Mundo Como Venezuela e Bolívia podem azedar a cúpula do Brics no Brasil

15:40  13 novembro  2019
15:40  13 novembro  2019 Fonte:   gazetadopovo.com.br

Exército isola Esplanada dos Ministério com cercas para cúpula do Brics

  Exército isola Esplanada dos Ministério com cercas para cúpula do Brics Exército isola Esplanada dos Ministério com cercas para cúpula do BricsO evento antecipou os trabalhos do Congresso para o início da semana e seguirá alterando a rotina da capital federal. A Esplanada dos Ministérios (vias S1 e N1) e as vias adjacentes (S2 e N2) foram fechadas por 48 horas, a contar a partir de 00h desta 4ª feira. Assim ficará até 24h de 5ª feira. As vias que dão acesso ao CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil) foram fechadas entre 00h e 20h.

Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, e Vladimir Putin, presidente da Rússia, em encontro no Kremlin. Crise na Venezuela deverá ser pauta da Cúpula do Brics, em Brasília.© Fotos Públicas Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, e Vladimir Putin, presidente da Rússia, em encontro no Kremlin. Crise na Venezuela deverá ser pauta da Cúpula do Brics, em Brasília.

Nesta quarta-feira (13), quando começa a Cúpula do Brics, em Brasília, o governo brasileiro precisará lidar com dois assuntos delicados para as relações com os países do grupo: a crise na Venezuela e a queda de Evo Morales, ex-presidente da Bolívia.

Sobre o caso venezuelano, há pela frente uma missão quase impossível para os encontros com autoridades de outros países do grupo, especialmente China e Rússia: tentar convencê-los a lançar ao menos algum sinal de reprovação contra o regime de Nicolás Maduro.

Representantes de Guaidó tomam controle de embaixada da Venezuela no Brasil

  Representantes de Guaidó tomam controle de embaixada da Venezuela no Brasil Nesta quarta-feira, um piloto de helicóptero que estava combatendo um incêndio florestal no estado australiano de Queensland sobreviveu a uma queda potencialmente fatal com apenas alguns ferimentos leves.

Em relação à Bolívia, a recente renúncia de Evo Morales, ex-presidente do país, foi recebida com indignação pela Rússia, que classificou o evento como um golpe de estado. Neste caso, a tendência é que o governo brasileiro evite polêmicas, ainda que as divergências sobre a interpretação dos acontecimentos seja óbvia.

Segundo a agência de notícias russa Sputnik, a situação na Bolívia deverá ser tema de conversa bilateral entre Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Jair Bolsonaro. Será a primeira reunião mais prolongada entre os dois. Na reunião do G20, em Osaka (Japão), eles se encontraram brevemente.

A programação oficial da Cúpula do Brics ocorre entre quarta-feira (13) no fim da tarde e quinta-feira (14) no início da tarde, mas encontros bilaterais com líderes e chanceleres estão programados para antes e depois do evento, e articuladores da chancelaria dos cinco países já têm se reunido desde segunda-feira (11).

A invasão da Embaixada da Venezuela em Brasília que ofusca início da cúpula do Brics

  A invasão da Embaixada da Venezuela em Brasília que ofusca início da cúpula do Brics Poucas horas antes do início da Cúpula do Brics em Brasília, em que o presidente Jair Bolsonaro recebe os líderes de China, Rússia, Índia e África do Sul, um grupo ligado ao autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, entrou na embaixada venezuelana na capital federal. A representação da Venezuela em Brasília, ao menos até essa madrugada, continuava sob comando de diplomatas ligados ao governo de Nicolás Maduro — que o Brasil não reconhece mais como mandatário do país, mas segue tendo apoio dos demais países do BRICS.O episódio tem potencial de elevar a tensão entre os membros do grupo durante a Cúpula.

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Grupo de Lima pressiona Itamaraty a falar da Venezuela com Brics

Durante a reunião do Grupo de Lima, na última sexta-feira (8), Julio Borges, comissionado para as relações exteriores do governo Juan Guaidó, defendeu uma política de aproximação com Rússia e China para solucionar o problema da Venezuela.

