Mundo Tensão e temores de naufrágio a três dias do início da reunião mundial sobre o clima COP26

13:21  28 outubro  2021
13:21  28 outubro  2021 Fonte:   afp.com

4 questões definirão o sucesso da COP26

  4 questões definirão o sucesso da COP26 Por WRI Brasil em WRI Brasil – No melhor cenário, a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP26) precisa reconstruir a confiança de que a ação global e coletiva pode resolver os maiores desafios da humanidade. Depois do relatório preocupante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em meio a meses de eventos climáticos extremos sem precedentes e com impactos devastadores, governos e outros atores devem ir a Glasgow determinados a reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda nesta década e a enfrentar os impactos climáticos presenciados em todo o mundo.

"Alerta vermelho para a humanidade". Diante dos temores de um naufrágio na reunião de cúpula do clima COP26, que começa no próximo domingo (31) em Glasgow, os apelos são cada vez mais intensos para que os governantes mundiais adotem medidas mais fortes e mais rápidas para frear o aquecimento do planeta, que já enfrenta catástrofes em série.

Bombeiros lutam contra incêndio em Johnsondale, Califórnia, em 22 de setembro de 2021 © Patrick T. FALLON Bombeiros lutam contra incêndio em Johnsondale, Califórnia, em 22 de setembro de 2021

Sibéria e Califórnia arrasadas pelas chamas, inundações devastadoras na Alemanha e na Bélgica, uma onda de calor impressionante no Canadá... A temperatura na Terra aumentou cerca de +1,1 °C desde a era pré-industrial e os seres humanos vivem as consequências dramáticas da mudança climática que provocaram nas últimas décadas.

Negociação será “mais difícil” na COP26 do que para o Acordo de Paris do Clima, adverte britânico

  Negociação será “mais difícil” na COP26 do que para o Acordo de Paris do Clima, adverte britânico Sea-Eye 4: Um navio que vai salvar vidas no Mediterrâneo

E isto é apenas o início, alertam os cientistas, que destacam que cada fração de grau adicional provocará uma nova série de desastres.

Como resume um vídeo da ONU com a imagem de um dinossauro que entra na área da Assembleia Geral: "Pelo menos nós tínhamos um asteroide, qual é a desculpa de você? Não escolham a extinção, salvem sua espécie antes que seja tarde demais".

Diante do futuro apocalíptico previsto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, a solução é clara: reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 45% até 2030 com o objetivo de limitar o aquecimento a +1,5 °C, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, e prosseguir neste caminho até alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Glasgow se prepara para a COP26 entre fumaça, inundações e covid

  Glasgow se prepara para a COP26 entre fumaça, inundações e covid Sob uma chuva fina, um grupo de ativistas climáticos americanos lança bombas de fumaça em Glasgow, cidade escocesa palco de uma COP26 crucial para o futuro do planeta que se prepara para receber líderes e manifestantes de todo o mundo. Shaun Clerkin, um residente de Glasgow, que observa os manifestantes americanos lançando bombas de fumaça, espera o pior. "Para ser sincero, acredito que a COP26 será um fracasso e uma mentira", opina o cidadão, de 60 anos, que acredita que os organizadores estão invadindo a vida dos habitantes, isolando os visitantes dos problemas sociais muito reais da cidade.

Mas segundo um relatório recente da ONU, mesmo com os novos compromissos dos Estados para 2030, o planeta se encaminha para um aquecimento catastrófico de +2,7 °C.

- "Loucura" -

"A loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente", ironizou Myles Allen, da universidade britânica de Oxford, parafraseando Einstein, ao destacar que no ritmo atual os resultados anunciados para 2030 seriam alcançados apenas "na década de 2080".

Os governos "não estão à altura", afirmou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, ao apontar para o G20, que representa 75% das emissões mundiais de poluentes e celebra uma reunião no fim de semana em Roma.

"É absolutamente central que todos os países do G20 apresentem antes de Glasgow ou em Glasgow contribuições compatíveis com +1,5 °C", destacou Guterres, que se declarou "profundamente preocupado" com a proximidade da COP26.

Sob protestos, Glasgow recebe COP26, a "última chance para salvar o planeta"

  Sob protestos, Glasgow recebe COP26, a A Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP26, adiada por um ano e meio por conta da pandemia, é considerada como a "última chance para salvar o planeta dos efeitos desastrosos provocados pelas mudanças climáticas", alerta a ONU. Centenas de ativistas estão na cidade escocesa de Glasgow para pressionar os líderes mundiais a colocarem em prática as metas para diminuir as emissões de gases poluentes. Muitos manifestantes caminharam dezenas ou mesmo milhares de quilômetros até Glasgow, dando início aos protestos que antecedem a conferência do clima da ONU, que acontece até 12 de novembro.

