobro do passivo.

Risco de calote da chinesa Evergrande derruba Bolsas pelo mundo; entenda

  Risco de calote da chinesa Evergrande derruba Bolsas pelo mundo; entenda SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O temor de um calote bilionário da Evergrande, uma gigante do mercado imobiliário chinês, derrubou Bolsas pelo mundo. O Ibovespa, principal índice da brasileira B3, recuou 2,33% e fechou com 108.843 pontos. O dólar subiu 0,81%, cotado a R$ R$ 5,3320. Nos Estados Unidos, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram 1,78%, 1,70% e 2,19%, respectivamente. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 (zona do euro) retrocedeu 2,11%. Também caíram as Bolsas de Londres (-0,86%), Paris (-1,74%) e Frankfurt (-2,31%).

Um efeito mais indireto, diz MacAdam, seria se a quebra afetasse todo o setor de construção do país a ponto de provocar um esfriamento da economia, levando Pequim a reduzir importações, o que afetaria os exportadores de commodities (produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados em dólar) para o país asiático, como o Brasil. Por ora, a Capital Economics diz que os bonds da empresa despencaram e suas ações acumulam queda de mais de 80% este ano, mas o contágio para outros ativos - tanto dentro quanto fora da China - tem sido limitado.

Pequim sinalizou que é para a Evergrande "se virar sozinha" com a questão da sua dívida, diz o chefe global de mercados e pesquisa do ING, Chris Turner, em relatório. Mas a avaliação é que se a coisa piorar, o governo chinês pode fazer algum tipo de ajuda financeira, evitando o pior cenário.

É pouco provável que Pequim socorra totalmente a empresa. Primeiro, porque os dirigentes do Partido Comunista estão mais preocupados com as gigantes do setor de tecnologia e os dados que armazenam. Segundo, porque o próprio governo quer que o setor de construção reduza fortemente seu endividamento. Essa intenção ficou clara no começo deste ano, quando Pequim estabeleceu métricas financeiras para desalavancar o segmento e a Evergrande não passou em nenhuma.

Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinês

  Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinês Riscos de calote da China Evergrande mudam foco para possível resgate pelo governo chinêsHONG KONG/NOVA YORK (Reuters) - Temores persistentes de calote ofuscaram os esforços do presidente do China Evergrande Group para melhorar a confiança na empresa nesta terça-feira, enquanto o governo chinês não deu sinais de que vai intervir para evitar qualquer efeito dominó na economia global.

Na visão do analista de mercado financeiro em Nova York da corretora Oanda, Edward Moya, o nervosismo nas Bolsas na quinta-feira, 16, por causa do possível efeito da quebra da empresa, acontece especialmente em um momento que os indicadores de atividade estão vindo fracos.

O JPMorgan vê no episódio da Evergrande, que tende a se arrastar, o maior risco para o perfil de crédito da China, com potencial de criar um efeito dominó entre fornecedores e pequenos emprestadores. Na quinta, a empresa suspendeu a negociação de seus bônus no país e ainda tem US$ 8 bilhões a vencer. O problema é a crise de liquidez autoalimentada da empresa: as vendas despencaram refletindo a queda da demanda e muitas obras pararam; assim falta caixa e não consegue pagar o serviço da dívida; sem crédito, não consegue recurso para tocar as obras.

Com a gravidade da situação, os analistas de crédito da Fitch Ratings alertaram esta semana que a situação da Evergrande, que já teve seu rating rebaixado, é grave e pode elevar o risco de crédito para vários segmentos, mas no setor financeiro, oferece risco maior para bancos pequenos.

A S&P Global vê o default da empresa como praticamente uma certeza, o que deve levar a um amplo programa de reestruturação de dívida. Esse temor só aumentou esta semana com o anúncio da Evergrande da contratação da firma americana Houlihan Lokey, que cuidou do processo do Lehman e da gigante de energia Enron.

Presidente da Evergrande pede esforços para honrar obrigações .
O presidente da gigante imobiliária chinesa Evergrande, profundamente endividada, cuja possível falência pode perturbar a economia, pediu ao grupo que "faça o que puder" para cumprir suas obrigações - informou a imprensa oficial nesta quinta-feira (23). Xu, que já foi uma das maiores fortunas da China, também enfatizou que o grupo deve "fazer tudo o que puder para honrar" suas obrigações.O conglomerado privado tem uma dívida de cerca de US$ 300 bilhões. Uma inadimplência pode causar uma forte desaceleração no setor da construção na China e ter consequências nos mercados mundiais.

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