Mundo Otan vê risco de conflito na Ucrânia após nova reunião fracassada com a Rússia

17:30  12 janeiro  2022
17:30  12 janeiro  2022 Fonte:   folha.uol.com.br

Potências nucleares se comprometem a evitar conflito atômico

  Potências nucleares se comprometem a evitar conflito atômico Em meio ao agravamento das tensões políticas e econômicas, declaração conjunta assinada por EUA, Rússia, China, Reino Unido e França traz mensagem pacífica e afirma que “não há vencedores em uma guerra nuclear”. © Loey Felipe/UN Photo/Xinhua/picture alliance Provided by Deutsche Welle As cinco maiores potências nucleares, em uma rara demonstração de unidade, se comprometeram nesta segunda-feira (03/22) a evitar a disseminação de armas atômicas e um possível conflito nuclear.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise de segurança na Europa ganhou mais tintas sombrias nesta quarta (12), após o fracasso nas conversas entre uma delegação russa e a Otan (aliança militar liderada pelos EUA).

Coube ao secretário-geral do clube, o norueguês Jens Stoltenberg, fazer o anúncio de resto previsível. "Há diferenças significativas entre a Otan e a Rússia, que não serão fáceis de acomodar. Mas é um sinal positivo que todos sentaram à mesas e conversaram sobre os tópicos.".

Por outro lado, disse a repórteres, "há um risco real de conflito armado na Europa". A negociadora americana, Wendy Sherman, afirmou que "se os russos deixaram a mesa de negociação, ficará claro que eles nunca foram sérios nas suas intenções".

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  Desmatamento da Amazônia cria nova ameaça ao Brasil EUA, França e Reino Unido tentam tratar mudanças climáticas no Conselho de Segurança da ONUQuer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

De fato, desde 2019 não havia um encontro do chamado Conselho Otan-Rússia, e ambos os lados romperarm relações diplomáticas no ano passado. Para o problema mais urgente, a crise na Ucrânia, ainda há mais névoa do que claridade.

A reunião ocorre depois de conversa no mesmo tom, mas com alguma abertura, ocorrida em Genebra entre russos e americanos na segunda (10). E antecede um encontro final, nesta quinta (13), no fórum da Organização de Segurança e Cooperação na Europa, em Viena --enfim com a presença dos ucranianos

O fato de o encontro em Bruxelas, que durou quatro horas enquanto a reunião de Genebra estendeu-se por sete, ter ocorrido com os russos fazendo exercícios militares com munição real na fronteira com a Ucrânia deu o tom geral.

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  Sérvios da Bósnia comemoram o dia nacional em meio a temores de novo conflito Na véspera do Dia Nacional dos Sérvios na Bósnia, Mira Vuletic não guarda o espírito festivo devido às crescentes especulações de uma secessão que instilam o medo do regresso dos anos sombrios de conflitos internos. O feriado de domingo marca a criação da República Srpska, a entidade sérvia da Bósnia declarada há três décadas, um evento considerado um preâmbulo da guerra de 1990 que matou 100.000 pessoas. “Estão semeando pânico e isso me assusta”, diz Vuletic, aposentada de 70 anos e uma das poucas pessoas que quis se identificar no leste de Sarajevo, área sob jurisdição da República Srpska (RS).

A atual crise remonta a 2014, quando o governo de Vladimir Putin interveio no vizinho após o governo pró-Moscou ser derrubado e a nova gestão prometer integração militar com o Ocidente --algo inaceitável ao Kremlin, que já viu a Otan ganhar 16 membros ex-comunistas desde o fim da Guerra Fria, aproximando-se de suas fronteiras.

O Ocidente acusa o risco de invasão por parte de Putin, que posicionou mais de 100 mil homens em áreas próximas da Ucrânia, onde o leste tem dois territórios dominados há quase oito anos por separatistas pró-Rússia. Em 2014, a Crimeia foi anexada integralmente pela Rússia, gerando sanções que duram até hoje.

O Kremlin nega a ideia de invadir, até porque o custo humano e econômico talvez seja impagável, mas a movimentação militar é sinal inequívoco de pressão --que já havia ocorrido da mesma forma em abril passado.

