Política ‘Precisava estancar a ofensa’, diz deputado que destruiu placa contra racismo

11:50  29 novembro  2019
11:50  29 novembro  2019 Fonte:   poder360.com.br

Deputado do PSL arranca cartaz sobre exposição contra o racismo na Câmara

  Deputado do PSL arranca cartaz sobre exposição contra o racismo na Câmara Deputado do PSL arranca cartaz sobre exposição contra o racismo na Câmara BRASÍLIA – Uma exposição que trata do racismono Brasil virou motivo de bate-boca na tarde desta terça-feira, 19, na Câmara dos Deputados. O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) arrancou da parede da exposição uma imagem em que aparecia um policial, de arma na mão, e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase “O genocídio da população negra”. O ato do deputado provocou reação imediata de deputados presentes na Casa.

Coronel Tadeu (PSL-SP) não afastou possibilidade de migrar para Aliança pelo Brasil © Reprodução/Youtube Coronel Tadeu (PSL-SP) não afastou possibilidade de migrar para Aliança pelo Brasil

Cinco dias depois de quebrar uma placa exposta na Câmara por ocasião do Dia da Consciência Negra, o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) reconheceu que “realmente é discutível” se ele poderia ter pedido a retirada da obra de outra maneira. No entanto, acrescentou que “determinadas coisas você precisa estancar a ofensa na hora”. Produzida pelo artista Carlos Latuff, a imagem associava a polícia à morte de jovens negros.

Em seu 1º mandato como congressista, Coronel Tadeu, de 54 anos, é também policial militar. Disse,  em entrevista no estúdio do Poder360, que o quadro ofendia sua categoria. Outros 2 deputados, disse ele, tinham pedido “providências pela curadoria [da exposição], pelo presidente [da Câmara], sei lá qual trâmite administrativo seria adotado”.

Maia critica deputado por arrancar placa de exposição na Câmara

  Maia critica deputado por arrancar placa de exposição na Câmara Deputado do PSL quebrou obra de arte. Parte de exposição da consciência negra“Não é porque nós divergimos da posição da outra pessoa que nós devemos agredi-la verbalmente e fisicamente ou retirar de forma violenta, de uma exposição, uma peça que foi autorizada pela presidência da Câmara”, afirmou Rodrigo Maia.

Tadeu falou que não sabia desses pedidos. “Se soubesse, teria aguardado a decisão do presidente [da Câmara, Rodrigo Maia].” “A situação é dantesca: você está numa exposição contra o racismo praticando o racismo. Desta vez, contra os policiais militares.”

Assista à íntegra da entrevista: (49min07seg):

POLÍTICA DE SEGURANÇA NO RIO

O congressista foi questionado sobre a política de segurança pública adotada pelo governador Wilson Witzel (PSC) no Rio de Janeiro, Estado que registra mais de 1.500 mortes em decorrência de operações policiais desde o início do ano.

''Não há arrependimento'', diz deputado que arrancou cartaz sobre racismo

  ''Não há arrependimento'', diz deputado que arrancou cartaz sobre racismo ''Não há arrependimento'', diz deputado que arrancou cartaz sobre racismoNa imagem, um policial de arma na mão e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase "O genocídio da população negra". O ato do deputado provocou reação imediata de deputados que acusaram o militar de racista. Tadeu se defende elogiando a exposição e negando qualquer tipo de preconceito.

Tadeu afirmou que a iniciativa de Witzel é “corajosa e necessária, porque o Rio precisa disso”. “Quando vai para o combate, nenhum policial vai para matar pessoa inocente. Ele vai para matar o traficante”, disse.

“Às vezes, os acidentes acontecem, como no caso da menina Ágatha. Uma fatalidade, uma pena ter acontecido isso, realmente. A gente sabe que é lamentável, mas em nenhum momento o policial queria acertar nela. Ela, infelizmente, pagou o preço de uma guerra entre a polícia e o crime organizado que nós temos neste país”, afirmou.

Como forma de poupar vidas em operações policiais, Tadeu disse que “muito treinamento” é “a chave do sucesso”. “Lembre-se que você está indo para uma guerra. O soldado bem treinado vai ter uma probabilidade muito maior de sair vitorioso sem ceifar vidas de inocentes e atacando o bandido.”

