Mundo Biden deve aproveitar ausência de Xi e Putin para reforçar imagem no G20

00:17  29 outubro  2021
00:17  29 outubro  2021 Fonte:   folha.uol.com.br

G20 se reúne em Roma para falar sobre clima, pandemia e economia

  G20 se reúne em Roma para falar sobre clima, pandemia e economia Os líderes das 20 maiores economias do mundo se reúnem no fim de semana em Roma para o primeiro encontro de cúpula presencial do G20 desde o início da pandemia, com uma agenda lotada que inclui a covid-19, recuperação econômica e mudança climática. Os líderes devem assinar um acordo para a adoção de um imposto mínimo de 15% às multinacionais, além de discutir sobre a recuperação pós-pandemia e seus riscos, incluindo a distribuição desigual das vacinas contra a covid-19. Apesar da ausência de expectativas quanto a novos compromissos sobre as vacinas anticovid-19, a Itália luta para conceder mais ajuda aos países de baixa renda com a distribuição dos fármacos.

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Não falta contradição nas prioridades da pauta que será discutida em Roma pelos líderes das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, o chamado G20.

A crise do clima e o custo da energia são dois desses temas que tracionam o cabo em direções opostas.

EUA, China, Índia e Rússia estão sendo convocados a cortar mais rapidamente suas emissões de gases poluentes para impedir uma catástrofe ambiental. Com o mesmo argumento, países europeus defendem o fim do subsídio para combustíveis fósseis.

Mas a energia que move grandes economias do G20, além de ser ainda bastante dependente do petróleo, vive um pico de preço que já afeta os índices de popularidade dos políticos.

G20: Crise climática e Covid-19 lideram agenda da cúpula em Roma

  G20: Crise climática e Covid-19 lideram agenda da cúpula em Roma Líderes mundiais estão reunidos em Roma este fim-de-semana para a cimeira do G20. Espera-se que os esforços para enfrentar as alterações climáticas e os efeitos da Covid-19 na economia global dominem discussões. © Pavel Bednyakov/SNA/imago images Líderes globais e representantes de diversos meios de comunicação do mundo chegam a Roma para a cimeira do G20. A segurança tem sido reforçada. O grupo do G20 - as 20 maiores economias mundiais e emergentes - inicia uma cimeira de dois dias em Roma a partir deste sábado (30.

Em Roma, Biden estará na mesma sala que a Arábia Saudita e pode pressionar por um aumento na produção e na oferta do óleo, para barateá-lo --uma reunião da Opep, o grupo de países produtores de petróleo, acontece logo na semana seguinte.

É tudo o que não querem os ambientalistas, mas o governo americano já afirmou que o custo da energia pode minar outra das prioridades do G20, a recuperação econômica, que, por sua vez, está neste ano muito ligada à saúde pública. A pandemia de Covid não acabou, há ondas desencontradas ao redor do globo e forte desigualdade na distribuição de vacinas.

O G20 estuda promover um grupo que deixe o mundo mais preparado para as novas pandemias que, dizem cientistas, são inevitáveis. É um bom plano para o futuro, mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) quer que agora eles se comprometam com imunizar os países pobres.

Bolsonaro pede esforço do G20 para combater a pandemia

  Bolsonaro pede esforço do G20 para combater a pandemia Presidente exalta vacinação no país e agenda de reformas; leia íntegra do discursoEm Roma, na Itália, destacou os números de brasileiros vacinados voluntariamente e pediu esforço concentrado no combate à pandemia de covid-19.

Em carta assinada por várias personalidades políticas internacionais, entre as quais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-premiê britânico Gordon Brown afirmou que países desenvolvidos do G20 têm estocados 240 milhões de doses e sugeriu um plano concreto para redirecioná-los globalmente.

Verbas para essas ações, assim como as que financiam energia limpa ou recuperação econômica, saem do mesmo cofre, e cada membro do grupo heterogêneo puxa a sardinha para o que mais lhe convém.

A reunião não é, de qualquer forma, uma instituição formal, e eventuais posicionamentos não têm consequência prática imediata. Sua importância é sinalizar para onde estão soprando os ventos políticos.

Neste ano, a direção mais observada será a dos Estados Unidos, já que esta é a primeira cúpula do G20 na era pós-Trump, e o presidente Joe Biden tem como um de seus bordões a importância do multilateralismo.

Isolado, Bolsonaro tem agenda esvaziada no G20 e é ironizado pela imprensa italiana

  Isolado, Bolsonaro tem agenda esvaziada no G20 e é ironizado pela imprensa italiana Presidente brasileiro não tem reuniões previstas com outros mandatários à exceção do presidente italiano. Em conversa com presidente turco, ele disse ter muito apoio popular e que a Petrobras 'é um problema'.Segundo o Itamaraty, a agenda do presidente brasileiro seria atualizada ao longo da visita à Itália, e reuniões estavam sendo negociadas com outros países, mas nada foi fechado até o momento. O encontro do G20 ocorre neste fim de semana (30 e 31/10), e em seguida muitos deles seguem para a Cúpula do Clima em Glasgow, na Escócia (COP26).

