Mundo Biden promete proteger Taiwan em caso de ataque chinês

20:46  22 outubro  2021
20:46  22 outubro  2021 Fonte:   dw.com

EUA e China buscam o tom certo enquanto cresce tensão sobre Taiwan

  EUA e China buscam o tom certo enquanto cresce tensão sobre Taiwan Enquanto cresce a tensão sobre Taiwan, China e Estados Unidos tentam fixar limites e o crucial é encontrar o nível adequado de pressão entre as duas potências nucleares. Os Estados Unidos deixaram de reconhecer oficialmente Taiwan por causa da China em 1979, mas o Congresso exigiu que Washington fornecesse armas à ilha para sua autodefesa. O risco de um erro de cálculo foi advertido recentemente pelo principal general americano, Mark Milley, que disse perante o Congresso ter falado com seu contraparte chinês para esclarecer que o ex-presidente Donald Trump não tinha intenções de atacar nos turbulentos dias finais do seu mandato.

No início do mês, número recorde de aeronaves militares chinesas entrou no espaço aéreo da ilha, que Pequim considera parte de seu território. Política de defesa americana não inclui explicitamente a defesa de Taiwan.

  Biden promete proteger Taiwan em caso de ataque chinês © JONATHAN ERNST/REUTERS

Os Estados Unidos defenderiam Taiwan se a ilha sofresse um ataque da China, afirmou o presidente Joe Biden. Ele foi questionado duas vezes durante um programa da CNN na quinta-feira (22/10) se os americanos protegeriam Taiwan em caso de um ataque, e ele respondeu: "Sim, temos o compromisso de fazer isso".

Por lei, os Estados Unidos são obrigados a fornecer a Taiwan meios para que o território se defenda por conta própria, mas mantêm por muito tempo uma política de "ambiguidade estratégica" sobre se fariam uma intervenção militar para proteger Taiwan em caso de ataque da China.

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Após a declaração de Biden, um porta-voz da Casa Branca informou que não havia mudança na política americana sobre a ilha, mas não respondeu se Biden havia se equivocado. Nesta sexta, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, também disse que o Pentágono seguirá apoiando as Forças Armadas de Taiwan, mas recusou-se a responder se os americanos defenderiam a ilha contra a China.

O porta-voz da Presidência de Taiwan, Xavier Chang, celebrou o comentário do presidente americano. Nesta sexta, ele disse que os Estados Unidos vêm demonstrando apoio "sólido" a Taiwan desde que Biden tomou posse, em janeiro.

China reage com dureza

Já Pequim deu uma resposta dura na sexta, dizendo que "não havia espaço para concessão ou acordo" sobre a situação de Taiwan. "Taiwan é uma parte inalienável do território chinês", disse Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

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"A questão Taiwan é somente um assunto interno da China que não admite interferência estrangeira. (...) Ninguém deveria subestimar nossa firme determinação e nossa forte capacidade para assegurar nossa soberania e integridade territorial", disse.

Wenbin também exortou Washington "a falar de forma prudente sobre a questão Taiwan, não enviar nenhuma mensagem errada às forças de independência de Taiwan e evitar afetar as relações entre China e Estados Unidos, assim como a paz e a estabilidade ao longo do estreito de Taiwan".

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Os Estados Unidos têm um compromisso de apoiar as forças de defesa de Taiwan, mas até agora isso havia significado principalmente o fornecimento de equipamentos militares. A questão da assistência militar no caso de um ataque da China sempre havia sido deixada em aberto.

As declarações sobre o apoio militar dos Estados Unidos têm sido em geral reservadas à Coreia do Sul e ao Japão, onde os americanos têm uma presença militar significativa.

As tensões entre Taiwan e China estão em seu pior momento em mais de 40 anos, segundo disse neste mês o ministro da Defesa da ilha, Chiu Kuo-cheng. Ele estima que a China seja capaz de preparar uma invasão total da ilha até 2025. Nesse caso, Taiwan diz que defenderia sua liberdade e democracia.

No início de outubro, um número recorde de aeronaves militares chinesas entrou na Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan. Essa zona foi estabelecida unilateralmente, em vez de ter sido definida internacionalmente.

bl/ek (DPA, Reuters, AFP)

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