Mundo Com falas genéricas, Cúpula da Democracia não terá declaração final

04:55  10 dezembro  2021
04:55  10 dezembro  2021 Fonte:   folha.uol.com.br

Almagro pede que comunidade internacional faça mais pressão sobre a Nicarágua

  Almagro pede que comunidade internacional faça mais pressão sobre a Nicarágua A comunidade internacional deve pressionar mais para que a Nicarágua "retome o caminho da democracia", disse nesta segunda-feira (29) o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, que defendeu o diálogo após as eleições no país. "A comunidade internacional deve fortalecer seus mecanismos de pressão, os que sejam bilaterais, os que sejam multilaterais, os que tenham a ver com organizações financeiras e com o multilateralismo político. Devemos continuar trabalhando para que a Nicarágua retome o caminho da democracia", acrescentou.

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - As dificuldades enfrentadas pela democracia atualmente são o desafio definidor do nosso tempo, disse Joe Biden, presidente dos EUA, ao dar início nesta quinta (9) à primeira Cúpula da Democracia, evento virtual que convidou uma centena de países para tentar buscar novas formas de garantir participação popular na política. ​

No entanto, as saídas para resolver o problema não serão rápidas, e o encontro, que termina nesta sexta (10), não deverá ter uma declaração final, que poderia sintetizar os pontos de acordo entre os participantes.

Com falas genéricas da maioria dos líderes, esta primeira cúpula foi considerada um pontapé inicial para ações que serão tomadas ao longo do ano que vem, quando um novo evento do tipo deverá ocorrer.

Após ser comparado ao ex-goleiro Bruno, Weverton afirma: 'Não posso aceitar'

  Após ser comparado ao ex-goleiro Bruno, Weverton afirma: 'Não posso aceitar' Arqueiro alviverde deixou clara a indignação por ser equiparado ao ex-jogador condenado por homicídioFlamengo demite Renato Gaúcho, PSG negocia renovação com Marquinhos, Abel Ferreira analisa futuro no Palmeiras… O Dia do Mercado!- O discurso do goleiro do Palmeiras depois do jogo, aquela falação sobre Deus quando devia estar comemorando, aquela cena dele rezando antes de começar o jogo, me faz lembrar do goleiro Bruno, que rezava antes do jogo e depois ia matar a moça e jogar pros cães. Explica muito o Brasil - disse Paulo no Twitter, apagando a postagem posteriormente.

Até agora, entre medidas práticas do encontro, o governo dos EUA anunciou um pacote de US$ 424 milhões para apoiar iniciativas em cinco áreas: apoiar a imprensa independente, combater a corrupção, reforçar reformas democráticas, adotar novas tecnologias e defender a realização de eleições. (Veja um resumo delas ao final do texto). No entanto, a destinação exata dessas verbas ainda será definida nos próximos meses.

Em relação à liberdade de imprensa, que Biden chamou de "pedra fundamental da democracia", serão fornecidos US$ 30 milhões para um fundo internacional, destinado a ajudar mídias independentes a se manterem, nos EUA e no exterior. E outro fundo, com investimento inicial de US$ 9 milhões, será destinado a proteger jornalistas alvo de ameaças ou processos por fazerem seu trabalho. A ideia é que outros países também coloquem dinheiro nas duas iniciativas.

Senadores dos EUA culpam Bolsonaro por desmatamento em nova carta a Biden

  Senadores dos EUA culpam Bolsonaro por desmatamento em nova carta a Biden WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Um grupo de oito senadores americanos enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na qual acusam o governo de Jair Bolsonaro (PL) de ser responsável pela destruição na Amazônia, com "uma epidemia de desmatamento e incêndios", e de colocar a democracia em risco. Os congressistas pedem que a oportunidade de indicar um novo embaixador americano para o Brasil seja usada para promover mudanças. "AOs congressistas pedem que a oportunidade de indicar um novo embaixador americano para o Brasil seja usada para promover mudanças. "A nomeação deveria refletir uma clara reconfiguração ["clear reset", no original] da relação entre os dois países", apontam os democratas.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou a criação de uma Coordenação Anticorrupção Global, para integrar e ampliar ações e colocar em prática estratégias para dificultar a circulação de dinheiro público roubado pelo mundo.

