Mundo Confrontos entre manifestantes e militares deixam três mortos na Bolívia

02:00  20 novembro  2019
02:00  20 novembro  2019 Fonte:   msn.com

Morales renuncia por pressão das ruas e dos militares

  Morales renuncia por pressão das ruas e dos militares Morales renuncia por pressão das ruas e dos militares"Renuncio a meu cargo de presidente para que (Carlos) Mesa e (Luis Fernando) Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais", disse Morales em Cochabamba, em discurso televisionado, referindo-se a líderes opositores que convocaram protestos contra ele, desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.

Policiais de choque diante de manifestantes em Sacaba, Cochabamba, em 18 de novembro de 2019. © RONALDO SCHEMIDT Policiais de choque diante de manifestantes em Sacaba, Cochabamba, em 18 de novembro de 2019.

Confrontos entre manifestantes e militares que liberavam o acesso a uma central de combustíveis em El Alto, cidade vizinha a La Paz, deixaram três mortos e 30 feridos nesta terça-feira, um dia antes de a OEA discutir uma resolução pedindo eleições urgentes na Bolívia.

"Se constatou a existência de três mortos, dois deles confirmados (por impacto) de bala", inclusive Dayvi Posto Cusi, de 31 anos, disse um porta-voz da Defensoria do Povo à AFP.

Além disso, a entidade revisou para 30 o número de feridos, todos leais ao ex-presidente Evo Morales, que está asilado no México, após renunciar ao cargo em 10 de novembro, depois de ser reeleito em eleições denunciadas como fraudulentas pela oposição e a OEA, que encontrou "irregularidades".

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  Desigualdade alta, polarização, descrença: os elementos em comum nas crises políticas da América Latina Desigualdade alta, polarização, descrença: os elementos em comum nas crises políticas da América LatinaAmbos enfrentaram nas últimas semanas massivas manifestações populares em seus países, com um saldo sangrento de mortos e centenas de feridos, além de destruição urbana. No último domingo, enquanto Evo renunciava ao posto, Piñera chamava uma constituinte para tentar deter a instabilidade social.

Um comunicado das Forças Armadas destacou que "agitadores e vândalos enfurecidos" atacaram e destruíram parcialmente a central de hidrocarbonetos de Senkata, "utilizando explosivos de alto poder". 

Pouco antes, uma força combinada de policiais e militares, apoiada por blindados e helicópteros, entrou na planta, ocupada há dias por manifestantes, para retomar em carros-tanque o abastecimento de combustível, cuja escassez começa a se aprofundar em La àz.

Do México, Morales escreveu no Twitter: "Eu denuncio ao mundo que o governo de fato no estilo de ditaduras militares novamente mata meus irmãos em El Alto, que resistem pacificamente ao golpe e lutam em defesa da vida e da democracia".

A presidente interina Jeanine Áñez (direita) assinou um decreto nos últimos dias, descrito pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) como "grave", que isenta os militares de processos penais se gerarem vítimas em suas tarefas de manutenção da ordem no país, convulsionado há um mês.

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OEA 

Para tentar acalmar a situação, Áñez prometeu realizar eleições presidenciais e legislativas em breve, mas sem precisar a data.

A crise boliviana será analisada nesta quarta-feira pelo Consejo Permanente da OEA, órgão executivo do bloco regional com sede em Washington, que discutirá a proposta de Brasil e Colômbia pela adoção de um calendário eleitoral urgente e que dê todas as garantias democráticas.

A iniciativa instrui ainda a Secretaria Geral da OEA a conceder à Bolívia todo o apoio técnico "para que se dê o início imediato ao processo eleitoral, conforme os princípios de transparência, independência, credibilidade e confiança".

Nesse quadro conflituoso e de múltiplas pressões, a Igreja Católica mantém um espaço para o diálogo com autoridades e opositores para chegar a um acordo sobre a eleição das autoridades eleitorais e a convocação de novas eleições, depois das denúncias de fraude nas eleições presidenciais de 20 de outubro que desencadearam a crise atual.

