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Mundo O que está por trás dos protestos no Chile?

20:30  21 outubro  2019
20:30  21 outubro  2019 Fonte:   dw.com

Metrô de Santiago abre parcialmente após três dias fechado

  Metrô de Santiago abre parcialmente após três dias fechado Metrô de Santiago abre parcialmente após três dias fechadoA estação La Moneda, a poucos metros da casa do governo - no centro de Santiago - abriu as portas depois das 7h00.

Santiago ( Chile ), 19 out (EFE).- O governo do Chile decretou o estado de emergência para controlar as áreas de Santiago que foram palcos de violentos protestos na A radicalização dos protestos devido ao aumento do preço da passagem de metrô em Santiago derivou na sexta-feira uma jornada

Presidente do Chile vai a pizzaria durante protestos e foto viraliza. Como alta em tarifa de metrô detonou maior onda de protestos em décadas no Os supermercados e shoppings anunciaram que permaneceriam fechados neste domingo para evitar saques. O metrô está paralisado e quase não

Protestos no Chile já deixaram 11 mortos, segundo anunciou o governo nesta segunda-feira (21/10)© Getty Images/AFP/C. Reyes Protestos no Chile já deixaram 11 mortos, segundo anunciou o governo nesta segunda-feira (21/10)

A pouco menos de um mês para o início da reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Santiago, na qual líderes como o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin já confirmaram presença, a situação política e social no Chile está longe de ser calma.

Desde as primeiras manifestações contra o aumento da passagem de metrô na capital, que começaram na segunda-feira (14/10), os eventos avançaram a uma velocidade vertiginosa. O bilhete aumentou de um valor equivalente a 1,12 dólar para 1,16 dólar, mas a medida não foi suficiente para arrefecer os protestos, que ganharam novas demandas.

Chile impõe novo toque de recolher; protestos continuam

  Chile impõe novo toque de recolher; protestos continuam Chile impõe novo toque de recolher; protestos continuam O governo do Chile decretou nesta segunda-feira (21) um novo toque de recolher em Santiago e em outras cidades do país em decorrência de mais um dia de protestos pelo aumento no preço das tarifas de metrô, apesar das autoridades locais terem cancelado a medida.Com a decisão, esta será a terceira noite consecutiva que o toque de recolher será válido. Além de Santiago, Valparaíso, Concepción, Antofagasta Rancagua também estão inclusas na lista.

O governo do Chile , ao mesmo tempo, mantém sua esperança nas Forças Armadas para restaurar a ordem. A militarização do país vem aumentando para tentar controlar a radicalização dos protestos contra o aumento do preço do metrô, apontado por observadores apenas como a ponta do iceberg do

Meteoro Por Trás da Cena. O presidente do Chile , Sebastián Piñera, é visto em uma pizzaria de um bairro nobre em Santiago em meio aos protestos na capital Imagem: Reprodução/Twitter. Em meio ao caos gerado pela onda de protestos no Chile , o presidente Sebástian Piñera foi flagrado em uma

O descontentamento se traduziu em panelaços, saques, destruição de estações de trens metropolitanos e queimas de ônibus, supermercados e outros edifícios na capital – ações que logo se espalharam para outras partes do país.

O governo chileno afirmou que "criminosos" são responsáveis pelos protestos violentos que já causaram 11 mortes. O presidente Sebastián Piñera decretou estado de emergência, que se transformou em um toque de recolher – medidas que não eram vistas desde o retorno à democracia, com o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990, salvo em casos de catástrofes naturais. E essas medidas apenas agravaram a situação.

Piñera afirmou na noite deste domingo (20/10) que o país está "em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita ninguém e está disposto a usar a violência e a deliquência sem limite algum".

Bolsonaro pede monitoramento para evitar protestos semelhantes aos do Chile

  Bolsonaro pede monitoramento para evitar protestos semelhantes aos do Chile Bolsonaro pede monitoramento para evitar protestos semelhantes aos do Chile"Nós nos preparamos. Conversei com o ministro de Defesa (Fernando Azevedo) sobre a possibilidade de ter movimentos como tivemos no passado, parecidos como o que está acontecendo no Chile", disse o presidente nesta quarta-feira, 23, em seu último dia de viagem a Tóquio – no dia seguinte, ele embarca para Pequim, na China.

