Política Sem Mandetta, Bolsonaro faz reunião com Terra e médica elogiada por bolsonaristas

00:37  07 abril  2020
00:37  07 abril  2020 Fonte:   estadao.com.br

Mandetta fica de fora de reunião com médicos na Presidência

  Mandetta fica de fora de reunião com médicos na Presidência Mandetta fica de fora de reunião com médicos na Presidência

O presidente Jair Bolsonaro deve demitir ainda nesta segunda-feira o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta , em meio à crise A expectativa é que a decisão seja publicada em edição extra do Diário Oficial da União após reunião do presidente com todos os ministros, entre eles Mandetta

Bolsonaro escancarou seu descontentamento com Mandetta na última semana. Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre as declarações de Bolsonaro feitas na última quinta-feira, 2, Mandetta respondeu C. Bolsonaro questiona Mourão por reunião com 'maior opositor socialista'.

O deputado federal Osmar Terra, ex-ministro da Cidadania   © Marcelo Camargo/Agência Brasil O deputado federal Osmar Terra, ex-ministro da Cidadania

BRASÍLIA – Com uma relação conflituosa com seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro excluiu o auxiliar novamente de uma reunião para discutir o uso da cloroquina em pacientes contaminados pelo novo coronavírus. No encontro, um almoço no Palácio do Planalto, estavam dois dos cotados para assumir a pasta em caso de demissão de Mandetta, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania, e a médica imunologista Nise Yamaguchi, que tem sido elogiada por bolsonaristas nas redes sociais pela defesa do tratamento precoce com o medicamento.

São Paulo registra panelaços contra a demissão do ministro Mandetta

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Após não ter sido incluído em uma reunião de Bolsonaro com médicos na última quarta-feira (1) Sem citar Mandetta , insinuou que poderia demitir o ministro ao dizer que não tinha medo de 'usar a Um dos apoiadores do ministro é o presidente da Câmara Rodrigo Maia, que elogiou Mandetta na

A reunião com a presença de Terra aconteceu na última quarta-feira, em meio a uma escalada de distanciamento entre o ministro da Saúde e o presidente da República, Jair Bolsonaro . Na noite desta quinta-feira, Bolsonaro disse que está "faltando humildade" a Mandetta .

O uso da substância, indicada para casos de malária, é uma das controvérsias entre Bolsonaro e Mandetta. O presidente é um entusiasta da cloroquina, que tem apresentado resultados promissores contra o coronavírus. O ministro, por sua vez, tem pedido cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus. Também estava presentes cinco ministros

Convidada especial do almoço, Dra. Nise, como é conhecida, sugeriu a Bolsonaro a adoção do tratamento precoce com cloroquina em todo o Brasil e relatou experiências exitosas de uso do medicamento contra a covid-19.

De acordo com os relatos, o presidente se mostrou animado com o que ouviu e marcou uma nova reunião para o fim da tarde com representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de especialistas da área, para discutir o uso de cloroquina no início dos primeiros sintomas da doença.

Ameaçado de demissão por Bolsonaro, Mandetta é cobiçado por Doria e Caiado

  Ameaçado de demissão por Bolsonaro, Mandetta é cobiçado por Doria e Caiado A atuação do ministro da Saúde no combate ao novo coronavírus no país é elogiada pelos governadores e conta com o apoio dos comandos do STF e do CongressoO ministro observou que a crítica construtiva "enobrece" e faz dar passos à frente. "O que temos dificuldade é quando em determinadas situações, ou determinadas impressões, as críticas não vêm no sentido de construir, mas para trazer dificuldade no ambiente de trabalho. Isso tem sido uma constante. Vamos continuar", reiterou.

O presidente Jair Bolsonaro convidou o ex-ministro Osmar Terra para um almoço no Palácio do Planalto, em plena crise com o ministro da Saúde Segundo o jornal O Globo, o presidente Jair Bolsonaro deve anunciar ainda nesta segunda-feira, durante reunião do presidente com todos os

Bolsonaro editou uma segunda medida provisória sobre esse tema depois que o Congresso O governo tentou transferir a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas da Funai para o Mandetta avisou a Bolsonaro que defenderia isolamento e pediu que presidente parasse de

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O almoço desta segunda-feira, 6, foi a segunda vez em que Bolsonaro se reúne com representantes da área médica para tratar sobre a cloroquina e deixa Mandetta de fora. Na semana passada também havia feito o mesmo, reunindo-se com médicos, mas sem convidar o ministro. Questionado na ocasião, Mandetta disse que “só trabalho com a ciência”. “Existem pessoas que trabalham com critérios políticos, que são importantes também, deixem que eles trabalhem”, disse.