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  Quais países apoiam Evo Morales e quais veem afastamento com bons olhos País sul-americano está sob os holofotes internacionais desde que Morales anunciou renúncia e buscou asilo político no México.No episódio mais recente da crise, a senadora da oposição Jeanine Áñez se declarou presidente interina, apesar das dúvidas sobre se havia quórum para instalar a sessão que a alçou ao posto. Ela disse que era a primeira na linha de sucessão pela Constituição e prometeu realizar eleições em breve.

Cocaleros seguidores de Morales, que renunciou e está no México há uma semana, entraram em confronto na segunda-feira com militares e policiais na região de Cochabamba (centro), desejosos de continuar seu trajeto até La Paz, sede do poder executivo, para buscar a renúncia da presidente interina.

Os incidentes foram registrados nos arredores da cidade de Cochabamba (400 km a leste de La Paz), depois de outros confrontos violentos na cidade vizinha de Sacaba, que deixaram na sexta-feira nove mortos. Os cocaleros partiram dias antes da região de Chapare, reduto de Morales, para passar por Cochabamba e terminar em La Paz.

Na segunda-feira, enfurecidos pela morte de seus companheiros, os seguidores de Morales tentaram entrar na cidade à força, mas foram dispersos com gás lacrimogêneo e veículos blindados, enquanto a multidão respondia com pedras.

Em La Paz, indígenas aimarás seguem mobilizados, detonando fogos de artifício, sob vigilância policial.

Eleições gerais 

O poderoso líder regional de Santa Cruz e peça-chave na renúncia do ex-presidente, Luis Fernando Camacho, estabeleceu um prazo até quinta-feira para o Congresso eleger os membros do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

Organizações internacionais criticam "uso desproporcional da força" contra seguidores de Evo Morales na Bolívia

  Organizações internacionais criticam País viveu na sexta um dia de violência, repressão e luto. Na província de Chapare, um dos bastiões de Evo, ao menos cinco pessoas morreram.No final do dia, o governo, divulgou dados policiais e militares informando que cinco pessoas foram mortas, atingidas por tiros, e ao menos 22 foram feridas. Os números ainda podem ser atualizados.

"Exigimos eleições até 19 de janeiro de 2020, com a incorporação de novos atores e um Tribunal Eleitoral transparente e acima de tudo imparcial", escreveu Camacho no Twitter, sem especificar quais medidas  tomará se seus pedidos forem ignorados.

Todas os cargos do TSE ficaram vacantes desde a prisão de suas autoridades, após uma auditoria da OEA, mais de uma semana atrás, que constatou irregularidades na contagem de votos nas eleições de outubro que reelegeram Morales contra o ex-presidente Carlos Mesa.

Mesa e o também ex-presidente Jorge Quiroga pediram a Áñez que convoque eleições gerais o mais rápido possível, mesmo que por decreto presidencial, se o Parlamento - onde o partido de Morales é maioria - não conseguir organizar a formação do corpo eleitoral. 

A violência social na Bolívia, que começou após as eleições de 20 de outubro, qualificadas de fraudulentas pelos adversários de Morales, já deixou 27 mortos e mais de 400 feridos, segundo a Defensoria do Povo.

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Hong Kong: manifestantes escapam de cerco à Universidade Politécnica em fuga cinematográfica .
Dezenas de manifestantes de Hong Kong escaparam de um cerco policial de dois dias em um campus universitário nesta segunda-feira (18), descendo uma ponte pendurados numa corda para serem resgatados por motos que os aguardavam na estrada, em uma fuga dramática e perigosa que se seguiu a um aviso renovado por Pequim de uma possível intervenção para acabar com a crise que envolve a cidade. Confrontos ressoaram ao longo do dia entre manifestantes e policiais que ameaçaram usar força mortal para desalojar ativistas escondidos na Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU).

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