Mundo Presidente do Chile condena abusos policiais em protestos

14:01  18 novembro  2019
14:01  18 novembro  2019 Fonte:   dw.com

Chile encerra terceira semana refém de ira social incontrolável

  Chile encerra terceira semana refém de ira social incontrolável Chile encerra terceira semana refém de ira social incontrolávelEm mais um capitulo de uma revolta social sem precedentes, a enorme passeata - a princípio pacífica - degenerou em violência e a sede da Universidade Pedro de Valdivia foi incendiada.

Piñera reconhece pela primeira vez excessos cometidos pela polícia em atos contra o governo: "Não haverá impunidade", afirma. Mandatário defende ainda nova Constituição e adianta que outras reformas são necessárias.

Presidente chileno, Sebastián Piñera, condenou pela primeira vez os abusos cometidos pela polícia contra os manifestantes© Getty Images/AFP/C. Reyes Presidente chileno, Sebastián Piñera, condenou pela primeira vez os abusos cometidos pela polícia contra os manifestantes

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, condenou pela primeira vez neste domingo (17/11) os abusos cometidos pela polícia contra manifestantes durante os protestos que sacudiram o país nas últimas semanas. Ele também expressou otimismo em relação ao acordo político alcançado para a elaboração de uma nova Constituição, uma das reivindicações das manifestações.

Presidente Morales denuncia golpe de Estado na Bolívia

  Presidente Morales denuncia golpe de Estado na Bolívia Líder boliviano condena motins de unidades policiais em confraternização com manifestantes como ataque a Estado de direito. Tribunal eleitoral nega fraude no pleito presidencial de 20/10, contra declarações de auditores. © Reuters/D. Balderrama Policiais protestam em Cochabamba O presidente boliviano, Evo Morales, denunciou nesta sexta-feira (08/11) um suposto golpe em andamento no país, após os motins da polícia em pelo menos quatro regiões. "Irmãs e irmãos, a nossa democracia está em perigo pelo golpe de Estado que grupos violentos lançaram contra a ordem constitucional.

"Lamentavelmente, e apesar do firme compromisso e de todas as precauções que tomamos para proteger os direitos de todos, em alguns casos os protocolos não foram respeitados, houve uso excessivo da força, foram cometidos abusos ou crimes e não foram respeitados os direitos de todos", reconheceu o presidente em entrevista coletiva.

Piñera garantiu que os casos estão sendo investigados por processos administrativos das Forças Armadas ou pelo Ministério Público. "Que sigam sendo investigados, para que, diante do peso do assunto, possam ser conhecidos e julgados por nossos tribunais de Justiça", completou.

O presidente prometeu que "não haverá impunidade com os que cometeram atos de violência nem com os que cometeram atrocidades e abusos. Faremos o máximo para ajudar as vítimas", assegurou.

Governo do Chile anuncia processo para nova Constituição

  Governo do Chile anuncia processo para nova Constituição Medida inclui formação de Constituinte "com ampla participação cidadã" e plebiscito. Carta Magna atual é herança da ditadura militar de Pinochet, e sua reforma estava entre as principais demandas dos protestos no país. © picture-alliance/Zuma/A. Manzo Iniciados em outubro, protestos violentos no Chile já fizeram pelo menos 20 mortos O governo do Chile anunciou na noite de domingo (10/11) o início do processo para uma nova Constituição, através da formação de uma Constituinte com ampla participação dos cidadãos e um plebiscito para ratificá-la.

As manifestações já registraram mais de 20 mortes e milhares de feridos. Mais de 200 pessoas sofreram lesões oculares graves, perdendo a visão parcial ou completamente devido a disparos de espingardas de pressão utilizadas pelos policiais.

Entre as vítimas fatais, cinco morreram em razão da ação de agentes do Estado, e os demais em incêndios, saques ou em meio aos tumultos nas manifestações.

Na sexta-feira, em uma concentração na Praça Itália em Santiago, um manifestante sofreu um ataque cardíaco. Os organizadores dos protestos dizem que os policiais dispararam bombas de gás e balas de borracha contra a equipe médica no local, impedindo o atendimento adequado ao jovem, que mais tarde morreu no hospital.

Manifestantes entram em confronto com a polícia em protesto nas ruas de Valparaiso, no Chile© Reuters/R. Garrido Manifestantes entram em confronto com a polícia em protesto nas ruas de Valparaiso, no Chile

Nova Constituição

Neste domingo, o presidente também saudou o acordo alcançado no Congresso entre parlamentares do governo e da oposição para a elaboração de uma nova Constituição, atendendo a uma das reivindicações dos manifestantes. A Carta Magna em vigor atualmente é de 1980, da época da ditadura de Augusto Pinochet.

Insatisfeitos com medidas do governo, manifestantes bloqueiam ruas em dia de greve no Chile

  Insatisfeitos com medidas do governo, manifestantes bloqueiam ruas em dia de greve no Chile Insatisfeitos com medidas do governo, manifestantes bloqueiam ruas em dia de greve no ChileSANTIAGO (Reuters) - Manifestantes bloquearam vias e marcharam pelas ruas de Santiago e outras cidades do Chile em uma nova rodada de protestos que se somou a uma paralisação de funcionários públicos, estudantes e outras organizações, exigindo mudanças profundas no modelo econômico e político do país.

"Se a população assim decidir, avançaremos para uma nova Constituição, a primeira elaborada em plena democracia e aceita e respeitada por todos", afirmou Piñera.

A elaboração da nova Constituição será decidida através de um plebiscito a ser realizado em abril de 2020, no qual serão apresentadas diferentes formas de elaborar o texto final.

O processo poderá ser realizado por uma Assembleia Mista Constitucional, integrada em 50% por membros eleitos para esse fim e em 50% pelos parlamentares em exercício; ou por uma Assembleia Constituinte, que deve ter todos os seus membros escolhidos especificamente para a ocasião.

A eleição para escolher os representantes para a elaboração da nova Constituição, independentemente da escolha feita pela população para o formato da assembleia, deverá acontecer em outubro de 2020, junto com as eleições regionais e municipais no país. Uma vez redigido, o novo texto será submetido a um novo plebiscito.

"O Chile mudou"

"Nas últimas quatro semanas, o Chile mudou, os chilenos mudaram, o governo mudou, todos nós mudamos. O pacto social sob o qual vivíamos se despedaçou", acrescentou Piñera. Ele disse, porém, que "o desenlace dessas quatro semanas ainda não está escrito", ressaltando que ainda faltam vários acordos sociais, como a reforma do sistema previdenciário.

Outra reivindicação popular é a reforma de outro sistema que ainda é herança dos tempos da ditadura militar, que estabelece a capitalização individual dos trabalhadores e distribui aposentadorias extremamente baixas ou ainda menores do que o salário mínimo à maioria dos aposentados.

Um levantamento realizado pelo instituto Cadem divulgado neste domingo revelou que a popularidade de Piñera chegou a 17%, após ter caído para 13% no auge da crise. Segundo o estudo, 67% da população é favorável à elaboração de uma nova Constituição.

RC/afp/rtr/efe

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Forças de segurança do Chile atacaram manifestantes para "puni-los", diz Anistia InternacionalSANTIAGO (Reuters) - Com aval de seus comandantes, policiais e soldados chilenos realizaram ataques "generalizados" contra pessoas que protestavam contra a desigualdade com a intenção de "puni-las e feri-las", afirmou a Anistia Internacional em um relatório publicado nesta quinta-feira.

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