Mundo Transição energética está lenta demais, alerta Agência Internacional de Energia

15:57  13 outubro  2021
15:57  13 outubro  2021 Fonte:   dw.com

Crise de energia na China impacta economia e pode ser mais uma trava ao PIB no Brasil

  Crise de energia na China impacta economia e pode ser mais uma trava ao PIB no Brasil RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Da falta de fertilizantes ao aumento do preço da energia, com implicações sobre a inflação e a balança comercial, o Brasil deve sofrer fortes impactos da crise energética chinesa, que vem obrigando o país asiático a promover apagões programados por falta de capacidade de geração. O cenário adverso se soma ao desarranjo na cadeia logística internacional, que já vem prejudicando diversos setores da economia, e pode ser mais uma trava na recuperação econômica brasileira após o período mais crítico da pandemia.

Organização diz ser preciso mais que triplicar investimentos em fontes sustentáveis até o fim da década para se alcançar metas climáticas. Atuais promessas resultariam em só 20% da redução necessária até 2030.

Instalar energia eólica ou solar é uma das maneiras apontadas pela AIE para reduzir emissões © Blend Images/picture alliance Instalar energia eólica ou solar é uma das maneiras apontadas pela AIE para reduzir emissões

A Agência Internacional de Energia (AIE ou IEA, na sigla em inglês) alertou nesta quarta-feira (13/10) que a transição para a energia limpa está sendo "lenta demais" e pediu mais investimentos em fontes renováveis ​​para evitar o aquecimento global e a "turbulência" no mercado de energia.

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A pouco mais de duas semanas da abertura da cúpula climática COP26 das Nações Unidas, em Glasgow, na Escócia, a agência lança em seu relatório anual "sérias advertências sobre os rumos que o mundo está tomando" na questão energética.

Na COP26, os países serão pressionados para se comprometerem com ações decisivas para limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, conforme prometido no Acordo sobre o Clima de Paris em 2015.

"Não estamos investindo o suficiente para atender às necessidades futuras de energia, e as incertezas estão preparando o cenário para um período volátil à frente", disse o chefe da AIE, Fatih Birol. "Os benefícios sociais e econômicos de acelerar as transições para energia limpa são enormes, e os custos da inação são imensos."

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Em seu relatório anual World Energy Outlook (perspectiva energética mundial), o organismo multilateral sediado em Paris centrou, de maneira excepcional, na análise dos diferentes cenários de redução de emissões e como estas afetam o aumento das temperaturas e a saúde.

O texto não aborda em profundidade a atual crise de preços de energia e assegura que a escalada atual tem a ver com inúmeros fatores, incluindo o aumento da demanda de energia devido à recuperação abrupta da economia pós-covid, eventos meteorológicos e interrupções na cadeia de fornecimento.

A AIE – que aconselha os países desenvolvidos sobre a política energética – diz que as energias renováveis, como a eólica e solar continuaram crescendo rapidamente, e os veículos elétricos bateram novos recordes de vendas em 2020, mesmo com as economias enfrentando dificuldades sob o peso dos lockdowns impostos devido à covid-19.

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"Investimento tem que ser triplicado"

No entanto, "este progresso da energia limpa ainda é muito lento para reduzir as emissões globais de forma sustentada para zero líquido" até 2050, o que a agência acredita que ajudará a limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C.

Birol afirma que as atuais promessas dos governos resultariam em apenas 20% da redução necessária até 2030 para atingir as emissões líquidas zero até 2050. Ele diz que o investimento em energia limpa e infraestrutura teria que mais que triplicar na próxima década para se alcançar essa meta. Cerca de 70% desse gasto teriam que vir, segundo o chefe da AIE, de economias emergentes ou em desenvolvimento, onde o financiamento pode ser escasso e ainda se enfrenta uma crise de saúde pública.

Ele argumenta que o investimento adicional pode ser um fardo menor do que alguns podem pensar. "Mais de 40% das reduções de emissões exigidas viriam de medidas que se pagam por si mesmas, como melhorar a eficiência, limitar o vazamento de gás ou instalar energia eólica ou solar em lugares onde elas agora são as tecnologias de geração de eletricidade mais competitivas", explica.

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Três cenários

A agência analisa três cenários possíveis. No primeiro, mais pessimista, a temperatura global aumentará 2,6 °C em 2100 em relação à era pré-industrial; no segundo, 2,1 °C; e apenas num terceiro conseguirá limitá-lo a 1,5 °C.

O primeiro examinou as medidas que os governos já haviam implementado ou as políticas específicas que estavam desenvolvendo ativamente. E embora quase todo o aumento da demanda de energia até 2050 pudesse ser atendido por fontes de baixas emissões, as emissões anuais ainda seriam aproximadamente as mesmas de hoje, à medida que as economias em desenvolvimento constroem sua infraestrutura nacional, segundo a AIE. Nessa hipótese, as temperaturas em 2100 seriam 2,6 °C mais altas do que os níveis pré-industriais.

O segundo cenário considerou as promessas feitas por alguns governos de atingir emissões líquidas zero no futuro, o que representaria uma duplicação do investimento e do financiamento em energia limpa na próxima década. Se essas promessas forem totalmente implementadas a tempo, a demanda por combustíveis fósseis atingiria o pico em 2025, e as emissões globais de CO2 cairiam 40% até 2050, conforme a AIE. Nesse caso, o aumento da temperatura média global em 2100 seria em torno de 2,1 °C, o que representaria uma melhoria, mas ainda estaria muito acima do 1,5 °C acertado no Acordo de Paris, conclui.

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Investimento escasso gera incerteza

O relatório também destaca que o investimento insuficiente contribui para a incerteza sobre o futuro. "Os gastos com petróleo e gás natural foram reduzidos por colapsos de preços em 2014-15 e novamente em 2020. Como resultado, rumamos para um mundo de demanda estagnada ou mesmo em queda", diz a AIE. "Ao mesmo tempo, os gastos com transições de energia limpa estão muito abaixo do que seria necessário para atender às necessidades futuras de forma sustentável."

Isso significa que os mercados de energia podem enfrentar uma "jornada acidentada" se o investimento em energias renováveis ​​não aumentar, na avaliação da AIE.

Representantes de mais de 200 países se reunirão naa 26ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP26, de 31 de outubro a 12 de novembro em Glasgow, na Escócia, para discutir novas metas de redução das emissões que contribuem para as mudanças climáticas.

A meta do Acordo Climático de Paris de 2015 é limitar o aumento das temperaturas globais para bem abaixo de 2 °C acima dos níveis pré-industriais, enquanto busca esforços para limitar o aumento a 1,5 °C.

O comitê científico da ONU sobre mudanças climáticas disse que as emissões devem ser reduzidas para zero líquido – quando os gases de efeito estufa emitidos alcançam equilíbrio com os removidos da atmosfera – em 2050, para ser alcançado o limite de 1,5 °.

md/lf (EFE, AFP, AP)

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