Mundo Brasil lidera ritmo de alta de juros em 2021, com inflação entre as três maiores

09:06  07 abril  2022
09:06  07 abril  2022 Fonte:   folha.uol.com.br

Emprego fraco e dólar nas alturas: o que vem por aí na economia em 2022

  Emprego fraco e dólar nas alturas: o que vem por aí na economia em 2022 Inflação deve perder força, mas PIB tende a ficar estagnado, preveem economistas para o próximo ano.No entanto, para além dessa perda de ímpeto dos preços, o ano eleitoral tende a ser mais um período difícil para a economia brasileira.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de muitos economistas questionarem que o BCB (Banco Central do Brasil) demorou para ver o risco de inflação e dar início ao ciclo de alta dos juros, a instituição brasileira é destaque entre as que reagiram de maneira mais rápida diante do cenário de alta global dos preços.

Segundo dados coletados pelo BIS, o banco central dos bancos centrais, o BC brasileiro está entre as 14 autoridades, de um total de 32, que já começaram a elevar a taxa básica de juros para reverter parte do estímulo adotado durante a pandemia.

Números do BIS e de outros órgãos internacionais também mostram que o ritmo de alta dos juros brasileiros é o maior entre todos aqueles analisados e que o Brasil está entre as três economias com inflação mais elevada no acumulado em 12 meses (10,67%), atrás apenas de Argentina (52%) e Turquia (19,9%). O país também voltou a liderar o ranking de juros reais.

Dólar volta a cair e caminha para maior queda trimestral desde 2009

  Dólar volta a cair e caminha para maior queda trimestral desde 2009 SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A queda da taxa de câmbio voltava a refletir nesta quinta-feira (31) o apetite do mercado pelo Brasil. Às 11h20, o dólar caía 0,96%, a R$ 4,7390. Após fechar em alta na véspera, a moeda americana se aproximava da menor cotação desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, e caminhava para fechar o dia com a maior queda trimestral desde junho de 2009. Assim como ocorreu na véspera, o dólar perde valor nesta quinta contra quase todas as moedas de países emergentes.

O BC do Brasil deve ser um dos que colocarão a taxa em patamar mais elevado em 2022, diante da decisão do governo federal de abandonar o teto de gastos para aumentar despesas no ano eleitoral, o que gerou depreciação adicional do câmbio.

Na próxima quarta-feira (8), o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC deve elevar a taxa básica de juros dos atuais 7,75% para pelo menos 9,25%, No começo de 2021, ela estava em 2%. A projeção é que fique próxima de 12% no ano que vem.

As incertezas provocadas pela pandemia levaram economistas do setor privado e os bancos centrais a projetarem desempenho pior para a atividade e melhor para a inflação em 2020 e 2021, o que abriu espaço para um forte movimento mundial de corte de juros.

Com isso, praticaram uma política monetária mais estimulativa que o necessário, segundo o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista-chefe da Genial Investimentos. Ele ressalta que o BC brasileiro foi um dos primeiros a iniciar essa correção de rumo.

Curva de juros invertida esconde risco de inflação persistente

  Curva de juros invertida esconde risco de inflação persistente A queda acentuada dos juros futuros de longo prazo está camuflando uma preocupação persistente com a inflação brasileira. Most Read from BloombergStocks, Futures Sink on Manchin Shock, Virus: Markets WrapSouth Africa Hospitalization Rate Plunges in Omicron WaveBiden to Issue ‘Stark Warning’ on Vaccination Amid Covid SurgeModerna’s Third Dose Boosts Antibodies Against OmicronEurope Braces for More Covid Lockdowns as U.K.

José Júlio Senna, pesquisador associado do FGV Ibre, afirma não ver exagero na ação dos bancos centrais durante a pandemia. Diz que a inflação continua sendo sistematicamente subavaliada, inclusive pelo setor privado, que chegou a avalizar a possibilidade de que os juros caíssem ainda mais no Brasil.

Para ele, o BC brasileiro poderia ter sido mais prudente no corte de juros, mas isso não evitaria o problema da alta inflação vivida hoje no país.

A taxa básica de juros brasileira (Selic) começou a subir em março, naquele que já é o maior aperto monetário em 2021 no grupo de países avaliado. O segundo maior ocorreu na Rússia, onde os juros foram de 4,25% para 7,50% ao ano desde março.

Antes da decretação da pandemia, sete desses países possuíam juros mais altos que os do Brasil na época (4,5% ao ano). Atualmente, somente Argentina (38%) e Turquia (16%) têm taxas maiores.

Considerando o juro real, descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses, o Brasil voltou a ser o líder mundial entre as economias analisadas (5,96% ao ano), segundo levantamento das instituições MoneYou e Infinity Asset Management feito no final de outubro. Hoje, já supera 6% e pode chegar a cerca de 7% em 2022.

Fed antecipa fim de compras de ativos e prevê três aumentos dos juros em 2022

  Fed antecipa fim de compras de ativos e prevê três aumentos dos juros em 2022 O Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou nesta quarta-feira (15) que encerrará antes do previsto sua compra de ativos, abrindo, assim, a porta a três aumentos de sua taxa de juros de referência em 2022, de olho no combate à inflação. A inflação nos Estados Unidos ficará acima do previsto, em 5,3% em 2021 e 2,6% em 2022, informou o Fed ao final de sua última reunião de política monetária do ano. Assim, para contrabalançar aA inflação nos Estados Unidos ficará acima do previsto, em 5,3% em 2021 e 2,6% em 2022, informou o Fed ao final de sua última reunião de política monetária do ano.

