Mundo Quedas de energia atingem a China, ameaçando a economia

21:37  12 outubro  2021
21:37  12 outubro  2021 Fonte:   nytimes.com

Há 90 anos, Brasil tinha seu primeiro horário de verão

  Há 90 anos, Brasil tinha seu primeiro horário de verão Instituída por Getúlio Vargas em 1931, mudança de horário só passou a ser adotada de forma constante a partir de 1985. Dois anos após extinção da medida por Bolsonaro, crise hídrica motiva discussões sobre retomada. © picture-alliance/ZUMA Wire/D. Oliveira Especialistas divergem sobre eficácia do horário de verão para economia de energia nos dias de hoje Com apenas três justificativas, bastante simples e concisas, o então presidente Getúlio Vargas instituiu pela primeira vez o horário de verão no Brasil há exatos 90 anos, em 3 de outubro de 1931. Publicado dois dias antes, o decreto de número 20.

Dongguan, China – Os cortes de energia e até mesmo os apagões diminuíram a produção ou fecharam fábricas em toda a China recentemente, adicionando uma nova ameaça à desaceleração da economia do país e potencialmente prejudicando ainda mais as cadeias globais de suprimentos antes da movimentada temporada de compras de Natal no Ocidente.

Linhas de alta tensão em Dongguan, China, 27 de setembro de 2021. Os apagões ocorreram na maior parte do leste do país nos últimos dias. (Gilles Sabrié / The New York Times) © Distributed by The New York Times Licensing Group Linhas de alta tensão em Dongguan, China, 27 de setembro de 2021. Os apagões ocorreram na maior parte do leste do país nos últimos dias. (Gilles Sabrié / The New York Times)

As paralisações se espalharam por grande parte do leste do país, onde a maioria da população vive e trabalha. Alguns prédios desligaram elevadores. Algumas estações municipais de bombeamento fecharam, o que levou uma cidade a pedir aos moradores que armazenassem água extra pelos próximos meses, embora mais tarde tenha voltado atrás.

Fotossíntese artificial: fonte de energia renovável

  Fotossíntese artificial: fonte de energia renovável Plantas, algas e cianobactérias possuem a capacidade única de produzir energia a partir de água e luz solar, e conseguem isso graças a fotossíntese, um processo que envolve moléculas complexas e reações químicas ainda não compreendidas. Quando estimuladas pela luz solar, essas moléculas naturais são capazes de quebrar a molécula da água em oxigênio e hidrogênio. Nesse sentido, a fotossíntese artificial é uma tecnologia que imita a fotossíntese natural para a obtenção de um combustível limpo, armazenável e eficiente – o hidrogênio.

Há várias razões pelas quais a eletricidade está subitamente em falta em grande parte da China. Mais regiões do mundo estão reabrindo depois dos bloqueios da pandemia, aumentando consideravelmente a demanda nas fábricas exportadoras chinesas, grandes consumidoras de eletricidade.

A demanda de exportação de alumínio, um dos produtos cuja fabricação mais consome energia, está alta, e também tem sido robusta para o aço e o cimento, ambos importantes para os vastos programas chineses de construção.

Com o aumento da demanda por eletricidade, subiu o preço do carvão que a gera. Mas os reguladores chineses não permitiram que os serviços públicos aumentassem as contas de luz para cobrir o custo do carvão. Assim, as concessionárias têm agido lentamente para manter a operação de suas usinas por mais horas.

Província industrial da China alerta para novos problemas de abastecimento de energia

  Província industrial da China alerta para novos problemas de abastecimento de energia Província industrial da China alerta para novos problemas de abastecimento de energia nesta segunda-feira, apesar dos esforços governamentais para aumentar o suprimento de carvão e administrar o uso de eletricidade em meio a uma crise energética pós-pandemia que atinge diversos países. A província de Liaoning emitiu seu segundo alerta mais elevado de blecaute nesta segunda-feira, o quinto em duas semanas, avisando que o déficit de energia pode chegar a quase 5 gigawatts (GW).

Na cidade de Dongguan, grande centro fabril perto de Hong Kong, uma fábrica de calçados que emprega 300 trabalhadores alugou um gerador recentemente por US$ 10 mil por mês para garantir que o trabalho pudesse continuar. Entre os custos de aluguel e do diesel, a eletricidade agora é duas vezes mais cara do que quando a fábrica estava simplesmente usando a oferecida pela rede. "Este ano é o pior desde que abrimos a fábrica há quase 20 anos", afirmou Jack Tang, seu gerente-geral.

