Mundo Os futuros agricultores da França são experientes em tecnologia e querem fins de semana de folga

21:27  18 outubro  2021
21:27  18 outubro  2021 Fonte:   nytimes.com

Ministério da Agricultura contraria Bolsonaro e não vê risco de falta de alimentos

  Ministério da Agricultura contraria Bolsonaro e não vê risco de falta de alimentos BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Agricultura monitora potenciais riscos à produção agrícola brasileira, mas não vê cenário de desabastecimento no ano que vem, contrariando uma previsão apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A pasta reconhece como problema enfrentado pelos agricultores a escalada do preço dos fertilizantes, amplamente usados no plantio brasileiro. A elevação dos valores tem como fatores a alta do dólar e um choque de oferta da China, maior fabricante de nitrogenados do mundo, que tem sofrido com altos preços de energia.

Yvelines, França – Em uma fazenda centenária que agora é o campus de uma startup nesta região verdejante a oeste de Paris, os programadores estão aprendendo a preparar robôs para a colheita. Jovens urbanos que planejam vinhedos ou fazendas que serão orientadas por grandes quantidades de dados estão aprimorando seus produtos para que sejam apresentados aos investidores.

Antoine Maché, 32, engenheiro de robótica, trabalha na Neofarm, fazenda de hortas agroecológicas em um terreno compacto de um hectare perto de Saint-Nom-la-Bretèche, França, 28 de setembro de 2021. (Andrea Mantovani / The New York Times) © Distributed by The New York Times Licensing Group Antoine Maché, 32, engenheiro de robótica, trabalha na Neofarm, fazenda de hortas agroecológicas em um terreno compacto de um hectare perto de Saint-Nom-la-Bretèche, França, 28 de setembro de 2021. (Andrea Mantovani / The New York Times)

E, em um campo próximo em um dia recente, os alunos monitoravam vacas equipadas com coleiras estilo Fitbit, que rastreavam sua saúde, antes que fossem para um espaço de trabalho aberto em um celeiro convertido (com máquinas de cappuccino) para se debruçarem sobre laptops, estudando técnicas lucrativas para reverter as mudanças climáticas por meio da agricultura. O grupo fazia parte de um novo empreendimento agrícola pouco ortodoxo chamado Hectar. A maioria deles nunca tinha passado perto de uma vaca, muito menos perto de uma plantação de rúcula orgânica.

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Mas uma crise está se abatendo sobre a França: a escassez de agricultores. A importância das pessoas reunidas no campus era que elas eram inovadoras, tinham diversas origens e estavam ansiosas para começar a trabalhar em uma indústria que precisa desesperadamente delas para sobreviver. "Temos de atrair toda uma geração de jovens para mudar a agricultura, para produzir melhor, de forma mais barata e mais inteligente. Para isso, precisamos tornar a agricultura atraente", disse Xavier Niel, bilionário francês de tecnologia que é o principal apoiador da Hectar. Niel, que passou décadas revolucionando o mundo corporativo da França, está agora se juntando a um movimento em expansão que visa transformar a agricultura francesa – indiscutivelmente, a indústria mais protegida do país.

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Na Hectar, fazenda perto de Coignières, na região de Yvelines, França, que promove treinamentos, a veterinária Julie Renoux cuida das vacas, 28 de setembro de 2021. (Andrea Mantovani / The New York Times) © Distributed by The New York Times Licensing Group Na Hectar, fazenda perto de Coignières, na região de Yvelines, França, que promove treinamentos, a veterinária Julie Renoux cuida das vacas, 28 de setembro de 2021. (Andrea Mantovani / The New York Times)

A França é a principal produtora agrícola da União Europeia, respondendo por um quinto de toda a produção do bloco de 27 países. No entanto, metade de seus agricultores tem mais de 50 anos e deve se aposentar na próxima década, deixando cerca de 160 mil fazendas paradas.

Apesar de uma taxa nacional de desemprego juvenil acima de 18 por cento, 70 mil empregos agrícolas estão vagos, e os jovens, incluindo filhos de agricultores, não estão ansiosos para ocupá-los.

Muitos são desencorajados pela imagem da agricultura como trabalho intensivo que prende as pessoas à terra. Embora a França receba anualmente impressionantes nove bilhões de euros (US$ 10,4 bilhões) em subsídios agrícolas da UE, quase um quarto dos agricultores franceses vive abaixo da linha da pobreza. Há anos, o país enfrenta uma epidemia silenciosa de suicídios de agricultores.

