Mundo Preços se mantêm em alta nos EUA e inflação marca 5,4% em 12 meses

08:08  14 outubro  2021
08:08  14 outubro  2021 Fonte:   afp.com

Bolsa fecha em leve alta e dólar fica estável após atingir R$ 5,50

  Bolsa fecha em leve alta e dólar fica estável após atingir R$ 5,50 SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira fechou em leve alta nesta quarta-feira (6), depois de passar todo o pregão em baixa devido à tensão do mercado com a escalada da inflação e o crescimento baixo que afetam o mundo, além dos riscos específicos do Brasil. O Ibovespa, índice de referência da Bolsa, subiu 0,09%, a 110.559 pontos, após ter recuado à mínima de 108.179 ainda na abertura do mercado. O dólar, que chegou a superar R$ 5,50 pela manhã, recuou à tarde até fechar perto da estabilidade, com ligeiro avanço de 0,01%, a R$ 5,4860.

Os americanos enfrentaram em setembro um aumento importante dos preços, que traz de volta a preocupação com a inflação em um momento em que o mundo sofre com problemas de abastecimento.

Supermercado em San Francisco em 4 de outubro de 2021 © JUSTIN SULLIVAN Supermercado em San Francisco em 4 de outubro de 2021

Após se moderar por dois meses, a inflação voltou a subir 0,4% em setembro com relação a agosto, quando tinha registrado uma queda a 0,3%, segundo o índice de preços do consumo, CPI, publicado nesta quarta-feira (13) pelo Departamento do Trabalho.

Mais da metade deste aumento se deve a alimentação e moradia, destaca o comunicado. Parte importante também vem da energia, com preços que não param de subir (+1,3% em um mês).

Guedes: com alta global da inflação, é 'natural' que preços no Brasil subam para 'ao redor de 9%'

  Guedes: com alta global da inflação, é 'natural' que preços no Brasil subam para 'ao redor de 9%' Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que o IPCA atingiu 10,25% no acumulado em 12 meses e subiu 1,16% em setembro, na maior alta para o mês desde o início do Plano Real . A perseguida pelo Banco Central para este ano é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto (2,25% a 5,25%). Segundo Guedes, em um contexto de aceleração global da inflação, é “natural” que, num País onde os preços já costumam ter variação ao redor de 4%, o índice acabe subindo para algo “ao redor de 9%”. Para argumentar isso, ele citou que nos Estados Unidos, onde a inflação costuma ser próxima de zero, a variação de preços beira os 5%.

Esta alta inflacionária é particularmente visível na medição em 12 meses, que marca um aumento de 5,4% nos preços. Em agosto, o percentual foi de 5,3%.

O efeito da variante delta do coronavírus, que desacelerou o crescimento nos Estados Unidos durante o verão, se faz sentir. Os preços dos alimentos no varejo, e não nos restaurantes, foram os que mais subiram (+1,2% em um mês).

Ao contrário, os preços das passagens aérea, de vestuário e carros caíram.

- Transitório -

Esta alta faz reviver as preocupações com uma disparada dos preços mais duradoura do que o esperado, toda vez que o retorno a 2% da inflação anual, meta do Federal Reserve (Fed, banco central americano), se distancia mês a mês.

A médio prazo, no entanto, o aumento dos preços vai se moderar, com "um crescimento mais rápido da produtividade", avaliou Shepherdson, economista da Pantheon Economics.

Knot, do BCE, alerta investidores sobre riscos de aumento da inflação

  Knot, do BCE, alerta investidores sobre riscos de aumento da inflação Knot, do BCE, alerta investidores sobre riscos de aumento da inflaçãoAMSTERDÃ (Reuters) - Os investidores precisam estar cientes do risco de aumento da inflação para evitar ajustes de choque, mesmo com a alta nos preços ainda aparentemente temporária, disse o holandês Klaas Knot, membro do Banco Central Europeu (BCE), nesta segunda-feira.

Enquanto isso, adverte, os dados "parecerão ameaçar ou realmente ameaçarão o aspecto 'transitório' da inflação".

