Mundo Mundo está entrando em quarta onda de covid-19, diz diretora da OMS

18:52  23 novembro  2021
18:52  23 novembro  2021 Fonte:   estadao.com.br

Passeio em Glasgow: Comitiva do Brasil teve 466, raros cientistas e muitos políticos

  Passeio em Glasgow: Comitiva do Brasil teve 466, raros cientistas e muitos políticos A lista oficial de autoridades, empresários e representantes de entidades civis, enviada pelo Itamaraty, tem de parlamentares à turma do agronegócioO grupo eclético, de 466 pessoas, foi a segunda maior comitiva do evento – a grande maioria são autoridades e assessores que viajaram bancados por verba pública.

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A diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a médica brasileira Mariângela Simão, disse nesta segunda-feira, 22, que o mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia de covid-19. A declaração foi dada na conferência de abertura de um evento realizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

“O mundo, na verdade, está entrando em uma quarta onda, mas as regiões tiveram comportamento diferente em relação à pandemia”, apontou Mariângela. “Na região das Américas, há uma transmissão comunitária continuada, com pequenos picos, enquanto a Europa está entrando de novo em uma ressurgência de casos”, explicou.

Taxa de transmissão da covid-19 volta a subir no Brasil

  Taxa de transmissão da covid-19 volta a subir no Brasil A taxa de transmissão do novo coronavírus no Brasil voltou a subir nesta semana, de acordo com a última atualização do Imperial College de Londres, realizada na segunda-feira, 22. Na semana passada, o índice havia ficado em 0,99. © Marcelo Camargo/Agência Brasil Uso de máscaras é flexibilizado ao ar livre a partir desta quarta-feira (03) no Distrito Federal. A atual taxa quer dizer que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 106. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (de até 1,12) ou menor (de 0,78).

A médica não fez previsões específicas para o Brasil, que tem assistido nas últimas semanas a uma queda sustentada de internações e mortes, além de ver avanço significativo na vacinação. Comentou, porém, que a realização do Carnaval pode ser “extremamente propícia para o aumento da transmissão comunitária” no País.

O aumento no número de casos de covid-19 tem levado países a ampliar o cerco contra não imunizados a Áustria, por exemplo, impôs um lockdown específico contra esse grupo. A estratégia visa a evitar o surgimento de novas cepas, como a Delta, identificada originalmente na Índia e depois responsável por acelerar o contágio em diversas regiões do planeta.

“A OMS tem o entendimento neste momento que é provável que a gente tenha uma transmissão continuada do vírus por conta das variantes”, disse a diretora da OMS. Segundo se observa nas curvas epidêmicas, a médica destacou que há países com ondas repetidas, outros com transmissão contínua e há ainda aqueles que tiveram um controle não sustentado no início da pandemia e que agora têm picos agudos de contaminação.

Vacinação só não basta e Carnaval no Brasil preocupa, diz diretora da OMS

  Vacinação só não basta e Carnaval no Brasil preocupa, diz diretora da OMS Vacinação só não basta e Carnaval no Brasil preocupa, diz diretora da OMSDurante o Congresso Brasileiro de Epidemiologia, Mariângela destacou que na Europa há um novo aumento de casos de Covid-19 e que o vírus continua evoluindo com variantes mais transmissíveis. No entanto, em razão da vacinação, houve uma dissociação entre casos e mortes, pelo fato da vacinação ter reduzido os óbitos decorrentes da doença. Ela lembrou que a imunização reduz as hospitalizações, mas não interrompe a transmissão.


Galeria: Esclerose Múltipla: esses são os famosos que lutam contra a triste doença (StarsInsider)

Quando celebridades se abrem sobre suas lutas contra várias condições médicas, isso tem um impacto incrível. Por exemplo, muitas pessoas não sabiam sobre a doença de Parkinson até Michael J. Fox começar a falar sobre seu diagnóstico. Quando uma estrela usa sua fama para compartilhar informações sobre uma doença, isso ajuda a conscientizar o público, além de fazer com que aqueles que sofrem da mesma condição se sintam menos sozinhos.A esclerose múltipla, ou EM, é uma doença neurológica relativamente comum que afeta muitos jovens em todo o mundo. Várias celebridades divulgaram seus diagnósticos de EM e compartilharam como isso afeta suas vidas. Clique nesta galeria para saber mais sobre a condição e as figuras famosas que convivem com ela.