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  Futuros do carvão e coque sobem na China para recordes com preocupação de oferta Futuros do carvão e coque sobem na China para recordes com preocupação de ofertaPEQUIM (Reuters) - Os contratos futuros de carvão metalúrgico e de coque negociados na China saltaram cerca de 9% nesta segunda-feira, para máximas recordes, com a oferta permanecendo apertada, embora Pequim tenha intensificado os esforços para aumentar a produção.

E aqui, ao contrário dos Estados Unidos, onde a evolução digital da agricultura está bem adiantada e enormes fazendas hidropônicas de alta tecnologia estão se multiplicando, a revolução da tecnologia agrícola é mais lenta. Na França, esse setor é altamente regulamentado, e um sistema de décadas de subsídios às fazendas com base no tamanho e não na produção funcionou como um freio à inovação.

O governo francês apoiou algumas mudanças no enorme programa de subsídios agrícolas da Europa, embora os críticos digam que estas não vão longe o suficiente. Ainda assim, o presidente Emmanuel Macron procurou rejuvenescer a imagem da agricultura ao pedir uma mudança para a "ag-tech" e uma rápida transição para a agricultura ambientalmente sustentável como parte de um plano da União Europeia de eliminar as emissões até 2050.

Mas, a fim de atrair um exército de jovens necessário para impulsionar a agricultura para o futuro, o estilo de vida do agricultor terá de mudar, segundo os defensores. "Se você diz que precisa trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, isso não vai funcionar. Para que haja uma nova face da agricultura para o amanhã, tem de haver uma revolução social", afirmou Audrey Bourolleau, fundadora da Hectar e ex-conselheira agrícola de Macron.

Futuros de minério de ferro se recuperam com queda em embarques das mineradoras

  Futuros de minério de ferro se recuperam com queda em embarques das mineradoras Futuros de minério de ferro se recuperam com queda em embarques das mineradorasOs embarques de minério de ferro que partiram da Austrália e do Brasil ficaram em 23,54 milhões de toneladas na semana encerrada em 17 de outubro, uma queda de 589 mil toneladas em relação à semana anterior, mostraram dados da consultoria Mysteel.

A Hectar tenta atrair anualmente dois mil jovens de origem urbana, rural ou desfavorecida e equipá-los com a perspicácia empresarial para que sejam agricultores-empreendedores capazes de produzir empresas agrícolas sustentáveis e atrair investidores – ao mesmo tempo que geram lucro e têm seus fins de semana livres.

Baseada em uma escola de programação não convencional chamada 42, que Niel fundou há uma década, ela opera à parte do sistema educacional da França, oferecendo mensalidades gratuitas e treinamento intensivo, mas sem diploma sancionado pelo Estado. Apoiada principalmente por investidores privados e patrocinadores corporativos, Niel aposta que os graduados da Hectar serão mais empreendedores, mais inovadores e, em última instância, mais transformadores para a economia francesa do que os alunos que frequentam as universidades agrícolas tradicionais.

Alguns desses princípios já começam a aparecer na agricultura do país. Na NeoFarm, fazenda de verduras agroecológicas em um terreno compacto de 0,8 hectare meia hora a leste do campus da Hectar, quatro jovens funcionários passaram uma tarde recente monitorando laptops e programando um robô para plantar sementes.

A NeoFarm, iniciada por dois empreendedores tecnológicos franceses, faz parte de uma tendência na França de investidores que montam pequenas fazendas perto de centros populacionais e cultivam alimentos saudáveis usando menos combustível fóssil e fertilizantes. Enquanto grandes propriedades francesas usam tecnologia para aumentar os rendimentos e cortar custos, as fazendas butique podem usar a tecnologia para expandir seus números e para aproveitar lotes muito menores, reduzindo custos e tarefas tediosas para criar um estilo de vida atraente, de acordo com o cofundador Olivier Le Blainvaux.

Iniciativas pelo país ampliam acesso a alimentos saudáveis

  Iniciativas pelo país ampliam acesso a alimentos saudáveis UBATUBA, SP (FOLHAPRESS) - De um lado, a Covid-19 deixou mais brasileiros sem quantidade e qualidade ideais de comida. De outro, fez emergir uma onda de ações de apoio a populações vulneráveis e de articulações que aproximam produtores e consumidores e criam outros canais de distribuição de alimentos. A Ação Coletiva Comida de Verdade, rede formada por 13 organizações com o objetivo de promover segurança alimentar, mapeou 310 iniciativas de sistemas alimentares inclusivos e sustentáveis surgidas ou ampliadas na pandemia de norte a sul do país —de hortas a cooperativas, passando por campanhas de financiamento coletivo.