O governo americano anunciou também novas sanções contra autoridades estrangeiras acusadas de enriquecimento ilícito. A lista inclui Carlos Bermeo Casas, ex-procurador colombiano acusado de receber propina para ajudar narcotraficantes, Nestor Moncada Lau, conselheiro do regime de Daniel Ortega na Nicarágua, Martha Berthal, chefe de gabinete em El Salvador, e Isabel dos Santos, filha de um ex-presidente de Angola e acusada de desviar milhões.

O governo americano espera que outros países divulguem novos projetos e se juntem aos atuais. "Ainda estamos analisando o que foi dito ao longo do dia, mas já sabemos que outros governos estão atendendo ao nosso desafio em termos de apoio financeiro", disse um funcionário sênior da Casa Branca, em condição de anonimato, no fim da tarde.

Papa cita gregos antigos para lamentar ameaças atuais à democracia

  Papa cita gregos antigos para lamentar ameaças atuais à democracia Papa cita gregos antigos para lamentar ameaças atuais à democraciaATENAS (Reuters) - O Papa Francisco pediu neste sábado um retorno à "boa política", dizendo que a democracia se deteriorou perigosamente à medida que pessoas descontentes são atraídas pelos "cantos de sereia" dos políticos populistas que prometem soluções fáceis, mas irrealistas.

A ideia do encontro é que os governos apresentem compromissos voluntários, que serão cobrados depois. Como na Cúpula do Clima, realizada em abril, os países deverão fazer um monitoramento conjunto dos avanços uns dos outros, sem que esteja claro quais seriam as punições em caso de retrocessos, o que gera dificuldades para fiscalizar o andamento.

Há também questionamentos sobre como criar métricas que possam dar conta de aferir os avanços e retrocessos de cada país. "Uma métrica fácil seria se propor a ajudar, digamos, mil ativistas de direitos humanos sob ameaça. Mas como mensurar um avanço da cultura antidemocrática que atinge determinado país? Os participantes terão de pensar bastante sobre criar parâmetros que sejam aceitos por todos", comenta um representante da sociedade civil que ajuda na organização do evento.

A cúpula foi alvo de críticas, ainda, por convidar governantes acusados de agir diversas vezes de modo antidemocrático, como o premiê indiano, Narendra Modi, e os presidentes de Filipinas, Rodrigo Duterte, Polônia, Andrzej Duda, e Brasil, Jair Bolsonaro (PL).

Militares avançam com veículo contra manifestantes em Mianmar

  Militares avançam com veículo contra manifestantes em Mianmar Militares do Exército birmanês avançaram neste domingo (5) com um veículo contra manifestantes pró-democracia reunidos em Yangon, ferindo pelo menos três, segundo testemunhas presentes no local. De acordo com esta testemunha, os militares também espancaram três pessoas que estavam caídas no chão depois de terem sido atropeladas pelo veículo. "E então os soldados apontaram suas armas para nós e ordenaram que partíssemos", disse ele.Mianmar mergulhou numa profunda crise após o golpe de 1º de fevereiro que encerrou uma transição democrática de uma década. Em dez meses, mais de 1.

Nos últimos anos, eles protagonizaram ações para cercear opositores, enfraquecer o Judiciário, questionar sistemas eleitorais e atacar a imprensa. Por outro lado, o governo americano vetou a participação de governantes de países como Bolívia, China, Hungria e Rússia.

Em sua fala de abertura, Biden citou autocratas que tentam ampliar seu poder à força e apontou o aumento da polarização política, sem citar nomes. "Estamos muito preocupados com toda a crescente insatisfação das pessoas pelo mundo com governos democráticos. Elas sentem que [os líderes] estão falhando em atender suas necessidades. Na minha visão, este é o desafio definidor do nosso tempo", disse o democrata.

O líder americano estava em uma mesa, em frente a um telão que reunia, por meio de videochamadas, a 91 líderes estrangeiros. ​Bolsonaro era um dos espectadores. Nem todos os países convidados tiveram governantes participando dessa conversa.