José Márcio Camargo afirma que praticamente todos os países fizeram políticas monetárias e fiscais extremamente agressivas em 2020, e a demanda caiu menos do que o esperado. Isso gerou pressões inflacionárias que se somaram àquelas provocadas pela combinação de gargalos de oferta e choques de preços de commodities.

"Os economistas de modo geral e as autoridades monetárias do mundo todo erraram nas suas expectativas para inflação e crescimento em 2020 e 2021", afirma José Márcio Camargo. "Você acabou gerando uma inflação acima da meta praticamente no mundo inteiro, e os bancos centrais passaram a correr atrás."

José Júlio Senna afirma que a chamada "inflação da pandemia" é um fenômeno raro e difícil de ser previsto, o que explica os constantes erros de projeção, inclusive com os modelos do BC e de diversos outros analistas mostrando, no início do ano, que uma taxa menor de juros seria capaz de colocar a inflação na meta.

"O Banco Central errou? O mercado errou junto. Todo mundo errou. No mundo inteiro. Ninguém previu uma inflação desse jeito", afirma.

Inflação cede em novembro no Brasil, mas é a maior em 12 meses desde 2003

  Inflação cede em novembro no Brasil, mas é a maior em 12 meses desde 2003 A inflação brasileira alcançou 10,74% em 12 meses até novembro, o maior percentual desde novembro de 2003, apesar de o aumento mensal dos preços ter sido levemente inferior ao de outubro, segundo dados oficiais publicados nesta sexta-feira (10). - Rumo a uma nova alta dos juros - Diante do avanço incessante da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na quarta-feira a taxa básica de juros para 9,25%, com um aumento de 1,5 ponto percentual, assim como em outubro, em um esforço para conter os preços.O Copom destacou que "a alta dos preços foi acima do esperado".

"Seria melhor começar a normalização de um patamar de juros mais alto, de 2,5% ou 3%, mas definitivamente não é isso que está fazendo a diferença", diz o economista, que destaca a piora no risco fiscal que contribuiu para piorar as expectativas de inflação.

José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, diz que o BC brasileiro reconheceu mais rapidamente que havia reduzido os juros além de um patamar sustentável e começou a voltar com uma política monetária mais dura já em março deste ano. Naquele mesmo mês, Rússia e Turquia também reagiram, segundo os dados do BIS.

Ele afirma que a inflação atual não é apenas um choque de oferta. O aumento da demanda e a queda na oferta de bens geram pressões que devem ser revertidas, também, pela ação da política monetária. O tamanho do aperto necessário vai depender da capacidade de o governo federal recuperar a credibilidade abalada pela mudança no teto de gastos, o que ajudaria a reduzir a pressão gerada pelo câmbio.

Deixar de perseguir a meta de inflação de 3,5% em 2022 para evitar uma desaceleração maior da atividade, segundo José Márcio, levará o Brasil a repetir a experiência do final do governo Dilma Rousseff (2011-2016), quando o país entrou em uma das piores recessões da história.

"Validar uma aceleração inflacionária e uma política fiscal expansionista, em um momento como esse, é contratar uma recessão. O custo de uma política desse tipo é conhecido, é só olhar a história recente."

José Júlio Senna diz que o BC precisa controlar as expectativas, mas que um aperto exagerado terá um custo muito elevado para o crescimento e um ganho baixo em termos de inflação. Por exemplo, chegar aos mais de 13% ao ano projetados na curva de juros para 2022, acima da projeção de 11,5% na pesquisa Focus com o mercado, reduziria a inflação em cerca de 0,20 ponto percentual.

Ele lembra que a taxa real de juros já está elevada, em um mundo em que taxas negativas ainda são predominantes. Além disso, a economia já mostra sinais de estagnação e o Ibre prevê contração em 2022. "Forçar a mão no juro agora seria ganhar pouco na inflação e perder muito na atividade."

Apesar da expectativa de que o IPCA recue de aproximadamente 10% neste ano para cerca de 5% no próximo, o índice ainda ficará entre os três maiores globais, porém mais próximo de Índia e Rússia, segundo projeções coletadas pelo Banco Mundial.

O Banco Central dos EUA e Banco Central Europeu também já preparam a redução de estímulos, que nesses casos inclui a compra de ativos para injetar dinheiro na economia.

Bolsa recua em dia de disparada do petróleo e inflação nos EUA .
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira abandonou no meio da tarde desta terça-feira (12) a tendência de alta das primeiras horas para encerrar o dia em queda sob importante influência do mercado de ações americano. Investidores reagiram nesta sessão à divulgação de dados da inflação de março nos Estados Unidos, que avançou para uma taxa de 8,5% em 12 meses. É a maior alta anual de preços no país desde 1981. Vilão da inflação global, o preço do petróleo também voltou a disparar. O índice de referência da Bolsa, o Ibovespa, caiu 0,69%, a 116.146 pontos, fechando em baixa pelo terceiro pregão consecutivo. O dólar cedeu 0,34%, cotado a R$ 4,6750.

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