Em sua visão, os dois governos se tornaram financiadores do regime de Maduro, mas é possível convencê-los a abandonar ao menos parcialmente essa conduta. “Hoje, a engenharia financeira que mantém o regime no poder é eminentemente russa. Eles têm ali um papel medular, e nós podemos chegar a eles”, disse Borges a Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil, e outros chanceleres presentes.

“E os chineses, como os senhores sabem, creio que são pessoas que, em dado momento, estariam dispostos a apoiar uma solução ‘ganha-ganha’ [isto é, com vantagens para os dois lados] no caso venezuelano”, acrescentou.

Não entro em guerra comercial, Brasil faz negócios com todos, diz Bolsonaro

  Não entro em guerra comercial, Brasil faz negócios com todos, diz Bolsonaro Não entro em guerra comercial, Brasil faz negócios com todos, diz Bolsonaro"Não entro nessa guerra comercial, o Brasil faz comércio com o mundo todo", disse Bolsonaro, em breve entrevista no Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre críticas de China e Rússia ao que consideram protecionismo dos Estados Unidos.

O chanceler do Peru, Gustavo Meza-Cuadra, disse na mesma reunião que “é necessário trabalhar para que a pressão venha também dos países que apoiam o regime”, que devem ser levados “a compreender que a situação é insustentável e compromete seus próprios interesses na Venezuela e na região”.

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Diante dessas falas, Araújo foi questionado durante a coletiva de imprensa sobre como abordaria o tema Venezuela nas reuniões do Brics, mas respondeu de forma vaga. Afirmou que quer expor a percepção “de que nós somos, no Brics, o único país sul-americano, o único país vizinho da Venezuela” e que, por isso, o grupo deve tomar o Brasil “como referência para entender a realidade da Venezuela”.

“Continuamos tendo a esperança de que, ao perceber de maneira mais profunda a realidade do sofrimento do povo venezuelano, os demais países do Brics possam se dispor a ser uma parte da solução para esse problema”, disse o ministro.

A resposta foi acertada entre membros do Itamaraty. Dias antes, o secretário de Política Externa Comercial e Econômica do ministério das Relações Exteriores, Norberto Moretti, havia afirmado: “Nós somos vizinhos e enfrentamos as consequências muito práticas do que acontece hoje na Venezuela, muito especialmente sob a forma de influxos migratórios que ocorrem em Roraima. Sem nenhuma arrogância, acreditamos que a avaliação que o Brasil faz da situação da Venezuela deve ser ouvida com grande atenção pelos membros do Brics.”

Brics reafirma compromisso com multilateralismo e necessidade de reforma da ONU

  Brics reafirma compromisso com multilateralismo e necessidade de reforma da ONU Brics reafirma compromisso com multilateralismo e necessidade de reforma da ONU"Continuamos comprometidos com o multilateralismo, cooperação de Estados soberanos para manter a paz e a segurança, promover o desenvolvimento sustentável e garantir a promoção e a proteção dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos", afirmam os países do grupo na Declaração de Brasília, divulgada ao final da cúpula realizada na capital federal.

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Por que é tão delicado falar sobre a Venezuela com Rússia e China

Fortes interesses comerciais e geopolíticos tornam quase inútil o esforço de dissuadir chineses e russos de apoiar Nicolás Maduro.

Segundo Pedro Feliú Ribeiro, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), China e Rússia são contrárias a qualquer tipo de sanção contra Maduro porque têm altos investimentos no país sul-americano e, além disso, não querem dar sinais de que abandonaram o princípio de não-intervenção.

Do ponto de vista comercial, os russos não querem perder um dos maiores compradores de seus produtos bélicos. “A Rússia virou o principal fornecedor de material bélico para a Venezuela, que passou a ser um dos grandes compradores do mundo. Com a alta do preço do petróleo nos anos 2000 e uma política nacionalista do chavismo muito vinculada às forças armadas, a Venezuela teve um grande fortalecimento bélico. A Rússia virou o grande fornecedor da Venezuela”, diz Ribeiro.

