Mundo As simulações de guerra que alimentam especulação sobre ataque de Israel ao Irã

01:20  24 novembro  2021
01:20  24 novembro  2021 Fonte:   bbc.com

Os símbolos nazistas que ainda estão presentes no Japão

  Os símbolos nazistas que ainda estão presentes no Japão Antropóloga atribui uso acrítico de símbolos nazistas a uma 'falta de sensibilidade histórica' mais do que a um alinhamento ideológico ou político. 'Nazi cosplay'"Muitos japoneses sabem que os nazistas cometeram crimes de guerra, mas o conhecimento é limitado. Visualmente, eles reconhecem os uniformes pretos da SS [Schutzstaffel, a organização paramilitar nazista], especialmente com a braçadeira vermelha, mas não é todo uniforme da Wehrmacht [das forças armadas alemãs sob Adolf Hitler] que lhes acende um sinal de alerta", diz a antropóloga polonesa.

Nas águas turquesa do Mar Vermelho, as forças navais de Israel, Emirados e Bahrein simularam pela primeira vez, há poucos dias, operações de segurança conjuntas com um navio de guerra dos Estados Unidos.

Israel intensificou recentemente exercícios militares com aliados regionais © EPA Israel intensificou recentemente exercícios militares com aliados regionais

Isso aconteceu depois de um exercício de guerra em uma base aérea no deserto ao norte da cidade portuária israelense de Eilat, no mês passado, no qual aviões de combate de Israel e outros sete países cortaram os céus.

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Estas simulações têm como objetivo enviar um forte aviso ao Irã, que recentemente vem realizando seus próprios exercícios militares de grande porte, e enfatizar alianças estratégicas.

EUA diz continuar pronto para mobilização militar no Oriente Médio

  EUA diz continuar pronto para mobilização militar no Oriente Médio Os Estados Unidos continuam preparados para um deslocamento militar de envergadura no Oriente Médio - disse o secretário americano da Defesa, Lloyd Austin no sábado, rejeitando a ideia de que seu país agora esteja reticente quanto a usar a força na região. Todas as opções estão sobre a mesa, sobretudo, se a diplomacia fracassar na hora de conter o programa nuclear iraniano, garantiu Austin, no Bahrein. A declaração foi uma resposta do chefe do Pentágono à pergunta sobre o motivo de os Estados Unidos não terem reagido ao ataque de drones e de artilharia, lançado em outubro, contra uma base usada pela coalizão que enfrenta o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria.

Mas acontecem em um momento em que muitos em Israel estão preocupados que este pequeno país possa se sentir forçado em breve a agir sozinho para atacar militarmente o programa nuclear do Irã.

O governo destinou US$ 1,5 bilhão para preparar as forças armadas israelenses para um possível ataque contra instalações nucleares iranianas, e há alertas quase diários de líderes políticos e militares.

A BBC ouviu a opinião dos principais observadores e analistas do Irã sobre o que pode acontecer.

"Israel não tem interesse em uma guerra com o Irã, mas não permitiremos que o Irã adquira armas nucleares", afirmou uma autoridade de segurança israelense.

"À luz do avanço do programa nuclear iraniano, estamos nos preparando para todas as opções e cenários, incluindo capacidade militar."

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A ameaça de uso da força militar acontece em meio às negociações entre o Irã e cinco potências mundiais (mais os EUA indiretamente) para reativação do acordo nuclear de 2015 — conhecido como Plano de Ação Global Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês) — previstas para serem retomadas na capital austríaca, Viena, em 29 de novembro.

O JCPOA limitou as atividades nucleares do Irã e abriu suas instalações para aumentar as inspeções em troca do levantamento parcial das sanções internacionais. No entanto, foi abandonado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, em 2018, com a aprovação de Israel.

O Irã sempre insistiu que seu programa nuclear é para fins puramente pacíficos © EPA O Irã sempre insistiu que seu programa nuclear é para fins puramente pacíficos

Assim que foi fixada a data para uma nova rodada de negociações, o Irã declarou ter produzido 25 kg de urânio enriquecido a 60% (grau de pureza) — logo abaixo do nível que seria necessário para uma bomba nuclear — e mais de 210 kg enriquecido a 20%.