Segundo pessoas que participaram do encontro desta segunda, a saída de Mandetta não foi discutida durante o almoço. Um ministro disse ao Estado que, pelo menos por enquanto, o presidente não pretende demitir o titular da Saúde, apesar das discordância em relação à melhor estratégia de enfrentamento ao vírus. Segundo este ministro, no entanto, é preciso que Mandetta “não dê motivos”. O presidente tem criticado o que chamou de “falta de humildade” do titular da Saúde na condução da crise.

Após Mandetta pedir ‘paz’, bolsonaristas fazem ofensiva contra ministro da Saúde

  Após Mandetta pedir ‘paz’, bolsonaristas fazem ofensiva contra ministro da Saúde Após Mandetta pedir ‘paz’, bolsonaristas fazem ofensiva contra ministro da SaúdeDurante a tarde, a hashtag #MandettaGenocida ficou entre as mais citadas do Twitter. Os bolsonaristas tentam emplacar a narrativa que o ministro coloca vidas em risco por não editar um protocolo de hidroxicloroquina para tratamento do novo coronavírus no Brasil por meio de decreto.

O desempenho de Jair Bolsonaro no combate à epidemia de Covid-19 é aprovado por apenas 54% dos eleitores do próprio Jair Bolsonaro – menos do que os governadores, que são aprovados por 56% dos bolsonaristas .

O vídeo jacobino de Jair Bolsonaro , segundo Janaina Paschoal, é uma farsa. Ela comentou no Twitter: “ Bolsonaro e Bolsonaristas fizeram acordo com Maia! Aliás, Bolsonaro acaba de condecorá-lo ao lado do filho Eduardo e de Alcolumbre!

Nise Yamaguchi tem 40 anos dedicados à medicina, é imunologista e cancerologista de renome internacional, com participação em sociedades científicas na Europa e nos Estados Unidos. Médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Nise esteve na linha de frente em diversas batalhas pela saúde no Brasil e no mundo, ao trabalhar com pacientes de aids desde o surgimento dos primeiros casos da doença no Brasil.

A médica defende o chamado isolamento vertical – em que apenas os grupos de risco, como idosos e pessoas com alguma doença pré-existente – ficariam em casa, enquanto jovens voltariam ao trabalho e ir para a escola. A estratégia, que permitiria a retomada de parte da atividade econômica no País, também é defendida por Bolsonaro.

Em entrevista recente a um portal de notícias, a médica disse que “com base em estudos clínicos realizados recentemente na França e em outros países, decidiu-se adotar um tratamento preventivo com essa população, oferecendo hidroxicloroquina nos primeiros dias da infecção” e que, “imediatamente percebeu-se que isso diminuía muito o risco do agravamento da doença”.

A imunologista disse na reunião com o presidente estar empenhada em replicar esse modelo no Brasil, adotando o uso da cloroquina em larga escala, para todas as pessoas que apresentarem os primeiros sintomas da doença. Estas pessoas receberiam o medicamento em casa.

A médica argumenta que a hidroxicloroquina, em associação com o antibiótico azitromicina, atua fortalecendo as células humanas e diminuindo a capacidade de replicação do vírus. Se aplicado até o 4.º dia de aparecimento dos sintomas, esse tratamento diminui exponencialmente o risco de internação e a necessidade de uso do respirador.

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Bolsonaristas já celebram saídas de Mandetta e de Toffoli de presidência .
A ''folhinha bolsonarista'' compartilhada em grupos de WhatsApp por integrantes da ala ideológica do governo traz três efemérides para 2020 .No calendário de "datas comemorativas", seguidores do escritor Olavo de Carvalho citam o último dia de mandato do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, em 30 de setembro, e a aposentadoria compulsória do decano da Corte, Celso de Mello, que completa 75 anos em 1.º de novembro.

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