O mesmo é repetido pelos organizadores britânicos da reunião. "Estou preocupado porque isto pode acabar mal", declarou na segunda-feira o primeiro-ministro Boris Johnson, mas sem perder as esperanças.

A China, maior poluente mundial, não anunciou compromissos formais até o momento.

Porém, mesmo os países que já anunciaram suas metas podem e devem reforçar os compromissos para dar um impulso político à conferência de duas semanas em Glasgow, Escócia, enfatizam os especialistas.

Em Glasgow, onde devem se reunir na segunda-feira e terça-feira mais de 120 governantes, estarão presentes os presidentes americano Joe Biden e francês Emmanuel Macron, além dos primeiros-ministros indiano Narendra Modi, australiano Scott Morrisson e canadense Justin Trudeau.

Mas não o presidente russo Vladimir Putin nem a rainha Elizabeth II, que renunciou ao encontro por recomendação médica após uma hospitalização.

O presidente chinês Xi Jinping, que não saiu de seu país desde o início da epidemia de covid-19, ainda é esperado na COP26 pelo presidente do encontro, o britânico Alok Sharma.

COP26 é inaugurada em Glasgow em contexto de urgência climática

  COP26 é inaugurada em Glasgow em contexto de urgência climática A Conferência da Mudança Climática da ONU (COP26) foi aberta neste domingo (31) em Glasgow, Escócia, com a importância de ser uma reunião que representa a "última oportunidade" para limitar o aquecimento do planeta. A conferência climática COP26 é "a última e a melhor esperança" de limitar o aquecimento global a +1,5ºC, o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris, declarou seu presidente, Alok Sharma, em sua abertura. Durante a pandemia de covid-19, "a mudança climática não tirou férias.

Para pressionar os líderes, o grupo Extinction Rebellion e outras organizações devem executar ações durante a COP, na Escócia e em outros países.

A jovem militante sueca Greta Thunberg convocou uma manifestação em Glasgow em 5 de novembro, uma marcha pela "justiça climática".

- "Questão de sobrevivência" -

A questão da justiça é central na conferência mundial sobre o clima, adiada por um ano devido à pandemia, e na qual as organizações da sociedade civil denunciam as desigualdades de acesso vinculadas à covid-19.

Entre os temas explosivos vinculados à noção de justiça está a solidariedade entre os países do hemisfério Norte, responsáveis pelo aquecimento global, e os países do Sul, na linha de frente dos impactos da mudança climática, e também do coronavírus.

E mais especificamente a promessas ainda não cumprida pelos países desenvolvidos de elevar em 2020 a 100 bilhões de dólares anuais a ajuda às nações pobres para que se adaptem às consequências e reduzam as emissões de gases do efeito estufa.

O relatório apresentado esta semana pela presidência da COP26, que afirma que a meta US$ 100 bilhões pode ser alcançada em 2023 e depois superada a cada ano, não acalmou os países mais vulneráveis.

"É um golpe terrível para o mundo em desenvolvimento", denunciou Walton Webson, que preside a Aliança de Pequenos Estados Insulares (AOSIS). Para estas ilhas, ameaçadas pelo aumento do nível dos oceanos, ajuda financeira é uma "questão de sobrevivência", insiste Webson.

Outros temas importantes nas duas semanas de discussões serão o abandono das energias fósseis, começando pelo carvão, a necessária aceleração da adaptação aos impactos do aquecimento e as negociações para finalmente concretizar a aplicação do Acordo de Paris, em particular o funcionamento dos mercados de carbono.

"A COP26 é a oportunidade perfeita para que os países mostrem que aprenderam com as recentes catástrofes climáticas", resume Anaid Velasco, membro da Climate Action Network, que reúne centenas de ONGs.

abd/so/uh/mar/zm/fp

Periferias na COP26: ativistas climáticos das quebradas marcam presença na conferência climática .
Lideranças de todas as partes do mundo se reúnem nesta semana em Glasgow, na Escócia, para discutir propostas de como… O post Periferias na COP26: ativistas climáticos das quebradas marcam presença na conferência climática apareceu primeiro em Agência Mural.

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