O FMI antecipa que os preços da energia vão ceder no primeiro trimestre de 2022 e, em nível mundial, espera um pico da inflação em 2021, antes de uma estabilização em meados do ano que vem.


Video: Inflação de dois dígitos (AFP)

Enquanto isso, as famílias vêm cair seu poder de compra e as autoridades políticas tentam passar tranquilidade. "Penso que é transitório, mas não quero dizer que estas pressões (sobre os preços) vão desaparecer em um mês ou dois", disse na terça a secretária do Tesouro, Janet Yellen.

Mercado em Santa Monica, Califórnia, em 3 de maio de 2020 © Apu GOMES Mercado em Santa Monica, Califórnia, em 3 de maio de 2020

- Atrasos e escassez -

As dificuldades mundiais de abastecimento, que provocam atrasos nas entregas e escassez há meses, explicam em boa medida estes aumentos de preços, particularmente de carros novos e móveis.

Aumento da vacinação ajudaria a reduzir inflação pelo mundo, aponta FMI

  Aumento da vacinação ajudaria a reduzir inflação pelo mundo, aponta FMI WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O FMI (Fundo Monetário Internacional) avalia que a inflação no mundo deve seguir em alta até o fim de 2021, mas arrefecer no ano que vem e retornar a níveis pré-pandemia. No entanto, o cenário segue incerto, já que a crise sanitária ainda não foi controlada, e o fundo defende que a saída para a crise atual é aumentar a vacinação. "Desdobramentos recentes deixaram muito claro que a pandemia não vai terminar em uma parte até acabar em todas as partes", defende o fundo, no relatório World Economic Outlook (panorama da economia mundial), divulgado nesta terça (12).

"As altas de preços devido a gargalos (...) em um contexto de forte demanda vão manter a inflação em um nível alto, pois os desequilíbrios entre oferta e demanda só serão resolvidos progressivamente", destacou Kathy Bostjancic, economista da Oxford Economics, para quem a inflação ficará acima de 3% até meados de 2022.

Fila de espera de cargueiros em frente ao porto de Los Angeles em 6 de outubro de 2021 © Frederic J. BROWN Fila de espera de cargueiros em frente ao porto de Los Angeles em 6 de outubro de 2021

Os presidentes das filiais do Fed se mostraram preocupados de que estas dificuldades "possam durar mais tempo e ter efeitos mais importantes ou mais persistentes sobre os preços e os salários" do que o previsto, segundo trechos das atas da última reunião de política monetária do organismo, em setembro, publicados nesta quarta-feira.

Estas perturbações freiam o crescimento mundial, alertou o FMI na terça.

Ao contrário, segundo o presidente do banco JPMorgan Chase, Jamie Dimon, "pode-se ter bom crescimento e inflação".

Dimon critica "a atenção excessiva" na alta de preços e na cadeia de abastecimento quando, segundo ele, há "muito boas chances" de que tudo isso fique na lembrança dentro de um ano.

A Casa Branca anunciou, por exemplo, uma extensão do trabalho noturno e aos fins de semana no porto de Los Angeles para reduzir as filas de espera que atrasam a entrega de muitos produtos.

Nos portos de Los Angeles e Long Beach, por onde chegam 40% dos contêineres aos Estados Unidos, "cerca de 100 navios (estão) fundeados fora" do porto "à espera de descarregar mercadorias", disse Yellen na terça.

A oferta de bens é, no entanto, "abundante", acrescentou Yellen.

Mas uma alta funcionária do Fed, Mary Daly, presidente do Federal Reserve de San Francisco, não estava tão certa disso no domingo: "As pessoas compram agora e frequentemente lhes dizem que não terão" os produtos a tempo.

jul/sr/mr/dga/mr/mvv

Reajuste salarial perde para inflação em quase 70% dos acordos fechados em setembro .
Reajuste salarial perde para inflação em quase 70% dos acordos fechados em setembroFoi o pior resultado do último ano, segundo o Salariômetro, boletim da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) sobre os acordos registrados no Ministério do Trabalho e Previdência.

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