Mundo Incêndio em campus universitário impede avanço da Polícia em Hong Kong

03:57  18 novembro  2019
03:57  18 novembro  2019 Fonte:   msn.com

Morte de estudante durante protesto aumenta tensão em Hong Kong

  Morte de estudante durante protesto aumenta tensão em Hong Kong A morte de um estudante em Hong Kong, que sofreu uma queda no fim de semana passado durante confrontos com a polícia, mobilizou os manifestantes pró-democracia a intensificarem os protestos nesta sexta-feira (8). O falecimento do jovem – o primeiro desde o início do movimento, há cinco meses – pode aumentar ainda mais a tensão na ex-colônia britânica, agitada por uma revolta contra a interferência de Pequim e para exigir reformas democráticas. Alex Chow tinha 22 anos e estudava ciências da computação na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, onde nesta sexta-feira acontecia uma cerimônia de formatura.

Manifestantes usam catapulta para atirar tijolos em direção a policiais de dentro da Universidade Politécnica de Hong Kong© Anthony WALLACE Manifestantes usam catapulta para atirar tijolos em direção a policiais de dentro da Universidade Politécnica de Hong Kong

Um incêndio de grandes proporções continha a aparente investida da Polícia em um campus universitário em Hong Kong, onde centenas de manifestantes pró-democracia permaneciam entrincheirados nesta segunda-feira (noite de domingo no Brasil), horas depois de os policiais alertarem que poderão usar "munição letal" se confrontados com armas mortais em uma perigosa escalada da crise que sacode a ex-colônia britânica há seis meses.

Um policial foi ferido na perna por uma flecha em Hong Kong© STRINGER Um policial foi ferido na perna por uma flecha em Hong Kong

Desde junho os manifestantes protestam no centro financeiro e ex-colônia britânica, onde muitos de seus 7,5 milhões de habitantes reagiram com fúria à perda de liberdades após a devolução à China.

Hong Kong confirma mais uma morte durante protestos

  Hong Kong confirma mais uma morte durante protestos Em meio à escalada da violência, homem de 70 anos morre após ser atingido na cabeça durante confronto. É a segunda morte ligada às manifestações que afetam a região há mais de cinco meses. Governo prevê recessão. © Reuters/T. Peter Barricada de manifestantes diante de universidade em Hong Kong Um homem de 70 anos morreu após ser atingido durante um confronto envolvendo manifestantes antigoverno em Hong Kong, informaram as autoridades locais na noite desta quinta-feira (14/11).

Pequim tem alertado reiteradamente que não tolerará o dissenso, gerando preocupação com um eventual envio de tropas da China continental para pôr fim à espiral de protestos.

Várias explosões foram ouvidas ao amanhecer desta segunda, antes de uma parede de fogo subir na entrada da Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU), reportaram jornalistas da AFP, no que parecia ser uma reação à tentativa da polícia de entrar no campus, repelida por manifestantes, determinados a proteger seu território.

A polícia tentou retomar uma passarela sobre um túnel em Hong Kong, mas se deparou com uma barreira de bombas incendiárias, que causaram um incêndio de grandes proporções© Philip FONG A polícia tentou retomar uma passarela sobre um túnel em Hong Kong, mas se deparou com uma barreira de bombas incendiárias, que causaram um incêndio de grandes proporções

A Polícia informou ter feito três disparos com munição letal nas primeiras horas da manhã em um local de manifestação perto da universidade, mas que ninguém parecia ter sido atingido.

Arco e flecha, tijolos e tacos de baseball – as armas usadas pelos manifestantes nos protestos em Hong Kong

  Arco e flecha, tijolos e tacos de baseball – as armas usadas pelos manifestantes nos protestos em Hong Kong Polícia ameaçou usar armas de fogo contra os manifestantes, que dizem estar respondendo ao uso excessivo da força pelos policiais.Até agora a polícia tem usado canhões de água e gás lacrimogênio contra os manifestantes no local, mas os policiais dizem que vão partir para armas de fogo se os manifestantes não pararem de usar "armas letais".

Confrontos intensos foram reportados durante todo o domingo, com um policial ferido na perna por uma flecha. Manifestantes respondiam com bombas incendiárias às de gás lacrimogênio lançadas por policiais ao longo do distrito de Kowloon, enquanto um chamado foi feito para defender o campus sitiado.

Os diferentes tipos de armas utilizadas nas manifestações em Hong Kong.© John SAEKI Os diferentes tipos de armas utilizadas nas manifestações em Hong Kong.

Ali, os manifestantes abaixavam os guarda-chuvas para se proteger dos ocasionais jatos d'água disparados por policiais, e atiraram de volta coquetéis molotov em um veículo blindado, deixando-o em chamas em um viaduto perto do campus.