Israel inicia vacinação de crianças entre 5 e 11 anos para enfrentar alta em casos de Covid

  Israel inicia vacinação de crianças entre 5 e 11 anos para enfrentar alta em casos de Covid Israel inicia vacinação de crianças entre 5 e 11 anos para enfrentar alta em casos de CovidJERUSALÉM (Reuters) - Israel começou a vacinar crianças entre 5 e 11 anos de idade com o imunizante da Pfizer/BioNtech contra a Covid-19 nesta segunda-feira, esperando conter uma alta recente no número de infecções pelo coronavírus.

Embora Teerã continue insistindo que suas intenções são pacíficas, até mesmo especialistas iranianos destacaram que tais quantidades de urânio altamente enriquecido eram anteriormente mantidas apenas por Estados com armas nucleares.

"Os iranianos estão hoje mais perto de criar material físsil para armas nucleares do que no passado", disse o oficial de segurança israelense.

"Este fato tem implicações de segurança significativas para o Estado de Israel."

O órgão de defesa israelense estima que, se o Irã decidir fazer isso, poderá acumular urânio enriquecido suficiente para uma arma nuclear dentro de um mês.

O básico sobre a crise nuclear do Irã

- As potências mundiais não confiam no Irã: alguns países acreditam que o Irã quer energia nuclear porque pretende construir uma bomba nuclear — ele nega.

- Então, um acordo foi fechado: em 2015, o Irã e outros seis países chegaram a um grande acordo. O Irã interromperia algumas atividades nucleares em troca do fim de duras penalidades, ou sanções, que prejudicam sua economia.

- Qual é o problema agora? O Irã reiniciou a atividade nuclear que havia sido proibida depois que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, desistiu do acordo e voltou a impor sanções ao país. Embora o atual presidente americano, Joe Biden, queira retomar o acordo, ambos os lados dizem que o outro deve dar o primeiro passo.

Marrocos e Israel assinam acordo sobre segurança sem precedentes

  Marrocos e Israel assinam acordo sobre segurança sem precedentes Marrocos e Israel assinaram nesta quarta-feira (24) um acordo-marco de cooperação sobre segurança "sem precedentes", durante uma histórica visita a Rabat do ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, em um contexto de tensões entre o reino alauita e a vizinha Argélia. Antes de partir de Tel Aviv, na terça-feira à noite, destacou que se tratava de "uma viagem importante a Marrocos que tem uma nuance histórica porque se trata da primeira visita formal de um ministro da Defesa (israelense) a esse país". Nesta viagem, cuja duração será de 48 horas, Gantz também conversará nesta quarta-feira com o ministro das Relações Exteriores marroquino Naser Burita.

A fabricação de tal arma também exigiria a construção de uma ogiva que poderia ser montada em um míssil balístico. O prazo para isso é mais difícil de calcular, mas alguns especialistas dizem que pode levar de 18 a 24 meses.

Israel, que supostamente possui suas próprias armas nucleares, mas mantém uma política oficial de ambiguidade deliberada, vê o Irã nuclear como uma ameaça existencial; o Irã não reconhece o estado de Israel e suas autoridades muitas vezes defendem a crença de que acabará por deixar de existir.

Embora os Estados Unidos e os países do Golfo Pérsico, com os quais Israel possui laços cada vez maiores, também se oponham profundamente ao fato de o Irã ter armas nucleares, não está claro até que ponto seus próprios interesses os impediriam de ajudar em qualquer confronto militar.

O tempo está passando

O ex-conselheiro de Segurança Nacional israelense Yaakov Amidror, que agora é membro sênior do Instituto de Estratégia e Segurança de Jerusalém, alertou pela primeira vez sobre os perigos das ambições nucleares do Irã no início dos anos 1990, quando trabalhava na inteligência militar.

Ele tem uma avaliação sombria dos últimos acontecimentos.

"Israel não pode viver com uma situação em que os iranianos estão cada vez mais perto da bomba, e logo terá que tomar uma decisão sobre como detê-la", diz ele.

Variante ômicron: Israel fecha suas fronteiras a todos os viajantes estrangeiros

  Variante ômicron: Israel fecha suas fronteiras a todos os viajantes estrangeiros Enquanto se multiplica a lista de países que fecham seus aeroportos a voos provenientes de nações do sul da África, Israel resolveu ir além e anunciou neste domingo (28) uma medida drástica para frear a a propagação da variante ômicron. Tel Aviv proibiu a chegada de qualquer viajante estrangeiro em seu território. Israel anunciou na sexta-feira (26) ter registrado o primeiro caso da variante ômicron, em uma pessoa que desembarcou no país vinda do Malawi. Por isso, no mesmo dia, o governo israelense resolveu fechar seus aeroportos a voos de países do sul do continente africano.

