Mundo Beija-flores brasileiros devem sofrer com mudanças climáticas

02:01  07 abril  2022
02:01  07 abril  2022 Fonte:   ecycle.com.br

Educação climática: o que é e qual a importância?

  Educação climática: o que é e qual a importância? A educação climática consiste em formar e conscientizar os cidadãos, especialmente as crianças, sobre as causas e as consequências das mudanças climáticas. Ela é importante para ajudar os alunos a compreender os impactos da crise climática, capacitando-os com habilidades, valores e atitudes necessárias para atuarem como agentes das mudanças climáticas. Segundo a Unesco, a educação climática é fundamental para ajudar a mitigar as mudanças climáticas. Além disso, a organização indica que “a educação climática encoraja a modificar atitudes e comportamentos e ajuda na adaptação às tendências vinculadas às mudanças climáticas".

Por Gilberto Stam em Revista Pesquisa Fapesp - Muitas espécies de beija-flores brasileiros polinizam uma diversidade de plantas. A relação traz benefícios para os dois lados, já que a ave bebe néctar nutritivo e as plantas são polinizadas e, com isso, produzem frutos e sementes. No futuro, no entanto, a dependência envolvida na interação pode se tornar uma desvantagem – quando as aves forem afetadas pelo clima mais quente. Uma única espécie-chave que desaparece pode prejudicar todas as espécies de plantas que ela poliniza, bem como outras espécies de beija-flores que se alimentam dessas plantas, iniciando um efeito cascata que tornaria algumas comunidades mais vulneráveis, de acordo com estudo que analisou 84 comunidades de beija-flor no continente americano, publicado esta semana (28/3) na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Enchentes na Bahia são claro alerta das mudanças climáticas no Brasil, diz cientista

  Enchentes na Bahia são claro alerta das mudanças climáticas no Brasil, diz cientista As fortes chuvas que se abateram sobre o sul da Bahia em dezembro – e que agora podem se dirigir para o sudeste do Brasil – representam um alerta do impacto que as mudanças climáticas poderão causar no país daqui para a frente. As enchentes já provocaram ao menos 21 mortes e deixaram milhares de desabrigados. Lúcia Müzell, da RFI Para o físico Alexandre Costa, doutor em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University e professor da Universidade Estadual do Ceará, a tragédia na Bahia é uma amostra do que pode estar por vir nos próximos anos, com o aumento da temperatura do planeta. “Hoje, todo evento extremo é influenciado pelo aquecimento global.

  Beija-flores brasileiros devem sofrer com mudanças climáticas © Fornecido por eCycle

“As comunidades de beija-flores estão organizadas de formas distintas em diferentes regiões da América”, explica o ecólogo dinamarquês Jesper Sonne, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, que realizou o estudo como parte de seu doutorado. No Brasil, o recrudescimento do aquecimento global – previsto por pesquisadores por meio de modelagens climáticas – deverá afetar espécies-chave conectadas com outras espécies, tornando todas elas mais vulneráveis do que em outras regiões. O beija-flor-rajado (Ramphodon naevius), por exemplo, um dos maiores do mundo, visita mais da metade das plantas polinizadas por beija-flores nas comunidades onde vive, do sul ao sudeste da Mata Atlântica. Isso significa que sua eventual extinção afetaria uma diversidade de espécies vegetais, assim como o desaparecimento de qualquer uma dessas flores representaria um empobrecimento em sua dieta.

Emergência climática e juventude: como educar as novas gerações para a ação?

  Emergência climática e juventude: como educar as novas gerações para a ação? Por Valentina Moreira em Jornal da USP - Quando o assunto é emergência climática, é possível encontrar várias produções acadêmicas e pesquisas que buscam responder como as ações humanas impactam o meio ambiente e como esses efeitos afetam a própria humanidade. Mas nem sempre essas produções se preocupam em comunicar de forma eficiente a população que mais irá sofrer com essas mudanças: os jovens. É isso que o livro Novos Temas em Emergência Climática, disponível gratuitamente no formato de e-book, busca mudar.

A maioria das comunidades estudadas está na região norte da cordilheira dos Andes, no Brasil (Mata Atlântica e Cerrado), em países da América Central e no México. O banco de dados compilado pelo estudo inclui as redes de interações entre aves e plantas e a frequência com que ocorrem, e foi usado para alimentar simulações que mostravam o risco de extinção das espécies e de acontecer em cadeia, também chamada de coextinção, além de prever o potencial de colonização de novas áreas pelas espécies existentes. “A colonização não compensou a extinção, especialmente nas comunidades brasileiras mais vulneráveis”, ressalta o ecólogo Pietro Maruyama, da Universidade Federal de Minas Gerais, coautor do estudo.

Na América do Norte, as aves mais afetadas pelas mudanças climáticas ocupam um lugar marginal nas redes de relações ecológicas – em alguns casos, se relacionam com uma única espécie. Se elas desaparecerem, prejudicarão poucos tipos de plantas, causando perdas pontuais na comunidade.