Sobrarão ainda mais holofotes para o líder americano porque outras estrelas desse tabuleiro global, como o líder da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não estarão presentes.

O governo chinês será representado por seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, e Xi, que não viajou para o exterior desde o início da pandemia de coronavírus, deve participar remotamente.

Como plataforma da nova política externa americana, que ao menos em teoria está mais multilateral, Biden deve anunciar o apoio dos líderes ao imposto corporativo mínimo global, já costurado pelos ministros das áreas econômicas após anos de discussão na OCDE.

Também se espera algum anúncio das grandes potências em relação à crise climática, já que os países do G20 são responsáveis por 80% das emissões globais de gás carbônico.

Negociações e definições de efeito concreto sobre esse tema, contudo, estão reservadas para a COP26, conferência da ONU que acontece logo depois do G20, em Glasgow, na Escócia, aonde Biden também irá.

Em Roma, segundo o governo dos EUA, as outras prioridades do presidente devem ser os preços de energia e a reconexão e fortalecimento das cadeias de abastecimento, que afetam diretamente os americanos, principalmente a classe média trabalhadora.

Líderes do G20 prometem vacinar 70% da população mundial até 2022

  Líderes do G20 prometem vacinar 70% da população mundial até 2022 Além de comprometerem-se em vacinar pelo menos 70% da população mundial até 2022, chefes de Estado ou governos do G20 também concordaram adotar um imposto mínimo global sobre as empresas, de pelo menos 15%. © Kevin Lamarque/Pool/AP/picture alliance O Presidente dos EUA Joe Biden (segundo, da esquerda para a direita), e o primeiro-ministro británico Boris Johnson, à esquerda, conversam com o Presidente turco Tayyip Erdogan, segundo à direita, no centro de conferências La Nuvola, durante a cimeira do G20 em Roma neste sábado (30.10).

Essa será a segunda viagem internacional de Biden, que aproveitará para se encontrar com o papa Francisco nesta sexta (29) --o líder americano é católico praticante. A estadia pode ser também uma oportunidade para desanuviar o mal-estar com o presidente da França, Emmanuel Macron, criado pela negociação de uma venda de submarinos para a Austrália, que frustrou negócio anterior dos franceses.

O fórum de prevenção a futuras pandemias, ideia também apresentada pelos EUA junto com a Indonésia, deve ter mais espaço na reunião de ministros da Saúde e das Finanças, que ocorre também em Roma.

Do lado brasileiro, a redução de subsídios em setores como o agropecuário deve ser uma das prioridades, segundo Sarquis José Sarquis, secretário de Comércio Exterior e Assuntos Econômicos do Itamaraty.

Para ele, alguns programas de apoio doméstico de grandes economias da União Europeia e de EUA, China e Índia "acabam distorcendo condições de mercado e reduzindo preços de forma artificial, o que faz com que países competitivos em alimentos, como Brasil e Argentina, não se beneficiem desses mercados".

Embora o Brasil tenha sido um dos países que se opôs, na Organização Mundial do Comércio, à retirada de direitos de propriedade intelectual sobre vacinas, como pedia um grupo de mais de cem nações, Sarquis afirmou que o governo vai defender "a universalização do acesso às vacinas, como bens públicos", e o investimento na produção de imunizantes e insumos farmacêuticos em países em desenvolvimento.

O presidente Jair Bolsonaro participa da reunião, assim como os ministros da Economia, Paulo Guedes, e das Relações Exteriores, Carlos França. O líder brasileiro chega a Roma nesta sexta e se encontra com o presidente italiano, Sergio Mattarella, no Palácio do Quirinal.

Após a participação na cúpula, durante o final de semana, Bolsonaro deve ir na segunda-feira (1º) à comuna de Anguillara Veneta, onde o bisavô dele nasceu, para receber o título de cidadão honorário. No dia seguinte, a programação divulgada pelo Itamaraty prevê a participação em uma cerimônia em memória dos militares brasileiros que morreram durante combates na Segunda Guerra, em Pistoia.

As cúpulas anuais do G20 acontecem desde 2008 e reúnem África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia.

COP26: Encontro de líderes para evitar aquecimento drástico .
Do encontro decisivo para o futuro do Planeta em Glasgow, na Escócia, deverão sair compromissos firmes para conseguir cumprir o Acordo de Paris e reduzir emissões de gases poluentes ao nível mundial. © Andrew Milligan/PA Wire/picture alliance Protesto em Glasgow pede ação na conferência do clima Os líderes mundiais começam hoje a dizer como se propõem acelerar a redução de emissões de gases poluentes nos seus países, no começo da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), decisiva para o cumprimento do Acordo de Paris.

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