Mundo Eleições em Honduras têm esquerda na liderança em pleito marcado por crises

00:57  30 novembro  2021
00:57  30 novembro  2021 Fonte:   msn.com

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - As mais importantes eleições presidenciais da história recente de Honduras podem ter a primeira mulher como vencedora. Com cerca de 51,45% da votação deste domingo (28) apurada, Xiomara Castro de Zelaya (Libertad y Refundación), 62, de esquerda, soma 53,61% dos votos. Líder da oposição hondurenha, ela é esposa do ex-presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe de Estado em 2009.

O governista Nasry Asfura está em segundo lugar, com 33,87% dos votos, e o empresário Yani Rosenthal vem em terceiro, com pouco mais de 9%. Como não há segundo turno no país centro-americano, aquele que conseguir a maioria dos votos ao fim da apuração comandará Honduras até janeiro de 2026.

Venezuela tem 'mega eleições' com oposição de volta à disputa

  Venezuela tem 'mega eleições' com oposição de volta à disputa Neste domingo, a oposição majoritária retorna às eleições na Venezuela. Desta vez, mais do que a permanência de Maduro no poder, os resultados revelarão como a Venezuela caminha - e quem vai liderar - para uma transição política.Nas "mega eleições", 3.082 cargos serão eleitos: 23 governadores, 335 prefeitos e centenas de cadeiras em conselhos locais.

Ao longo do horário de votação, jornalistas independentes compartilharam nas redes sociais relatos de confusão nos centros eleitorais e forte policiamento nas ruas, o que aumentou o temor de que repressão semelhante à adotada pelo Estado em 2017 se repetisse. Naquele ano, 23 hondurenhos morreram em meio a protestos contra a eleição do atual presidente, Juan Orlando Hernández, de direita.

Ainda que apenas metade dos votos tenha sido apurada, a principal candidata já declarou vitória e promoveu eventos com os apoiadores na capital Tegucigalpa. Em discurso na noite de domingo, Xiomara afirmou ter vencido a disputa e prometeu promover um governo de reconciliação. "Estendo a mão a meus opositores porque não tenho inimigos. Vou convocar o diálogo com todos os setores de Honduras", disse.

Xiomara Castro pode encerrar controle de dois partidos em Honduras na eleição de domingo

  Xiomara Castro pode encerrar controle de dois partidos em Honduras na eleição de domingo Xiomara Castro pode encerrar controle de dois partidos em Honduras na eleição de domingoTEGUCIGALPA (Reuters) - Franca favorita na eleição presidencial de Honduras, a candidata de esquerda Xiomara Castro ganhou destaque na política quando seu marido, o ex-presidente Manuel Zelaya, foi deposto por um golpe militar em 2009.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, aliado de Xiomara e Zelaya, fez coro às palavras de vitória. O venezuelano felicitou a candidata em uma rede social e disse que, após 12 anos de golpe de Estado, "o povo retomou o caminho da esperança dando uma histórica vitória à presidente eleita".

O presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Kelvin Aguirre, disse que nenhum candidato pode se declarar vencedor "até que a última ata seja processada". Segundo o órgão, o pleito teve participação de 68% dos mais de 5,1 milhões habilitados a votar —o país tem pouco mais de 9 milhões de habitantes.

Até o momento, o CNE não divulgou resultados preliminares da eleição de 128 deputados para o Congresso —se o Partido Nacional, governista, mantiver o controle do Legislativo e Xiomara realmente for eleita, como aponta a apuração inicial, ela deve ter dificuldades para assegurar a governabilidade. No mesmo pleito, os hondurenhos também votaram para eleger 298 prefeitos.

Corrupção, narcotráfico e sofrimento marcam eleições em Honduras

  Corrupção, narcotráfico e sofrimento marcam eleições em Honduras Honduras elege, no domingo (28), um novo presidente em eleições marcadas pela corrupção e pelo tráfico de drogas, que atingem até as mais altas esferas do poder, e pelo temor de confrontos violentos. "Esperamos que haja uma eleição pacífica, que não haja problemas e que tudo seja transparente", diz Delia Flores, vendedora de alimentos em uma praça no centro de Tegucigalpa. Seu medo não é gratuito. Em 2017, a questionada reeleição de Juan Orlando Hernández desencadeou confrontos com repressão policial, que deixaram cerca de trinta mortos.

Além de enfrentar problemas domésticos como denúncias recorrentes de corrupção nos postos de poder e a presença do narcotráfico, o próximo presidente de Honduras terá a missão de lidar com a pobreza crônica —pesquisas sugerem que mais de 50% da população hondurenha vive abaixo da linha da pobreza.