"Trabalhar com robótica torna o trabalho interessante", disse Nelson Singui, de 25 anos, um dos trabalhadores recém-contratados pela NeoFarm para cuidar das culturas e monitorar sistemas que semeiam, plantam e colhem cenoura automaticamente.

Mas, segundo Le Blainvaux, alguns desses agricultores novatos não sabem como viabilizar financeiramente seus empreendimentos. Novas operações como a NeoFarm, e escolas como a Hectar, visam manter os recém-chegados, ajudando-os a nutrir empresas lucrativas e a fazer uma pausa nos subsídios do governo, o que, na opinião dos críticos, desencoraja a inovação e os riscos.

A visão idealista não convenceu a todos, especialmente as poderosas associações agrícolas da França. "Quando não se está nessa indústria, é muito fácil dizer: 'Vou torná-la atraente com tecnologia.' Você pode ter as melhores escolas e os melhores robôs, mas isso não significa que vai ter uma vida melhor", afirmou Amandine Muret Béguin, de 33 anos, chefe da União de Jovens Agricultores da região de Île-de-France, que abriga o campus de 607 hectares da Hectar. Ela, que tem orgulho de pertencer a uma família de agricultores e cultiva cerca de 202 hectares de cereais, apontou que a agricultura francesa já havia evoluído para uma maior sustentabilidade ecológica, mas que o público em geral não estava ciente disso.

Membros de seu grupo questionam a necessidade de um campus como o da Hectar quando, segundo eles, as escolas agrícolas certificadas pelo Estado que já ensinam gestão agrícola e tecnologia são severamente subfinanciadas. A maneira de atrair mais pessoas para a agricultura, acrescentou Muret Béguin, é fazer os consumidores "reconhecerem e valorizarem o trabalho árduo que os agricultores já fazem".

Preços de produtos ferrosos despencam na China com pressão de controles do governo

  Preços de produtos ferrosos despencam na China com pressão de controles do governo Preços de produtos ferrosos despencam na China com pressão de controles do governoO contrato de carvão metalúrgico mais negociado na Bolsa de Commodity de Dalian, para entrega em janeiro, fechou em queda de 11,1%, a 2.875 iuanes (449,80 dólares) por tonelada, após atingir o limite diário de queda de 14% na sessão da tarde.

No entanto, para pessoas como Esther Hermouet, de 31 anos, que vem de uma família vinícola perto de Bordeaux, a Hectar está respondendo a uma necessidade que outras instituições agrícolas não oferecem.

Hermouet e seus dois irmãos estavam prestes a abandonar o vinhedo administrado por seus pais aposentados, temendo que o fato de assumi-lo seria problemático e não valeria tanto a pena. Alguns de seus vizinhos já tinham visto seus filhos trocar os vinhedos por trabalhos mais fáceis que não exigiam acordar ao amanhecer.

Mas ela disse que sua experiência na Hectar a deixou mais otimista de que o vinhedo poderia ser viável, tanto comercialmente quanto de uma perspectiva de estilo de vida. Ela aprendeu sobre lançamentos de negócios, créditos de captura de carbono para ajudar a maximizar o lucro e as técnicas de gerenciamento do solo para reduzir as mudanças climáticas. Houve sugestões de como trabalhar de forma mais inteligente em menos horas, por exemplo, usando a tecnologia para identificar apenas as videiras que precisam de tratamento. "Se meu irmão, minha irmã e eu vamos trabalhar na terra, queremos ter uma vida adequada. Queremos encontrar um novo modelo econômico e tornar o vinhedo rentável – e também torná-lo sustentável para o ambiente nas próximas décadas."

Para Niel, que fez sua fortuna no mercado francês de telecomunicações, juntar-se a um movimento para modernizar a forma como a França é alimentada é o equivalente a ir à Lua. "É uma visão que pode soar bonita demais para ser verdade, mas, muitas vezes, descobrimos que é possível transformá-la em realidade."

c. 2021 The New York Times Company

Rede agroecológica alavanca cadeia do cacau no sul da Bahia .
SALVADOR, BA, IBIRAPITANGA, BA (FOLHAPRESS) - O sol de primavera arde em um céu quase sem nuvens. Mas, sob a sombra de jequitibás, gameleiras, sapucauias e outras espécies da mata atlântica, o clima é fresco para os cacaueiros do assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, cidade do sul da Bahia a 360 km de Salvador. Com cestos de vime nas costas, os agricultores partem para a colheita do cacau, que será quebrado, debulhado, fermentado e secado em estufas. Uma parte seguirá para fábricas de chocolates finos, outra será processada dentro da própria fazenda.

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