Um dormitório de trabalhadores em Dongguan, China, onde as fábricas produzem de tudo, de eletrônicos a suéteres, 27 de setembro de 2021. (Gilles Sabrié / The New York Times) © Distributed by The New York Times Licensing Group Um dormitório de trabalhadores em Dongguan, China, onde as fábricas produzem de tudo, de eletrônicos a suéteres, 27 de setembro de 2021. (Gilles Sabrié / The New York Times)

Economistas previram que as interrupções na produção chinesa tornariam mais difícil para muitas lojas no Ocidente reabastecer prateleiras vazias e poderiam contribuir para a inflação nos próximos meses.

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  França e mais 9 países pedem 'rótulo verde' para energia nuclear Os pais da cantora e compositora vão disponibilizar mais de 800 itens pessoais e profissionais da filha, morta em 2011.

Não está claro quanto tempo a crise de energia vai durar. Especialistas na China previram que as autoridades compensariam controlando o consumo de indústrias com uso intenso de energia, como a do aço, a do cimento e a do alumínio, e disseram que isso poderia resolver o problema.

A State Grid, distribuidora de energia administrada pelo governo, declarou em um comunicado que garantiria suprimentos "e manteria resolutamente o básico para os meios de subsistência, o desenvolvimento e a segurança das pessoas".

Ainda assim, a escassez de energia em todo o país levou os economistas a reduzir suas estimativas de crescimento da China este ano. A Nomura, instituição financeira japonesa, baixou sua previsão de expansão econômica para os últimos três meses deste ano de 4,4 por cento para três por cento.

A escassez de eletricidade já começa a piorar os problemas da cadeia de suprimentos. A súbita retomada da economia mundial levou à escassez de componentes-chave, como chips de computador, e ajudou a provocar uma confusão nas linhas de transporte globais, colocando em lugares errados muitos contêineres e os navios que os transportam.

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As fontes de energia não são muito diferentes. Em comparação com o ano passado, a demanda de eletricidade na China está crescendo este ano a quase o dobro do seu ritmo anual habitual. O grande aumento nas encomendas de smartphones, eletrodomésticos, equipamentos de exercício e outros produtos manufaturados que as fábricas chinesas produzem impulsionaram a ampliação do consumo.

Os problemas de energia da China estão contribuindo, em parte, para preços mais altos em outros lugares, incluindo a Europa. Especialistas apontaram que um aumento nos preços na China fez com que distribuidores de energia enviassem navios carregados com gás natural liquefeito para portos chineses, forçando outros países a procurar outras fontes. Mas a maior parte dos problemas de energia chineses é exclusiva do país.

Dois terços da eletricidade da China provêm da queima de carvão, que Pequim está tentando conter para enfrentar as mudanças climáticas. O preço do carvão subiu com a demanda; contudo, como o governo mantém o preço da eletricidade baixo, particularmente em áreas residenciais, o consumo de casas e empresas aumentou.

Diante da perda de mais dinheiro com cada tonelada de carvão adicional queimada, algumas usinas fecharam para manutenção nas últimas semanas, alegando que isso era necessário por razões de segurança. Muitas outras estão operando abaixo da capacidade total e estão cautelosas em relação ao aumento da geração quando isso significaria perder mais dinheiro, disse Lin Boqiang, reitor do Instituto de Estudos de Política Energética da China da Universidade de Xiamen.

Demanda alivia crise de energia e exportações da China disparam

  Demanda alivia crise de energia e exportações da China disparam As exportações da China subiram para um novo recorde em setembro em meio à forte demanda antes das festas de fim de ano e aumento dos preços que compensaram o efeito da escassez de energia no país. Most Read from BloombergHow France Turned the Humble Roundabout Into a Showcase for ArtWhat the Front Line of the U.S. Abortion Fight in Kentucky Looks Like NowThey Invented the Must-Have Instrument for the Burning Man Set.

No fim de agosto, a principal agência chinesa de planejamento econômico, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, também ordenou que 20 grandes cidades e províncias reduzissem o consumo de energia pelo resto do ano. Os reguladores citaram a necessidade de garantir o cumprimento das metas anuais estabelecidas por Pequim para as emissões de dióxido de carbono com a queima de combustíveis fósseis.