O treinamento defendido pelo congressista é “tático”. “É tiro mesmo, tiro de precisão para atingir só o marginal. E é tiro complicado de fazer, porque está em movimento, está carregando uma arma, está carregando equipamentos, então não é 1 tiro tão simples. Mas precisa treinar muito. Quanto mais você treinar, melhor você estará no campo de batalha.”

Professor da Unesp é xingado de macaco e esfaqueado em Bauru

  Professor da Unesp é xingado de macaco e esfaqueado em Bauru Professor da Unesp é xingado de macaco e esfaqueado em BauruO caso foi relatado pela própria vítima em sua página no Facebook, na tarde desta quarta. "Fui chamado de macaco. Reagi, fui esfaqueado!", escreveu Xavier.

Deputado Coronel Tadeu quebrou placa de exposição contra racismo © Reprodução Twitter Deputado Coronel Tadeu quebrou placa de exposição contra racismo

EVENTUAL MUDANÇA PARA O ALIANÇA PELO BRASIL

Eleito na onda do bolsonarismo, Coronel Tadeu disse que pode mudar do PSL para o partido em processo de criação pelo presidente Jair Bolsonaro –o Aliança pelo Brasil. “Estou do lado do presidente, sempre.” No entanto, ponderou que “tudo vai depender do tempo” necessário para consumar a criação da nova sigla.

“Me interessa estar ao lado do presidente Jair Bolsonaro porque caminhei ao lado dele expondo a foto dele. É uma pessoa honesta, muito simples, e tem uma pauta realmente que se encaixa com meu perfil de vida, com minha trajetória na polícia militar”, afirmou.

O congressista também disse que não pode estar “em nenhum momento” longe do presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), que foi publicamente criticado por Bolsonaro. “Seria uma incoerência muito grande, estaria demonstrando minha total infidelidade ao partido.”

Coronel Tadeu ainda disse que não queria a manutenção do deputado Delegado Waldir (GO) na liderança da bancada do PSL na Câmara. Mas votou a favor do colega, em detrimento do deputado Eduardo Bolsonaro (SP), por ser favorável à escolha do líder “num processo de votação”, e não “por imposição”.

Placa rasgada em exposição sobre racismo é recolocada na Câmara com aviso ao lado

  Placa rasgada em exposição sobre racismo é recolocada na Câmara com aviso ao lado Placa rasgada em exposição sobre racismo é recolocada na Câmara com aviso ao ladoA imagem foi remendada com pregos e um aviso foi exposto ao seu lado. “A bancada negra sabe que essa charge não representa toda a corporação e respeita os policiais que não corroboram para essas estatísticas e trabalham em prol do povo brasileiro”, diz o recado.

2ª INSTÂNCIA E DEFESA DE EMPRESAS AÉREAS

Coronel Tadeu afirmou ser a favor da prisão a partir da condenação em 2ª Instância. Disse que “quando o assunto é importante, as coisas andam dentro da Câmara”, em referência à análise da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o assunto, colocada em pauta depois de julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema.

O congressista também defendeu a desburocratização da aviação e o aumento da competitividade no setor, com a entrada de empresas estrangeiras para operar no Brasil. Ele elogiou o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). “Está fazendo 1 belíssimo trabalho”, avaliou.

Para Tadeu, 1 dos problemas no setor é o excesso de processos judiciais. “Vou dar 1 exemplo: o voo atrasou 15 minutos por problemas de meteorologia. Ou o voo foi cancelado. O passageiro entra na Justiça, só que a companhia não tem culpa. Inclusive, o próprio contrato entre a companhia e o passageiro prevê essa possibilidade de mau tempo.”

O deputado disse que pretende fazer uma audiência pública para debater a questão. Ele afirmou que o custo de advogados é caro, mesmo que a companhia não seja condenada. “Só de você citar a empresa e ela gastar com advogado, você já conseguiu 1 problema a mais para a companhia aérea.”

Tadeu foi questionado se o mesmo peso financeiro também não recaía sobre os clientes e se tinha números sobre a quantidade de processos contra as companhias. Disse que não. “Mas conversando com representantes das companhias, me passaram essa demanda”, ponderou. “Falaram que isso complica muito no Brasil. Ele [país] detém o dobro de ações judiciais no mundo inteiro.”

Ele também defendeu a concessão de aeroportos como Santos Dumont, no Rio, e Congonhas, em São Paulo. Para ele, o caso do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), não deu certo porque a Infraero tem 49% do negócio. “Isso é muito ruim, porque ela participa dos lucros, mas não participa das despesas.”

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