Mundo Como a escassez está prejudicando a Alemanha

19:21  20 outubro  2021
19:21  20 outubro  2021 Fonte:   nytimes.com

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Frankfurt, Alemanha – Na Alemanha, onde um em cada quatro empregos depende das exportações, a crise nas redes de suprimentos mundiais está pesando muito na economia, que é a maior da Europa e um dos pilares do comércio global.

Durante a pandemia, os alemães passaram a usar a bicicleta como alternativa ao transporte público. (Felix Schmitt / The New York Times) © Distributed by The New York Times Licensing Group Durante a pandemia, os alemães passaram a usar a bicicleta como alternativa ao transporte público. (Felix Schmitt / The New York Times)

Pesquisas e dados recentes apontam para uma forte desaceleração da potência manufatureira alemã, e os economistas começaram a prever uma "recessão de gargalo".

Quase tudo de que as fábricas alemãs precisam para operar está em falta – não apenas chips de computador, mas também compensados, cobre, alumínio, plásticos e matérias-primas como cobalto, lítio, níquel e grafite, que são ingredientes cruciais das baterias de carros elétricos.

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A indústria automobilística foi a mais atingida. A Opel, unidade da Stellantis, empresa dona da Jeep e da Fiat, anunciou em setembro que fecharia uma fábrica em Eisenach até o ano que vem por causa da escassez de semicondutores. Os 1.300 trabalhadores da fábrica serão dispensados.

Em uma pesquisa de agosto da Associação das Câmaras Alemãs de Indústria e Comércio, mais de 40 por cento das empresas do país declararam ter perdido vendas por causa de problemas de fornecimento. Em toda a Europa, sete por cento a mais teriam sido exportados nos primeiros seis meses do ano não fosse o gargalo de ofertas, segundo o Banco Central Europeu.

Uma placa de controle da Voith, empresa alemã que começou a comprar de fornecedores mais próximos de suas fábricas, em Heidenheim, Alemanha, 22 de setembro de 2021. (Felix Schmitt / The New York Times) © Distributed by The New York Times Licensing Group Uma placa de controle da Voith, empresa alemã que começou a comprar de fornecedores mais próximos de suas fábricas, em Heidenheim, Alemanha, 22 de setembro de 2021. (Felix Schmitt / The New York Times)

Embora todas as economias do mundo sofram com a escassez, a Alemanha é particularmente sensível por causa de sua dependência da manufatura e do comércio. Quase metade da produção econômica alemã depende das exportações de carros, máquinas-ferramentas e outros bens, em comparação com apenas 12 por cento nos Estados Unidos.

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"Como a Alemanha é uma nação de fábricas, o impacto é dramático", disse Oliver Knapp, sócio sênior da Roland Berger, consultoria com sede em Munique.

Muitas empresas já estão aumentando seu estoque de peças, encomendando matéria-prima com mais antecedência e encontrando formas criativas – alguns diriam desesperadas – de manter os produtos saindo dos portões da fábrica. A Traton, unidade de caminhões da Volkswagen, revelou no mês passado que estava canibalizando componentes difíceis de encontrar de caminhões que haviam sido construídos, mas não vendidos, e os reinstalando em caminhões que haviam sido encomendados.

Em longo prazo, as empresas têm pensado em maneiras de proteger sua linha de abastecimento, comprando, por exemplo, peças e matéria-prima mais perto de casa, em vez de comprá-la de subcontratados do outro lado do planeta. Alguns líderes políticos até sugeriram que a pandemia pode ter um lado bom, porque inspirará as empresas a trazer a manufatura de volta para a Europa e os Estados Unidos, criando empregos de fábrica bem remunerados.

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Mas desembaraçar as redes que transportam produtos ao redor do mundo não é tão fácil e talvez nem mesmo uma boa ideia, de acordo com alguns economistas e gerentes de negócios.

A suposição generalizada de que os fornecedores próximos de casa são mais confiáveis nem sempre se provou verdadeira. Durante o tumulto causado pela pandemia, algumas empresas alemãs tiveram mais problemas para obter suprimentos da França ou da Itália, por causa de bloqueios rigorosos, do que da Ásia.

"Não é verdade que, se não fôssemos dependentes da China, teríamos superado a crise sem problemas", afirmou Alexander Sandkamp, economista que estuda cadeias de suprimentos no Instituto Kiel para a Economia Mundial, em Kiel, na Alemanha.

Há provas de que a escassez está deprimindo o crescimento alemão. A pesquisa mais recente do Instituto Ifo com gestores de negócios alemães, considerado um preditor confiável da direção da economia, apontou para uma desaceleração acentuada. Mais de três quartos das empresas no país informaram ao instituto de Munique que estavam tendo problemas para obter matéria-prima e peças.