Entre os fatores que continuam influenciando na transmissão do Sars-Cov-2, Mariângela destacou quatro pontos. O primeiro são as variantes mais transmissíveis, como a Delta. Atualmente, conforme mapeamento genético realizado pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), a Delta corresponde a mais de 97% das variantes em circulação no País.

O segundo aspecto é o fato de grande parte da população seguir sem acesso às vacinas. Dados da OMS apontam que menos de 5% das pessoas de países de baixa renda grande parte na África e na Ásia receberam ao menos uma dose de vacina anticovid, mesmo com mais de 7,5 bilhões de doses tendo sido aplicadas no mundo. “A inequidade no acesso à vacina é o maior desafio ético do nosso tempo”, disse Mariângela.

Por fim, o terceiro e quarto fatores seriam o aumento das interações sociais, com o fim das medidas de isolamento, e ainda a desinformação em relação às formas de lidar com o vírus. “A mensagem correta, no momento certo, em formato adequado, vinda da pessoa certa (...) pode auxiliar muito”, apontou a médica.

O que se sabe sobre a nova variante descoberta na África do Sul

  O que se sabe sobre a nova variante descoberta na África do Sul Nova variante identificada pela primeira vez na África do Sul possui o maior número de mutações já visto, o que causa apreensão na comunidade científica.Segundo o ministério da Saúde israelense, trata-se de uma pessoa que veio de Malauí. Outros dois casos de pessoas que chegaram do exterior estão sendo monitorados. Todas elas já estavam vacinadas contra a covid-19.

Entre domingo e segunda, conforme apontou Mariângela, foram confirmados mais de 440 mil casos em todo mundo e um total de 6,7 mil óbitos. Com isso, o planeta chegou a 255 milhões de diagnósticos positivos da doença e já contabiliza 5,1 milhões de vítimas. “É claro que isso reflete uma enorme subnotificação em vários continentes”, disse a diretora da OMS.

Futuro da pandemia

Sobre os possíveis cenários para o futuro, Mariângela destacou o papel das vacinas e disse que, mesmo não tendo impacto significativo na transmissão, elas “diminuem a severidade da doença e a mortalidade”. “A gente já tem dados robustos, como do Reino Unido, que mostram uma dissociação de casos e óbitos, por conta da vacinação”, destacou.

A diretora da OMS apontou que, pelo que se observa pelas informações de hoje, havendo altos níveis de imunidade populacional em todos os países, a mortalidade pela doença poderá reduzir significativamente. Os surtos de contaminação pela doença, acrescentou, até podem continuar acontecendo entre grupos suscetíveis, como os não vacinados, mas para este caso é necessário intensificar o processo de conscientização.

Mariângela reforçou ainda que “a vacinação sozinha não consegue conter transmissão”, o que torna também importante o monitoramento contínuo da situação epidemiológica e a adoção de medidas. “Me preocupa bastante quando vejo no Brasil a discussão sobre o Carnaval, é uma condição extremamente propícia para o aumento da transmissão comunitária. Precisamos planejar as ações para 2022”, disse a diretora da OMS.

Segundo Mariângela, um outro ponto é que há uma “associação forte” entre a cobertura vacinal e o uso de máscaras, o que também acaba sendo um fator de atenção até para países cuja vacinação avançou. “Quanto maior é a cobertura vacinal, menor é o uso de máscaras”, destacou.

'Nunca mais!': o grito da OMS para a covid-19 .
"Nunca mais!": após milhões de mortes e prejuízos econômicos imensuráveis, a comunidade internacional inicia um longo e difícil processo para tentar dar à OMS os meios para combater melhor a próxima pandemia. "Tudo isso vai acontecer de novo a menos que vocês, nações do mundo, se unam para dizer com uma só voz: nunca mais!", declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no início da reunião excepcional da Assembleia Mundial da Saúde, órgão de decisão supremo da OMS, que reúne 194 membros. © Eloi ROUYER "Chegou a hora de superar essa pandemia e deixar uma herança para as gerações que nos sucederão", destacou Tedros.

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