Os protestos no Chile se iniciaram esta semana com reclamações sobre o aumento no preço das passagens de metrô em Santiago. As manifestações tomaram conta do resto do país e logo assumiram outras demandas, com muitas críticas ao governo de Sebastián Piñera. Hoje o Exército foi acionado

Meteoro Por Trás da Cena. UOL Reage. O metrô está paralisado e quase não circulam ônibus pela cidade. Os táxis e os carros que são chamados Protestos de tal magnitude eram inimagináveis há poucos dias, quando o próprio presidente afirmou que Chile era um "oásis" de tranquilidade na região.

O governo mantém em estado de emergência, totalmente ou parcialmente, dez das 16 regiões do país: a região metropolitana de Santiago, Antofagasta, Coquimbo, Valparaíso, Maule, Concepción, Bío Bío, O'Higgings, Magallanes e Los Ríos.

No fim de semana, estações de metrô foram fechadas em Santiago e Valparaíso, havia pouco transporte coletivo à disposição da população, supermercados não abriram, e em algumas áreas as aulas foram suspensas. Ao se procurar exemplos desse tipo de desordem, o caos vivido após o terremoto de 27 de fevereiro de 2010 é o único antecedente que pode ser encontrado nos últimos 25 anos.

"O governo, em vez de expressar empatia, baseia sua resposta em uma 'mão dura' que nega o sofrimento e as exigências justas da população", afirma o sociólogo Jorge Saavedra, da Universidade de Cambridge. Para ele, essa atitude se arrasta há muito tempo e tem sido, em parte, responsável pelo descontentamento dos cidadãos.

Chile convoca Forças Armadas para conter manifestações

  Chile convoca Forças Armadas para conter manifestações Chile convoca Forças Armadas para conter manifestaçõesO decreto foi divulgado pelo Twitter do deputado da oposição Miguel Crispi (Frente Amplio), que classificou o documento como “preocupante e delicado”. De acordo com ele, o país não está em guerra e o governo deve dar explicações sobre o acréscimo de militares nas ruas.

Manifestantes vão às ruas em mais um dia de protestos no Chile . Autoridades chilenas decretaram neste domingo (20) toque de recolher no Chile pelo segundo dia consecutivo. A medida passou a valer a partir das 19h e foi tomada por conta das violentas manifestações e saques que continuaram a

Protestos no Chile deixam 2 mortos e 700 presos; Exército patrulha ruas. Presidente do Chile vai a pizzaria durante Rotina afetada pelos protestos . A médica brasileira Fiorella Rehbein, 41 anos, mora na capital do Chile há O que está por trás do sucesso econômico da Bolívia de Evo Morales?

Saavedra critica ainda declarações de ministros "menosprezando as pessoas e seu sofrimento" – por exemplo, quando lhes dizem que esperar longas horas na fila da saúde pública é uma oportunidade de convivência social. "Essas declarações são sinal do desdém de um governo que não tem habilidade de comunicação para mostrar empatia por quem vive um momento ruim."

"Um povo maltratado que se cansou"

Mas como explicar essa explosão num país que mostra números macroeconômicos positivos e é frequentemente visto como um lugar tranquilo? Há uma semana, o próprio presidente Piñera afirmou que o Chile era um "oásis" na América Latina.

"Não é prudente cuspir em direção ao céu, especialmente quando há fraturas sociais escondidas que não foram processadas corretamente", afirma o analista político Cristóbal Bellolio, doutor em filosofia política pela University College London (UCL).

Essas fraturas têm a ver com uma qualidade de vida que geralmente está acima das possibilidades das pessoas. "Nós, chilenos, estamos pagando por serviços mais caros do que nossos bolsos nos permitem pagar", explica Bellolio.

Manifestantes tentam invadir Congresso do Chile

  Manifestantes tentam invadir Congresso do Chile Manifestantes tentam invadir Congresso do ChileHoje (25) é o oitavo dia de protestos no país. Já são 19 mortes registradas, com 2.840 pessoas detidas e 295 feridas por armas de fogo. Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atualmente alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, disse que enviará, na próxima segunda-feira (28), uma missão de verificação para acompanhar os conflitos no país e examinar denúncias de violações dos direitos humanos.

Diante de protestos violentos, a capital do Chile , Santiago, amanheceu patrulhada por militares, o que não acontecia desde o final da ditadura do general Augusto Desde sexta-feira (18), entretanto, os protestos se intensificaram e os chilenos expressam insatisfação com as políticas do governo Piñera

Meteoro Por Trás da Cena. SANTIAGO DO CHILE , 20 OUT (ANSA) - Pelo menos três pessoas morreram na madrugada deste domingo (20) durante os protestos violentos deflagrados nas ruas "Escutei com humildade a voz de meus compatriotas e não terei medo de seguir escutando esta voz.