"Não vejo outra maneira a não ser bombardear, porque não vejo os iranianos voltando atrás em seu sonho de ter um guarda-chuva nuclear sob o qual possam ser ainda mais agressivos do que são hoje."

Israel agiu sozinho duas vezes para destruir os reatores nucleares de seus inimigos — no Iraque, em 1981, e na Síria, em 2007 — com pouca retaliação.

Mas muitos analistas questionam se o país é capaz de montar efetivamente uma operação complexa para impedir o programa nuclear muito mais avançado do Irã, que envolve vários locais com algumas instalações subterrâneas, e que preço teria que pagar.

"Todos em Israel entendem que [um ataque] pode levar a uma guerra muito complicada", admite Amidror.

O Irã prometeu "uma resposta chocante" a qualquer ataque do tipo. Supõe-se que o país usaria suas próprias forças, coordenadas com as de seus aliados bem armados espalhados pela região: o Hezbollah, no Líbano, que tem dezenas de milhares de foguetes; as milícias xiitas na Síria e no Iraque; o movimento rebelde Houthi no Iêmen; e militantes jihadistas islâmicos na Faixa de Gaza.

Uma guerra Israel-Irã quase certamente também envolveria grupos militantes aliados do Irã de toda a região © Getty Images Uma guerra Israel-Irã quase certamente também envolveria grupos militantes aliados do Irã de toda a região

Apesar dos graves riscos, alguns defensores de uma política mais agressiva em Israel calculam que um ataque pode valer a pena, mesmo que apenas atrase os planos nucleares iranianos em alguns anos.

Mas a preferência oficial ainda é a promoção de soluções pacíficas e negociadas.

"Espero que o canal diplomático tenha sucesso", declarou Sima Shine, ex-chefe de pesquisa da agência de inteligência Mossad, "mas não acho que tenha grande chance agora".

Diálogo nuclear com o Irã recomeça em Viena com delegação de Teerã determinada a obter acordo

  Diálogo nuclear com o Irã recomeça em Viena com delegação de Teerã determinada a obter acordo Após uma pausa de cinco meses, as negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano recomeçam nesta segunda-feira (29) em Viena, com a delegação de Teerã determinada a obter um acordo, embora os analistas antecipem grandes obstáculos para uma retomada rápida do acordo de 2015. O Irã ignorou durante meses os apelos dos países ocidentais para a retomada das negociações, enquanto fortalecia seu programa nuclear. Antes do encontro em Viena, o enviado do governo dos Estados Unidos para questões sobre o Irã, Rob Malley, disse que a atitude de Teerã "não aponta nada bom para as negociações".

O governo do presidente americano, Joe Biden, propôs ao Irã um retorno direto à "conformidade mútua" com o JCPOA, mas o governo de Israel se opõe a isso.

O acordo suspende muitas restrições ao programa nuclear do Irã já em 2025 e não impõe limites ao desenvolvimento de mísseis balísticos do Irã ou restringe seu apoio a grupos militantes da região.

"Minha avaliação da posição do Irã é que, na verdade, ele não quer retomar", afirma Shine, que agora chefia o programa do Irã no Instituto para Estudos de Segurança Nacional de Israel.

"O que eles gostariam de ver, é claro, é uma redução das sanções, e eles entendem que têm que pagar algo para obter isso. A questão é qual é o cálculo do Irã — quão profundamente sua economia precisa de alívio?"

O medo dela é que as negociações nucleares possam ser apenas uma forma de ganhar tempo, à medida que o país permite que suas centrífugas cada vez mais avançadas continuem girando, acumulando estoque de urânio enriquecido.

Atividades secretas

Outro veterano especialista em Irã, Alex Vatanka, do Instituto do Oriente Médio em Washington, enfatiza o profundo compromisso ideológico de Teerã com seu programa nuclear.

Mas apesar de sua desconfiança em relação aos europeus e aos EUA, ele acredita que o Irã deseja voltar ao JCPOA para aliviar as pressões econômicas internas; ele vê suas ações e demandas recentes como um "fortalecimento de seu controle".