Stoltenberg reafirmou o caminho de negociação que a secretária-adjunta de Estado Sherman havia estabelecido na segunda: abrir canais diplomáticos e discutir o controle de armamentos, mísseis de alcance intermediário à frente, e mecanismos de escrutínio de exercícios militares.

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  Opinião: Putin satisfeito, Ocidente em polvorosa no Série de conferências sobre a segurança na Europa é palco perfeito para as fantasias de poder do líder russo. Enquanto isso, do ponto de vista estratégico, o Ocidente está basicamente imobilizado, opina Bernd Riegert. © Provided by Deutsche Welle Provided by Deutsche Welle O presidente Valdimir Putin deve estar satisfeito com o "Festival Rússia" que se anuncia: está programada uma densa sequência de conferências e reuniões em Genebra, Bruxelas, Viena e Brest, com a finalidade de mantê-lo de bom humor – e evitar o temido avanço de tropas regulares russas sobre a Ucrânia.

Os russos disseram que iriam estudar o caso. "A Otan está pronta", afirmou o secretário-geral. O chefe da delegação russa, o chanceler-adjunto Alexander Gruchko, ainda não se pronunciou.

No mais, russos colocaram novamente as linhas vermelhas estabelecidas por Putin em um ultimato: querem garantia para que a Ucrânia e outros países, como a Geórgia, nunca sejam admitidas na Otan, e a retirada de tropas dos membros ex-comunistas a seu redor.

Isso não vai acontecer. A Otan, assim como o próprio presidente americano Joe Biden disse anteriormente, foi peremptória em negar a hipótese --o que era previsível.

Agora é uma questão de saber se os russos se contentarão com a reabertura de negociações pontuais para cantar vitória ou se a deixa dada pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, de querer fazer uma cúpula com Putin e os líderes da França e da Alemanha para tentar resolver o assunto será acatada.

Zelenski, um presidente impopular, tem se reforçado com o discurso de defesa da pátria, mas a situação precária no Donbass (o leste ucraniano) e a flexão de musculatura militar russa o pressionam a talvez aceitar termos que eram inconcebíveis antes --como manter a autonomia das áreas rebeldes.

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Se esse for o destino, o Ocidente terá entregue uma vitória geopolítica a Putin, dado que países fraturados territorialmente não podem ser aceitos nos clubes a oeste --Otan e União Europeia, para começar.

Na prática, se isso ocorrer, a Ucrânia seguirá sendo um tampão estratégico contra o Ocidente. Putin já o tem na Belarus, onde apoiou decisivamente a a ditadura local contra protestos da oposição e firmou-se como líder político.

Não só lá. O apoio dado ao autocrata do Cazaquistão para derrotar a revolta contra si semana passada colocou a Rússia em outro patamar de influência na na Ásia Central. Isso, assim como na Ucrânia, com apoio explícito da China de Xi Jinping, interessada em enfraquecer o Ocidente.

Mesmo que isso ocorra, e não o cenário mais pavoroso de um conflito que possa escalar a um embate entre russos e a Otan, ainda há instrumentos ocidentais para pressionar Putin.

Já há um novo pacote de sanções sendo cozido no Congresso dos EUA contra a Rússia, e o status inconcluso do gasoduto Nord Stream 2 é uma dor de cabeça para o Kremlin.

O duto, que liga Rússia à Alemanha e tira fluxo de gás natural via Ucrânia, privando o país de bilhões de dólares em taxas, está pronto, mas enfrenta questionamentos burocráticos vistos como políticos.

O russo tem ainda outros ganhos no momento. Pouco se fala neste momento da repressão aumentada à oposição e a entidades de sociedade civil na Rússia, que ganhou uma escala inaudita em 2021.

Rússia diz que não espera avanço em conversa com EUA sobre crise na Ucrânia .
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse que não espera "avanços" com seu homólogo americano, Antony Blinken, no início de conversas em Genebra para tentar apaziguar a crise ucraniana. A declaração foi dada em um breve comentário do chanceler na manhã desta sexta (21), antes da reunião dele com Blinken. O comentário de Lavrov recebeu resposta do ministro dos Estados Unidos. "Você está certo.O comentário de Lavrov recebeu resposta do ministro dos Estados Unidos. "Você está certo. Nós não esperamos resolver nossas diferenças hoje. Mas eu espero que possamos testar se o caminho da diplomacia e do diálogo continua aberto.

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