Política Mandetta rebate Doria, defende Bolsonaro e diz que ‘ninguém é dono da verdade’

01:22  09 abril  2020
01:22  09 abril  2020 Fonte:   estadao.com.br

Em pronunciamento, Bolsonaro volta a citar OMS e é alvo de panelaços

  Em pronunciamento, Bolsonaro volta a citar OMS e é alvo de panelaços Presidente fez novo pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV nesta terça-feira , 31. O discurso do presidente foi acompanhado de panelaços em vários pontos do País. Acompanhe nossa cobertura sobre o coronavírus.Últimas notícias, perguntas e respostas e como se cuidar. Mais cedo, em conversa com jornalistas e apoiadores, Bolsonaro não colocou o contexto em que a declaração foi dada e omitiu trecho do discurso em que Tedros afirma que governos de todo o mundo precisam garantir assistência a pessoas mais vulneráveis e informar sobre a duração das medidas de restrição de movimentação das pessoas.

Mandetta disse que sua única exigência é "melhor condição de trabalho" e revelou que os assessores chegaram até a limpar as gavetas, nesta segunda, em meio a O ministro, aplaudido pela equipe da pasta ao chegar para a coletiva de imprensa, se colocou como " dono das dúvidas", e não da verdade .

Mandetta bateu de frente com Bolsonaro principalmente por causa da questão da quarentena ampla, que o ministro e as principais autoridades de saúde do mundo defendem , entre elas Já Yamaguchi é defensora do uso da cloroquina no tratamento do coronavírus – Bolsonaro é um entusiasta da ideia.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva; chefe da pasta defende governo © Dida Sampaio/Estadão O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva; chefe da pasta defende governo

BRASÍLIA – Ao defender um “posicionamento técnico” sobre a adoção da cloroquina no combate ao novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez, nesta quarta-feira, 8, uma clara defesa política do governo Bolsonaro sobre o assunto. O ministro também rebateu o governador de São Paulo, João Doria, e disse que “não existe ninguém que é o dono da verdade”.

Mandetta não poupou críticas ao posicionamento de Doria, que defendeu o epidemiologista e coordenador do Centro de Contenção do vírus em São Paulo, David Uip, alvo de pressão do presidente Jair Bolsonaro para que revelasse se fez uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, da qual se curou.

‘Dormindo’, Mandetta diz que não ouviu fala de Bolsonaro sobre demissão: ‘Amanhã eu vejo, tá?’

  ‘Dormindo’, Mandetta diz que não ouviu fala de Bolsonaro sobre demissão: ‘Amanhã eu vejo, tá?’ Presidente sinalizou que pode demitir do governo quem está ‘se achando’ e mandou recado: ‘minha caneta funciona’Bolsonaro disse a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada que “algo subiu na cabeça” de alguns de seus subordinados, mas que a “hora deles vai chegar”. “A minha caneta funciona”, afirmou Bolsonaro. “Algumas pessoas no meu governo, algo subiu a cabeça deles. Estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Tem provocações. Mas a hora deles não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles. A minha caneta funciona. Não tenho medo de usara a caneta nem pavor.

No domingo, Bolsonaro havia dito , sem citar nomes, que "algumas pessoas" do seu governo "de repente viraram estrelas e falam pelos cotovelos" e que ele não teria medo nem "pavor" Mandetta vem negando que pediria demissão e disse que só sairia do governo por decisão do presidente.

Bolsonaro disse a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada que “algo subiu na cabeça” de alguns de seus subordinados, mas que a “hora Mandetta e Bolsonaro têm divergido sobre estratégias de isolamento da população contra o novo coronavírus. O ministro defende uma ação mais ampla, para

“Não existe ninguém que é o dono da verdade. Não existe Estado que possa falar que é melhor que o outro. Hoje esse medicamento não tem paternidade. Não tem que politizar esse assunto”, disse Mandetta, referindo-se diretamente ao governo de São Paulo.

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Como não fazia há muito tempo, Mandetta fez questão de citar o nome de Bolsonaro em sua defesa do governo. “Para todos aqueles com ânimos mais exaltados, aqui está tudo bem”, disse o ministro. “Essa estrada vai ter dias muito duros. Quem comanda esse time é o presidente Jair Messias Bolsonaro”, acrescentou, mencionando o nome completo do presidente da República.

Na tentativa de tentar afastar de vez o clima ruim com o presidente, Mandetta disse ainda que Bolsonaro “em nenhum momento fez qualquer movimento de imposição” em relação à adoção da cloroquina no tratamento das pessoas. Bolsonaro defende o medicamento, disse Mandetta, mas também “sabe que precisamos que os conselhos de medicina avaliem esse uso.”