Além do carvão, as hidrelétricas fornecem grande parte do resto da energia da China, enquanto as turbinas eólicas, os painéis solares e as usinas nucleares desempenham um papel crescente.

A dificuldade de manter as luzes acesas e as torneiras funcionando representa um desafio para Xi Jinping, o principal líder do país, e para o Partido Comunista Chinês. Eles exibiram uma posição triunfal este ano, enfatizando o sucesso em eliminar rapidamente os surtos do coronavírus e na vitória da liberação de um executivo sênior da Huawei, Meng Wanzhou, em uma disputa com os Estados Unidos e o Canadá.

Mas Xi corre o risco de ser vinculado a problemas, não apenas a sucessos. Ele sufocou com determinação qualquer oposição dentro do Partido Comunista e ampliou seu alcance a mais setores da vida chinesa. Se os chineses começarem a apontar culpados, não haverá muitas opções além dele.

A recuperação econômica chinesa em relação ao coronavírus foi impulsionada em grande parte pelo investimento pesado em infraestrutura, bem como pelo aumento das exportações. O uso industrial global consome 70 por cento da eletricidade do país, principalmente pela maioria das produtoras estatais de aço, cimento e alumínio. "Se elas produzirem mais, haverá um impacto enorme na demanda de eletricidade", afirmou Lin, acrescentando que os observadores econômicos da China ordenariam que esses três usuários industriais diminuíssem seu consumo.

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  Bioeletricidade: o que é, benefícios e desvantagens Bioeletricidade é um termo utilizado para fazer referência à energia elétrica gerada a partir da biomassa, matéria orgânica de origem vegetal e animal. A palavra também se refere ao bioeletromagnetismo, fenômeno eletromagnético que ocorre no âmbito dos organismos vivos. Nesse caso, os potenciais elétricos são gerados por uma diversidade de processos biológicos. O sistema nervoso, por exemplo, pode ser considerado um circuito elétrico. O que éO sistema nervoso, por exemplo, pode ser considerado um circuito elétrico.

As interrupções causadas pela falta de energia já foram sentidas em Dongguan, cidade no coração do cinturão industrial do sul. Suas fábricas fazem produtos que incluem eletrônicos, brinquedos e suéteres.

A autoridade local de transmissão de energia em Houjie, município a noroeste de Dongguan, emitiu uma ordem de desligamento de eletricidade para muitas fábricas. O rugido dos enormes geradores a diesel tomou as ruas e os becos da cidade, onde dezenas de fábricas funcionam entre prédios de apartamentos de trabalhadores migrantes. Os aparelhos de ar-condicionado não estavam funcionando quando as temperaturas subiram para a casa dos 30 graus, e apenas poucas luzes brilhavam em algumas das janelas das fábricas.

Um dos geradores barulhentos funcionava em um contêiner amarelo de seis metros atrás de uma fábrica onde trabalhadores com macacões azuis e alaranjados produziam sapatos de couro masculino e feminino para compradores americanos e europeus. Tang, o gerente-geral, disse que já trabalhava com regras especialmente rígidas de uso de energia porque o governo havia rotulado sua fábrica como "de baixo lucro e alto consumo".

Ao longo de becos próximos, uma série de pequenas oficinas faz palmilhas e outros componentes de sapato que serão montados na fábrica de Tang e em outras similares nas proximidades. Os preços dos componentes já aumentaram de 30 a 50 por cento em relação ao ano passado, à medida que os custos de mão de obra e os preços das matérias-primas aumentam, segundo Tang. "Muitos que trabalham nessa linha de negócios acreditam que estamos basicamente perdendo dinheiro este ano", comentou em sua fábrica na segunda-feira de manhã, acrescentando que as quedas de energia começaram em meados do ano.

c. 2021 The New York Times Company

Brasil deve ser um dos principais prejudicados por crescimento mais lento da China .
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os sinais de desaceleração da economia chinesa no terceiro trimestre são uma péssima notícia para países dependentes de commodities (os produtos básicos), como o Brasil. Embora, pelo tamanho da China, o crescimento global deva ser afetado como um todo, a economia brasileira deve ser uma das maiores prejudicadas, com a consolidação de um cenário de desempenho mais fraco do país asiático nos próximos anos. Afetada por uma crise de energia, interrupções nas cadeias de abastecimento, surtos da variante delta do coronavírus e o agravamento das dívidas do setor imobiliário, a economia chinesa cresceu em ritmo mais lento no terceiro trimestre.

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