Mundo G20 se reúne em Roma para falar sobre clima, pandemia e economia

17:01  28 outubro  2021
17:01  28 outubro  2021 Fonte:   afp.com

Biden deve aproveitar ausência de Xi e Putin para reforçar imagem no G20

  Biden deve aproveitar ausência de Xi e Putin para reforçar imagem no G20 ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Não falta contradição nas prioridades da pauta que será discutida em Roma pelos líderes das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, o chamado G20. A crise do clima e o custo da energia são dois desses temas que tracionam o cabo em direções opostas. EUA, China, Índia e Rússia estão sendo convocados a cortar mais rapidamente suas emissões de gases poluentes para impedir uma catástrofe ambiental. Com o mesmo argumento, países europeus defendem o fim do subsídio para combustíveis fósseis.

Os líderes das 20 maiores economias do mundo se reúnem no fim de semana em Roma para o primeiro encontro de cúpula presencial do G20 desde o início da pandemia, com uma agenda lotada que inclui a covid-19, recuperação econômica e mudança climática.

Policiais italianos diante do local da reunião de cúpula do G20, em Roma © Handout Policiais italianos diante do local da reunião de cúpula do G20, em Roma

O presidente Joe Biden pretende enfatizar a mensagem de que os "Estados Unidos voltaram", após quatro anos de polêmicas diplomáticas com Donald Trump.

A ausência dos presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, que participarão por vídeo, reduz as expectativas da reunião, um fórum entre aliados e rivais de diferentes dimensões e poder.

G20: Crise climática e Covid-19 lideram agenda da cúpula em Roma

  G20: Crise climática e Covid-19 lideram agenda da cúpula em Roma Líderes mundiais estão reunidos em Roma este fim-de-semana para a cimeira do G20. Espera-se que os esforços para enfrentar as alterações climáticas e os efeitos da Covid-19 na economia global dominem discussões. © Pavel Bednyakov/SNA/imago images Líderes globais e representantes de diversos meios de comunicação do mundo chegam a Roma para a cimeira do G20. A segurança tem sido reforçada. O grupo do G20 - as 20 maiores economias mundiais e emergentes - inicia uma cimeira de dois dias em Roma a partir deste sábado (30.

Hoje, o G20 é composto por África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e União Europeia.

Os presidentes da Argentina, Alberto Fernández, e do Brasil, Jair Bolsonaro, confirmaram a presença.

No caso da Argentina, o evento é particularmente importante para a reestruturação de sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Fernández terá uma reunião com a diretora-gerente do organismo, Kristalina Georgieva.

Os países do G20 representam quase 90% do Produto Interno Bruto (PIB) global, dois terços da população mundial e 80% do comércio internacional.

- Desafios complexos -

O foco central da reunião em Roma será a mudança climática. O encontro acontece na véspera do início da crucial conferência COP26, que começará na segunda-feira (1º) em Glasgow, Escócia, e que pretende adotar decisões históricas para deter o aumento da temperatura do planeta.

Bolsonaro destaca vacinação e “apoio popular muito grande” ao vender seu Governo no G20

  Bolsonaro destaca vacinação e “apoio popular muito grande” ao vender seu Governo no G20 Enquanto segue semeando dúvidas sobre os imunizantes contra a covid-19 no Brasil, presidente celebra número de vacinados no país, diz que a Petrobras é “problema” e critica mercado “nervosinho”No discurso, Bolsonaro disse que ”o Brasil se comprometeu com um programa extensivo e eficiente de vacinação, em paralelo a uma agenda de auxílio emergencial e preservação do emprego para a proteção dos mais vulneráveis”.

Para Antony Froggatt, pesquisador do "think tank" Chatham House, se o G20 não se comprometer a limitar o aumento da temperatura do planeta a até +1,5°C e a alcançar a neutralidade de emissões de carbono até 2050, "não restará qualquer esperança" de cumprimento do Acordo de Paris de 2015 para a redução do efeito estufa.

Os países do G20 são responsáveis por 80% das emissões de gases do efeito estufa em nível global, e vários deles resistem a reduzir suas emissões.

A China estabeleceu como meta a neutralidade de carbono até 2060, mas a Índia, que insiste em sua condição de país em desenvolvimento e terá a presença do primeiro-ministro Narendra Modi em Roma, não assumiu um compromisso preciso.

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, considera que a reunião "marca o retorno do multilateralismo, depois dos anos obscuros do isolacionismo e do confinamento ligado à crise sanitária".

Clima, pandemia e imposto global dominam agenda da cúpula do G20

  Clima, pandemia e imposto global dominam agenda da cúpula do G20 Líderes das maiores economias do mundo se reúnem em Roma, no primeiro encontro presencial desde o início da pandemia. Em conversa com líder turco, Bolsonaro mente sobre situação da economia e sua popularidade. © Gregorio Borgia/AP/picture alliance Líderes do G20 ao lado de agentes de serviços de sáude, durante uma homenagem aos trabalhadores que lidaram com a pandemia Os líderes das 20 maiores economias do planeta iniciaram neste sábado (30/10), em Roma, sua primeira cúpula presencial desde o início da pandemia.

"Vamos discutir os desafios mais complexos do nosso tempo com o objetivo de encontrar soluções ambiciosas e compartilhadas", resumiu.

Os líderes devem assinar um acordo para a adoção de um imposto mínimo de 15% às multinacionais, além de discutir sobre a recuperação pós-pandemia e seus riscos, incluindo a distribuição desigual das vacinas contra a covid-19.

Apesar da ausência de expectativas quanto a novos compromissos sobre as vacinas anticovid-19, a Itália luta para conceder mais ajuda aos países de baixa renda com a distribuição dos fármacos.

"A solidariedade global para enfrentar esta pandemia é muito pequena", afirma Emma Ross, pesquisadora da Chatham House.

"O G7 não esteve à altura das circunstâncias, então, todos os olhares estão voltados para o G20", completou.

- A diplomacia de Francisco -

Muitos líderes chegarão a Roma na sexta-feira (29) para encontros bilaterais e audiências com o papa Francisco.

Católico praticante, o presidente americano, Joe Biden, será recebido pelo pontífice, assim como o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o primeiro-ministro da Índia - este último, no sábado (30).

Com um bairro declarado "zona vermelha" de segurança máxima e uma imponente mobilização de forças de segurança, Roma estará blindada.

Quase 500 soldados foram mobilizados para a reunião do G20, que acontecerá em um bairro periférico ultramoderno, o chamado EUR, imaginado pelo ditador Benito Mussolini como "capital do império".

Em paralelo, foram convocadas passeatas de trabalhadores. As autoridades anunciaram que franco-atiradores estarão posicionados em áreas sensíveis e instalaram controles sanitários pelo coronavírus.

bur-kv/zm/fp/tt

COP26: Encontro de líderes para evitar aquecimento drástico .
Do encontro decisivo para o futuro do Planeta em Glasgow, na Escócia, deverão sair compromissos firmes para conseguir cumprir o Acordo de Paris e reduzir emissões de gases poluentes ao nível mundial. © Andrew Milligan/PA Wire/picture alliance Protesto em Glasgow pede ação na conferência do clima Os líderes mundiais começam hoje a dizer como se propõem acelerar a redução de emissões de gases poluentes nos seus países, no começo da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), decisiva para o cumprimento do Acordo de Paris.

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