As autoridades iranianas falam do programa nuclear do Irã como uma questão de orgulho nacional © EPA As autoridades iranianas falam do programa nuclear do Irã como uma questão de orgulho nacional

Vatanka teoriza que o Irã não quer necessariamente armas nucleares.

"É uma opção que eles gostariam de ter, claramente, mas não se trata de armamentos", avalia ele, sugerindo que o Irã poderia permanecer no limiar nuclear.

"É sobre o Irã ser um estado nuclear crucial e deixar claro para os americanos que a mudança de regime não vai acontecer."

Irã e potências do Ocidente retomam negociações sobre acordo nuclear em meio a ceticismo

  Irã e potências do Ocidente retomam negociações sobre acordo nuclear em meio a ceticismo SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após cinco meses de paralisação, Irã e potências ocidentais retomaram nesta segunda (29) em Viena as negociações sobre o acordo nuclear que estabelece mecanismos de controle no programa atômico de Teerã, com o país tentando suspender as sanções internacionais em meio a ceticismo generalizado. A expectativa inicial era salvar o acordo de 2015, que foi abandonado pelo ex-presidente Donald Trump em 2018, e começou, a partir de então, a ser violado pelo Irã --que afirma querer enriquecer urânio apenas para usos civis.

As ameaças de Israel de um ataque não o convencem. Ele sugere que seus esforços clandestinos poderiam ser mais eficazes em conter o avanço nuclear do Irã.

"Eles provaram que são capazes de fazer isso", comenta Vatanka. "O Irã está claramente totalmente infiltrado em alto nível. Definitivamente, há um fluxo de informações que eles possuem."

Uma década atrás, houve relatos de um ataque coordenado dos EUA-Israel envolvendo o uso do vírus de computador Stuxnet para interromper o programa nuclear iraniano.

Mais recentemente, o Irã culpou Israel pelo dramático assassinato de seu principal cientista nuclear, Mohsen Fakhrizadeh, que foi morto a tiros perto de Teerã com uma metralhadora assistida por inteligência artificial e controlada remotamente, e explosões que danificaram suas instalações nucleares.

O Irã disse que uma explosão em sua instalação nuclear de Natanz em julho de 2020 foi resultado de © Reuters O Irã disse que uma explosão em sua instalação nuclear de Natanz em julho de 2020 foi resultado de "sabotagem"

Como parte do que chama de "guerra entre as guerras", Israel também realizou centenas de ataques militares para reduzir o entrincheiramento iraniano na vizinha Síria e o envio de munições guiadas de precisão para o Hezbollah.

Proliferação do medo

Embora haja muitas divergências entre os especialistas sobre o que acontecerá a seguir, há um consenso de que as próximas negociações sobre os planos nucleares do Irã acontecerão em um momento crítico e que os riscos para esta região volátil não poderiam ser maiores.

Se o Irã desenvolver seu próprio arsenal nuclear, outras potências — Arábia Saudita, Turquia e Egito — provavelmente farão o mesmo.

Washington disse que quer acabar com as "guerras eternas" no Oriente Médio. Mas também avisou que buscará "outras opções" no que diz respeito ao Irã, e tem sido visto exercitando sua força militar.

https://twitter.com/IDF/status/1458819570932846604

Em um movimento simbólico, no final do recente exercício aéreo israelense, um avião de guerra dos EUA capaz de transportar uma bomba que poderia ser usada para atingir instalações nucleares subterrâneas foi escoltado pelo espaço aéreo israelense por dois caças israelenses.

O paradoxo — como os estrategistas fazem questão de deixar claro — é que os preparativos sérios para uma ação militar contra o Irã podem ser a melhor maneira de impedir que isso aconteça.

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Irã e potências do Ocidente retomam negociações sobre acordo nuclear em meio a ceticismo .
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após cinco meses de paralisação, Irã e potências ocidentais retomaram nesta segunda (29) em Viena as negociações sobre o acordo nuclear que estabelece mecanismos de controle no programa atômico de Teerã, com o país tentando suspender as sanções internacionais em meio a ceticismo generalizado. A expectativa inicial era salvar o acordo de 2015, que foi abandonado pelo ex-presidente Donald Trump em 2018, e começou, a partir de então, a ser violado pelo Irã --que afirma querer enriquecer urânio apenas para usos civis.

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