"A democracia precisa de defensores. Quis organizar esta cúpula aqui nos EUA porque sabemos que renovar nossa democracia e fortalecer nossas instituições requer esforço constante. A democracia na América está em uma luta contínua para manter nossos ideais elevados e curar nossas divisões", disse Biden. "A democracia não acontece por acidente. Precisamos renová-la a cada geração. A Freedom House relata que 2020 foi o 15º ano em que houve recuo na liberdade global", disse Biden.

Bolsonaro deve citar Plano Anticorrupção na Cúpula pela Democracia

  Bolsonaro deve citar Plano Anticorrupção na Cúpula pela Democracia Vídeo será exibido nesta 6ª feira. evento convocado por Biden reúne líderes de 110 paísesSem especificar detalhes, o Itamaraty disse que o país apresentará “compromissos voluntários” para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos. Bolsonaro também deverá citar o Plano Anticorrupção do Governo Federal como “consolidação de uma administração pública transparente e responsável”. O MRE também não informou o tempo estimado de duração do vídeo.

Todo ano, a ONG Freedom House avalia a qualidade das democracias no mundo. Segundo a entidade, os EUA tiveram um declínio na liberdade entre 2010 e 2020, motivado por corrupção, conflitos de interesse e falta de transparência. O país saiu da nota 94 (de um máximo de 100) para 83. O Brasil é considerado um país livre, com nota 74.

Dois países barrados na cúpula, Bolívia e Hungria, tiveram nota mais alta (66 e 69, respectivamente) do que as Filipinas (56), que foi convidada. Já China (9) e Rússia (20) são consideradas países não livres pela entidade.

A China tem feito ataques ao evento: diz que os EUA o utilizam para impor seu poder sobre outros países e que não cabe aos americanos definir o que é ser democrático.

"O verdadeiro propósito da cúpula [para os EUA] é dividir o mundo em blocos sob o pretexto da democracia, a fim de cercear e explorar outros países e preservar sua hegemonia econômica, financeira, tecnológica e militar. Na sua essência, é um neocolonialismo disfarçado de democracia", criticou Yang Wanming, embaixador da China no Brasil, em entrevista à Folha.

Biden tem reconhecido que os Estados Unidos também enfrentam desafios com a democracia em seu território e dito que os americanos buscam criar um encontro de troca de experiências entre vários países, sem imposições. "Democracias não são todas iguais. Não concordamos em tudo nesta reunião hoje. Mas as escolhas que fizermos juntos vão definir o curso de nosso futuro compartilhado para as próximas gerações", afirmou o presidente americano.

Após a fala de abertura de Biden, houve uma reunião virtual de duas horas entre os líderes dos países, a portas fechadas. Depois, houve debates abertos ao público sobre como reforçar a democracia, recuperar instituições após a pandemia e combater a corrupção. As discussões têm participação de governantes, especialistas e representantes da sociedade.

EUA pedem que Brasil amplie inclusão de negros e indígenas

  EUA pedem que Brasil amplie inclusão de negros e indígenas WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Ao final da primeira edição da Cúpula da Democracia, os Estados Unidos pediram ao governo brasileiro que amplie a inclusão democrática de negros e indígenas e expanda a aplicação da lei. "Continuamos a encorajar o governo brasileiro a promover a inclusão social de toda a sua rica e diversa cultura, incluindo afrobrasileiros, povos indígenas e outros grupos por meio do desenvolvimento sustentável, proteção ambiental e expansão da aplicação da lei", disse Uzra Zeya, subsecretária de Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos do governo Joe Biden, pouco após o encerramento do evento.

Na sexta, as atividades começam às 8h, com discurso de António Guterres, secretário-geral da ONU. Em seguida, haverá discussões sobre proteção aos direitos humanos, combate ao autoritarismo e uso da tecnologia. Às 15h30, Biden fará a fala de encerramento da cúpula.

Apenas uma brasileira foi chamada para participar dos debates públicos oficiais do encontro. Na quarta (8), a ativista Patricia Zanella esteve em uma sessão sobre como ampliar a participação feminina na política.