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Obedecendo à lei da oferta e da procura, os preços estão subindo. A taxa anual de inflação na Alemanha foi de 4,1 por cento em agosto, a maior em quase três décadas. Embora a maioria dos economistas acredite que o pico é temporário, a inflação é sempre um tema sensível na Alemanha, remetendo à hiperinflação e à pobreza depois da Primeira Guerra Mundial.

As empresas estão presas em um círculo vicioso. Robert Ohmayer, chefe global de compras da Voith, com sede em Heidenheim, que constrói e equipa fábricas de papel e usinas hidrelétricas, chama isso de "efeito papel higiênico". Assim como os consumidores em pânico acumularam papel higiênico no início da pandemia, as empresas, com medo de ficar sem materiais vitais, estão encomendando mais do que precisam e guardando tudo em depósitos. Isso criou ainda mais escassez. As empresas não tinham escolha. "Estamos encomendando mais para proteger nosso negócio", declarou Ohmayer.

Problemas de fornecimento são duplamente frustrantes para as empresas, porque muitas têm encomendas que não conseguem entregar.

Por exemplo, lojas de bicicletas. As fábricas malaias que fazem engrenagens, amortecedores e outras peças entraram em lockdown por causa da pandemia. Além disso, os contêineres de transporte andam escassos, e a movimentação de navios de carga foi interrompida por eventos como o fechamento de portos chineses, porque foram detectados casos de Covid entre os trabalhadores portuários.

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Os problemas têm sufocado o fornecimento de produtos como a pastilha de freio, da qual as lojas de bicicleta precisam para fazer reparos. No entanto, a demanda está crescendo, em parte porque muitos alemães se voltaram para o ciclismo como alternativa ao transporte público durante a pandemia ou decidiram tirar férias de bicicleta perto de casa em vez de voar para uma praia na Espanha.

"Todas as coisas no mercado global estão nos atingindo ao mesmo tempo. Alta demanda, falta de contêineres e gente querendo andar de bicicleta", disse Tobias Hempelmann, proprietário de uma concessionária de bicicletas em Lage. Segundo ele, um de seus funcionários não faz nada além de coletar componentes, procurar itens escassos no eBay ou na Amazon ou fazer trocas com outros revendedores.

As deficiências no sistema eram evidentes mesmo antes da pandemia. As tensões entre a China e os Estados Unidos e o aumento do protecionismo já haviam levado muitas empresas a reexaminar sua dependência de fornecedores distantes.

Uma complicação adicional para as empresas alemãs é uma nova lei, a entrar em vigor em 2023, que exige uma garantia de que não estejam comprando de fornecedores que usam mão de obra infantil ou escrava.

"Sabíamos que as cadeias globais de suprimentos eram arriscadas antes de termos a Covid. A crise da pandemia é um acelerador, mas não é uma nova tendência", garantiu Ohmayer, chefe de compras da Voith.

As empresas estão agora tentando descobrir que lições devem tirar e como precisam renovar suas redes de abastecimento para que sejam menos suscetíveis a crises.

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Como os líderes políticos esperavam, a Voith está comprando de fornecedores mais próximos de suas fábricas na Alemanha e nos Estados Unidos. A vantagem de custo da China se perdeu, porque os salários aumentaram, e às vezes uma pequena loja de máquinas no Wisconsin é mais econômica, de acordo com Ohmayer.

Mas o que funciona para a Voith, que compra um pequeno número de componentes especializados, pode não funcionar para uma empresa de automóveis que compra milhões de unidades da mesma peça. Ainda há um forte incentivo para comprar de fornecedores que conseguem produzir em massa um componente com qualidade decente pelo menor preço. Das empresas alemãs pesquisadas em agosto pela Associação das Câmaras Alemãs de Indústria e Comércio, apenas oito por cento disseram que planejavam mudar a produção.

"Você pode tentar trazer a produção de volta, mas deve esperar que esses produtos só possam ser produzidos a preços mais altos. Vamos perder competitividade", comentou Sandkamp, do Instituto Kiel.

A escassez de oferta deve diminuir à medida que os fornecedores expandem suas fábricas para acompanhar a demanda. No mês passado, a fabricante alemã de chips Infineon, especializada na indústria automobilística, abriu uma fábrica que havia sido planejada antes da pandemia. A fábrica, em Villach, na Áustria, pode produzir chips suficientes para equipar 20 milhões de veículos elétricos, afirmou Peter Schiefer, presidente da divisão automotiva da Infineon.

Vários outros fabricantes de chips anunciaram planos para expandir a produção. Mas, observando que leva um ano e meio apenas para adquirir as máquinas necessárias, Schiefer disse: "Isso não vai acontecer imediatamente."

c. 2021 The New York Times Company

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