Segundo o professor, a crise econômica venezuelana não desmantelou essa relação comercial. “Mesmo em crise, mesmo com uma moeda pulverizada, a Venezuela ainda utiliza o petróleo como forma de garantia. Ela recebe o financiamento, compra o equipamento militar e dá o petróleo como garantia para a Rússia”, explica.

Bolsonaro defende Brasil em primeiro lugar na cúpula do Brics

  Bolsonaro defende Brasil em primeiro lugar na cúpula do Brics Presidente afirma que política externa de seu governo tem olhos no mundo, mas prioriza o Brasil, apesar de defender a cooperação entre países do bloco. Declaração final menciona conflitos, ignorando Bolívia e Venezuela. © Reuters/P. Golovkin Líderes do Brics se reuniram em Brasília Durante a cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14/11) que a política externa de seu governo prioriza o Brasil e busca "estar em sintonia" com as necessidades dos brasileiros.

No caso da China, o comércio é mais diversificado, e a crise não afetou de forma substancial a parceria com os venezuelanos. “Mesmo no auge da crise venezuelana, a China continua investindo na Venezuela. Em 2015 e 2016, por exemplo, houve um volume de investimento significativo”, afirma Ribeiro.

Além do comércio, outro aspecto que desincentiva chineses e russos a tomar partido contra Maduro é o princípio de não-intervenção internacional adotado pelos dois países.

Ribeiro recorda que mesmo durante a intervenção russa na situação política da Ucrânia em 2014, Putin e a chancelaria da Rússia se esforçaram para sugerir que a revolta emanava da população da Crimeia.

Segundo o professor, as diversas tensões separatistas existentes tanto na China como na Rússia, países de dimensões continentais, fazem com que ambos os governos sejam cautelosos com a ideia de intervir em outras nações. Não querem, com uma atitude do tipo, abrir precedente para que haja intervenção internacional em seus próprios territórios.

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Tese de golpe na Bolívia é motivo de discordância do Itamaraty com russos

Em duas notas oficiais publicadas em dias seguidos, os ministérios das Relações Exteriores doe Brasil e da Rússia mostraram sua discordância em relação à situação da Bolívia, onde o ex-presidente Evo Morales renunciou depois de denúncias de fraude no processo eleitoral do país.

Na segunda-feira (11), a chancelaria russa sugeriu que houve um golpe de estado na Bolívia. Em nota, afirmou que que os eventos que levaram à renúncia de Morales da presidência da Bolívia seguiram “as diretrizes de um golpe de estado orquestrado”.

Na terça-feira (12), o Itamaraty publicou uma nota em que “rejeita inteiramente a tese de que estaria havendo um ‘golpe’ na Bolívia”. Afirmou que Morales perdeu sua legitimidade como presidente “após a tentativa de estelionato eleitoral”, e que sua renúncia “abriu caminho para a preservação da ordem democrática”.

Ernesto Araújo e o presidente Bolsonaro já se pronunciaram sobre o assunto, criticando aqueles que classificaram como golpe de estado os acontecimentos na Bolívia.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, auxiliares da presidência sugeriram que o tema da Bolívia seja evitado pelo governo brasileiro durante a Cúpula do Brics. No entanto, é pouco provável que o tema deixe de ser abordado. Segundo a agência russa de notícias Sputnik, a chancelaria russa afirmou que o assunto deve ser uma pauta das reuniões que acontecem em Brasília.

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Embaixada russa 'esquece' de Bolsonaro em foto do Brics .
Imagem postada no Twitter é de cúpula com Michel TemerNa mensagem, a representação diplomática cita uma declaração do mandatário Vladimir Putin sobre energia nuclear e diz que Moscou está pronta para expandir a cooperação no setor com Brasil, Índia, China e África do Sul.

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