Mundo Rodrigo Koxa critica a mídia e medições de possíveis recordes de onda surfada

22:26  07 abril  2022
22:26  07 abril  2022 Fonte:   hardcore.com.br

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Rodrigo Koxa é o recordista da maior onda surfada no mundo desde 2017. Com a bomba em Nazaré que contabilizou 24,38 metros, ele venceu o Big Wave Awards e registrou o feito no Guiness Book, livro de recordes. Desde então, a sua onda é a grande referência a ser batida e tem base científica para receber tal título. No entanto, o assunto acerca das medições de ondas é extremamente polêmico e recentemente tem entrado de novo na pauta do surf.

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Além da margem de erro, existem vários fatores que influenciam o resultado final do tamanho da onda. A qualidade do tamanho do pixel (o menor ponto que forma uma imagem digital), o ângulo de captação de imagem, o efeito da distorção das lentes e, principalmente, as diferentes medidas que definem o que é a crista e o que é a base da onda.

“Se a gente somar todos esses erros, isso te dará uma ordem de magnitude de variação entre 5 e 10 metros, dependendo de como a foto foi tirada. Se ela foi tirada num ângulo, pode ter um erro maior. Se foi tirada em outro ângulo, pode ter um erro menor”, esclarece Pedro Guimarães, professor da escola de engenharia da FURG (Universidade Federal do Rio Grande) e especialista no processamento de imagens em diversas áreas de aplicação da oceanografia ao jornal UOL Esportes. “Se você considerar a onda do Koxa, que foi de 24,38 metros, pode ser uma onda que, na verdade, teve 29 metros ou 19. Então, em geral, se assume que a onda teve 24 metros, mas não tem como afirmar com precisão que, na verdade, ela tem 24 metros, porque tem todos esses problemas”, diz.

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Lucas Chumbo, por exemplo, foi campeão do Gigantes de Nazaré com uma bomba surfada em 8 de janeiro deste ano estimada em 29,67 metros pelo sistema de medição estabelecido pelo programa da TV Globo. Pouco tempo depois, em 25 de fevereiro, segundo o mesmo sistema, o catarinense Vinicius dos Santos superou Chumbo em 1 centímetro em uma onda considerada 29,68 metros. A nível de informação, a mídia noticiou, mas sempre lembrando que não se tratava da medida do Big Wave Awards e, que portanto, não eram (e não são) oficiais.

Uma publicação compartilhada por Gigantes de Nazaré (@gigantesdenazare)

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Histórias como essas, de ondas supostamente maiores do que a de Rodrigo Koxa, já aconteceram outras vezes. Em outubro de 2020, o português Tony Laureano teve uma onda avaliada em 30,9 metros segundo a medição da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa (FMH). A notícia percorreu principalmente nos veículos portugueses. Naqueles tempos, Tony não venceu nem se quer a maior onda de tow-in do ano no Big Wave Awards.

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Critérios oficiais

A verdade é que não é nada simples quebrar o recorde de Rodrigo Koxa nos critérios oficiais, porque não basta só surfar a maior onda. Primeiramente, a onda deve atender alguns requisitos, como quebrar de maneira sólida. Depois, o surfista precisa acompanhar a energia da onda e ir até a base. Esses pontos são analisados pela WSL para, a partir daí, estar válida ou não para entrar na competição do Big Wave Awards. Para definir o vencedor, a medição oficial usa fotos em alta qualidade e conta com a revisão de surfistas renomados e uma equipe científica.

O oceonógrafo especialista em mecânica das onda, responsável por medir as ondas do programa Gigantes de Nazaré, Douglas Nemes, confirma uma margem mínima para as suas medições em Portugal e acredita que o recorde de Koxa não é quebrado por outros motivos. “Já medi várias ondas maiores que 24 metros”, afirma ele ao UOL Esportes. “Por que isso não é oficializado no Guinness? Na minha opinião, o processo para você fazer isso é longo. Não é só você surfar, apresentar o cálculo com especialistas e pronto. Por cima, tem que provar o evento meteorológico capaz de gerar essas ondas, posicionar esse ciclone, ter instrumentos na costa registrando a altura dessas ondas, provar que essas ondas chegaram, e, logicamente, provar que o surfista surfou a partir das fotos e dos cálculos. É um processo que envolve uma equipe, então, a meu ver, os atletas não têm essa assessoria”, opina.

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O oceanógrafo falou ao UOL Esportes sobre uma nova tecnologia para medir ondas. “A técnica que estou desenvolvendo está com uma acurácia, uma representação da altura da quebra de onda mais fidedigna com um desvio padrão, esse erro associado, muito baixo, muito bem controlado no cálculo. O pessoal da universidade da Califórnia, que é o que a WSL gosta, também tem uma técnica deles e, se eles utilizarem, também vão chegar a mais de 24 metros. Nós já comparamos nossos métodos, então não tem por que já não oficializarem isso”, diz.

A crítica de Rodrigo Koxa

O big rider de 43 anos, Rodrigo Koxa, conversou com o Uol Esportes e revelou sua indignação acerca da polêmica das medições superiores a 30 metros. “É sem critério, sem fundamento, sem credibilidade. Todo ano virou uma avalanche de matérias especulando as tais quebras de recorde. A vontade que eu tenho é falar ‘vocês estão tudo loucos’, ‘cadê o jornalismo?'”, disse ele ao jornal. “Não quero ser um atleta que fica parecendo que está gritando ‘a minha é maior’. Se o cara pegar a onda maior que a minha, eu vou repostar e escrever: agora a onda referência é essa”, acrescentou.

Koxa se revolta especialmente com as medições não oficiais e a abordagem na grande mídia. “Estamos vivendo um mundo de fake news. Alguém tem que parar e falar: ‘Peraí, quem mediu? Onde está a base da onda? As ondas estão sendo medidas por vídeo’? São medições de profissionais da área, mas é especulação, assim como a minha foi medida por 32, 38 metros…”, conta o big rider. Segundo ele, o grande problema é que as medições não oficiais estão sendo feitas em cima de vídeos, mas na verdade as medidas são feitas em fotos de alta qualidade.

Para Rodrigo Koxa, a disputa pelo novo recorde tem se tornado algo político e cheio de interesses, o que acaba deixando de lado a essência do esporte e do surfe.

Opiniões à parte, é fato que a WSL detém dos critérios oficiais e define quem bateu ou não bateu o recorde, mas aparentemente, a tecnologia ainda tem muito para evoluir até chegar a um método de medição eficaz e consensual.

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