Em meio à crise, Bolsonaro se reúne com Mandetta no Palácio do Planalto

  Em meio à crise, Bolsonaro se reúne com Mandetta no Palácio do Planalto Em meio à crise, Bolsonaro se reúne com Mandetta no Palácio do PlanaltoQuestionada, a assessoria do Planalto não divulgou o tema tratado entre eles. Mandetta não falou com a imprensa. O ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra, também compareceu no Planalto. A jornalistas, afirmou que seguia para a Casa Civil.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (25), o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta , classificou o discurso de Bolsonaro como um “apelo” pelo

Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tinha decidido demitir o ministro, mas voltou atrás. Maia relatou que conversou com pessoas do entorno do ministro da Saúde no fim de semana e disse a eles que Mandetta não seria demitido.

A polêmica em torno da cloroquina diz respeito a quem deve tomar o remédio, e em qual momento. O Ministério da Saúde tem defendido desde o início que se trata de uma substância que ainda não foi devidamente testada, com contraindicações sérias e que deve ser ministrada apenas pelo médico, em casos graves ou críticos de pacientes com covid-19.

Bolsonaro, porém, sempre defendeu o medicamento usado no combate à a malária como um tipo de “cura” do coronavírus, e que deve ter seu uso massificado a toda a população. Os primeiros testes com paciente com sintomas leves da doença, porém, sequer tiverem início.

Na manhã desta quarta-feira, Bolsonaro recorreu às redes sociais para dizer que “dois renomados médicos” recuperados da doença se recusaram a divulgar se usaram a hidroxicloroquina durante o tratamento, se referindo a David Uip e ao cardiologista Alexandre Kalil, do Hospital Israelita Albert Einstein, que pouco depois disse que consumiu a droga.

Aliado de Bolsonaro, Osmar Terra retuíta fala de Doria sobre doação de salário

  Aliado de Bolsonaro, Osmar Terra retuíta fala de Doria sobre doação de salário Tucano anunciou ajuda à população. É alvo de críticas de Bolsonaro durante a condução da crise do coronavírus. Osmar Terra foi 1 dos nomes cotados para possível substituição de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.

Luiz Henrique Mandetta (Campo Grande, 30 de novembro de 1964) é um médico ortopedista e político brasileiro. Foi deputado federal e atualmente é Ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro . Nascido na capital do Mato Grosso do Sul em 30 de novembro de 1964

Na coletiva, Mandetta disse que sua atuação será guiada pela ciência e defendeu que as pessoas As duas fontes confirmam que não está nos planos do ministro pedir demissão, nem de ninguém da Bolsonaro havia dito que planejava uma segunda fala esse final de semana para, segundo ele

A postura do presidente motivou ataques virtuais de apoiadores de Bolsonaro aos dois médicos, em especial à Uip, por sua ligação com o governo de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), que protagoniza atritos com o chefe do Planalto durante a crise do coronavírus.

David Uip reagiu e, em entrevista coletiva, pediu ao presidente que ele respeitasse seu direito enquanto paciente de não revelar o que usou durante seu tratamento, afirmando que respeitou Bolsonaro quando ele preferiu não mostrar os resultados de seus exames para covid-19. O médico disse ainda que os ataques que recebeu serão levados à Justiça. "Tomarei providências legais por essa invasão à minha privacidade e à dos meus pacientes", disse o infectologista, ao afirmar que a privacidade de sua clínica particular também foi agredida.

Uip ainda lembrou que, durante reunião com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi ele quem recomendou ao governo que autorizasse o uso da hidroxicloroquina para pacientes internados com covid-19, mas sempre sob receita médica e autorização formal do paciente. A recomendação foi acatada pelo Ministério.

Doria também reagiu, com repúdio ao “gabinete do ódio em Brasília” e seus ataques aos médicos, técnicos e autoridades da saúde “Nós precisamos de paz e não de confronto. Que País é esse onde o confronto através das redes sociais é feito para destruir as pessoas e a reputação?”, disse o governador.

Durante entrevista no Palácio dos Bandeirantes, Doria ainda voltou a fazer referência ao presidente Jair Bolsonaro. “Não foi nenhum médico no Brasil que disse, por várias vezes, que a gravíssima crise do coronavírus era uma gripezinha ou um resfriadinho”, disse o governador. “Portanto, respeito com os médicos do Brasil”, disse.

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Sob supervisão do gabinete do ódio, governo fez 'dossiê' contra Mandetta .
A ideia era mostrar que Mandetta cometeu erros na condução do combate ao coronavírus, para que não saísse como ''vítima'' da criseA ideia era mostrar que Mandetta cometeu erros na condução do combate ao coronavírus, para que não saísse como "vítima" da crise. A estratégia foi desenhada para desgastar a imagem do agora ex-ministro desde que o confronto entre ele e Bolsonaro aumentou.

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