Mundo Crise energética mostra fragilidade de era da energia limpa

23:35  05 outubro  2021
23:35  05 outubro  2021 Fonte:   bloomberg.com

Falta de energia atinge China, ameaçando economia e temporada de compras de Natal

  Falta de energia atinge China, ameaçando economia e temporada de compras de Natal A alta demanda e os aumentos de preço da energia forçaram o fechamento de algumas fábricas, adicionando mais problemas para as já confusas cadeias de abastecimento globaisQuer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

(Bloomberg) -- O mundo enfrenta a primeira grande crise resultante da transição para a energia limpa. Não será a última.

Most Read from Bloomberg

  • Christmas at Risk as Supply Chain ‘Disaster’ Only Gets Worse
  • Reshaped by Crisis, an ‘Anti-Biennial’ Reimagines Chicago
  • This Is What Europe’s Green Future Looks Like
  • Why the Gaza Strip May Be the City of the Future
  • An Unapologetic Old Boys’ Network Is Costing Australia Billions

A escassez que abala os mercados de gás natural e eletricidade do Reino Unido à China coincide com a retomada da demanda após as restrições da pandemia. Mas o planeta tem enfrentado mercados de energia voláteis e escassez de oferta há décadas. A diferença agora é que as economias mais ricas também implementam uma das mais ambiciosas reformas de seus sistemas desde o início da era da eletricidade, sem uma maneira fácil de armazenar a energia gerada por fontes renováveis.

Cientistas defendem novo modelo para descarbonização do setor elétrico nos países em desenvolvimento

  Cientistas defendem novo modelo para descarbonização do setor elétrico nos países em desenvolvimento Agência FAPESP* – Se de um lado países desenvolvidos dominam tecnologias de fontes de energia renováveis, essenciais para a descarbonização do setor elétrico (retirada ou diminuição da queima de combustíveis derivados do petróleo e do carvão), países de baixa e média renda seguem com dificuldades para implantá-las. Nos países em desenvolvimento, a transição energética caminha a passos lentos, mesmo que agendas de desenvolvimento sustentável, como Agenda 21 e 2030, e acordos multilaterais, como o de Paris, forneçam uma série de objetivos e metas para tornar o setor elétrico mais sustentável no mundo.

A transição para uma energia mais limpa tem como objetivo tornar esses sistemas mais resilientes, e não menos. Mas a mudança real levará décadas, durante as quais o mundo ainda dependerá dos combustíveis fósseis, mesmo com os principais produtores alterando drasticamente suas estratégias de produção.

U.K. Power Mix © Bloomberg U.K. Power Mix

“É uma mensagem de advertência sobre o quão complexa será a transição energética”, disse Daniel Yergin, um dos principais analistas de energia e autor do livro “The New Map: Energy, Climate and the Clash of Nations”.

No meio desta mudança fundamental, o sistema de energia mundial tornou-se notavelmente mais frágil e mais propenso a choques.

Volatilidade

A turbulência na Europa é um exemplo. Após um inverno mais frio do que o normal que esgotou os estoques de gás natural, os preços do gás e da eletricidade dispararam, já que a demanda das economias em recuperação cresceu rápido demais para que os suprimentos conseguissem acompanhar. Algo semelhante provavelmente teria acontecido se a Covid-19 tivesse surgido há 20 anos.

Especialistas da USP debatem crise energética sob a perspectiva da geopolítica

  Especialistas da USP debatem crise energética sob a perspectiva da geopolítica Com o objetivo de discutir o cenário da geopolítica da energia no contexto de transição energética, será realizado de 4 a 8 de outubro o I Encontro de Geopolítica da Energia da USP com o tema Petróleo, Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar. O evento é promovido pelos grupos de estudos Thiers Fleming, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Dialética da Dependência, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), e pelo Centro Ibero-Americano do Instituto de Relações Internacionais (IRI), todos da USP. Os debates são abertos ao público com transmissão pelo Canal da FFLCH no Youtube.

Mas agora, Reino Unido e o continente europeu contam com uma combinação muito diferente de fontes de energia. O carvão foi reduzido drasticamente, sendo substituído em muitos casos por um gás de combustão mais limpa. Mas o aumento da demanda global este ano encolheu a oferta de gás. Ao mesmo tempo, duas outras fontes de energia - vento e água - tiveram produção abaixo do normal, com velocidades dos ventos mais lentas e poucas chuvas em países como a Noruega.

Em outras palavras: um mercado global de gás sob pressão elevou os preços da eletricidade para níveis recordes, e a transição amplificou o problema.

A crise que atinge a Europa é um sinal dos tipos de choque que podem abalar mais partes do planeta. Mesmo com as energias solar e eólica cada vez mais abundantes e baratas, muitos países ainda dependerão, durante décadas, do gás natural e de outros combustíveis fósseis como reserva. No entanto, o interesse de investidores e de empresas em aumentar a produção desse tipo de combustível está diminuindo.

Europa: falta de gás e alta dos preços da energia podem impulsionar renováveis no bloco

  Europa: falta de gás e alta dos preços da energia podem impulsionar renováveis no bloco A disparada dos preços do gás e da energia na Europa poderão impulsionar o bloco a acelerar a transição energética verde para diminuir a dependência das importações, principalmente da Rússia. Os países europeus buscam uma coordenação para responder à diminuição do fornecimento do produto, em um contexto de aumento da demanda mundial pela retomada econômica da pandemia. Puxada pela demanda chinesa, o preço do gás se multiplicou por oito em seis meses na Europa e impacta no valor da energia elétrica. A Rússia, tradicional fornecedora, tem exportado a conta-gotas o gás para os europeus.

PGE SA Coal Plant With Poland Planning Clean Energy Investment © Fonte: Bartek Sadowski / Bloomberg PGE SA Coal Plant With Poland Planning Clean Energy Investment

Essa é uma boa receita para a volatilidade , escreveu Nikos Tsafos, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em análise recente.

“Estamos definitivamente migrando para um sistema que é mais vulnerável”, disse Tsafos, presidente do núcleo James R. Schlesinger para energia e geopolítica do centro, em entrevista.

A própria transição - imperativa para o planeta - não causou o aperto. Mas qualquer sistema grande e complexo pode se tornar mais frágil quando passa por grandes mudanças.

Most Read from Bloomberg Businessweek

  • Atlanta’s Wealthiest and Whitest District Wants to Secede
  • ‘Most Americans Today Believe the Stock Market Is Rigged, and They’re Right’
  • The Left-for-Dead Hospital That Got a Second Chance for $1

©2021 Bloomberg L.P.

Crise energética: UE quer amortecer impacto da alta dos preços sem sacrificar o clima .
Ao mesmo tempo em que Moscou diz que está pronta para ajudar a União Europeia a amortecer o aumento dos preços da energia, Bruxelas revelou nesta quarta-feira (13) um arsenal de medidas temporárias e delineia caminhos para reformas que possam contornar a crise energética do bloco, mas sem sacrificar suas ambições ambientais. Enquanto o preço do gás, impulsionado pela escassez de oferta, bateu recordes históricos, impulsionando os preços da eletricidade e ameaçando inviabilizar a recuperação econômica do continente, a Comissão Europeia apresentou "ferramentas" às quais os 27 Estados membros são convidados a recorrer, com o objetivo de aliviar as contas dos consumidores

usr: 2
Isto é interessante!