Pesa também a responsabilidade de fomentar oportunidades em território nacional, em especial para os mais jovens, que têm emigrado em massa. O desemprego subiu mais de 5 pontos percentuais em 2020, chegando a 10,9%, em grande parte devido ao coronavírus, que matou 10,4 mil pessoas no país.

Durante o discurso de domingo, Xiomara voltou a afirmar que tem o compromisso de "garantir aos jovens que, em sua terra natal, eles encontrarão o que precisam para gerar oportunidades e bem-estar para sua família". Um dos principais destinos da migração partindo de Honduras, que, ao lado da Guatemala e de El Salvador, compõe o chamado Triângulo do Norte, são os Estados Unidos.

Hondurenhos só estão atrás dos mexicanos como principal nacionalidade a tentar entrar de maneira ilegal na fronteira sul do país. Pelo menos 309 mil deles foram detidos por agentes na fronteira dos EUA com o México durante o ano fiscal de 2021, quando 1,7 milhão foram detidos na região, número recorde.

Eleição em Honduras tem mulher de ex-presidente ligada ao chavismo como favorita

  Eleição em Honduras tem mulher de ex-presidente ligada ao chavismo como favorita BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Depois de uma sequência de anos conturbados, marcados por um golpe de Estado, uma eleição com acusações de fraude e intensos protestos de rua, os hondurenhos vão às urnas neste domingo (28) para apontar o sucessor de Juan Orlando Hernández. O direitista se despede de seu segundo mandato em meio a uma crise humanitária, de segurança pública, econômica e sanitária. Embora as pesquisas no país não tenham histórico de confiabilidade e mostrem grandes diferenças nos números, a depender do instituto, os principais levantamentos indicam a liderança da esquerdista Xiomara Castro de Zelaya (Libertad y Refundación) sobre o governista Nasry Asfura

Por essa razão, a governabilidade que o futuro presidente de Honduras conseguirá também tem sido ponto de preocupação de Washington. Um alto funcionário do Departamento de Estado americano disse a repórteres, na última semana, que o resultado do pleito "é um momento importante não apenas para os hondurenhos, mas também para a América Central e todo o hemisfério", segundo o Washington Post.

Xiomara também consolidou seu favoritismo na reta final da campanha com uma agenda que inclui a legalização do casamento homossexual e do aborto em casos de estupro —hoje, o procedimento é proibido no país em quaisquer circunstâncias.

Asfura, seu principal adversário, é o atual prefeito da capital do país, Tegucigalpa, e chegou a ser considerado favorito durante a corrida eleitoral, em especial por contar com o apoio do Partido Nacional, tradicional e ligado a figuras politicamente expressivas.

A legenda, assim como Xiomara, chegou a celebrar uma suposta vitória –ainda que, desde o início da contagem, ele estivesse atrás da adversária. "A vontade dos hondurenhos foi demonstrada nas urnas, e 'papi a la ordem' [como é conhecido] é o novo presidente", publicou o partido no Facebook.

O eleito também terá de lidar com as altas cifras de assassinatos de ativistas ambientais no país que, historicamente, lidera o ranking per capita mundial de líderes sociais mortos. O nome mais conhecido é o de Berta Cáceres, vencedora do prêmio ambiental Goldma, assassinada em 2016 em meio a uma disputa com uma hidrelétrica. Em 2020, 17 ativistas foram mortos no país, segundo a ONG Global Witness.

Durante a corrida eleitoral, pelo menos 31 pessoas ligadas às eleições foram assassinadas, de acordo com monitoramento do Observatório da Violência da Universidade Nacional Autônoma de Honduras.

Partido do governo reconhece vitória de Xiomara Castro na eleição presidencial em Honduras .
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Partido Nacional de Honduras reconheceu nesta terça-feira (30) que perdeu as eleições presidenciais e saudou a esquerdista Xiomara Castro. Com 52% das urnas apuradas, a candidata do Libre (Partido Liberdade e Refundação) está 20 pontos à frente do segundo colocado, Nasry Asfura, do Partido Nacional. "Hoje se vê o clima de paz e tranquilidade que existe no país, embora o Partido Nacional não tenha sido eleito para encabeçar o governo", disse à Rádio América, uma das mais tradicionais do país, o secretário do comitê central da legenda, Kilvett Bertrand. "Desejamos o melhor sucesso aos vencedores das eleições".

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