"Quando o Chile tem sua imagem arranhada, fica em evidência uma enorme injustiça social, cultural, econômica e política. A boa imagem foi sustentada sobre pilares fracos que se apoiavam, em grande medida, na paciência de um povo maltratado que se cansou", completa Saavedra.

Forças de segurança detêm manifestante durante protesto em Santiago© picture-alliance/AP Photo/E. Felix Forças de segurança detêm manifestante durante protesto em Santiago

O aumento do preço da passagem de metrô foi apenas o estopim, em um país onde os serviços básicos estão sendo privatizados, a previdência social é precária e um amplo setor da população está descontente com os privilégios de alguns setores da sociedade.

"O que começou contra o aumento da passagem passou a ter uma maior articulação discursiva quando se apresentou como um repúdio generalizado ao aumento sistemático do custo de vida", afirma Bellolio.

Para o especialista, as demandas sociais poderão ser afetadas pela violência dos protestos. "Os movimentos sociais têm suas demandas tratadas pelas autoridades na medida em que gozam de simpatia pública. E se incendiarmos as estações de metrô e supermercados, que são a fonte de emprego daqueles que vivem ao nosso redor, as pessoas ficam cansadas dos protestos", diz.

As autoridades não sabem ao certo quem está por trás dos atos de destruição. Suspeita-se de grupos anarquistas ou setores marginalizados da sociedade, embora existam criminosos que tiram proveito dessas situações para cometer delitos, destruindo a infraestrutura essencial para o funcionamento normal da cidade.

Presidente do Chile pede que ministros coloquem cargos à disposição

  Presidente do Chile pede que ministros coloquem cargos à disposição Presidente do Chile pede que ministros coloquem cargos à disposição“Pedi a todos os ministros para colocar seus cargos à disposição para poder estruturar 1 novo gabinete para poder enfrentar essas novas demandas”, afirmou Piñera em pronunciamento no Palácio da Moeda, sede do Executivo chileno.

SANTIAGO (Reuters) - As violentas manifestações em várias cidades do Chile deixaram pelo menos três mortos ao amanhecer deste domingo, apesar do toque de recolher imposto pelos militares em Santiago e em dois outros polos urbanos para conter protestos contra o aumento da tarifa do

Chile decreta no sábado "Estado de Emergência" e Exército vai às ruas pela 1 ª vez desde a ditadura. Presidente chileno suspendeu o aumento na tarifa do metrô, mas os protestos seguiram. Metrô de Santiago está fechado e o aeroporto da capital chilena tem voos suspensos. Mais regiões do país

O metrô estima em 300 milhões de dólares os danos sofridos em quase 100 estações que foram incendiadas ou roubadas. A linha 4 ficará fora de operação por pelo menos quatro meses.

"Reação do governo tem sido incompetente"

Em programas políticos de televisão e análises da imprensa chilena, muitos se perguntam por que o governo demorou tanto tempo para reagir e por que o presidente Piñera tem estado tão ausente, com apenas uma brevíssima aparição pública neste fim de semana em meio à crise.

"Acredito que o governo entregou rapidamente o controle aos militares porque nunca teve o controle da situação. O que aconteceu não se via há mais de cinco décadas no Chile", afirma Saavedra, que enxerga um futuro muito difícil para um governo que está somente há 19 meses no poder.

Para o especialista, "é difícil pensar em como eles poderão retomar o controle ou como serão capazes de dar alguma direção para a demanda dos cidadãos".

Bellolio, por sua vez, afirma que o governo tem atuado de maneira muito desajeitada: limitou o problema a uma questão de ordem pública e perdeu uma oportunidade de ouro. "Quando Piñera anunciou o congelamento da tarifa do metrô no sábado, já era tarde demais."

O analista opina que a atuação do governo tem sido incompetente, negligente e ausente – e que a entrega do controle aos militares é um sinal disso. "Nessas circunstâncias, o Chile será capaz de organizar a reunião de cúpula da Apec?"

Bellolio duvida disso. "Não sabemos se essa violência é uma expressão catártica que morreu aqui ou se há células preparando mais protestos. Se o governo reagir agora, poderá ter a oportunidade de salvar a reunião de cúpula", completa.

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A 25 dias de Flamengo x River Plate na Libertadores, caos no Chile cancela 3ª rodada seguida, e calendário vira uma bagunçaO novo cancelamento acontece a apenas 25 dias da decisão do torneio continental entre Flamengo e River Plate. A final única está prevista para 23 de novembro em Santiago, capital do Chile.

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