Mundo Facebook desmantela novas redes de desinformação política vinculadas à covid

09:06  07 abril  2022
09:06  07 abril  2022 Fonte:   afp.com

Eric Clapton, Letitia Wright e artistas antivacina causam atrasos e perdas na cultura

  Eric Clapton, Letitia Wright e artistas antivacina causam atrasos e perdas na cultura SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Lançado há poucos dias, o filme "Não Olhe para Cima" reuniu a nata de Hollywood para tirar sarro dos negacionistas e dos crentes em fake news que se proliferaram pelo mundo especialmente nos últimos dois anos, em que a Covid-19 gerou debates intermináveis em torno de vacinas, tratamentos e política. Com piadas absurdas e que passam longe da sutileza sendo recitadas por gente como Leonardo DiCaprio, Meryl Streep e Ariana Grande, o filme nos faz pensar que as estrelas do cinema, da TV e da música estão blindadas dessa nova moda de negação da ciência. O que, definitivamente, não é verdade.

Meta, a empresa matriz do Facebook, informou nesta quarta-feira (1º) que desmantelou redes maliciosas que utilizavam discussões sobre vacinas para assediar profissionais e semear divisões na sociedade, um sinal de que a desinformação relacionada com a pandemia continua circulando.

Imagem do ícone do Facebook em uma tela de celular © Kirill KUDRYAVTSEV Imagem do ícone do Facebook em uma tela de celular

"Insultaram médicos, jornalistas e legisladores, qualificando-os de partidários dos nazistas porque promoviam vacinas contra a covid e assegurando que a vacinação obrigatória levaria a uma ditadura sanitária", explicou em entrevista coletiva Mike Dvilyanski, diretor de investigações sobre ameaças emergentes do Facebook.

Facebook orquestrou campanha de difamação e mentiras contra o TikTok nos EUA

  Facebook orquestrou campanha de difamação e mentiras contra o TikTok nos EUA A empresa Targeted Victory pressionou agentes locais em todo o país a aumentar mensagens que chamavam o TikTok de ameaça às crianças americanasQuer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

Dvilyanski se referia a uma rede vinculada ao movimento antivacina denominada "V_V", à qual a companhia californiana acusa de realizar uma campanha de intimidação e assédio maciço contra figuras destacadas da saúde, dos meios de comunicação e políticos em Itália e França.

Em particular, os responsáveis por essa operação coordenavam suas ações através do aplicativo de mensagens Telegram, no qual os voluntários obtinham acesso a listas de pessoas que seriam alvos e a um "treinamento" para evitar a detecção automática por parte do Facebook.

Sus táticas incluíam deixar comentários nas mensagens das vítimas, ao invés de publicar conteúdo, e usar grafias ligeiramente modificadas, como "vaxcinati" ao invés de "vaccinati", que significa "pessoas vacinadas" em italiano.

Acordos do TSE com plataformas deixam brecha para desinformação

  Acordos do TSE com plataformas deixam brecha para desinformação Termos de memorandos firmados entre a Corte Eleitoral e rede sociais e aplicativos são considerados brandos na comparação com ações realizadas nos EUA, aponta estudo; questionado pelo Estadão, o TSE não se manifestouQuer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

A Meta reconheceu que é difícil avaliar o alcance e o impacto dessa campanha, que foi realizada em diferentes plataformas.

"Observamos o que parece ser um movimento populista tentacular que combina teorias conspiratórias existentes com narrativas antiautoritárias e uma torrente de desinformação sanitária", detalharam os especialistas da Graphika, uma empresa especializada em análise de redes sociais, em um relatório sobre a operação.

A gigante tecnológica também afirmou que desmantelou outra operação orquestrada a partir da China, que utilizava contas falsas para promover desinformação.

Os promotores dessa campanha amplificavam mensagens publicadas no perfil inventado de um biólogo suíço, que acusava os Estados Unidos de pressionar a Organização Mundial da Saúde (OMS) para culpar a China pelo coronavírus.

Além disso, alguns veículos de informação estatais chineses chegaram a citar esse falso biólogo.

"Era como uma galeria de espelhos, que refletiam sem cessar uma só personalidade falsa", descreveu a Meta em comunicado.

A empresa tecnológica encontrou vínculos entre essa operação e funcionários da empresa chinesa de cibersegurança Sichuan Silence Information Technology Co., assim como pessoas associadas com outras empresas chinesas especializadas em infraestrutura em todo o mundo.

juj/vmt/led/ag/dg/rpr/am

Como a guerra na Ucrânia abalou o Facebook e o Instagram .
A Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, tomou uma atitude inusitada no mês passado: suspendeu alguns dos controles de qualidade que garantem que as postagens de usuários na Rússia, na Ucrânia e em outros países do Leste Europeu atendam às suas regras. Com a mudança, a empresa deixou temporariamente de verificar se seus trabalhadores dessas áreas que monitoram postagens do Facebook e do Instagram estavam aplicando com precisão suas diretrizes de conteúdo, segundo seis pessoas com conhecimento da situação. Isso porque os trabalhadores não conseguiram acompanhar as mudanças das regras sobre que tipos de posts relativos à guerra na Ucrânia eram permitidos.

usr: 1
Isto é interessante!