A Terra terá uma 'caixa preta' para responsabilizar os humanos pelas mudanças climáticas

  A Terra terá uma 'caixa preta' para responsabilizar os humanos pelas mudanças climáticas Cofre de aço do tamanho de um ônibus escolar será construída na Tasmânia, um estado insular na costa sul australiana . Funcionará como o gravador dos voos dos aviões, que registram os momentos finais da aeronave antes da queda. Mas os fabricantes desta nova caixa preta – entre eles artistas, arquitetos e pesquisadores de dados da Universidade da Tasmânia – dizem que esperam que ela não precise ser aberta. “Estou dentro do avião, não quero que ele sofra um desastre”, disse Jim Curtis, diretor de criação da agência de publicidade australiana onde o projeto foi concebido. “Realmente espero que não seja tarde demais”.

“A América do Norte passou por variações maiores de temperatura durante as glaciações ao longo dos últimos 2 milhões de anos, enquanto a temperatura na América do Sul foi mais estável”, lembra o ecólogo dinamarquês Bo Dalsgaard, da Universidade de Copenhague e coordenador do estudo. Para o pesquisador, isso talvez explique por que as comunidades do norte estão mais preparadas para o aquecimento global. No Brasil, as comunidades teriam evoluído juntas por mais tempo, permitindo que as espécies de plantas e de beija-flores se adaptassem para interagir mais umas com as outras. “Não havia como prever essa diferença entre as américas do Norte e do Sul antes das simulações”, surpreende-se o pesquisador.

Segundo o estudo, o local mais protegido do aquecimento global é a cordilheira dos Andes, que abriga a maior diversidade de beija-flores do continente. Conforme a temperatura aumenta, as aves poderão se proteger em regiões mais altas, onde o clima é mais ameno. Assim, diminui também o efeito de extinção em cadeia. “O modelo não permite prever a extinção de espécies, mas indica as aves e as comunidades que serão mais vulneráveis”, ressalta Dalsgaard.

Com soluções baseadas na natureza, povos tradicionais combatem mudanças climáticas, diz presidente da COP-26

  Com soluções baseadas na natureza, povos tradicionais combatem mudanças climáticas, diz presidente da COP-26 Por Douglas Santos, do WWF-Brasil - Comunidades do Cerrado têm desenvolvido soluções inovadoras e que ajudam a combater a crise climática por meio da produção sustentável, restauração de áreas degradadas e geração de empregos verdes. A ação de agricultores familiares tem sido tão bem-sucedida que chamou a atenção do presidente da COP-26, Alok Sharma, e da embaixadora interina do Reino Unido no Brasil, Melaine Hopkins, que foram conferir de perto o trabalho. Durante o encontro, em 30 de março, Sharma comentou que iniciativas assim são fundamentais para o enfrentamento das mudanças climáticas.

“As aves encontram uma variedade de ambientes nas encostas dos Andes. Já no Brasil, a mesma vegetação ocupa áreas extensas”, observa Maruyama. “Ou seja, aqui elas terão que migrar distâncias muito maiores para se manterem em condições climáticas favoráveis.” Ao mesmo tempo, os Andes abrigam um reservatório de espécies que poderão migrar e colonizar regiões mais aprazíveis. Com mais de 300 espécies exclusivas das américas, a maioria vivendo nos trópicos e na América do sul, os beija-flores são um dos grupos mais diversos de aves.

“O trabalho vai além de analisar as mudanças na distribuição das espécies, incluindo na previsão o efeito das interações entre os seres vivos”, acentua o ecólogo Leonardo Miranda, da Universidade Federal de Roraima, que não participou da pesquisa. Sem isso, a perda de espécies poderia ser subestimada. Ele ressalta a importância de ampliar a amostragem para cobrir áreas menos conhecidas, como a Amazônia.

Projeto

Ligando padrões macroecológicos em redes ecológicas a atributos funcionais das espécies: Redes de plantas e beija-flores nas Américas (nº 15/21457-4); Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisadora responsável Marlies Sazima (Unicamp); Beneficiário Pietro Kiyoshi Maruyama Mendonça; Investimento R$ 194.028,27.

Artigo científico

SONNE, J. et al. Extinction, coextinction and colonization dynamics in plant–hummingbird networks under climate change. Nature Ecology & Evolution. On-line. 28 mar. 2022.

Este texto foi originalmente publicado por Revista Pesquisa Fapesp de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original.

Perdas e danos causados pelas mudanças climáticas .
“Perdas e danos” é um termo utilizado nas negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) para fazer referência às consequências das mudanças climáticas inadaptáveis ou que exigem uma grande quantidade de recursos financeiros para mitigá-las. Em geral, elas afetam principalmente comunidades mais vulneráveis, fazendo desta uma questão de justiça climática. Perda ambiental é um conceito que faz referência aos recursos utilizados para cobrir acidentes ou questões imprevistas relacionadas ao meio ambiente, enquanto dano ambiental é qualquer alteração no meio ambiente que leva a consequências negativas, como o descarte inadequado de resíduos plásticos

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