Mundo ONU: privar as mulheres de trabalhar agravará a crise econômica no Afeganistão

12:18  01 dezembro  2021
12:18  01 dezembro  2021 Fonte:   afp.com

Controle da mídia é um risco para eleições na Hungria, diz especialista da ONU

  Controle da mídia é um risco para eleições na Hungria, diz especialista da ONU Uma especialista da ONU alertou nesta segunda-feira (22) sobre a influência do governo húngaro nos veículos de comunicação, enfatizando que a cobertura das eleições legislativas de 2022 pela imprensa pública precisa ser "imparcial". Sob os mandatos de Orban, que está no poder desde 2010, a mídia pública se tornou um alto-falante para a política do governo e pessoas próximas ao poder compraram grande parte da imprensa privada. Alguns grupos desapareceram e outros mudaram de linha editorial.

Proibir as mulheres de trabalhar agravará ainda mais a "catastrófica" crise econômica do Afeganistão após a retirada das forças ocidentais e o retorno do Talibã ao poder, afirma a ONU em um relatório divulgado nesta quarta-feira (1).

Os trabalhos das mulheres são vitais para atenuar o desastre econômico no Afeganistão, afirma a ONU © Hector RETAMAL Os trabalhos das mulheres são vitais para atenuar o desastre econômico no Afeganistão, afirma a ONU

A crise econômica e humanitária no Afeganistão "se agrava e é necessário responder para salvar as vidas ameaçadas pela pobreza e fome", afirma o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em suas "Perspectivas Socioeconômicas do Afeganistão 2021-2022", ao qual a AFP teve acesso.

Jornalistas e ONGs criticam regras do Talibã para a imprensa

  Jornalistas e ONGs criticam regras do Talibã para a imprensa Jornalistas e ONGs denunciaram nesta terça-feira (23) as novas regras aprovadas pelo governo do Talibã sobre a imprensa, temendo que seja o início da censura contra a mídia no Afeganistão. O governo do Talibã publicou no domingo uma série de "diretrizes religiosas" para os jornais, a primeira regulamentação do setor pelos fundamentalistas islâmicos desde sua tomada do poder em meados de agosto. Eles pedem que aos meios de comunicação que evitem programas "que vão contra os valores islâmicos e afegãos".

A economia do país mais pobre da Ásia, minada pela guerra e a seca, perdeu com a mudança de poder seu principal recurso, a ajuda internacional, que representava 40% de seu PIB e financiava 80% de seu orçamento.

"Um choque fiscal sem precedentes a nível internacional", indica o PNUD, ao qual as sanções econômicas dos países ocidentais contra os talibãs devem ser adicionadas.

Este programa da ONU destaca as consequências das restrições impostas ao trabalho das mulheres pelos talibãs, que autorizaram apenas a retomada das atividades a uma parte das funcionárias dedicadas à educação ou à saúde.

"O trabalho das mulheres constitui 20% do emprego total e é vital para atenuar a catástrofe econômica no Afeganistão", declarou à AFP a diretora do PNUD na Ásia, Kanni Wignaraja.

Taliban divulga diretrizes para mídia e proíbe atrizes em programas de TV

  Taliban divulga diretrizes para mídia e proíbe atrizes em programas de TV Taliban divulga diretrizes para mídia e proíbe atrizes em programas de TVO Ministério da Propagação da Virtude e Prevenção do Vício do Afeganistão delineou nove regras nesta semana, disse um porta-voz do governo do Taliban nesta terça-feira, centradas essencialmente na proibição de qualquer mídia que viole "valores islâmicos ou afegãos".

O PNUD calcula que sem o emprego feminino, o Produto Interno Bruto do Afeganistão registrará contração "de 3% a 5%", o que equivale a entre 600 milhões e um bilhão de dólares.

"O dano dependerá da magnitude das limitações impostas", disse.

A proibição também tem consequências indiretas: se as mulheres não trabalham, não recebem salário e não podem consumir, o que pode representar quase 500 milhões de dólares de perdas anuais, calcula o PNUD.

Em consequência, "todas as mulheres e todos os homens capazes de trabalhar deveriam retornar ao trabalho e dar o melhor para atenuar o impacto econômico imediato e construir um futuro para o país", afirmou a diretora.

Wignaraja também considera crucial que as jovens afegãs continuem estudando - os talibãs interromperam as aulas para mulheres - para que possam se sustentar no futuro.

emd/ctx/cyb/mav/dbh/zm/fp

EUA e aliados condenam execuções sumárias pelo Talibã .
Mais de 20 países, incluindo EUA, França e Alemanha, além da UE, demandam que regime talibã cumpra promessa de anistiar ex-membros das forças de segurança do Afeganistão. ONG denunciou dezenas de execuções. © Oliver Weiken/dpa/picture alliance Combatentes talibãs. Grupo fundamentalista islâmico tomou o poder em 15 de agosto Liderados pelos Estados Unidos, países ocidentais criticaram o Talibã por relatos de execuções sumárias e desaparecimentos forçados de ex-membros das forças de segurança afegãs, demandando que o regime fundamentalista islâmico cumpra sua promessa de anistia.

usr: 1
Isto é interessante!