Ao longo dos dois dias, são exibidos, via internet, vídeos gravados com discursos dos líderes mundiais, nos quais eles devem dizer seus compromissos para reforçar a democracia. O vídeo de Bolsonaro está previsto para ser exibido às 11h30 (13h30 em Brasília).

Em nota divulgada nesta quinta (9), o Itamaraty disse que, no vídeo, "Bolsonaro reitera o compromisso do Brasil com a proteção das liberdades fundamentais e a promoção de uma cultura de diálogo, liberdade e inclusão social, sem discriminação".

O ministério acrescenta que o presidente também mencionou o combate à corrupção, "inclusive por meio da aprovação do Plano Anticorrupção, com vistas à consolidação de uma administração pública transparente e responsável".

No documento que formalizou os compromissos do Brasil, enviado aos organizadores da cúpula antes do evento, o governo brasileiro acusa a mídia profissional de desinformação e pede liberdade de expressão para vozes de diferentes ideologias. Bolsonaro afirma frequentemente que vozes conservadoras têm sido perseguidas e censuradas por plataformas de internet e pelo Supremo Tribunal Federal.

As apresentações da cúpula podem ser vistas no site do evento, que oferece tradução em português.

RESUMO DAS MEDIDAS ANUNCIADAS PELO GOVERNO DOS EUA

1. Apoiar a imprensa independente

- Criação do Fundo Internacional para a Mídia de Interesse Público, voltado para ajudar meios de comunicação a se manterem. Aporte inicial será de US$ 30 milhões

China e Rússia reforçam cooperação em questões globais

  China e Rússia reforçam cooperação em questões globais Xi e Putin se reuniram virtualmente em resposta à cúpula dos EUA    O encontro, que durou cerca de uma hora e meia, ocorreu menos de uma semana depois do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ignorar os dois líderes em uma cúpula sobre a democracia com mais de 100 países.

- Criação do Fundo de Defesa contra a Difamação para Jornalistas, para ajudar profissionais a se defenderem de ataques físicos, virtuais e de ações na Justiça. Aporte inicial de US$ 9 milhões, e de mais US$ 3,5 milhões para criar uma Plataforma de Proteção ao Jornalismo.

2. Combater a corrupção

- Formação de um Consórcio Global Anti-Corrupção, com participação do Departamento de Estado e verba inicial de US$ 6 milhões, com objetivo de conectar e apoiar jornalistas e entidades civis que fiscalizam gastos públicos.

- US$ 5 milhões em um programa de proteção para delatores, ativistas, jornalistas e outros agentes anti-corrupção em risco.

- Mudanças para ampliar a transparência de negócios nos EUA, como a compra de imóveis em dinheiro vivo, de modo a dificultar lavagem de recursos.

- Criação de programas de parcerias com empresas e ONGs para criar novos mecanismos de fiscalização.

3. Ampliar participação democrática

- US$ 33,5 milhões em uma iniciativa para ampliar a presença de mulheres na política. Haverá também um fundo de US$ 5 milhões para a inclusão e empoderamento de pessoas LGBTQIA+.

- US$ 10 milhões para apoiar entidades civis e de direitos humanos em risco

- US$ 122 milhões para ajudar trabalhadores pelo mundo a reivindicarem seus direitos

4. Avançar em tecnologias

- Defender o modelo de internet aberta, segura e estável e expandir iniciativas digitais de promoção de valores democráticos.

- Medidas para impedir o uso da internet para desrespeitar direitos humanos. Haverá US$ 4 milhões para um fundo destinado ao combate da censura.

5. Defender eleições livres

- US$ 2,5 milhões para uma Coalizão para Assegurar Integridade Eleitoral, que unirá governos e ONGs.

- US$ 17,5 milhões para um Fundo de Defesa de Eleições Democráticas, para buscar soluções de combate à tentativas de desacreditar votações.

China e Rússia reforçam cooperação em questões globais .
Xi e Putin se reuniram virtualmente em resposta à cúpula dos EUA    O encontro, que durou cerca de uma hora e meia, ocorreu menos de uma semana depois do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ignorar os dois líderes em uma cúpula sobre a democracia com mais de 100 países.

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