A polícia declarou o campus cenário de "rebelião" - e levantes são passíveis de punição com penas de até dez anos de prisão - e bloquearam as saídas, enquanto o porta-voz, Louis Lau, fazia um duro alerta em uma transmissão ao vivo no Facebook.

"Por meio deste, alerto os agitadores a não usarem bombas incendiárias, flechas, carros ou quaisquer outras armas mortais para atacar os policiais", declarou.

Hong Kong: manifestantes escapam de cerco à Universidade Politécnica em fuga cinematográfica

  Hong Kong: manifestantes escapam de cerco à Universidade Politécnica em fuga cinematográfica Dezenas de manifestantes de Hong Kong escaparam de um cerco policial de dois dias em um campus universitário nesta segunda-feira (18), descendo uma ponte pendurados numa corda para serem resgatados por motos que os aguardavam na estrada, em uma fuga dramática e perigosa que se seguiu a um aviso renovado por Pequim de uma possível intervenção para acabar com a crise que envolve a cidade. Confrontos ressoaram ao longo do dia entre manifestantes e policiais que ameaçaram usar força mortal para desalojar ativistas escondidos na Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU).

"Se continuarem com estes atos perigosos, não teremos outra opção que usar a mínima força necessária, incluindo munição letal", acrescentou.

Três manifestantes foram baleados pela Polícia em meses de protestos sem trégua, mas todos em lutas em meio a conflitos de rua caóticos - e sem um alerta abrangente feito por uma força que depende esmagadoramente de gás lacrimogênio, jatos d'água e balas de borracha para reagir.

O medo tomou conta dos manifestantes ainda presos dentro do campus - cuja ocupação é uma guinada nas táticas adotadas por um movimento sem comando, até o momento definido por sua natureza fluida e imprevisível.

"Estou assustado. Não tem saída. Tudo o que posso fazer é lutar até o fim", disse um manifestante que se unia à barricada em frente ao prédio da universidade na manhã desta segunda-feira.

- 'Impotentes' -

Owen Li, membro do conselho e aluno da PolyU, disse que o pânico tomou conta das poucas centenas de manifestantes que acredita que estejam escondidos ali.

"Muitos amigos se sentem impotentes... Apelamos a toda a sociedade a vir aqui e nos ajudar", acrescentou.

Líder de Hong Kong faz apelo por fim de impasse entre estudantes e polícia em universidade

  Líder de Hong Kong faz apelo por fim de impasse entre estudantes e polícia em universidade Líder de Hong Kong faz apelo por fim de impasse entre estudantes e polícia em universidadeHONG KONG (Reuters) - A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse nesta terça-feira que espera que um impasse entre a polícia e um grupo de manifestantes antigoverno entrincheirado em uma universidade possa ser resolvido logo, e instruiu a polícia a tratá-los com dignidade.

Durante todo o domingo, os ativistas repeliram as tentativas da polícia de invadir o campus, atirando pedras de uma catapulta improvisada no telhado da universidade, enquanto um jornalista da AFP viu um grupo de arqueiros encapuzados - alguns carregando flechas esportivas - patrulhando o local.

A violência piorou nos últimos dias, com a morte de dois homens em incidentes separados vinculados aos protestos este mês.

O presidente chinês, Xi Jinping, fez esta semana os comentários mais contundentes sobre a crise, afirmando que esta ameaçava o modelo "um país, dois sistemas", sob o qual Hong Kong tem sido regido desde que foi devolvida pela Grã-Bretanha, em 1997.

Na semana passada, os manifestantes lançaram a campanha "Blossom Everywhere" (Desabrochar por toda parte), com bloqueios e atos de vandalismo, que forçaram a Polícia a convocar agentes prisionais como reforço, suspender grandes trechos da rede de transporte público de Hong Kong e fechar escolas e shopping centers.

Os manifestantes protestam contra um agora engavetado projeto de lei que prevê a extradição para a China, mas suas demandas agora incluem questões mais amplas, como a violência policial e pedidos por eleições totalmente livres na ex-colônia britânica.

O centro financeiro foi empurrado para uma recessão pela agitação sem trégua.

Um cartaz que circulou nas redes sociais pedia a continuidade dos atos nesta segunda-feira.

"Espremer a economia para aumentar a pressão", dizia.

Vitória esmagadora dos candidatos pró-democracia em Hong Kong .
Vitória esmagadora dos candidatos pró-democracia em Hong KongA extensão do revés sofrido pelos candidatos pró-Pequim surpreendeu e soa como um desprezo para as autoridades chinesas que, no entanto, garantiram que continuam a apoiar a chefe do Executivo, apesar da derrota eleitoral.

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